Pontuação · IME

Pontuação: questões do IME

9 questões de Pontuação (Português) no IME (2012–2026). Treine de graça com correção e comentário.

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Questões de Pontuação no IME

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IME20261a faseQuestao 15PortuguêsPontuaçãoDificil
Texto 2 — De volta ao básico: soldados finlandeses recorrem a mapas de papel para aprender a lidar com bloqueios de GPS 1 Soldados finlandeses estão treinando com mapas de papel e bússolas para garantir que consi- 2 gam operar em locais onde a atividade inimiga torne o GPS indisponível. O coronel Matti Honko, 3 comandante do Regimento Jaeger da Guarda Finlandesa, destacou que a ferramenta de navegação 4 por satélite, conhecida como Sistema de Posicionamento Global, ou simplesmente GPS, é vulnerável 5 a interferências. As informações são do Business Insider. 6 O conflito na Ucrânia tem sido marcado por uma intensa guerra cibernética de ambos os la- 7 dos. Tanto Kiev quanto Moscou utilizam táticas como bloqueio de sinal, falsificação de GPS e outros 8 métodos de interferência remota para confundir e desativar o armamento inimigo. A interferência no 9 GPS, por exemplo, tem causado problemas para os sistemas de combate — desde drones baratos até 10 munições guiadas sofisticadas. 11 Para garantir segurança e prontidão em locais onde o GPS não é uma opção, os soldados da 12 Guarda Finlandesa estão usando mapas de papel. "Acho que todos receberam o fato de que o 13 GPS pode ser falsificado, e você pode não ser capaz de confiar nele", afirma Honko. 14 Apesar disso, o coronel disse que a Finlândia não está abandonando completamente o uso do GPS. 15 Em vez disso, os soldados estão sendo ensinados a não depender exclusivamente dele e a aprender 16 a verificar a veracidade dos dados fornecidos pelo sistema, já que podem ser facilmente falsificados e 17 estar fora de sincronia com a situação real. 18 Honko afirma que esse treinamento está sendo realizado em todo o Exército Finlandês, bem como 19 na Marinha e na Força Aérea do país. Segundo ele, a proximidade da Finlândia com a Rússia obriga o 20 país a treinar alternativas, já que o bloqueio de sinal de GPS é uma estratégia comumente usada em 21 áreas de defesa da cidade vizinha de São Petersburgo, na Rússia. 22 Os desafios trazidos pelos ataques cibernéticos não são exclusivos da guerra na Ucrânia. No 23 Oriente Médio, por exemplo, a interferência de GPS tem ocorrido nos conflitos entre Israel e grupos 24 aliados do Irã. A tática também tem sido um problema no Mar Vermelho, onde forças navais ocidentais 25 passaram mais de um ano e meio defendendo rotas marítimas de ataques de rebeldes houthis no 26 Iêmen. 27 Quanto aos militares finlandeses, eles estão monitorando de perto as práticas de guerra eletrônica 28 em constante desenvolvimento e planejando cenários em que essas estratégias possam ser testadas 29 em combate. E não estão sozinhos. Empresas do setor de defesa também estão se certificando de 30 que seus produtos sejam mais resistentes a certos tipos de bloqueios e manipulações. Um exemplo 31 disso é a Saildrone, uma empresa americana que fabrica embarcações de superfície não tripuladas 32 para serviço de forças navais, incluindo a Marinha dos EUA. 33 Richard Jenkins, fundador e CEO da Saildrone, explicou que a empresa integrou tecnologia aos 34 seus veículos de superfície não tripulados (USVs), permitindo que eles operem em ambientes onde o 35 GPS e as comunicações estão comprometidos ou indisponíveis. Segundo Jenkins, alguns dos drones 36 da empresa operados pelos militares dos EUA no Oriente Médio têm navegado em áreas com sinal 37 falsificado há meses. 38 Jenkins disse acreditar que esse é o futuro da guerra. "Acho que, em um conflito real, os satélites 39 serão a primeira coisa a desaparecer completamente." Ele acrescenta ainda que todos precisam 40 descobrir como sobreviver sem satélites, GPS e comunicações. E, para os militares, isso significa 41 não apenas desenvolver novas tecnologias, mas também garantir que habilidades básicas sejam 42 preservadas. (Disponível em epocanegocios.globo.com. Acesso em 11 set 25. Texto adaptado.) ——— Leia o excerto do texto 2 (linhas 2 a 5): "O coronel Matti Honko, comandante do Regimento Jaeger da Guarda Finlandesa, destacou que a ferramenta de navegação por satélite, conhecida como Sistema de Posicionamento Global, ou simplesmente GPS, é vulnerável a interferências." Assinale a alternativa em que se dá pelo mesmo motivo que justifica a pontuação empregada no trecho destacado em negrito ("ou simplesmente GPS").
  1. A)"Tanto Kiev quanto Moscou utilizam táticas como bloqueio de sinal, falsificação de GPS e outros métodos de interferência remota [...]" (linhas 7 e 8)
  2. B)"A interferência no GPS, por exemplo, tem causado problemas para os sistemas de combate [...]" (linhas 8 e 9)
  3. C)"O coronel Matti Honko, comandante do Regimento Jaeger da Guarda Finlandesa, destacou [...]" (linhas 2 a 5)
  4. D)"Acho que todos receberam o fato de que o GPS pode ser falsificado, e você pode não ser capaz de confiar nele [...]" (linhas 12 e 13)
  5. E)"[...] os soldados estão sendo ensinados a não depender exclusivamente dele e a aprender a verificar a veracidade dos dados [...]" (linhas 15 e 16)
IME20241a faseQuestao 8PortuguêsPontuaçãoDificil
Texto 1 — O REGRESSO DE MATIMATI (Mia Couto / Terra Sonâmbula) Mia Couto é o pseudônimo de António Emílio Leite, nascido em Moçambique em 1955. Em muitas obras, Mia Couto reinventa a língua portuguesa por meio de um poderoso léxico poético, sob a influência dos falares das várias regiões do País, criando um novo modelo de narrativa africana, imbuído às vezes de uma cosmovisão mítica. Terra Sonâmbula, seu primeiro romance, publicado em 1992, conta as peripécias e provações do menino Muidinga e do velho Tuahir, que, fugindo da guerra civil após a descolonização de Moçambique, acham abrigo em um ônibus abandonado em uma estrada. Muidinga aí encontra os cadernos de Kindzu, cujos relatos estão relacionados ao passado do menino e da vida comunitária de Moçambique. O título da obra faz referência à instabilidade do País e, portanto, à falta de repouso e de paz de uma terra que permanece "sonâmbula". O REGRESSO DE MATIMATI 1 Farida me dera um gosto novo de viver. Até ali me distraíra nesse estar contente sem nenhuma felicidade. Depois de Farida me tornei encontrável, em mim visível. Muitas vezes me avisei do perigo desse amor. Nenhum de nós podia esperar muito: como ela, eu era apenas passageiro esquecido da qual viagem. Mas Farida me mandava calar, dedo sorrindo sobre os lábios. Eu temia sua inocência: ela estava desamparada, sem ninguém a 5 quem recorrer. Eu sentia o mesmo, mas de uma outra maneira. Talvez porque não tivesse um filho, não tivesse ninguém. Minha única posse era o medo. Sim, foi para escapar do medo que saíra de minha pequena vila. Porque esse sentimento já totalmente me ocupava: eu passeava com o medo na rua, dormia com o medo