Interpretação de texto (TIC) · IME

Interpretação de texto (TIC): questões do IME

72 questões de Interpretação de texto (TIC) (Português) no IME (2010–2026). Treine de graça com correção e comentário.

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Questões de Interpretação de texto (TIC) no IME

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IME20261a faseQuestao 1PortuguêsInterpretação de texto (TIC)Media
CONTEXTUALIZAÇÃO Há 80 anos, em 8 de maio de 1945, a Europa calava seus canhões. Para o Brasil, essa data vai além da memória global: ela eterniza a Força Expedicionária Brasileira (FEB) como um dos mais nobres símbolos de coragem e amor à pátria — um legado que inspira gerações e honra a história do nosso país. O Dia da Vitória, celebrado mundialmente em 8 de maio, representa a rendição incondicional das forças do Eixo aos Aliados e o fim oficial da Segunda Guerra Mundial na Europa. No Brasil, é também um momento de honrar os 25 mil combatentes da FEB, que levaram o nome da pátria aos campos de batalha italianos e regressaram como heróis da liberdade. ——— Texto 1 — CANÇÃO DO EXPEDICIONÁRIO 1 Você sabe de onde eu venho? 2 Venho do morro, do Engenho, 3 Das selvas, dos cafezais, 4 Da boa terra do coco, 5 Da choupana onde um é pouco, 6 Dois é bom, três é demais, 7 Venho das praias sedosas, 8 Das montanhas alterosas, 9 Dos pampas, do seringal, 10 Das margens crespas dos rios, 11 Dos verdes mares bravios 12 Da minha terra natal. 13 Por mais terras que eu percorra, 14 Não permita Deus que eu morra 15 Sem que volte para lá; 16 Sem que leve por divisa 17 Esse "V" que simboliza 18 A vitória que virá: 19 Nossa vitória final, 20 Que é a mira do meu fuzil, 21 A ração do meu bornal, 22 A água do meu cantil, 23 As asas do meu ideal, 24 A glória do meu Brasil. 25 Eu venho da minha terra, 26 Da casa branca da serra 27 E do luar do meu sertão; 28 Venho da minha Maria 29 Cujo nome principia 30 Na palma da minha mão, 31 Braços mornos de Moema, 32 Lábios de mel de Iracema 33 Estendidos para mim. 34 Ó minha terra querida 35 Da Senhora Aparecida 36 E do Senhor do Bonfim! 37 Você sabe de onde eu venho? 38 É de uma Pátria que tenho 39 No bojo do meu violão; 40 Que de viver em meu peito 41 Foi até tomando jeito 42 De um enorme coração. 43 Deixei lá atrás meu terreno, 44 Meu limão, meu limoeiro, 45 Meu pé de jacarandá, 46 Minha casa pequenina 47 Lá no alto da colina, 48 Onde canta o sabiá. 49 Venho do além desse monte 50 Que ainda azula o horizonte, 51 Onde o nosso amor nasceu; 52 Do rancho que tinha ao lado 53 Um coqueiro que, coitado, 54 De saudade já morreu. 55 Venho do verde mais belo, 56 Do mais dourado amarelo, 57 Do azul mais cheio de luz, 58 Cheio de estrelas prateadas, 59 Que se ajoelham deslumbradas, 60 Fazendo o sinal da Cruz! 61 Por mais terras que eu percorra, 62 Não permita Deus que eu morra 63 Sem que volte para lá; 64 Sem que leve por divisa 65 Esse "V" que simboliza 66 A vitória que virá: 67 Nossa vitória final, 68 Que é a mira do meu fuzil, 69 A ração do meu bornal, 70 A água do meu cantil, 71 As asas do meu ideal, 72 A glória do meu Brasil. (Guilherme de Almeida. Disponível em museuvirtualdafeb.eb.mil.br/cancao-expedicionario. Texto adaptado.) ——— Em relação ao texto 1, considere as seguintes informações: I. O sujeito lírico enumera espaços geográficos e sociais na construção de um Brasil múltiplo e uno. II. O texto enaltece o altruísmo manifestado na defesa da pátria, ressaltando a promoção de um ideal de coesão e identidade. III. Ao longo do texto, observa-se a predominância da intertextualidade construída por meio da paródia, recurso que contribui para a releitura crítica de discursos já consolidados. Está(ão) CORRETA(S) apenas a(s) assertiva(s):
