Questões de Sintaxe (sujeito, concordância e pronomes) no IME
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IME20261a faseQuestao 8PortuguêsSintaxe (sujeito, concordância e pronomes)Dificil
Texto 1 — CANÇÃO DO EXPEDICIONÁRIO
1 Você sabe de onde eu venho?
2 Venho do morro, do Engenho,
3 Das selvas, dos cafezais,
4 Da boa terra do coco,
5 Da choupana onde um é pouco,
6 Dois é bom, três é demais,
7 Venho das praias sedosas,
8 Das montanhas alterosas,
9 Dos pampas, do seringal,
10 Das margens crespas dos rios,
11 Dos verdes mares bravios
12 Da minha terra natal.
13 Por mais terras que eu percorra,
14 Não permita Deus que eu morra
15 Sem que volte para lá;
16 Sem que leve por divisa
17 Esse "V" que simboliza
18 A vitória que virá:
19 Nossa vitória final,
20 Que é a mira do meu fuzil,
21 A ração do meu bornal,
22 A água do meu cantil,
23 As asas do meu ideal,
24 A glória do meu Brasil.
25 Eu venho da minha terra,
26 Da casa branca da serra
27 E do luar do meu sertão;
28 Venho da minha Maria
29 Cujo nome principia
30 Na palma da minha mão,
31 Braços mornos de Moema,
32 Lábios de mel de Iracema
33 Estendidos para mim.
34 Ó minha terra querida
35 Da Senhora Aparecida
36 E do Senhor do Bonfim!
37 Você sabe de onde eu venho?
38 É de uma Pátria que tenho
39 No bojo do meu violão;
40 Que de viver em meu peito
41 Foi até tomando jeito
42 De um enorme coração.
43 Deixei lá atrás meu terreno,
44 Meu limão, meu limoeiro,
45 Meu pé de jacarandá,
46 Minha casa pequenina
47 Lá no alto da colina,
48 Onde canta o sabiá.
49 Venho do além desse monte
50 Que ainda azula o horizonte,
51 Onde o nosso amor nasceu;
52 Do rancho que tinha ao lado
53 Um coqueiro que, coitado,
54 De saudade já morreu.
55 Venho do verde mais belo,
56 Do mais dourado amarelo,
57 Do azul mais cheio de luz,
58 Cheio de estrelas prateadas,
59 Que se ajoelham deslumbradas,
60 Fazendo o sinal da Cruz!
61 Por mais terras que eu percorra,
62 Não permita Deus que eu morra
63 Sem que volte para lá;
64 Sem que leve por divisa
65 Esse "V" que simboliza
66 A vitória que virá:
67 Nossa vitória final,
68 Que é a mira do meu fuzil,
69 A ração do meu bornal,
70 A água do meu cantil,
71 As asas do meu ideal,
72 A glória do meu Brasil.
(Guilherme de Almeida. Disponível em museuvirtualdafeb.eb.mil.br/cancao-expedicionario. Texto adaptado.)
———
Respondendo à pergunta presente no primeiro verso do texto 1, vários versos apresentam paralelismo no seu modo de construção. Assinale a alternativa em que ocorre uma quebra de paralelismo semântico distinto das demais alternativas.
A)"Venho do morro, do Engenho, [...]" (linha 2)
B)"Venho das praias sedosas, [...]" (linha 7)
C)"Eu venho da minha terra, [...]" (linha 25)
D)"Venho da minha Maria [...]" (linha 28)
E)"Venho do além desse monte [...]" (linha 49)
IME20241a faseQuestao 9PortuguêsSintaxe (sujeito, concordância e pronomes)Dificil
Texto 1 — O REGRESSO DE MATIMATI (Mia Couto / Terra Sonâmbula)
Mia Couto é o pseudônimo de António Emílio Leite, nascido em Moçambique em 1955. Em muitas obras, Mia Couto reinventa a língua portuguesa por meio de um poderoso léxico poético, sob a influência dos falares das várias regiões do País, criando um novo modelo de narrativa africana, imbuído às vezes de uma cosmovisão mítica. Terra Sonâmbula, seu primeiro romance, publicado em 1992, conta as peripécias e provações do menino Muidinga e do velho Tuahir, que, fugindo da guerra civil após a descolonização de Moçambique, acham abrigo em um ônibus abandonado em uma estrada. Muidinga aí encontra os cadernos de Kindzu, cujos relatos estão relacionados ao passado do menino e da vida comunitária de Moçambique. O título da obra faz referência à instabilidade do País e, portanto, à falta de repouso e de paz de uma terra que permanece "sonâmbula".
O REGRESSO DE MATIMATI
1 Farida me dera um gosto novo de viver. Até ali me distraíra nesse estar contente sem nenhuma felicidade.
Depois de Farida me tornei encontrável, em mim visível. Muitas vezes me avisei do perigo desse amor. Nenhum
de nós podia esperar muito: como ela, eu era apenas passageiro esquecido da qual viagem. Mas Farida me
mandava calar, dedo sorrindo sobre os lábios. Eu temia sua inocência: ela estava desamparada, sem ninguém a
5 quem recorrer. Eu sentia o mesmo, mas de uma outra maneira. Talvez porque não tivesse um filho, não tivesse
ninguém. Minha única posse era o medo. Sim, foi para escapar do medo que saíra de minha pequena vila.
Porque esse sentimento já totalmente me ocupava: eu passeava com o medo na rua, dormia com o medo em
casa. Quem vive no medo precisa um mundo pequeno, um mundo que pode controlar. Nosso mundo, meu e de
Farida, tinha agora o tamanho de um navio. Para mim, aquele era apenas um passageiro momento. Para Farida,
10 aquilo era o imutável cumprir de um destino.
Minha companheira comentava quase nada as realidades da vida corrente. Fantasiática, tudo para ela
ocorria no além-visto. Só uma vez beliscou o assunto da guerra. Inquiria-me como se habitasse um outro país:
— Essa guerra algum dia há de acabar?