em casa. Quem vive no medo precisa um mundo pequeno, um mundo que pode controlar. Nosso mundo, meu e de Farida, tinha agora o tamanho de um navio. Para mim, aquele era apenas um passageiro momento. Para Farida, 10 aquilo era o imutável cumprir de um destino. Minha companheira comentava quase nada as realidades da vida corrente. Fantasiática, tudo para ela ocorria no além-visto. Só uma vez beliscou o assunto da guerra. Inquiria-me como se habitasse um outro país: — Essa guerra algum dia há de acabar? Acenei que sim. Mas meu coração se pequenou, constreitinho. Farida queria conhecer mais: saber o motivo 15 da guerra, a razão daquele desfile de infinitos lutos. Lembrei as palavras de Surendra: tinha que haver guerra, tinha que haver morte. E tudo era para quê? Para autorizar o roubo. Porque hoje nenhuma riqueza podia nascer do trabalho. Só o saque dava acesso às propriedades. Era preciso haver morte para que as leis fossem esquecidas. Agora que a desordem era total, tudo estava autorizado. Os culpados seriam sempre os outros. — Pode acabar no país, Kindzu. Mas para nós, dentro de nós essa guerra nunca mais vai terminar. 20 Farida não voltou a falar da guerra. Parecia não ter força para enfrentar as matanças distantes. Simples- mente parasse aquela discórdia dentro de si, aquela angústia que lhe tirava o sossego. Era só essa pequenina paz que ela sonhava. Quando, por fim, me despedi, ela me pediu: — Lá, em Matimati, nunca fale de meu nome. Eles me odeiam. Já em meu concho, remando para terra, surgia clara a razão do meu retorno à costa. Eu procurava apagar o 25 fogo que devorava aquela mulher. Nem sequer era generosidade. Precisava salvar Farida porque ela me salvava da miséria de existir pouco. Havia, por fim, um alguém que não estava metido no mesmo lodo em que todos chafundávamos, alguém que mantinha a esperança, louca que fosse. Farida, ao menos, tinha uma ilha com um inviável farol, um barco que viria de lá onde habitam os anjonautas. Ao avistar a praia de Matimati, comprovei como são nossos olhos que fazem o belo. Meu estado de paixão 30 puxava um novo lustro àquela terra em ruínas. Aquelas visões, dias antes, já tinham estado em meus olhos. Porém, agora tudo me parecia mais cheio de cores, em assembleia de belezas. Desembarquei sem conhecer por onde começar a busca. Desta vez não havia tanta gente na praia. A multidão se tinha dispersado. Seria por consequência da ameaça das autoridades? Fui subindo por um caminhozito descalço, um trilho tão estreito que mesmo duas serpentes não podiam namorar. A vila era menor do que parecia, suas casas estavam mais 35 inteiras que as da minha terra. Havia, no entanto, excessivos refugiados. Dormiam nas ruas, nos passeios. Por todo lado, se viam corpos estendidos, esteirados ao sol. Eu circulava por ali, divagante, devagaroso. Como começar para chegar ao filho de Farida? Procurar Irmã Lúcia? Não, ela pouco adiantaria. O menino saíra da Missão rumo aos matos. O melhor seria encontrar tia Euzinha, ela saberia das pistas que Gaspar rumara. Mas, Euzinha: onde seria seu atual paradeiro? Estaria 40 entre aqueles deslocados da vila? Ou resistira no campo, na sua casinha-natal? Resolvi não resolver nada, deixar que a resposta acontecesse sozinha. Restava-me um tempo. Farida prometera não abandonar o barco antes que eu trouxesse novidades de seu filho. Mesmo que viesse gente para resgatar o navio, mesmo assim ela aguardaria por mim. Trocamos jura contra jura. COUTO, Mia. Terra Sonâmbula. São Paulo: Companhia das Letras, 2007, p. 103-105 (texto adaptado). ——— Segundo os preceitos da gramática normativa relacionados ao correto emprego das vírgulas, considere as seguintes assertivas relacionadas ao texto 1: I. Em "Eu sentia o mesmo, mas de uma outra maneira." (linha 5), a vírgula pode ser retirada sem acarretar prejuízo à norma padrão e às informações originais do período por se tratar do uso facultativo da vírgula. II. Em " – Pode acabar no país, Kindzu." (linha 19), justifica-se o uso da vírgula por separar facultativamente o termo com a função de vocativo. III. Nos excertos "Já em meu concho, remando para terra, surgia clara a razão do meu retorno à costa." (linha 24) e "Aquelas visões, dias antes, já tinham estado em meus olhos." (linha 30) é correto afirmar que os termos destacados possuem a mesma justificativa para o emprego das vírgulas. Está(ão) correta(s) apenas a(s) assertiva(s):
  1. A)I.
  2. B)II.
  3. C)III.
  4. D)I e III.
  5. E)II e III.
IME20231a faseQuestao 9PortuguêsPontuaçãoMedia
Texto 1 Erico Verissimo (1905 – 1975), nascido em Cruz Alta (RS), foi um dos escritores mais populares da chamada segunda fase modernista, que começou na década de 1930. Sua obra mais conhecida é o “Tempo e o Vento”, uma trilogia de romances, na qual ele narra a história de um clã familiar, os Terra Cambarás, de 1745 até 1945, tendo como contexto a formação da fronteira nacional na região sul. O espaço central desses romances é a cidade fictícia de Santa Fé, situada no noroeste do Rio Grande do Sul. O texto “O Sobrado”, que integra o romance “O Continente”, versa sobre o chefe do clã, Licurgo Cambará, que resiste em casa ao cerco dos inimigos pertencentes ao clã oposto, dos Amaral. Na obra, é abordado um episódio da Revolução Federalista (1893 – 1895), uma guerra civil entre dois grupos de ideias opostas: um que desejava aumentar os poderes do presidente da República e outro que desejava uma maior autonomia aos estados. O SOBRADO Era uma noite fria de lua cheia. As estrelas cintilavam sobre a cidade de Santa Fé, que de tão quieta e deserta parecia um cemitério abandonado. Era tanto o silêncio e tão leve o ar, que se alguém aguçasse o ouvido talvez pudesse até escutar o sereno na solidão. Agachado atrás dum muro, José Lírio preparava-se para a última corrida. Quantos passos dali até a igreja? Talvez uns dez ou doze, bem puxados. Recebera ordens para revezar o companheiro que estava de vigia no alto duma das torres da Matriz. “Tenente Liroca”, dissera-lhe o coronel, havia poucos minutos, “suba pro alto do campanário e fique de olho firme no quintal do Sobrado. Se alguém aparecer pra tirar água do poço, faça fogo sem piedade.” José Lírio olhava a rua. Dez passos até a igreja. Mas quantos passos até a morte? Talvez cinco... ou dois. Havia um atirador infernal na água-furtada do Sobrado, à espreita dos imprudentes que se aventurassem a cruzar a praça ou alguma rua a descoberto. Os segundos passavam. Era preciso cumprir a ordem. Liroca não queria que ninguém percebesse que ele hesitava, que era um covarde. Sim, covarde. Podia enganar os outros, mas não conseguia iludir-se a si mesmo. Estava metido naquela revolução porque era federalista e tinha vergonha na cara. Mas não se habituava nunca ao perigo. Sentira medo desde o primeiro dia, desde a primeira hora — um medo que lhe vinha de baixo, das tripas, e lhe subia pelo estômago até a goela, como uma geada, amolecendo-lhe as pernas, os braços, a vontade. Medo é doença; medo é febre. Engraçado. A noite