  1. A)I.
  2. B)I e II.
  3. C)I e III.
  4. D)II e III.
  5. E)I, II e III.
IME20261a faseQuestao 7PortuguêsInterpretação de texto (TIC)Media
Texto 1 — CANÇÃO DO EXPEDICIONÁRIO 1 Você sabe de onde eu venho? 2 Venho do morro, do Engenho, 3 Das selvas, dos cafezais, 4 Da boa terra do coco, 5 Da choupana onde um é pouco, 6 Dois é bom, três é demais, 7 Venho das praias sedosas, 8 Das montanhas alterosas, 9 Dos pampas, do seringal, 10 Das margens crespas dos rios, 11 Dos verdes mares bravios 12 Da minha terra natal. 13 Por mais terras que eu percorra, 14 Não permita Deus que eu morra 15 Sem que volte para lá; 16 Sem que leve por divisa 17 Esse "V" que simboliza 18 A vitória que virá: 19 Nossa vitória final, 20 Que é a mira do meu fuzil, 21 A ração do meu bornal, 22 A água do meu cantil, 23 As asas do meu ideal, 24 A glória do meu Brasil. 25 Eu venho da minha terra, 26 Da casa branca da serra 27 E do luar do meu sertão; 28 Venho da minha Maria 29 Cujo nome principia 30 Na palma da minha mão, 31 Braços mornos de Moema, 32 Lábios de mel de Iracema 33 Estendidos para mim. 34 Ó minha terra querida 35 Da Senhora Aparecida 36 E do Senhor do Bonfim! 37 Você sabe de onde eu venho? 38 É de uma Pátria que tenho 39 No bojo do meu violão; 40 Que de viver em meu peito 41 Foi até tomando jeito 42 De um enorme coração. 43 Deixei lá atrás meu terreno, 44 Meu limão, meu limoeiro, 45 Meu pé de jacarandá, 46 Minha casa pequenina 47 Lá no alto da colina, 48 Onde canta o sabiá. 49 Venho do além desse monte 50 Que ainda azula o horizonte, 51 Onde o nosso amor nasceu; 52 Do rancho que tinha ao lado 53 Um coqueiro que, coitado, 54 De saudade já morreu. 55 Venho do verde mais belo, 56 Do mais dourado amarelo, 57 Do azul mais cheio de luz, 58 Cheio de estrelas prateadas, 59 Que se ajoelham deslumbradas, 60 Fazendo o sinal da Cruz! 61 Por mais terras que eu percorra, 62 Não permita Deus que eu morra 63 Sem que volte para lá; 64 Sem que leve por divisa 65 Esse "V" que simboliza 66 A vitória que virá: 67 Nossa vitória final, 68 Que é a mira do meu fuzil, 69 A ração do meu bornal, 70 A água do meu cantil, 71 As asas do meu ideal, 72 A glória do meu Brasil. (Guilherme de Almeida. Disponível em museuvirtualdafeb.eb.mil.br/cancao-expedicionario. Texto adaptado.) ——— No texto, canta-se com patriotismo a saudade da terra natal sentida pelos militares brasileiros da FEB, Força Expedicionária Brasileira, enviados ao combate durante a II Guerra Mundial. Assinale a alternativa que identifica, na canção, versos que tragam uma marca de interlocução entre o eu lírico e o leitor.