Acenei que sim. Mas meu coração se pequenou, constreitinho. Farida queria conhecer mais: saber o motivo
15 da guerra, a razão daquele desfile de infinitos lutos. Lembrei as palavras de Surendra: tinha que haver guerra,
tinha que haver morte. E tudo era para quê? Para autorizar o roubo. Porque hoje nenhuma riqueza podia
nascer do trabalho. Só o saque dava acesso às propriedades. Era preciso haver morte para que as leis fossem
esquecidas. Agora que a desordem era total, tudo estava autorizado. Os culpados seriam sempre os outros.
— Pode acabar no país, Kindzu. Mas para nós, dentro de nós essa guerra nunca mais vai terminar.
20 Farida não voltou a falar da guerra. Parecia não ter força para enfrentar as matanças distantes. Simples-
mente parasse aquela discórdia dentro de si, aquela angústia que lhe tirava o sossego. Era só essa pequenina
paz que ela sonhava. Quando, por fim, me despedi, ela me pediu:
— Lá, em Matimati, nunca fale de meu nome. Eles me odeiam.
Já em meu concho, remando para terra, surgia clara a razão do meu retorno à costa. Eu procurava apagar o
25 fogo que devorava aquela mulher. Nem sequer era generosidade. Precisava salvar Farida porque ela me salvava
da miséria de existir pouco. Havia, por fim, um alguém que não estava metido no mesmo lodo em que todos
chafundávamos, alguém que mantinha a esperança, louca que fosse. Farida, ao menos, tinha uma ilha com um
inviável farol, um barco que viria de lá onde habitam os anjonautas.
Ao avistar a praia de Matimati, comprovei como são nossos olhos que fazem o belo. Meu estado de paixão
30 puxava um novo lustro àquela terra em ruínas. Aquelas visões, dias antes, já tinham estado em meus olhos.
Porém, agora tudo me parecia mais cheio de cores, em assembleia de belezas. Desembarquei sem conhecer
por onde começar a busca. Desta vez não havia tanta gente na praia. A multidão se tinha dispersado. Seria
por consequência da ameaça das autoridades? Fui subindo por um caminhozito descalço, um trilho tão estreito
que mesmo duas serpentes não podiam namorar. A vila era menor do que parecia, suas casas estavam mais
35 inteiras que as da minha terra. Havia, no entanto, excessivos refugiados. Dormiam nas ruas, nos passeios. Por
todo lado, se viam corpos estendidos, esteirados ao sol.
Eu circulava por ali, divagante, devagaroso. Como começar para chegar ao filho de Farida? Procurar Irmã
Lúcia? Não, ela pouco adiantaria. O menino saíra da Missão rumo aos matos. O melhor seria encontrar tia
Euzinha, ela saberia das pistas que Gaspar rumara. Mas, Euzinha: onde seria seu atual paradeiro? Estaria
40 entre aqueles deslocados da vila? Ou resistira no campo, na sua casinha-natal? Resolvi não resolver nada,
deixar que a resposta acontecesse sozinha. Restava-me um tempo. Farida prometera não abandonar o barco
antes que eu trouxesse novidades de seu filho. Mesmo que viesse gente para resgatar o navio, mesmo assim
ela aguardaria por mim. Trocamos jura contra jura.
COUTO, Mia. Terra Sonâmbula. São Paulo: Companhia das Letras, 2007, p. 103-105 (texto adaptado).
———
"Farida queria conhecer mais: saber o motivo da guerra, a razão daquele desfile de infinitos lutos. Lembrei as palavras de Surendra: tinha que haver guerra, tinha que haver morte." (texto 1, linhas 14 a 16)
De acordo com a gramática normativa quanto à regência, a alternativa cuja redação está correta e apresenta o verbo com regência semelhante ao do termo em destaque no excerto acima é:
A)Farida lembrou-se das palavras de Surendra sobre a guerra.
B)Nunca me esquecerei os lutos infinitos, disse Surendra.
C)Farida nunca esqueceu das palavras ditas por Surendra naquela ocasião de guerra.
D)Após alguns dias, Surendra não esqueceu os infinitos lutos da guerra.
E)Surendra lembrou dos infinitos lutos e dos reais motivos da guerra.
IME20241a faseQuestao 10PortuguêsSintaxe (sujeito, concordância e pronomes)Dificil
Texto 1 — O REGRESSO DE MATIMATI (Mia Couto / Terra Sonâmbula)
Mia Couto é o pseudônimo de António Emílio Leite, nascido em Moçambique em 1955. Em muitas obras, Mia Couto reinventa a língua portuguesa por meio de um poderoso léxico poético, sob a influência dos falares das várias regiões do País, criando um novo modelo de narrativa africana, imbuído às vezes de uma cosmovisão mítica. Terra Sonâmbula, seu primeiro romance, publicado em 1992, conta as peripécias e provações do menino Muidinga e do velho Tuahir, que, fugindo da guerra civil após a descolonização de Moçambique, acham abrigo em um ônibus abandonado em uma estrada. Muidinga aí encontra os cadernos de Kindzu, cujos relatos estão relacionados ao passado do menino e da vida comunitária de Moçambique. O título da obra faz referência à instabilidade do País e, portanto, à falta de repouso e de paz de uma terra que permanece "sonâmbula".
O REGRESSO DE MATIMATI
1 Farida me dera um gosto novo de viver. Até ali me distraíra nesse estar contente sem nenhuma felicidade.
Depois de Farida me tornei encontrável, em mim visível. Muitas vezes me avisei do perigo desse amor. Nenhum
de nós podia esperar muito: como ela, eu era apenas passageiro esquecido da qual viagem. Mas Farida me
mandava calar, dedo sorrindo sobre os lábios. Eu temia sua inocência: ela estava desamparada, sem ninguém a
5 quem recorrer. Eu sentia o mesmo, mas de uma outra maneira. Talvez porque não tivesse um filho, não tivesse
ninguém. Minha única posse era o medo. Sim, foi para escapar do medo que saíra de minha pequena vila.