estava fria mas o suor escorria-lhe pela cara barbuda e entrava-lhe na boca, com gosto de salmoura. O tiroteio cessara ao entardecer. Talvez a munição da gente do Sobrado tivesse acabado. Ele podia atravessar a rua devagarinho, assobiando e acendendo um cigarro. Seria até uma provocação bonita. Vamos, Liroca, honra o lenço encarnado. Mas qual! Lá estava aquela sensação fria de vazio e enjoo na boca do estômago, o minuano gelado nos miúdos. Donde lhe vinha tanto medo? Decerto do sangue da mãe, pois as gentes do lado paterno eram corajosas. O avô de Liroca fora um bravo em 35. O pai lhe morrera naquela mesma revolução, havia pouco mais dum ano tombara estripado numa carga de lança, mas lutando até o último momento. “Lírio é macho”, murmurou Liroca para si mesmo. “Lírio é macho.” Sempre que ia entrar num combate, repetia estas palavras: “Lírio é macho”. Levantou-se devagarinho, apertando a carabina com ambas as mãos. Sentia o corpo dorido, a garganta seca. Tornou a olhar para a igreja. Dez passos. Podia percorrê-los nuns cinco segundos, quando muito. Era só um upa e estava tudo terminado. Fez avançar cautelosamente a cabeça e, com a quina do muro a tocar-lhe o meio da testa e a ponta do nariz, fechou o olho direito e com o esquerdo ficou espiando o Sobrado que lá estava, do outro lado da praça, com sua fachada branca, a dupla fileira de janelas, a sacada de ferro e os altos muros de fortaleza. Havia no casarão algo de terrivelmente humano que fez o coração de José Lírio pulsar com mais força. Os federalistas tinham tomado a cidade havia quase uma semana, mas Licurgo Cambará, o intendente e chefe político republicano do município, encastelara-se em sua casa com toda a família e um grupo de correligionários, e de lá ainda oferecia resistência. Enquanto o Sobrado não capitulasse, os revolucionários não poderiam considerar-se senhores de Santa Fé, pois os atiradores da água-furtada praticamente dominavam a praça e as ruas em derredor. Por alguns instantes José Lírio ficou a mirar a fachada do casarão, e de repente a lembrança de que Maria Valéria estava lá dentro lhe varou o peito como um pontaço de lança. Soltou um suspiro fundo e entrecortado, que foi quase um soluço. De novo se encolheu atrás do muro e tornou a olhar para a igreja. Se conseguisse chegar a salvo até a parede lateral, ficaria fora do alcance do atirador do Sobrado, e poderia entrar no campanário pela porta da sacristia. Vamos, Liroca, só uma corrida. Que te pode acontecer? O homem te enxerga, faz pontaria, atira e acerta. Uma bala na cabeça. Pronto! Cais de cara no chão e está tudo liquidado. Acaba-se a agonia. Dizem que quando a bala entra no corpo da gente, no primeiro momento não dói. Depois é que vem a ardência, como se ela fosse de ferro em brasa. Mas quando o ferimento é mortal não se sente nada. O pior é arma branca. Vamos, Liroca. Dez passos. Cinco segundos. Lírio é macho, Lírio é macho. José Lírio continuava imóvel, olhando a rua. Ainda ontem um companheiro seu ousara atravessar aquele trecho à luz do dia, num momento em que o tiroteio cessara. Ia cantando e fanfarronando. Viu-se de repente na água-furtada do sobrado um clarão acompanhado dum estampido, e o homem tombou. O sangue começou a borbotar-lhe do peito e a empapar a terra. “Vamos, menino!” Quem falava agora nos pensamentos de Liroca era seu pai, o velho Maneco Lírio. Sua voz áspera como lixa vinha de longe, de um certo dia da infância em que Liroca faltara à escola e ao chegar a casa encontrara o pai atrás da porta com um rebenque na mão. “Agora tu me pagas, salafrário!” Liroca saíra a correr como um doido na direção do fundo do quintal. “Espera, poltrão!” E de repente o que o velho Maneco tinha nas mãos não era mais o chicote, e sim as próprias vísceras, que lhe escorriam moles e visguentas da ferida do ventre. “Vamos, covarde!” De súbito, como tomado dum demônio, Liroca ergueu-se, apertou a carabina contra o peito e deitou a correr na direção da igreja. Seus passos soaram fofos na terra. Deu cinco passadas e a meio caminho, sem olhar para o Sobrado, numa voz frenética de quem pede socorro, gritou: “Pica-paus do inferno! Sou homem!”. Continuou a correr e, ao chegar ao ponto morto atrás da parede lateral da igreja, rojou-se ao solo e ali ficou, arquejante, com o peito colado à terra, o coração a bater acelerado, e sentindo entrar-lhe na boca e nas narinas talos de grama úmida de sereno. “A la fresca!”, murmurou ele. “A la fresca!” Estava inteiro, estava salvo. Fechou os olhos e deixou-se quedar onde estava, babujando a terra com sua saliva grossa, a garganta a arder, e o corpo todo amolentado por uma fraqueza que lhe dava um trêmulo desejo de chorar. VERISSIMO, Erico. O tempo e o vento, parte I: O Continente. 4ª ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2013, p. 17-19 (texto adaptado). Em relação ao texto 1, considere a regra utilizada para a colocação da vírgula no trecho em negrito a seguir: “Quem falava agora nos pensamentos de Liroca era seu pai, o velho Maneco Lírio” (linha 55) A alternativa que segue a mesma regra:
  1. A)“[...] como uma geada, amolecendo-lhe as pernas, os braços, a vontade.” (linhas 16 e 17)
  2. B)“Sempre que ia entrar num combate, repetia estas palavras: “Lírio é macho”.” (linhas 27 e 28)
  3. C)“[...] mas Licurgo Cambará, o intendente e chefe político republicano do município, encastelara-se [...]” (linhas 36 e 37)
  4. D)“Vamos, Liroca, só uma corrida.” (linha 46)
  5. E)“De súbito, como tomado dum demônio [...]” (linha 61)
IME20211a faseQuestao 15PortuguêsPontuaçãoMedia
Texto 2 ESTADOS DE VIOLÊNCIA A guerra, na longa história dos homens, terá tido seus atores e suas cenas, seus heróis e seus espaços, seus personagens e seus teatros. Diversidade incrível das fardas, dos costumes, enfeites, armaduras, equipamentos. Multiplicidade dos terrenos: barro espesso ou poeira asfixiante, brejos viscosos, desfiladeiros rochosos, prados gordurentos ou planícies sombrias, colinas acidentadas, montanhas dentadas, muros grossos das cidades fortificadas, portões e fossos profundos. Sem mesmo falar das táticas de combate, da evolução técnica das armas. Mas o que malgrado tudo ficaria e basearia a distinção entre guerras maiores e menores, grandes e pequenas, verdadeiras e degradadas, era essa forma pura de dois exércitos engajando forças representando entidades políticas identificáveis, afrontando-se em batalhas decisivas, terrestres ou marítimas, que os colocavam em contato com seu princípio de encerramento: vitória ou derrota. É ainda possível essa forma pura de guerra, depois que as grandes e principais potências dispõem da arma absoluta (o fogo nuclear), depois ainda que um só possui uma superioridade arrasadora das forças clássicas de destruição, tecnologias de reconhecimento, técnicas de fundição de precisão, depois enfim que as democracias desenvolveram uma cultura de negociação, de arbitragem em que o recurso à força nua é dado como inadequado, selvagem, contraproducente? Imagina-se que no futuro ainda grandes potências