  1. A)"Eu venho da minha terra, / Da casa branca da serra [...]" (linhas 25 e 26)
  2. B)"Não permita Deus que eu morra / Sem que volte para lá; [...]" (linhas 14 e 15)
  3. C)"Venho do além desse monte / Que ainda azula o horizonte, [...]" (linhas 49 e 50)
  4. D)"Venho da minha Maria / Cujo nome principia [...]" (linhas 28 e 29)
  5. E)"Você sabe de onde eu venho? / É de uma Pátria que tenho [...]" (linhas 37 e 38)
IME20261a faseQuestao 9PortuguêsInterpretação de texto (TIC)Dificil
Texto 1 — CANÇÃO DO EXPEDICIONÁRIO 1 Você sabe de onde eu venho? 2 Venho do morro, do Engenho, 3 Das selvas, dos cafezais, 4 Da boa terra do coco, 5 Da choupana onde um é pouco, 6 Dois é bom, três é demais, 7 Venho das praias sedosas, 8 Das montanhas alterosas, 9 Dos pampas, do seringal, 10 Das margens crespas dos rios, 11 Dos verdes mares bravios 12 Da minha terra natal. 13 Por mais terras que eu percorra, 14 Não permita Deus que eu morra 15 Sem que volte para lá; 16 Sem que leve por divisa 17 Esse "V" que simboliza 18 A vitória que virá: 19 Nossa vitória final, 20 Que é a mira do meu fuzil, 21 A ração do meu bornal, 22 A água do meu cantil, 23 As asas do meu ideal, 24 A glória do meu Brasil. 25 Eu venho da minha terra, 26 Da casa branca da serra 27 E do luar do meu sertão; 28 Venho da minha Maria 29 Cujo nome principia 30 Na palma da minha mão, 31 Braços mornos de Moema, 32 Lábios de mel de Iracema 33 Estendidos para mim. 34 Ó minha terra querida 35 Da Senhora Aparecida 36 E do Senhor do Bonfim! 37 Você sabe de onde eu venho? 38 É de uma Pátria que tenho 39 No bojo do meu violão; 40 Que de viver em meu peito 41 Foi até tomando jeito 42 De um enorme coração. 43 Deixei lá atrás meu terreno, 44 Meu limão, meu limoeiro, 45 Meu pé de jacarandá, 46 Minha casa pequenina 47 Lá no alto da colina, 48 Onde canta o sabiá. 49 Venho do além desse monte 50 Que ainda azula o horizonte, 51 Onde o nosso amor nasceu; 52 Do rancho que tinha ao lado 53 Um coqueiro que, coitado, 54 De saudade já morreu. 55 Venho do verde mais belo, 56 Do mais dourado amarelo, 57 Do azul mais cheio de luz, 58 Cheio de estrelas prateadas, 59 Que se ajoelham deslumbradas, 60 Fazendo o sinal da Cruz! 61 Por mais terras que eu percorra, 62 Não permita Deus que eu morra 63 Sem que volte para lá; 64 Sem que leve por divisa 65 Esse "V" que simboliza 66 A vitória que virá: 67 Nossa vitória final, 68 Que é a mira do meu fuzil, 69 A ração do meu bornal, 70 A água do meu cantil, 71 As asas do meu ideal, 72 A glória do meu Brasil. (Guilherme de Almeida. Disponível em museuvirtualdafeb.eb.mil.br/cancao-expedicionario. Texto adaptado.) ——— Na "Canção do Expedicionário" (texto 1), observa-se a presença de termos cognatos como meio de coesão lexical. Assinale a alternativa que apresenta o uso de termos cognatos, mas, desta vez, para apresentar uma intertextualidade com uma obra folclórica pertencente ao cancioneiro popular brasileiro.