Porque esse sentimento já totalmente me ocupava: eu passeava com o medo na rua, dormia com o medo em
casa. Quem vive no medo precisa um mundo pequeno, um mundo que pode controlar. Nosso mundo, meu e de
Farida, tinha agora o tamanho de um navio. Para mim, aquele era apenas um passageiro momento. Para Farida,
10 aquilo era o imutável cumprir de um destino.
Minha companheira comentava quase nada as realidades da vida corrente. Fantasiática, tudo para ela
ocorria no além-visto. Só uma vez beliscou o assunto da guerra. Inquiria-me como se habitasse um outro país:
— Essa guerra algum dia há de acabar?
Acenei que sim. Mas meu coração se pequenou, constreitinho. Farida queria conhecer mais: saber o motivo
15 da guerra, a razão daquele desfile de infinitos lutos. Lembrei as palavras de Surendra: tinha que haver guerra,
tinha que haver morte. E tudo era para quê? Para autorizar o roubo. Porque hoje nenhuma riqueza podia
nascer do trabalho. Só o saque dava acesso às propriedades. Era preciso haver morte para que as leis fossem
esquecidas. Agora que a desordem era total, tudo estava autorizado. Os culpados seriam sempre os outros.
— Pode acabar no país, Kindzu. Mas para nós, dentro de nós essa guerra nunca mais vai terminar.
20 Farida não voltou a falar da guerra. Parecia não ter força para enfrentar as matanças distantes. Simples-
mente parasse aquela discórdia dentro de si, aquela angústia que lhe tirava o sossego. Era só essa pequenina
paz que ela sonhava. Quando, por fim, me despedi, ela me pediu:
— Lá, em Matimati, nunca fale de meu nome. Eles me odeiam.
Já em meu concho, remando para terra, surgia clara a razão do meu retorno à costa. Eu procurava apagar o
25 fogo que devorava aquela mulher. Nem sequer era generosidade. Precisava salvar Farida porque ela me salvava
da miséria de existir pouco. Havia, por fim, um alguém que não estava metido no mesmo lodo em que todos
chafundávamos, alguém que mantinha a esperança, louca que fosse. Farida, ao menos, tinha uma ilha com um
inviável farol, um barco que viria de lá onde habitam os anjonautas.
Ao avistar a praia de Matimati, comprovei como são nossos olhos que fazem o belo. Meu estado de paixão
30 puxava um novo lustro àquela terra em ruínas. Aquelas visões, dias antes, já tinham estado em meus olhos.
Porém, agora tudo me parecia mais cheio de cores, em assembleia de belezas. Desembarquei sem conhecer
por onde começar a busca. Desta vez não havia tanta gente na praia. A multidão se tinha dispersado. Seria
por consequência da ameaça das autoridades? Fui subindo por um caminhozito descalço, um trilho tão estreito
que mesmo duas serpentes não podiam namorar. A vila era menor do que parecia, suas casas estavam mais
35 inteiras que as da minha terra. Havia, no entanto, excessivos refugiados. Dormiam nas ruas, nos passeios. Por
todo lado, se viam corpos estendidos, esteirados ao sol.
Eu circulava por ali, divagante, devagaroso. Como começar para chegar ao filho de Farida? Procurar Irmã
Lúcia? Não, ela pouco adiantaria. O menino saíra da Missão rumo aos matos. O melhor seria encontrar tia
Euzinha, ela saberia das pistas que Gaspar rumara. Mas, Euzinha: onde seria seu atual paradeiro? Estaria
40 entre aqueles deslocados da vila? Ou resistira no campo, na sua casinha-natal? Resolvi não resolver nada,
deixar que a resposta acontecesse sozinha. Restava-me um tempo. Farida prometera não abandonar o barco
antes que eu trouxesse novidades de seu filho. Mesmo que viesse gente para resgatar o navio, mesmo assim
ela aguardaria por mim. Trocamos jura contra jura.
COUTO, Mia. Terra Sonâmbula. São Paulo: Companhia das Letras, 2007, p. 103-105 (texto adaptado).
———
"Fui subindo por um caminhozito descalço, um trilho tão estreito que mesmo duas serpentes não podiam namorar. A vila era menor do que parecia, suas casas estavam mais inteiras que as da minha terra. Havia, no entanto, excessivos refugiados. Dormiam nas ruas, nos passeios." (linhas 33 a 35)
Em relação ao excerto retirado do texto 1 e de acordo com os preceitos da gramática normativa, é correto afirmar que:
A)o vocábulo "descalço" do excerto acima exerce a função de predicativo do objeto.
B)no primeiro período do excerto em destaque, o sujeito da oração está indeterminado.
C)em "Havia, no entanto, excessivos refugiados", exerce a função de sujeito da oração o termo "refugiados".
D)no trecho "Fui subindo por um caminhozito descalço, [...]" há um predicado verbo-nominal.
E)o sujeito do período: "Dormiam nas ruas, nos passeios." classifica-se como inexistente.
IME20221a faseQuestao 3PortuguêsSintaxe (sujeito, concordância e pronomes)Dificil
Texto 1 — ENGENHEIROS DA VITÓRIA (Paul Kennedy)
1 [...] Quando se fala na eficiência em conseguir equipamentos de combate e transferir combatentes de A para
2 B, os britânicos são campeões; certamente isso não foi por causa de alguma inteligência especial, mas pela
3 ampla experiência em organização e senso crítico depois de enfrentar chances adversas em 1940, juntamente
4 com a perspectiva de derrota. Aqui a necessidade foi a mãe da invenção. Eles tinham que defender suas cidades,
5 transportar tropas até o Egito, apoiar os gregos, proteger as fronteiras da Índia, trazer os Estados Unidos para a
6 guerra e depois levar aquele imenso potencial americano para a área da Europa. Era mais um problema a ser
7 resolvido. Como foi possível fazer com que 2 milhões de soldados americanos, depois de chegar às bases de
8 Clyde, fossem para bases no sul da Inglaterra preparando-se para o ataque à Normandia, quando a maior parte
9 das ferrovias britânicas estava ocupada em transportar vagões de carvão para as fábricas de ferro e aço que
10 não podiam parar de produzir?