mobilizem o conjunto de suas forças vivas para se medirem? Na trama visível, dilacerada das grandes guerras contemporâneas, reconhecem-se apenas a paisagem cultural da guerra, as nervuras de sua representação dominante. Não se veem mais, e tanto melhor, colunas de soldados em centenas de milhares chegando ao futuro campo de batalha, dispondo-se em ordem para a batalha decisiva. Não se espera mais com um entusiasmo ansioso a sanção das armas: duração da batalha, data da vitória ou da derrota (...) Os estados de violência fazem aparecer uma multiplicidade de figuras novas: o terrorista, o chefe de facções, o mercenário, o soldado profissional, o engenheiro de informática, o responsável da segurança etc. Não exército disciplinado, mas redes dispersas, concorrentes, profissionais da violência. Mudanças ainda no nível do teatro dos conflitos. Para a guerra: uma planície, espaços largos, às vezes colinas ou rios, em todo caso campanhas (para não levar em conta aqui guerras de cerco). E depois vem o espetáculo desolador após a batalha: os inimigos como que abraçados na morte, corpos juncando o solo, fardas rasgadas, manchas de sangue. Um grande silêncio depois de tantos gritos e de vaias. O novo teatro é hoje a cidade. Não a cidade fortificada, em torno da qual se entrincheira, mas a cidade viva dos transeuntes. A dos espaços públicos: mercados, garagens, terraços de café, metrôs... A das ruas que francos atiradores isolados transformam em teatro de feira para divertimentos atrozes (...) Tempos e espaços, personagens e cadáveres. Aqui se trata apenas do regime de imagens de violência armada que se acha transformado. A aposta filosófica seria dizer que acontece outra coisa, e não a guerra, que se poderia chamar provisoriamente de “estados de violência”, porque eles se oporiam ao que os clássicos tinham definido como “estado de guerra” e também como “estado de natureza” (...) Diante da inquietante extravagância desses conflitos dificilmente identificáveis ou codificáveis nos quadros da análise estratégica clássica, ouve-se mesmo: o pior estaria por vir. É preciso dizer que a polemologia (estudo da guerra) não reconhece mais seus filhos: nem seus chefes responsáveis, nem seus soldados dóceis, nem seus heróis esplêndidos, nem seus mortos no campo de honra. Chega-se mesmo a se queixar. Neste ponto, contudo, a nostalgia é dificilmente suportável. Sobretudo para lastimar guerras que às vezes nem mesmo foram vividas pessoalmente. Estas boas velhas guerras, com bons velhos inimigos, fomentadas por Estados, alegando “razões”, deve-se recordar que foram também o instrumento das mais baixas ambições, das mais loucas pretensões, dos mais sórdidos cálculos? Que elas acarretaram sem falhar o sacrifício de milhões de homens que não pediam senão para viver, que elas esgotaram precocemente civilizações desenvolvidas, conduziram culturas prestigiosas ao suicídio? Resta, além de um pensamento nostálgico, compreender o que causa os estados atuais de violência. Então, antes que falar da “nova guerra”, de “guerra selvagem”, “guerra sem a guerra”, de “guerra sem fim”, de “guerra assimétrica”, de “guerra civil generalizada”, de “guerra ruiva”, é preciso elucidar, em lugar do jogo antigo da guerra e da paz, as estruturações destes estados de violência (...) Como a filosofia clássica tinha conceituado o estado de guerra e de natureza, seria preciso esboçar a análise filosófica dos estados de violência, como distribuição contemporânea das forças de destruição. GROS, Frédéric. Estados de violência: ensaio sobre o fim da guerra. Tradução de José Augusto da Silva. Aparecida, SP: Editora Ideias & Letras, 2009. p. 227-232 (texto adaptado). Considere a regra usada para a colocação das vírgulas no trecho destacado do Texto 2 a seguir: '(...) é preciso elucidar, em lugar do jogo antigo da guerra e da paz, as estruturações destes estados de violência' (linhas 53 e 54). A alternativa que utiliza a mesma regra é:
  1. A)'(...) Enquanto o minotauro, impotente e possante, inerme com a sua envergadura de aço e grifos de baionetas, sente a garganta exsicar-se-lhe de sede e, aos primeiros sintomas da fome, reflui à retaguarda (...)' (Texto 1, linhas 72 e 73)
  2. B)'Multiplicidade dos terrenos: barro espesso ou poeira asfixiante, brejos viscosos, desfiladeiros rochosos, prados gordurentos ou planícies sombrias, colinas acidentadas, montanhas dentadas, muros grossos das cidades fortificadas, portões e fossos profundos.' (Texto 2, linhas 03 a 06)
  3. C)'Os mesmos transes reproduzem-se maiores, acrescidas a confusão e a desordem' (Texto 1, linhas 60 e 61)
  4. D)'A situação rapidamente engravesce, exigindo resoluções enérgicas.' (Texto 1, linha 64)
  5. E)'Diante da inquietante extravagância desses conflitos dificilmente identificáveis ou codificáveis nos quadros da análise estratégica clássica, ouve-se mesmo: o pior estaria por vir.' (Texto 2, linhas 39 e 40)
IME20201a faseQuestao 4PortuguêsPontuaçãoDificil
A primeira publicação do conto O Alienista, de Machado de Assis, ocorreu como folhetim na revista carioca A Estação, entre os anos de 1881 e 1882. Nessa mesma época, uma grande reforma educacional efetuou-se no Brasil, criando, dentre outras, a cadeira de Clínica Psiquiátrica. É nesse contexto de uma psiquiatria ainda embrionária que Machado propõe sua crítica ácida, reveladora da escassez de conhecimento científico e da abundância de vaidades, concomitantemente. A obra deixa ver as relações promíscuas entre o poder médico que se pretendia baluarte da ciência e o poder político tal como era exercido em Itaguaí, então uma vila, distante apenas alguns quilômetros da capital Rio de Janeiro. O conto se desenvolve em treze breves capítulos, ao longo dos quais o alienista vai fazendo suas experimentações cientificistas até que ele mesmo conclua pela necessidade de seu isolamento, visto que reconhece em si mesmo a única pessoa cujas faculdades mentais encontram-se equilibradas, sendo ele, portanto, aquele que destoa dos demais, devendo, por isso, alienar-se. Texto 1 — O ALIENISTA (Capítulo IV — UMA TEORIA NOVA), de Machado de Assis 1 Ao passo que D. Evarista, em lágrimas, vinha buscando o Rio de Janeiro, Simão 2 Bacamarte estudava por todos os lados uma certa ideia arrojada e nova, própria a alargar as 3 bases da psicologia. Todo o tempo que lhe sobrava dos cuidados da Casa Verde era pouco 4 para andar na rua, ou de casa em casa, conversando as gentes, sobre trinta mil assuntos, e 5 virgulando as falas de um olhar que metia medo aos mais heroicos. 6 Um dia de manhã, – eram passadas três semanas, – estando Crispim Soares ocupado 7 em temperar um medicamento, vieram dizer-lhe que o alienista o mandava chamar. 8 – Tratava-se de negócio importante, segundo ele me disse, acrescentou o portador. 9 Crispim empalideceu. Que negócio importante podia ser, se não alguma notícia da 10 comitiva, e especialmente da mulher? Porque este tópico deve ficar claramente definido, visto 11 insistirem nele os cronistas; Crispim amava a mulher, e, desde trinta anos, nunca estiveram 12 separados um só dia. Assim se explicam os monólogos que fazia agora, e que os fâmulos lhe 13 ouviam muita vez: – “Anda, bem feito, quem te mandou consentir na viagem de Cesária? 