  1. A)"A água do meu cantil," (linha 22)
  2. B)"E do luar do meu sertão;" (linha 27)
  3. C)"Meu limão, meu limoeiro," (linha 44)
  4. D)"Do mais dourado amarelo," (linha 56)
  5. E)"Cheio de estrelas prateadas" (linha 58)
IME20261a faseQuestao 11PortuguêsInterpretação de texto (TIC)Media
Texto 2 — De volta ao básico: soldados finlandeses recorrem a mapas de papel para aprender a lidar com bloqueios de GPS 1 Soldados finlandeses estão treinando com mapas de papel e bússolas para garantir que consi- 2 gam operar em locais onde a atividade inimiga torne o GPS indisponível. O coronel Matti Honko, 3 comandante do Regimento Jaeger da Guarda Finlandesa, destacou que a ferramenta de navegação 4 por satélite, conhecida como Sistema de Posicionamento Global, ou simplesmente GPS, é vulnerável 5 a interferências. As informações são do Business Insider. 6 O conflito na Ucrânia tem sido marcado por uma intensa guerra cibernética de ambos os la- 7 dos. Tanto Kiev quanto Moscou utilizam táticas como bloqueio de sinal, falsificação de GPS e outros 8 métodos de interferência remota para confundir e desativar o armamento inimigo. A interferência no 9 GPS, por exemplo, tem causado problemas para os sistemas de combate — desde drones baratos até 10 munições guiadas sofisticadas. 11 Para garantir segurança e prontidão em locais onde o GPS não é uma opção, os soldados da 12 Guarda Finlandesa estão usando mapas de papel. "Acho que todos receberam o fato de que o 13 GPS pode ser falsificado, e você pode não ser capaz de confiar nele", afirma Honko. 14 Apesar disso, o coronel disse que a Finlândia não está abandonando completamente o uso do GPS. 15 Em vez disso, os soldados estão sendo ensinados a não depender exclusivamente dele e a aprender 16 a verificar a veracidade dos dados fornecidos pelo sistema, já que podem ser facilmente falsificados e 17 estar fora de sincronia com a situação real. 18 Honko afirma que esse treinamento está sendo realizado em todo o Exército Finlandês, bem como 19 na Marinha e na Força Aérea do país. Segundo ele, a proximidade da Finlândia com a Rússia obriga o 20 país a treinar alternativas, já que o bloqueio de sinal de GPS é uma estratégia comumente usada em 21 áreas de defesa da cidade vizinha de São Petersburgo, na Rússia. 22 Os desafios trazidos pelos ataques cibernéticos não são exclusivos da guerra na Ucrânia. No 23 Oriente Médio, por exemplo, a interferência de GPS tem ocorrido nos conflitos entre Israel e grupos 24 aliados do Irã. A tática também tem sido um problema no Mar Vermelho, onde forças navais ocidentais 25 passaram mais de um ano e meio defendendo rotas marítimas de ataques de rebeldes houthis no 26 Iêmen. 27 Quanto aos militares finlandeses, eles estão monitorando de perto as práticas de guerra eletrônica 28 em constante desenvolvimento e planejando cenários em que essas estratégias possam ser testadas 29 em combate. E não estão sozinhos. Empresas do setor de defesa também estão se certificando de 30 que seus produtos sejam mais resistentes a certos tipos de bloqueios e manipulações. Um exemplo 31 disso é a Saildrone, uma empresa americana que fabrica embarcações de superfície não tripuladas 32 para serviço de forças navais, incluindo a Marinha dos EUA. 33 Richard Jenkins, fundador e CEO da Saildrone, explicou que a empresa integrou tecnologia aos 34 seus veículos de superfície não tripulados (USVs), permitindo que eles operem em ambientes onde o 35 GPS e as comunicações estão comprometidos ou indisponíveis. Segundo Jenkins, alguns dos drones 36 da empresa operados pelos militares dos EUA no Oriente Médio têm navegado em áreas com sinal 37 falsificado há meses. 38 Jenkins disse acreditar que esse é o futuro da guerra. "Acho que, em um conflito real, os satélites 39 serão a primeira coisa a desaparecer completamente." Ele acrescenta ainda que todos precisam 40 descobrir como sobreviver sem satélites, GPS e comunicações. E, para os militares, isso significa 41 não apenas desenvolver novas tecnologias, mas também garantir que habilidades básicas sejam 42 preservadas. (Disponível em epocanegocios.globo.com. Acesso em 11 set 25. Texto adaptado.) ——— A expressão "De volta ao básico", encontrada no título do texto 2, faz referência:
  1. A)ao abandono do GPS como ferramenta de localização das tropas em locais de conflito, devido à possibilidade de ataques cibernéticos que impedem seu funcionamento.