11 Como se viu, uma organização composta por pessoas que cresceram decorando os horários da estrada de
12 ferro de Bradshaw como passatempo pode fazer isso, enquanto os altos comandantes consideravam que tudo
13 estava garantido porque confiavam na capacidade de seus administradores de nível médio. Churchill acreditava
14 que o melhor era não se preocupar demais com os problemas, pois tudo se resolveria, isto é, uma maneira havia
15 de ser encontrada, passo a passo.
16 Há uma outra forma de pensar sobre essa história de soluções de problemas, e ela vem de um exemplo
17 bem contemporâneo. Em novembro de 2011, enquanto o genial líder da Apple, Steve Jobs, recebia inúmeras
18 homenagens póstumas, um artigo intrigante foi publicado na revista New Yorker. Nele o autor, Malcom Gladwell,
19 argumentava que Jobs não era o inventor de uma máquina ou de uma ideia que mudou o mundo; poucos
20 seres o são (exceto talvez Leonardo da Vinci e Thomas Edison).
21 Na verdade, seu brilhantismo estava em
22 adotar invenções alheias que não deram certo, a partir das quais construía, modificava e fazia aperfeiçoamentos
23 constantes. Para usar uma linguagem atual, ele era um tweaker, e sua genialidade impulsionou como nunca o
24 aumento de eficiência dos produtos de sua companhia.
25 A história do sucesso de Steve Jobs, contudo, não era nova. A chegada da Revolução Industrial do século
26 XVIII na Grã-Bretanha – muito provavelmente a maior revolução para explicar a ascensão do Ocidente – ocorreu
27 porque o país possuía uma imensa coleção de tweakers em sua cultura que encorajaram o progresso [... ]
28 A história da evolução do tanque T-34 soviético, de um grande pedaço de metal mal projetado e fraco para
29 uma arma de guerra mortífera, segura e de grande mobilidade, não foi uma história contínua de tweaking? Não
30 foi esse também o caso do grande bombardeiro americano, o B-29, que no início estava tão mergulhado em
31 dificuldades que chegou a se propor seu cancelamento até que as equipes da Boeing resolveram os problemas?
32 E as miraculosas histórias do P-51 Mustang, dos tanques de Percy Hobart e de um poderoso sistema de radar
33 tão pequeno que poderia ser inserido no nariz de um avião patrulha de longa distância e virar a maré na Batalha
34 do Atlântico? Depois que se unem os diversos pedaços espalhados, tudo se encaixa. Mas todos esses projetos
35 exigiram tempo e apoio.
36 Na verdade, os administradores de grandes companhias mundiais provavelmente se surpreendam diante,
37 digamos, do planejamento e orquestração do almirante Ramsay nos cincos desembarques simultâneos no Dia
38 D e gostariam de poder realizar um décimo do que ele fez.
39 Em suma, a vitória em grandes guerras sempre requer organização superior, o que, por sua vez, exige
40 pessoas que possam dirigir essas organizações, não com um interesse apenas moderado, mas da maneira
41 mais competente possível e com estilo que permitirá às pessoas de fora propor ideias novas na busca da vitória.
42 Os chefes não podem fazer isso tudo sozinhos, por mais que sejam criativos e dotados de energia. É necessário
43 haver um sistema de apoio, uma cultura de encorajamento, feedbacks eficientes, uma capacidade de aprender
44 com os revezes, uma habilidade de fazer as coisas acontecerem. E tudo isto tem de ser feito de uma maneira
45 que seja melhor do que aquela do inimigo. É assim que as guerras são vencidas. [... ]
46 O mesmo reconhecimento merecem, por certo, os militares de nível médio que mudaram a Segunda Guerra
47 Mundial, transformando as agressões do Eixo em 1942 em avanços irreversíveis dos Aliados em 1943-44, e
48 finalmente destruindo a Alemanha e o Japão. É verdade, alguns desses indivíduos, armamentos e organizações
49 são reconhecidos, mas em geral de uma forma fragmentada e popularizada. É raro que esses fios isolados sejam
50 tecidos em conjunto para mostrar como os avanços afetaram as muitas campanhas, fazendo a balança pender
51 para o lado dos Aliados durante o conflito global. Mais raro ainda é a compreensão de como o trabalho desses
52 vários solucionadores de problemas também precisa ser incluído numa importante “cultura do encorajamento”
53 para garantir que simples declarações e intenções estratégicas de grandes líderes se tornem realidade e não
54 murchem nas tempestades da guerra. Se isso é o que acontece, então vivemos com uma grande lacuna em
55 nossa compreensão de como a Segunda Guerra Mundial foi vencida em seus anos cruciais.
———
Em relação ao uso dos pronomes relativos, marque a alternativa correta:
A)Os britânicos, cujos equipamentos de combate ainda se fala, foram pioneiros devido à experiência da derrota em 1940.
B)O brilhantismo de Steve Jobs estava em adotar invenções alheias de quais componentes elaborava aperfeiçoamentos constantes.
C)Os sistemas de apoio, aos quais algumas sociedades enfatizam como prioridade, podem ajudar no enfrentamento de revezes coletivos.
D)Os solucionadores de problemas, sobre cujos feitos não há pesquisas mais aprofundadas, incluem os militares de nível médio.
E)O planejamento e a orquestração do Almirante Ramsay, com o qual os administradores de grandes companhias mundiais se encantaram, são apenas alguns dos feitos, dentre outros similares.
IME20221a faseQuestao 13PortuguêsSintaxe (sujeito, concordância e pronomes)Dificil
Texto 2 — ODE TRIUNFAL (Fernando Pessoa / Álvaro de Campos)
1 À dolorosa luz das grandes lâmpadas eléctricas da fábrica
2 Tenho febre e escrevo.
3 Escrevo rangendo os dentes, fera para a beleza disto,
4 Para a beleza disto totalmente desconhecida dos antigos.
5 Ó rodas, ó engrenagens, r-r-r-r-r-r-r eterno!