14 Bajulador, torpe bajulador! Só para adular ao Dr Bacamarte. Pois agora aguenta-te; anda; 15 aguenta-te, alma de lacaio, fracalhão, vil, miserável. Dizes amém a tudo, não é? Aí tens o 16 lucro, biltre!”. – E muitos outros nomes feios, que um homem não deve dizer aos outros, 17 quanto mais a si mesmo. Daqui a imaginar o efeito do recado é um nada. Tão depressa ele o 18 recebeu como abriu mão das drogas e voou à Casa Verde. 19 Simão Bacamarte recebeu-o com a alegria própria de um sábio, uma alegria abotoada 20 de circunspeção até o pescoço. 21 – Estou muito contente, disse ele. 22 – Notícias do nosso povo?, perguntou o boticário com a voz trêmula. 23 O alienista fez um gesto magnífico, e respondeu: 24 – Trata-se de coisa mais alta, trata-se de uma experiência científica. Digo experiência, 25 porque não me atrevo a assegurar desde já a minha ideia; nem a ciência é outra coisa, Sr. 26 Soares, senão uma investigação constante. Trata-se, pois, de uma experiência, mas uma 27 experiência que vai mudar a face da terra. A loucura, objeto dos meus estudos, era até agora 28 uma ilha perdida no oceano da razão; começo a suspeitar que é um continente. 29 Disse isto, e calou-se, para ruminar o pasmo do boticário. Depois explicou 30 compridamente a sua ideia. No conceito dele a insânia abrangia uma vasta superfície de 31 cérebros; e desenvolveu isto com grande cópia de raciocínios, de textos, de exemplos. Os 32 exemplos achou-os na história e em Itaguaí mas, como um raro espírito que era, reconheceu o 33 perigo de citar todos os casos de Itaguaí e refugiou-se na história. Assim, apontou com 34 especialidade alguns célebres, Sócrates, que tinha um demônio familiar, Pascal, que via um 35 abismo à esquerda, Maomé, Caracala, Domiciano, Calígula etc., uma enfiada de casos e 36 pessoas, em que de mistura vinham entidades odiosas, e entidades ridículas. E porque o 37 boticário se admirasse de uma tal promiscuidade, o alienista disse-lhe que era tudo a mesma 38 coisa, e até acrescentou sentenciosamente: 39 – A ferocidade, Sr. Soares, é o grotesco a sério. 40 – Gracioso, muito gracioso!, exclamou Crispim Soares levantando as mãos ao céu. 41 Quanto à ideia de ampliar o território da loucura, achou-a o boticário extravagante; mas 42 a modéstia, principal adorno de seu espírito, não lhe sofreu confessar outra coisa além de um 43 nobre entusiasmo; declarou-a sublime e verdadeira, e acrescentou que era “caso de matraca”. 44 Esta expressão não tem equivalente no estilo moderno. Naquele tempo, Itaguaí, que como as 45 demais vilas, arraiais e povoações da colônia, não dispunha de imprensa, tinha dois modos de 46 divulgar uma notícia: ou por meio de cartazes manuscritos e pregados na porta da Câmara, e 47 da matriz; – ou por meio de matraca. 48 Eis em que consistia este segundo uso. Contratava-se um homem, por um ou mais 49 dias, para andar as ruas do povoado, com uma matraca na mão. 50 De quando em quando tocava a matraca, reunia-se gente, e ele anunciava o que lhe 51 incumbiam, – um remédio para sezões, umas terras lavradias, um soneto, um donativo 52 eclesiástico, a melhor tesoura da vila, o mais belo discurso do ano etc. O sistema tinha 53 inconvenientes para a paz pública; mas era conservado pela grande energia de divulgação 54 que possuía. Por exemplo, um dos vereadores, – aquele justamente que mais se opusera à 55 criação da Casa Verde, – desfrutava a reputação de perfeito educador de cobras e macacos, e 56 aliás nunca domesticara um só desses bichos; mas, tinha o cuidado de fazer trabalhar a 57 matraca todos os meses. E dizem as crônicas que algumas pessoas afirmavam ter visto 58 cascavéis dançando no peito do vereador; afirmação perfeitamente falsa, mas só devida à 59 absoluta confiança no sistema. Verdade, verdade, nem todas as instituições do antigo regime 60 mereciam o desprezo do nosso século. 61 – Há melhor do que anunciar a minha ideia, é praticá-la, respondeu o alienista à 62 insinuação do boticário. 63 E o boticário, não divergindo sensivelmente deste modo de ver, disse-lhe que sim, que 64 era melhor começar pela execução. 65 – Sempre haverá tempo de a dar à matraca, concluiu ele. 66 Simão Bacamarte refletiu ainda um instante, e disse: 67 – Suponho o espírito humano uma vasta concha, o meu fim, Sr. Soares, é ver se posso 68 extrair a pérola, que é a razão; por outros termos, demarquemos definitivamente os limites da 69 razão e da loucura. A razão é o perfeito equilíbrio de todas as faculdades; fora daí insânia, 70 insânia e só insânia. 71 O Vigário Lopes, a quem ele confiou a nova teoria, declarou lisamente que não 72 chegava a entendê-la, que era uma obra absurda, e, se não era absurda, era de tal modo 73 colossal que não merecia princípio de execução. 74 – Com a definição atual, que é a de todos os tempos, acrescentou, a loucura e a razão 75 estão perfeitamente delimitadas. Sabe-se onde uma acaba e onde a outra começa. Para que 76 transpor a cerca? 77 Sobre o lábio fino e discreto do alienista roçou a vaga sombra de uma intenção de riso, 78 em que o desdém vinha casado à comiseração; mas nenhuma palavra saiu de suas egrégias 79 entranhas. 80 A ciência contentou-se em estender a mão à teologia, – com tal segurança, que a 81 teologia não soube enfim se devia crer em si ou na outra. Itaguaí e o universo à beira de uma 82 revolução. ——— Considere o trecho das linhas 24 a 28 do Texto 1 ("– Trata-se de coisa mais alta [...] começo a suspeitar que é um continente.") e, à luz da gramática normativa, as seguintes afirmações: I. O travessão utilizado em "– Trata-se de coisa mais alta [...]" especifica a mudança de interlocutor no diálogo. II. As vírgulas empregadas em "A loucura, objeto dos meus estudos, era até agora [...]" podem ser substituídas por travessões, sem prejuízo para a correção. III. No trecho "[...] nem a ciência é outra coisa, Sr. Soares, senão uma investigação constante.", as vírgulas são empregadas com a finalidade de isolar o termo de valor explicativo. Em relação às afirmações, está(ão) correta(s):
  1. A)apenas a afirmação I.
  2. B)apenas a afirmação II.
  3. C)apenas as afirmações I e II.
  4. D)apenas as afirmações I e III.
  5. E)todas as afirmações estão corretas.
IME20181a faseQuestao 19PortuguêsPontuaçãoDificil
Marque a opção em que a regra usada para a colocação das vírgulas é a mesma encontrada no trecho abaixo destacado: “(…) cujos crescimento espontâneo, metabolismo e eventual declínio têm a ver com as necessidades vitais produzidas e introduzidas pelo labor no processo da vida” (Texto 1, linhas 5 a 7).
  1. A)(…) labor, trabalho e ação (Texto 1, linha 2).
  2. B)O trabalho é a atividade correspondente ao artificialismo da existência humana, existência esta não necessariamente contida no eterno ciclo vital da espécie (…) (Texto 1, linhas 9 e 10).