  2. B)ao reconhecimento da superioridade de métodos mais antigos de orientação espacial das tropas, como mapas e bússolas, devido a defeitos recorrentes em aparelhos de GPS.
  3. C)ao resgate de métodos antigos de orientação das tropas pelas forças armadas finlandesas, devido à instabilidade de aparelhos de GPS diante de ataques cibernéticos.
  4. D)à necessidade das empresas do setor de defesa de reformularem seus produtos, criando estratégias para que estes se tornem mais resistentes a bloqueios e manipulações.
  5. E)à previsão de que, no futuro, não será mais possível contar com a ajuda de satélites em contextos de guerra, pois estes tendem a ser os primeiros a desaparecer com a evolução de métodos de ataque cibernético.
IME20261a faseQuestao 16PortuguêsInterpretação de texto (TIC)Media
Texto 2 — De volta ao básico: soldados finlandeses recorrem a mapas de papel para aprender a lidar com bloqueios de GPS 1 Soldados finlandeses estão treinando com mapas de papel e bússolas para garantir que consi- 2 gam operar em locais onde a atividade inimiga torne o GPS indisponível. O coronel Matti Honko, 3 comandante do Regimento Jaeger da Guarda Finlandesa, destacou que a ferramenta de navegação 4 por satélite, conhecida como Sistema de Posicionamento Global, ou simplesmente GPS, é vulnerável 5 a interferências. As informações são do Business Insider. 6 O conflito na Ucrânia tem sido marcado por uma intensa guerra cibernética de ambos os la- 7 dos. Tanto Kiev quanto Moscou utilizam táticas como bloqueio de sinal, falsificação de GPS e outros 8 métodos de interferência remota para confundir e desativar o armamento inimigo. A interferência no 9 GPS, por exemplo, tem causado problemas para os sistemas de combate — desde drones baratos até 10 munições guiadas sofisticadas. 11 Para garantir segurança e prontidão em locais onde o GPS não é uma opção, os soldados da 12 Guarda Finlandesa estão usando mapas de papel. "Acho que todos receberam o fato de que o 13 GPS pode ser falsificado, e você pode não ser capaz de confiar nele", afirma Honko. 14 Apesar disso, o coronel disse que a Finlândia não está abandonando completamente o uso do GPS. 15 Em vez disso, os soldados estão sendo ensinados a não depender exclusivamente dele e a aprender 16 a verificar a veracidade dos dados fornecidos pelo sistema, já que podem ser facilmente falsificados e 17 estar fora de sincronia com a situação real. 18 Honko afirma que esse treinamento está sendo realizado em todo o Exército Finlandês, bem como 19 na Marinha e na Força Aérea do país. Segundo ele, a proximidade da Finlândia com a Rússia obriga o 20 país a treinar alternativas, já que o bloqueio de sinal de GPS é uma estratégia comumente usada em 21 áreas de defesa da cidade vizinha de São Petersburgo, na Rússia. 22 Os desafios trazidos pelos ataques cibernéticos não são exclusivos da guerra na Ucrânia. No 23 Oriente Médio, por exemplo, a interferência de GPS tem ocorrido nos conflitos entre Israel e grupos 24 aliados do Irã. A tática também tem sido um problema no Mar Vermelho, onde forças navais ocidentais 25 passaram mais de um ano e meio defendendo rotas marítimas de ataques de rebeldes houthis no 26 Iêmen. 