6 Forte espasmo retido dos maquinismos em fúria!
7 Em fúria fora e dentro de mim,
8 Por todos os meus nervos dissecados fora,
9 Por todas as papilas fora de tudo com que eu sinto!
10 Tenho os lábios secos, ó grandes ruídos modernos,
11 De vos ouvir demasiadamente de perto,
12 E arde-me a cabeça de vos querer cantar com um excesso
13 De expressão de todas as minhas sensações,
14 Com um excesso contemporâneo de vós, ó máquinas!
15 Em febre e olhando os motores como a uma Natureza tropical —
16 Grandes trópicos humanos de ferro e fogo e força —
17 Canto, e canto o presente, e também o passado e o futuro,
18 Porque o presente é todo o passado e todo o futuro
19 E há Platão e Virgílio dentro das máquinas e das luzes eléctricas
20 Só porque houve outrora e foram humanos Virgílio e Platão,
21 E pedaços do Alexandre Magno do século talvez cinquenta,
22 Átomos que hão-de ir ter febre para o cérebro do Ésquilo do século cem,
23 Andam por estas correias de transmissão e por estes êmbolos e por estes volantes,
24 Rugindo, rangendo, ciciando, estrugindo, ferreando,
25 Fazendo-me um acesso de carícias ao corpo numa só carícia à alma.
26 Ah, poder exprimir-me todo como um motor se exprime!
27 Ser completo como uma máquina!
28 Poder ir na vida triunfante como um automóvel último-modelo!
29 Poder ao menos penetrar-me fisicamente de tudo isto,
30 Rasgar-me todo, abrir-me completamente, tornar-me passento
31 A todos os perfumes de óleos e calores e carvões
32 Desta flora estupenda, negra, artificial e insaciável!
33 Fraternidade com todas as dinâmicas!
34 Promíscua fúria de ser parte-agente
35 Do rodar férreo e cosmopolita
36 Dos comboios estrênuos,
37 Da faina transportadora-de-cargas dos navios,
38 Do giro lúbrico e lento dos guindastes,
39 Do tumulto disciplinado das fábricas,
40 E do quase-silêncio ciciante e monótono das correias de transmissão!
41 Horas europeias, produtoras, entaladas
42 Entre maquinismos e afazeres úteis!
43 Grandes cidades paradas nos cafés,
44 Nos cafés — oásis de inutilidades ruidosas
45 Onde se cristalizam e se precipitam
46 Os rumores e os gestos do Útil
47 E as rodas, e as rodas-dentadas e as chumaceiras do Progressivo!
48 Nova Minerva sem-alma dos cais e das gares!
49 Novos entusiasmos de estatura do Momento!
———
Considere o trecho do texto 2 (linhas 23 a 25) que começa em "Andam por estas correias de transmissão...". À luz da gramática normativa:
I. Nas expressões "Andam por estas correias de transmissão e por estes êmbolos e por estes volantes", o poeta fez uso da anáfora, como recurso estilístico, através da repetição de termos.
II. Em "Rugindo, rangendo, ciciando, estrugindo, ferreando", o emprego das vírgulas se justifica pela enumeração de informações na oração.
III. Em "Fazendo-me um acesso de carícias ao corpo numa só carícia à alma", os termos "de carícias" e "ao corpo" exercem, respectivamente, as funções de complemento nominal e adjunto adnominal.
Está(ão) correta(s) a(s) assertiva(s):
A)I, apenas.
B)II, apenas.
C)III, apenas.
D)I e II, apenas.
E)II e III, apenas.
IME20201a faseQuestao 18PortuguêsSintaxe (sujeito, concordância e pronomes)Media
O soneto XIII de Via-Láctea, coleção publicada em 1888 no livro Poesias, é o texto mais famoso da antologia, obra de estreia do poeta Olavo Bilac. O texto, cuidadosamente ritmado, suas rimas e a escolha da forma fixa revelam rigor formal e estilístico caros ao movimento parnasiano; o tema do poema, no entanto, entra em colisão com o tema da literatura típica do movimento, tal como concebido no continente europeu.
Texto 2 — Soneto XIII (Via-Láctea), de Olavo Bilac
1 “Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
2 Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
3 Que, para ouvi-las, muita vez desperto
4 E abro as janelas, pálido de espanto…
5 E conversamos toda a noite, enquanto
6 A Via-láctea, como um pálio aberto,
7 Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
8 Inda as procuro pelo céu deserto.
9 Direis agora: "Tresloucado amigo!
10 Que conversas com elas? Que sentido
11 Tem o que dizem, quando estão contigo?"
12 E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
13 Pois só quem ama pode ter ouvido
14 Capaz de ouvir e de entender estrelas.”
———
No trecho "Direis agora: 'Tresloucado amigo! / Que conversas com elas? Que sentido / Tem o que dizem, quando estão contigo?'" (Texto 2, versos 9 a 11), é empregado o chamado discurso direto. Isso se confirma pelo(a)
A)uso de dois pontos e de formas verbais no pretérito imperfeito do indicativo e no pretérito mais-que-perfeito do indicativo.
B)intenção de uso de uma linguagem coloquial, própria da vida cotidiana.
C)utilização do vocativo e de pontos de exclamação para exprimir a ideia de um diálogo em curso.
D)utilização de aspas no intuito de marcar a narração em 3ª pessoa.
E)intenção de identificar o leitor como interlocutor do poeta, para quem é extravagante o sentimento de encantamento poético evidenciado no poema.
IME20191a faseQuestao 14PortuguêsSintaxe (sujeito, concordância e pronomes)Dificil
Leia o Texto 2 (poema “O Elefante”), reproduzido na imagem, para responder à questão.