  3. C)o bobo tem originalidade, espontaneamente lhe vem a ideia (Texto 2, linha 5).
  4. D)Bobo é Chagall, que põe vaca no espaço, voando por cima das casas (Texto 2, linha 32).
  5. E)“Até tu, Brutus?” (Texto 2, linha 20).
IME20171a faseQuestao 5PortuguêsPontuaçãoMedia
Texto 1 — A CRISE AMBIENTAL (Benedito Braga) 1 Segundo Miller (1985), nosso planeta pode ser comparado a uma astronave que dispõe 2 de um eficiente sistema de aproveitamento de energia solar e de reciclagem de matéria, 3 deslocando-se a cem mil quilômetros por hora pelo espaço sideral. Há atualmente na 4 astronave ar, água e comida suficientes para manter seus passageiros. Tendo em vista o 5 progressivo aumento do número desses passageiros, em forma exponencial, e a ausência de 6 portos para reabastecimento, podem-se vislumbrar, em médio e longo prazos, problemas 7 sérios para a manutenção de sua população. 8 Pela segunda lei da termodinâmica, o uso da energia implica degradação de sua 9 qualidade. Como consequência da lei da conservação da massa, os resíduos energéticos, 10 principalmente na forma de calor, somados aos resíduos de matéria, alteram a qualidade do 11 meio ambiente no interior dessa astronave. A tendência natural de qualquer sistema, como 12 um todo, é de aumento de sua entropia (grau de desordem). Assim, os passageiros, 13 utilizando-se da inesgotável energia solar, processam, por meio de sua tecnologia e de seu 14 metabolismo, os recursos naturais finitos, gerando, inexoravelmente, algum tipo de poluição. 15 O nível de qualidade de vida no planeta dependerá do equilíbrio entre estes três elementos: 16 população, recursos naturais e poluição. Os aspectos mais relevantes de cada vértice do 17 triângulo formado por esses elementos e suas interligações são analisados nos itens 18 subsequentes. 19 1.1 População 20 A população mundial cresceu de 2,5 bilhões em 1950 para 6,2 bilhões no ano 2002 (...) e, 21 atualmente, a taxa de crescimento se aproxima de 1,13% ao ano. De acordo com a analogia 22 da astronave, isso significa que, nos dias de hoje, ela transporta 6,2 bilhões de passageiros 23 e, a cada ano, outros 74 milhões de passageiros nela embarcam. Esses passageiros estão 24 divididos em 227 nações nos cinco continentes, poucas das quais pertencem aos chamados 25 países desenvolvidos, com 19% da população total. As demais são os chamados países em 26 desenvolvimento ou subdesenvolvidos, com os restantes 81% da população. Novamente, 27 usando a analogia com a astronave, é como se os habitantes dos países desenvolvidos 28 fossem passageiros de primeira classe, enquanto os demais viajam no porão. Em 29 decorrência das altas taxas de crescimento populacional que hoje somente ocorrem nos 30 países menos desenvolvidos, essa situação de desequilíbrio tende a se agravar ainda mais: 31 em 1950, os países desenvolvidos tinham 31,5% da população mundial; em 2002, apenas 32 19,3%; e, em 2050, terão 13,7% (…). 33 Um casal que tenha cinco filhos, os quais, por sua vez, tenham cinco filhos cada um, 34 representa, a partir de duas pessoas, uma população familiar de 25 pessoas em duas 35 gerações. Esse fenômeno vem ocorrendo mundialmente desde meados do século XIX, com 36 a Revolução Industrial. A partir dessa revolução, a tecnologia proporcionou uma redução da 37 taxa bruta de mortalidade, responsável pelo aumento da taxa de crescimento populacional 38 anual, apesar de a taxa de natalidade estar se reduzindo desde aquela época até os dias 39 atuais. (…) 40 Dentro dessa perspectiva de crescimento, cabe questionar até quando os recursos 41 naturais serão suficientes para sustentar os passageiros da astronave Terra. Existem 42 autores, como Lappe e Collins (1977), que contestam a tese de insuficiência de recursos 43 naturais e responsabilizam a má distribuição da renda e a má orientação da produção 44 agrícola pela fome do mundo hoje. 45 1.2 Recursos naturais 46 Recurso natural é qualquer insumo de que os organismos, as populações e os 47 ecossistemas necessitam para sua manutenção, sendo, portanto, algo útil. Há uma estreita 48 relação entre recursos naturais e tecnologia, toda vez que ocorrerem processos tecnológicos 49 para utilização de um recurso. Exemplo típico é o magnésio, até pouco tempo não era 50 considerado um recurso natural e passou a sê-lo quando se descobriu como utilizá-lo na 51 confecção de ligas metálicas para aviões. Recursos naturais e economia interagem de modo 52 bastante evidente, pois algo é recurso na medida em que sua exploração é economicamente 53 viável. Exemplo dessa situação é o álcool, que, antes da crise do petróleo de 1973, 54 apresentava custos de produção extremamente elevados em relação aos custos de 55 exploração de petróleo. Hoje, no Brasil, apesar da diminuição do Proálcool, o álcool ainda 56 pode ser considerado um importante combustível para automóveis e um recurso natural 57 estratégico de alta significância uma vez que há possibilidade de sua renovação e 58 consequente disponibilidade. Sua utilização efetiva depende de análises políticas e 59 econômicas que poderão ser revistas sempre que necessário. 60 Finalmente, algo se torna recurso natural caso sua exploração, processamento e 61 utilização não causem danos ao meio ambiente. Assim, na definição de recurso natural, 62 encontramos três tópicos relacionados: tecnologia, economia e meio ambiente. 63 1.3 Poluição 64 Completando o terceiro vértice do triângulo, como resultado da utilização dos recursos 65 naturais pela população surge a poluição que é uma alteração indesejável nas características 66 físicas, químicas ou biológicas da atmosfera, litosfera ou hidrosfera, podendo causar prejuízo 67 à saúde, à sobrevivência ou às atividades dos seres humanos e outras espécies ou ainda 68 deteriorar materiais. Para fins práticos, em especial do ponto de vista legal de controle da 69 poluição, acrescentamos que o conceito de poluição deve ser associado às alterações 70 indesejáveis provocadas pelas atividades e intervenções humanas no ambiente. Desse 71 modo, uma erupção vulcânica, apesar de poder ser considerada uma fonte poluidora, é um 72 fenômeno natural não provocado pelo homem e que foge ao seu controle, assim como outros 73 fenômenos naturais, como incêndios florestais, grandes secas ou inundações. 74 Poluentes são resíduos gerados pelas atividades humanas, causando um impacto 75 ambiental negativo, ou seja, uma alteração indesejável. Dessa maneira, a poluição está 76 ligada à concentração,ou quantidade de resíduos presentes no ar, na água ou no solo. Para 77 que se possa exercer o controle da poluição de acordo com a legislação ambiental, definem- 78 se padrões e indicadores de qualidade do ar (concentrações de CO, NOx, SOx, Pb etc.), da 79 água (concentração de O2, fenóis e Hg, pH, temperatura etc.) e do solo (taxa de erosão etc.) 80 que se deseja respeitar em um determinado ambiente. 81 Os efeitos detectados mais recentemente, como o efeito estufa e a redução da camada 82 de ozônio, ainda não são bem conhecidos, mas podem trazer consequências que afetarão o 83 clima e o equilíbrio do planeta como um todo. É importante um esforço conjunto e sem 84 precedentes para que se possa conhecer esses efeitos e controlá-los de modo eficaz. Os 85 efeitos globais têm contribuído bastante para a sensibilização recente da sociedade sobre 86 questões ambientais, merecendo destaque na mídia e na agenda de políticos e grupos 87 ambientalistas em todo o planeta. Isso talvez possa ser explicado pela incerteza que os 88 humanos passaram a experimentar em relação à própria sobrevivência da espécie e pela 89 constatação de sua incapacidade de entender e controlar os processos e as transformações 90 ambientais decorrentes de suas atividades. Até recentemente, acreditava-se que a 91 inteligência e a tecnologia resolveriam qualquer problema e que não havia limites para o 92 desenvolvimento da espécie e para a utilização de matéria e energia na busca de conforto e 93 qualidade de vida. ——— Observe a pontuação apresentada nos trechos abaixo destacados: I. (…) os passageiros, utilizando-se da inesgotável energia solar, processam, por meio de sua tecnologia e de seu metabolismo, os recursos naturais finitos, gerando, inexoravelmente, algum tipo de poluição. (linhas 12 a 14 do Texto 1) II. (…) uma erupção vulcânica, apesar de poder ser considerada uma fonte poluidora, é um fenômeno natural não provocado pelo homem (…). (linhas 71 e 72 do Texto 1) O uso de vírgulas nos trechos destacados indica
  1. A)a separação de elementos sintáticos coordenados entre si.
  2. B)a separação de elementos que têm a mesma função sintática.
  3. C)a supressão proposital de um elemento sintático.
  4. D)a intercalação de advérbios e de orações adverbiais.
  5. E)a separação de orações coordenadas assindéticas.
IME20161a faseQuestao 6PortuguêsPontuaçãoMedia
Texto 1 — A QUÍMICA EM NOSSAS VIDAS Carlos Corrêa Há a ideia generalizada de que o que é natural é bom e o que é sintético, o que resulta da ação do homem, é mau. Não vou citar os terremotos, tsunamis e tempestades, tudo natural, que não têm nada de bom, mas certas substâncias naturais muito más, como as toxinas produzidas naturalmente por certas bactérias e os vírus, todos tão na moda nestes últimos tempos. Dentre os maiores venenos que existem, seis são naturais. Só o sarin (gás dos nervos) e as dioxinas é que são de origem sintética. Muitos alimentos contêm substâncias naturais que podem causar doenças, como por exemplo o isocianato de alila (alho, mostarda) que pode originar tumores, o benzopireno (defumados, churrascos) causador de câncer do estômago, os cianetos (amêndoas amargas, mandioca) que são tóxicos, as hidrazinas (cogumelos) que são cancerígenas, a saxtoxina (marisco) e a tetrodotoxina (peixe estragado) que causam paralisia e morte, certos taninos (café, cacau) causadores de câncer do esôfago e da boca e muitos outros. A má imagem da Química resulta da sua má utilização e deve-se particularmente à dispersão de resíduos no ambiente (que levam ao aquecimento global e mudanças climáticas, ao buraco da camada de ozônio e à contaminação das águas e solos) e à utilização de aditivos alimentares e pesticidas. Muitos desses males são o resultado da pouca educação dos cidadãos. Quem separa e compacta o lixo? Quem entrega nas farmácias os medicamentos que se encontram fora do prazo de validade? Quem trata os efluentes dos currais e das pocilgas? Quem deixa toda a espécie de lixo nas areias das nossas praias e matas? Quem usa e abusa do automóvel? Quem berra contra as queimadas mas enche a sala de fumaça, intoxicando toda a família? Quem não admira o fogo de artifício, que enche a atmosfera e as águas de metais pesados? Há o hábito de utilizar a expressão “substância química” para designar substâncias sintetizadas, imprimindo-lhes um ar perverso, de substância maldita. Há tempos passou na TV um anúncio destinado a combater o uso do tabaco que dizia: “… o fumo do tabaco contém mais de 4000 substâncias químicas tóxicas, irritantes e cancerígenas…”. Bastaria referir “substâncias”, mas teve de aparecer o qualificativo “químicas” para lhes dar um ar mais tenebroso. Todas as substâncias, naturais ou de síntese, são “substâncias químicas”! Todas as substâncias, naturais ou de síntese, podem ser prejudiciais à saúde! Tudo depende da dose. Qualquer dia aparecerá uma notícia na TV referindo, logo a seguir às notícias dos dirigentes e jogadores de futebol, que “A água, substância com a fórmula molecular H2O, foi a substância química responsável por muitas mortes nas nossas praias”… por falta de cuidado! Porque os Químicos determinaram as estruturas e propriedades dessas substâncias, haverá razão para lhes chamar “substâncias químicas”? Estamos sendo envenenados pelas muitas “substâncias químicas” que invadem as nossas vidas? A ideia de que o câncer está aumentando devido a essas “substâncias químicas” é desmentida pelas estatísticas sobre o assunto, à exceção do fumo do tabaco, que é a maior causa de aumento do câncer do pulmão e das vias respiratórias. O aumento da longevidade acarreta necessariamente um aumento do número de cânceres. Curiosamente, o tabaco é natural e essas 4000 substâncias tóxicas, irritantes e cancerígenas resultam da queima das folhas do tabaco. A reação de combustão não foi inventada pelos químicos; vem da idade da pedra, quando o homem descobriu o fogo. O número de cânceres das vias respiratórias na mulher só começou a crescer em meados dos anos 60, com a emancipação da mulher e o subsequente uso do cigarro. É o tipo de câncer responsável pelo maior número de mortes nos Estados Unidos. Não é verdade que as substâncias de síntese (as “substâncias químicas”) sejam uma causa importante de câncer; isso sucede somente quando há exposição a altas doses. As maiores causas de câncer são o cigarro, o excesso de álcool, certas viroses, inflamações crônicas e problemas hormonais. A melhor defesa é uma dieta rica em frutos e vegetais. Há alguns anos, metade das substâncias testadas (naturais e sintéticas) em roedores deram resultado positivo em alguns testes de carcinogenicidade. Muitos alimentos contêm substâncias naturais que dão resultado positivo, como é o caso do café torrado, embora esse resultado não possa ser diretamente relacionado ao aparecimento de um câncer, pois apenas a presença de doses muito elevadas das substâncias pode justificar tal relação. Embora um estudo realizado por Michael Shechter, do Instituto do Coração de Sheba, Israel, mostrasse que a cafeína do café tem propriedades antioxidantes, atuando no combate a radicais livres, diminuindo o risco de doenças cardiovasculares e alguns tipos de câncer, a verdade é que, há meia dúzia de anos, só 3% dos compostos existentes no café tinham sido testados. Das trinta substâncias testadas no café torrado, vinte e uma eram cancerígenas em roedores e faltava testar cerca de um milhar! Vamos deixar de tomar café? Certamente que não. O que sucede é que a Química é hoje capaz de detectar e caracterizar quantidades minúsculas de substâncias, o que não sucedia no passado. Como se disse, o veneno está na dose e essas substâncias estão presentes em concentrações demasiado pequenas para causar danos. Diante do que se sabe das substâncias analisadas até aqui, todos concordam que o importante é consumir abundantes quantidades de frutos e vegetais. Isso compensa inclusive riscos associados à possível presença de pequenas quantidades de pesticidas. Texto 2 — CONSUMIDORES COM MAIS ACESSO À INFORMAÇÃO QUESTIONAM A VERDADE QUE LHES É VENDIDA Ênio Rodrigo Se você é mulher, talvez já tenha observado com mais atenção como a publicidade de produtos de beleza, especialmente os voltados a tratamentos de rejuvenescimento, usualmente possuem novíssimos "componentes anti-idade" e "micro-cápsulas" que ajudam "a sua pele a ter mais firmeza em oito dias", por exemplo, ou mesmo que determinados organismos "vivos" (mesmo depois de envazados, transportados e acondicionados em prateleiras com pouco controle de temperatura) fervilham aos milhões dentro de um vasilhame esperando para serem ingeridos ajudando a regular sua flora intestinal. Homens, crianças, e todo tipo de público também não estão fora do alcance desse discurso que utiliza um recurso cada vez mais presente na publicidade: a ciência e a tecnologia como argumento de venda. Silvania Sousa do Nascimento, doutora em didática da ciência e tecnologia pela Universidade Paris VI e professora da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), enxerga nesse processo um resquício da visão positivista, na qual a ciência pode ser entendida como verdade absoluta. "A visão de que a ciência é a baliza ética da verdade e o mito do cientista como gênio criador é amplamente difundida, mas entra, cada vez mais, em atrito com a realidade, principalmente em uma sociedade informacional, como (1) nossa", acrescenta. Para