Observe os vocábulos destacados nos versos 39 a 44 do texto 2: “Vai o meu elefante / pela rua povoada, / mas não o querem ver / nem mesmo para rir / da cauda que ameaça / deixá-lo ir sozinho.” Sobre esses vocábulos, de acordo com a gramática normativa, considere as afirmações: I – o primeiro “o” é um artigo definido e o segundo é uma forma pronominal oblíqua, assim como a forma “lo” em “deixá-lo”. II – a colocação do segundo “o” junto ao advérbio de negação aproxima-se do registro mais utilizado no português falado no Brasil. III – “o” e “lo” nos versos “mas não o querem ver” e “deixá-lo ir sozinho” são formas pronominais que garantem a coesão referencial anafórica. Está(ão) correta(s) a(s) afirmação(ões)
Imagens anexadas
A)I apenas.
B)III apenas.
C)I e II apenas.
D)I e III apenas.
E)II e III apenas.
IME20171a faseQuestao 8PortuguêsSintaxe (sujeito, concordância e pronomes)Media
Texto 3 — OS LUSÍADAS, Canto Primeiro (Luís de Camões)
1 As armas e os barões assinalados,
2 Que da ocidental praia Lusitana,
3 Por mares nunca de antes navegados,
4 Passaram ainda além da Taprobana,
5 Em perigos e guerras esforçados,
6 Mais do que prometia a força humana,
7 E entre gente remota edificaram
8 Novo Reino, que tanto sublimaram;
9 E também as memórias gloriosas
10 Daqueles Reis, que foram dilatando
11 A Fé, o Império, e as terras viciosas
12 De África e de Ásia andaram devastando;
13 E aqueles, que por obras valerosas
14 Se vão da lei da morte libertando;
15 Cantando espalharei por toda parte,
16 Se a tanto me ajudar o engenho e arte.
17 Cessem do sábio Grego e do Troiano
18 As navegações grandes que fizeram;
19 Cale-se de Alexandro e de Trajano
20 A fama das vitórias que tiveram;
21 Que eu canto o peito ilustre Lusitano,
22 A quem Neptuno e Marte obedeceram:
23 Cesse tudo o que a Musa antiga canta,
24 Que outro valor mais alto se alevanta.
(…)
25 No mar tanta tormenta e tanto dano
26 Tantas vezes a morte apercebida
27 Na terra tanta guerra, tanto engano,
28 Tanta necessidade aborrecida
29 Onde pode acolher-se um fraco humano
30 Onde terá segura a curta vida,
31 Que não se arme e se indigne o céu sereno
32 Contra um bicho da terra tão pequeno?
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A palavra “QUE” nos versos do Texto 3 “Que eu canto o peito ilustre, Lusitano” (verso 21) e “Que outro valor mais alto se alevanta” (verso 24) tem valor
A)explicativo: introduz ideia de explicação. Na forma apresentada, é uma redução da conjunção “porque”.
B)adversativo: introduz ideia de contraste entre lusitanos e demais povos.
C)aditivo: expressa ideia de adição, união do povo lusitano para atingir os feitos cantados pelo poeta.
D)conclusivo: expressa uma situação de consequência.
E)alternativo: ora os heróis são os portugueses, ora gregos e troianos.
IME20151a faseQuestao 5PortuguêsSintaxe (sujeito, concordância e pronomes)Media
AUTOSSABOTAGEM: O MEDO DE SER FELIZ (Raphaela de Campos Mello – Outubro de 2012)
A cada passo dado você sente que a felicidade se afasta alguns metros? Talvez esteja, inconscientemente, queimando chances de se realizar. Repense as próprias atitudes para interromper esse ciclo destrutivo.
Por medo dos riscos e das responsabilidades da vida, podemos acabar inconscientemente com as nossas realizações. Isso se chama autossabotagem. São atitudes forjadas por uma parte de nós que não nos vê como merecedoras do sucesso ou que subestima nossa capacidade de lidar com a vitória.
Pode ser aquela espinha que apareceu no nariz no dia daquele encontro especial ou da gripe que a pegou na véspera daquela importante reunião.
"Muitos desses comportamentos destrutivos estão quase fora do domínio da consciência", afirma o psicólogo americano Stanley Rosner, coautor do livro O Ciclo da Auto- Sabotagem - Por Que Repetimos Atitudes que Destroem Nossos Relacionamentos e Nos Fazem Sofrer (ed. BestSeller).
"A autonomia, a independência e o sucesso são apavorantes para algumas pessoas porque indicam que elas não poderão mais argumentar que suas necessidades precisam ser protegidas", diz o autor.
O filósofo e psicanalista paulista Arthur Meucci, coautor de A Vida Que Vale a Pena Ser Vivida (ed. Vozes) comenta sobre os ganhos secundários. "Há jovens que saem de casa para tentar a vida, enquanto outros permanecem na zona de conforto, porque continuam recebendo atenção dos pais e se eximem de enfrentar as dificuldades da fase adulta", afirma.
O problema é que, ao fazermos isso, não nos desenvolvemos plenamente. "Todo mundo busca a felicidade, a questão é ter coragem de viver, o que significa correr riscos e assumir responsabilidades", diz ele.
Disponível em: <http://exame.abril.com.br/estilo-de-vida/noticias/autossabotagem-o-medo-de- ser-feliz.> (Texto adaptado). Acesso em 29 Abr 2014
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Observe os fragmentos extraídos do último parágrafo do texto 4.
"... a questão é ter coragem de viver, ..." / "... o que significa correr riscos e assumir responsabilidades ..."
Pode-se dizer que o segundo fragmento, em relação à ideia expressa no primeiro, representa uma:
A)explicação.
B)finalidade.
C)causa.
D)consequência.
E)exceção.