entender esse processo numa sociedade pautada na dinâmica da informação, Ricardo Cavallini, consultor corporativo e autor do livro O marketing depois de amanhã (Universo dos Livros, 2007), afirma que, primeiramente, devemos repensar a noção de público específico ou senso comum. "Essas categorizações estão sendo postas de lado. A publicidade contemporânea trata com pessoas e elas têm cada vez mais acesso (2) informação e é assim que vejo a comunicação: com fronteiras menos marcadas e deixando de lado o paradigma de que o público é passivo", acredita. Silvania concorda e diz que a sociedade começa (3) perceber que a verdade suprema é estanque, não condiz com o dia-a-dia. "Ao se depararem com uma informação, as pessoas começam a pesquisar e isso as aproxima do fazer científico, ou seja, de que a verdade é questionável", enfatiza. Para a professora da UFMG, isso cria o "jornalista contínuo", um indivíduo que põe a verdade à prova o tempo todo. "A noção de ciência atual é a de verdade em construção, ou seja, de que determinados produtos ou processos imediatamente anteriores à ação atual, são defasados". Cavallini considera que (4) três linhas de pensamento possíveis que poderiam explicar a utilização do recurso da imagem científica para vender: a quantidade de informação que a ciência pode agregar a um produto; o quanto essa informação pode ser usada como diferencial na concorrência entre produtos similares; e a ciência como um selo de qualidade ou garantia. Ele cita o caso dos chamados produtos "verdes", associados a determinadas características com viés ecológico ou produtos que precisam de algum tipo de "auditoria" para comprovarem seu discurso. "Na mídia, a ciência entra como mecanismo de validação, criando uma marca de avanço tecnológico, mesmo que por pouquíssimo tempo", finaliza Silvania. O fascínio por determinados temas científicos segue a lógica da saturação do termo, ou seja, ecoar algo que já esteja exercendo certo fascínio na sociedade. "O interesse do público muda bastante e a publicidade se aproveita desses temas que estão na mídia para recriá-los a partir de um jogo de sedução com a linguagem" diz Cristina Bruzzo, pesquisadora da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e que acompanhou (5) apropriação da imagem da molécula de DNA pelas mídias (inclusive publicidade). "A imagem do DNA, por exemplo, foi acrescida de diversos sentidos, que não o sentido original para a ciência, e transformado em discurso de venda de diversos produtos", diz. Onde estão os dados comprovando as afirmações científicas, no entanto? De acordo com Eduardo Corrêa, do Conselho Nacional de Auto Regulamentação Publicitária (Conar) os anúncios, antes de serem veiculados com qualquer informação de cunho científico, devem trazer os registros de comprovação das pesquisas em órgãos competentes. Segundo ele, o Conar não tem o papel de avalizar metodologias ou resultados, o que fica a cargo do Ministério da Saúde, Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ou outros órgãos. "O consumidor pode pedir uma revisão ou confirmação científica dos dados apresentados, contudo em 99% dos casos esses certificados são garantia de qualidade. Se surgirem dúvidas, quanto a dados numéricos de pesquisas de opinião pública, temos analistas no Conar que podem dar seus pareceres", esclarece Corrêa. Mesmo assim, de acordo com ele, os processos investigatórios são raríssimos. Texto 4 — PSICOLOGIA DE UM VENCIDO Augusto dos Anjos Eu, filho do carbono e do amoníaco, Monstro de escuridão e rutilância, Sofro, desde a epigênese da infância, A influência má dos signos do zodíaco. Profundissimamente hipocondríaco, Este ambiente me causa repugnância... Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia Que se escapa da boca de um cardíaco. Já o verme — este operário das ruínas — Que o sangue podre das carnificinas Come, e à vida em geral declara guerra, Anda a espreitar meus olhos para roê-los, E há de deixar-me apenas os cabelos, Na frialdade inorgânica da terra! Marque a opção em que o uso de vírgulas segue uma regra diversa da que foi aplicada aos demais casos.
  1. A)"A água, substância com a fórmula molecular H2O, foi a substância química responsável por muitas mortes nas nossas praias" (texto 1).
  2. B)"Ricardo Cavallini, consultor corporativo e autor do livro O marketing depois de amanhã (…), afirma" (texto 2).
  3. C)"Há o hábito de utilizar a expressão "substância química" para designar substâncias sintetizadas, imprimindo-lhes um ar perverso, de substância maldita." (texto 1).
  4. D)"Eu, filho do carbono e do amoníaco," (texto 4, verso 1).
  5. E)"Silvania Sousa do Nascimento, doutora em didática da ciência e tecnologia (…), enxerga" (texto 2).
IME20121a faseQuestao 8PortuguêsPontuaçãoMedia
Texto II — Inércia: a Primeira Lei de Newton As leis de Newton tratam da relação entre força e movimento. A primeira pergunta que elas procuram responder é: “O que acontece com o movimento de um corpo livre da ação de qualquer força?” Podemos responder a essa pergunta em duas partes. A primeira trata do efeito da inexistência de forças sobre o corpo parado ou em repouso. A resposta é quase óbvia: se nenhuma força atua sobre o corpo em repouso, ele continua em repouso. A segunda parte trata do efeito da inexistência de forças sobre o corpo em movimento. A resposta, embora simples, já não é óbvia: se nenhuma força atua sobre o corpo em movimento, ele continua em movimento. Mas que tipo de movimento? Como não há força atuando sobre o corpo, a sua velocidade não aumenta, nem diminui, nem muda de direção. Portanto o único movimento possível do corpo na ausência de qualquer força atuando sobre ele é o movimento retilíneo uniforme. A primeira lei de Newton reúne ambas as respostas num só enunciado: um corpo permanece em repouso ou em movimento retilíneo uniforme se nenhuma força atuar sobre ele. Em outras palavras, a Primeira Lei de Newton afirma que, na ausência de forças, todo corpo fica como está: parado se estiver parado, em movimento se estiver em movimento (retilíneo uniforme). Daí essa lei ser chamada de Princípio da Inércia. O que significa inércia? Inércia, na linguagem cotidiana, significa falta de ação, de atividade, indolência, preguiça ou coisa semelhante. Por essa razão, costuma-se associar inércia a repouso, o que não corresponde exatamente ao sentido que a Física dá ao termo. O significado físico de inércia é mais abrangente: inércia é “ficar como está”, ou em repouso ou em movimento. Devido à propriedade do corpo de “ficar como está” depender de sua massa, a inércia pode ser entendida como sinônimo de massa. GASPAR, Alberto. Física: Mecânica. 1. ed. São Paulo: Ática, 2001. p. 114-115. (adaptado) ———————————— Assinale a opção em que o emprego da vírgula justifica-se pelo mesmo motivo de sua ocorrência no trecho a seguir destacado: "Se nenhuma força atua sobre o corpo em repouso, ele continua em repouso."
  1. A)"A resposta, embora simples..." (Texto II, 2º parágrafo)
  2. B)"Como não há força atuando sobre o corpo, a sua velocidade não aumenta," (Texto II, 2º parágrafo)
  3. C)"a sua velocidade não aumenta, nem diminui," (Texto II, 2º parágrafo)
  4. D)"Em outras palavras, a Primeira Lei de Newton..." (Texto II, 3º parágrafo)
  5. E)"parado se estiver parado, em movimento se estiver em movimento" (Texto II, 3º parágrafo)
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