IME20151a faseQuestao 8PortuguêsSintaxe (sujeito, concordância e pronomes)Dificil
O MENINO QUE TINHA MEDO DE POESIA (Pedro Gabriel – Março de 2014)
─ Mãe, acho que tem um poema debaixo da minha cama! Quando menino, a poesia me assustava. Parecia ter dentes afiados, pernas desajeitadas, mãos opressoras. E nem as mãos da professora mais dócil conseguiam me acalmar. Não compreendia uma palavra, uma metáfora, uma rima pobre, rica ou rara. Não entendia nada. Tentava adivinhar o que o poeta queria dizer com aquela frase entupida de imagens e sentidos subjetivos. Achava-me incapaz de pertencer àquilo. Não conseguia mergulhar naquele mundo. Eu, sem saber nadar em versos, afogava-me na incompreensão de um soneto; ela – a tão sagrada poesia – não me afagava e me deixava morrer na praia, entre um alexandrino e um heptassílabo. Toda vez que eu era obrigado a decorar poesia, sentia vontade de sumir, de virar um móvel e ficar imóvel até tudo se acabar. Por dentro, sentia azia, taquicardia, asma espontânea, tremelique e gagueira repentina. Por fora, fingia que estava tudo bem. Eu sempre escolhia o poema mais curto da lista que a escola sugeria. Naquele dia, sobrou Pneumotórax, de Manuel Bandeira, e eu queria ser aquele paciente para não precisar declamá-lo. Eu queria tossir, repetir sem parar: trinta e três… Trinta e três… Ter uma doença pequena, uma desculpa qualquer, um atestado médico assinado pelo meu avô que me deixasse em casa – não a semana toda, mas só o tempo da aula. Depois, para a prova de francês, não tive escolha: fui obrigado a decorar Le dormeur du Val, de Rimbaud. Eu lembro que, antes de ficar em pé de frente para o meu professor, eu queria que alguém me desse dois tiros no peito. Queria ser esse soldado e dormir, tranquilo, na paz celestial daquele vale até que a turma toda esquecesse a minha existência. Ou que a guerra fosse declarada finda. Ou que eu fosse declamado culpado. A Primeira Guerra Mundial parecia durar menos do que aqueles 15 minutos de exame. Minha boca está seca até hoje. Minhas mãos estão molhadas até agora. Só eu sei o que suei por você, querida Poesia. Aos 17, a poesia ainda me apavorava. Podia ser o verso mais delicado do mundo, eu tinha medo. Podia ser o poeta mais simpático da face da Terra, eu desconfiava. Desconversava, lia outra coisa. Ou não lia nada. Talvez por não querer entendê-la. Talvez por achar não merecê- la. E assim ficava à mercê da minha rebeldia. Não queria aprender a contar sílabas, queria ser verso livre. Tolo! Até a liberdade exige teoria! Se hoje eu pudesse falar com aquele menino, diria-lhe que a poesia não é nenhum decassílabo de sete cabeças. Que se ela o assusta é porque ela o deseja. Que se ele sente
medo é porque ele precisa dela. Não há mais monstro debaixo da sua cama. O monstro agora está em você.
- Filho, acho que tem um poema por dentro de quem você ama…
Disponível em: <www.intrinseca.com.br/site/2014/.../o-menino-que-tinha-medo-de-poesia> . (texto adaptado) Acesso em: 29 Abr 2014
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Assinale a opção na qual a vírgula foi empregada pelo mesmo motivo de sua ocorrência no trecho:
"Quando menino, a poesia me assustava." (texto 1; 2º parágrafo)
A)"... casas mal-assombradas, onde monstros tentaram evocar uma reação de rejeição..." (texto 2; 2º parágrafo).
B)"Quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu ainda está vivo..." (texto 5; 1º parágrafo).
C)"A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai." (texto 5; 2º parágrafo).
D)"Não queria aprender a contar sílabas, queria ser verso livre." (texto 1; 5º parágrafo).
E)"Para descobrir, os pesquisadores deram vários questionários padronizados à paciente ..." (texto 2; 5º parágrafo).
IME20151a faseQuestao 12PortuguêsSintaxe (sujeito, concordância e pronomes)Dificil
O MENINO QUE TINHA MEDO DE POESIA (Pedro Gabriel – Março de 2014)
─ Mãe, acho que tem um poema debaixo da minha cama! Quando menino, a poesia me assustava. Parecia ter dentes afiados, pernas desajeitadas, mãos opressoras. E nem as mãos da professora mais dócil conseguiam me acalmar. Não compreendia uma palavra, uma metáfora, uma rima pobre, rica ou rara. Não entendia nada. Tentava adivinhar o que o poeta queria dizer com aquela frase entupida de imagens e sentidos subjetivos. Achava-me incapaz de pertencer àquilo. Não conseguia mergulhar naquele mundo. Eu, sem saber nadar em versos, afogava-me na incompreensão de um soneto; ela – a tão sagrada poesia – não me afagava e me deixava morrer na praia, entre um alexandrino e um heptassílabo. Toda vez que eu era obrigado a decorar poesia, sentia vontade de sumir, de virar um móvel e ficar imóvel até tudo se acabar. Por dentro, sentia azia, taquicardia, asma espontânea, tremelique e gagueira repentina. Por fora, fingia que estava tudo bem. Eu sempre escolhia o poema mais curto da lista que a escola sugeria. Naquele dia, sobrou Pneumotórax, de Manuel Bandeira, e eu queria ser aquele paciente para não precisar declamá-lo. Eu queria tossir, repetir sem parar: trinta e três… Trinta e três… Ter uma doença pequena, uma desculpa qualquer, um atestado médico assinado pelo meu avô que me deixasse em casa – não a semana toda, mas só o tempo da aula. Depois, para a prova de francês, não tive escolha: fui obrigado a decorar Le dormeur du Val, de Rimbaud. Eu lembro que, antes de ficar em pé de frente para o meu professor, eu queria que alguém me desse dois tiros no peito. Queria ser esse soldado e dormir, tranquilo, na paz celestial daquele vale até que a turma toda esquecesse a minha existência. Ou que a guerra fosse declarada finda. Ou que eu fosse declamado culpado. A Primeira Guerra Mundial parecia durar menos do que aqueles 15 minutos de exame. Minha boca está seca até hoje. Minhas mãos estão molhadas até agora. Só eu sei o que suei por você, querida Poesia. Aos 17, a poesia ainda me apavorava. Podia ser o verso mais delicado do mundo, eu tinha medo. Podia ser o poeta mais simpático da face da Terra, eu desconfiava. Desconversava, lia outra coisa. Ou não lia nada. Talvez por não querer entendê-la. Talvez por achar não merecê- la. E assim ficava à mercê da minha rebeldia. Não queria aprender a contar sílabas, queria ser verso livre. Tolo! Até a liberdade exige teoria! Se hoje eu pudesse falar com aquele menino, diria-lhe que a poesia não é nenhum decassílabo de sete cabeças. Que se ela o assusta é porque ela o deseja. Que se ele sente
medo é porque ele precisa dela. Não há mais monstro debaixo da sua cama. O monstro agora está em você.
- Filho, acho que tem um poema por dentro de quem você ama…
Disponível em: <www.intrinseca.com.br/site/2014/.../o-menino-que-tinha-medo-de-poesia> . (texto adaptado) Acesso em: 29 Abr 2014
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Assinale a alternativa em que o termo em destaque possui classificação sintática diferente daquele destacado no trecho a seguir:
"Achava-me incapaz de pertencer àquilo." (texto 1; 2º parágrafo) — termo em destaque: "de pertencer àquilo".
A)"...afogava-me na incompreensão de um soneto;" (texto 1; 2º parágrafo).
B)"...ela não conseguia reconhecer expressões faciais de medo..." (texto 2; 5º parágrafo).
C)"...ela tem uma incapacidade de detectar e evitar situações ameaçadoras,..." (texto 2; 10º parágrafo).
D)"...ou que subestima nossa capacidade de lidar com a vitória." (texto 4; 2º parágrafo).
E)"...mas que se sentia chateada e irritada com o que aconteceu." (texto 2; 8º parágrafo).
IME20151a faseQuestao 13PortuguêsSintaxe (sujeito, concordância e pronomes)Dificil
O MENINO QUE TINHA MEDO DE POESIA (Pedro Gabriel – Março de 2014)
─ Mãe, acho que tem um poema debaixo da minha cama! Quando menino, a poesia me assustava. Parecia ter dentes afiados, pernas desajeitadas, mãos opressoras. E nem as mãos da professora mais dócil conseguiam me acalmar. Não compreendia uma palavra, uma metáfora, uma rima pobre, rica ou rara. Não entendia nada. Tentava adivinhar o que o poeta queria dizer com aquela frase entupida de imagens e sentidos subjetivos. Achava-me incapaz de pertencer àquilo. Não conseguia mergulhar naquele mundo. Eu, sem saber nadar em versos, afogava-me na incompreensão de um soneto; ela – a tão sagrada poesia – não me afagava e me deixava morrer na praia, entre um alexandrino e um heptassílabo. Toda vez que eu era obrigado a decorar poesia, sentia vontade de sumir, de virar um móvel e ficar imóvel até tudo se acabar. Por dentro, sentia azia, taquicardia, asma espontânea, tremelique e gagueira repentina. Por fora, fingia que estava tudo bem. Eu sempre escolhia o poema mais curto da lista que a escola sugeria. Naquele dia, sobrou Pneumotórax, de Manuel Bandeira, e eu queria ser aquele paciente para não precisar declamá-lo. Eu queria tossir, repetir sem parar: trinta e três… Trinta e três… Ter uma doença pequena, uma desculpa qualquer, um atestado médico assinado pelo meu avô que me deixasse em casa – não a semana toda, mas só o tempo da aula. Depois, para a prova de francês, não tive escolha: fui obrigado a decorar Le dormeur du Val, de Rimbaud. Eu lembro que, antes de ficar em pé de frente para o meu professor, eu queria que alguém me desse dois tiros no peito. Queria ser esse soldado e dormir, tranquilo, na paz celestial daquele vale até que a turma toda esquecesse a minha existência. Ou que a guerra fosse declarada finda. Ou que eu fosse declamado culpado. A Primeira Guerra Mundial parecia durar menos do que aqueles 15 minutos de exame. Minha boca está seca até hoje. Minhas mãos estão molhadas até agora. Só eu sei o que suei por você, querida Poesia. Aos 17, a poesia ainda me apavorava. Podia ser o verso mais delicado do mundo, eu tinha medo. Podia ser o poeta mais simpático da face da Terra, eu desconfiava. Desconversava, lia outra coisa. Ou não lia nada. Talvez por não querer entendê-la. Talvez por achar não merecê- la. E assim ficava à mercê da minha rebeldia. Não queria aprender a contar sílabas, queria ser verso livre. Tolo! Até a liberdade exige teoria! Se hoje eu pudesse falar com aquele menino, diria-lhe que a poesia não é nenhum decassílabo de sete cabeças. Que se ela o assusta é porque ela o deseja. Que se ele sente
medo é porque ele precisa dela. Não há mais monstro debaixo da sua cama. O monstro agora está em você.
- Filho, acho que tem um poema por dentro de quem você ama…
Disponível em: <www.intrinseca.com.br/site/2014/.../o-menino-que-tinha-medo-de-poesia> . (texto adaptado) Acesso em: 29 Abr 2014
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O QUASE (Sarah Westphal Batista da Silva) Ainda pior que a convicção do não, e a incerteza do talvez, é a desilusão de um quase. É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi. Quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu ainda está vivo, quem quase amou não amou. Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono. Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor, não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cor, está estampada na distância e frieza dos sorrisos na frouxidão dos abraços, na indiferença dos “Bom Dia” quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até para ser feliz. A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza. O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si. Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência, porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer. Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar. Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu. Disp. em: <www.pensador.uol.com.br>. Acesso em: 29 Abr 2014.
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Observe os trechos a seguir:
"Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance." (texto 5; 3º parágrafo) / "...diria-lhe que a poesia não é nenhum decassílabo de sete cabeças." (texto 1; 6º parágrafo)
Os pronomes em destaque ("cujo" e "lhe") desempenham, respectivamente, a função de:
No Presarium Militares, você resolve essas questões com correção na hora, comentário e um painel que cruza a incidência com o seu desempenho — e monta sua lista de prioridade automaticamente.