27 Quanto aos militares finlandeses, eles estão monitorando de perto as práticas de guerra eletrônica 28 em constante desenvolvimento e planejando cenários em que essas estratégias possam ser testadas 29 em combate. E não estão sozinhos. Empresas do setor de defesa também estão se certificando de 30 que seus produtos sejam mais resistentes a certos tipos de bloqueios e manipulações. Um exemplo 31 disso é a Saildrone, uma empresa americana que fabrica embarcações de superfície não tripuladas 32 para serviço de forças navais, incluindo a Marinha dos EUA. 33 Richard Jenkins, fundador e CEO da Saildrone, explicou que a empresa integrou tecnologia aos 34 seus veículos de superfície não tripulados (USVs), permitindo que eles operem em ambientes onde o 35 GPS e as comunicações estão comprometidos ou indisponíveis. Segundo Jenkins, alguns dos drones 36 da empresa operados pelos militares dos EUA no Oriente Médio têm navegado em áreas com sinal 37 falsificado há meses. 38 Jenkins disse acreditar que esse é o futuro da guerra. "Acho que, em um conflito real, os satélites 39 serão a primeira coisa a desaparecer completamente." Ele acrescenta ainda que todos precisam 40 descobrir como sobreviver sem satélites, GPS e comunicações. E, para os militares, isso significa 41 não apenas desenvolver novas tecnologias, mas também garantir que habilidades básicas sejam 42 preservadas. (Disponível em epocanegocios.globo.com. Acesso em 11 set 25. Texto adaptado.) ——— "Os gêneros se constituem a partir do uso prático da língua em situação comunicativa. Eles se diferenciam pelos conteúdos específicos que veiculam, pelas características particulares dos textos produzidos nas diferentes situações e pelas configurações específicas de linguagem utilizadas neste ou naquele texto." (TERRA, Ernani. Práticas de linguagem.) Considerando o tipo de discurso e de composição, como se deve analisar a tipologia e o gênero do texto 2?
  1. A)Numa linguagem formal, com intenção apelativa e uso predominante do imperativo, é um texto do tipo injuntivo e do gênero anúncio.
  2. B)Numa linguagem informativa, com intenção informativa e uso predominante do tempo presente, é um texto do tipo expositivo e do gênero notícia.
  3. C)Numa linguagem informal, com intenção artística e uso predominante de figuras de linguagem, é um texto do tipo subjetivo e do gênero lírico.
  4. D)Numa linguagem informal, com intenção argumentativa e uso predominante de operadores discursivos, é um texto do tipo argumentativo e do gênero artigo de opinião.
  5. E)Numa linguagem com liberdade formal, com intenção argumentativa e uso predominante do argumento de autoridade, é um texto do tipo argumentativo e do gênero relato.
IME20261a faseQuestao 20PortuguêsInterpretação de texto (TIC)Dificil
Texto 1 — CANÇÃO DO EXPEDICIONÁRIO 1 Você sabe de onde eu venho? 2 Venho do morro, do Engenho, 3 Das selvas, dos cafezais, 4 Da boa terra do coco, 5 Da choupana onde um é pouco, 6 Dois é bom, três é demais, 7 Venho das praias sedosas, 8 Das montanhas alterosas, 9 Dos pampas, do seringal, 10 Das margens crespas dos rios, 11 Dos verdes mares bravios 12 Da minha terra natal. 13 Por mais terras que eu percorra, 14 Não permita Deus que eu morra 15 Sem que volte para lá; 16 Sem que leve por divisa 17 Esse "V" que simboliza 18 A vitória que virá: 19 Nossa vitória final, 20 Que é a mira do meu fuzil, 21 A ração do meu bornal, 22 A água do meu cantil, 23 As asas do meu ideal, 24 A glória do meu Brasil. 25 Eu venho da minha terra, 26 Da casa branca da serra 27 E do luar do meu sertão; 28 Venho da minha Maria 29 Cujo nome principia 30 Na palma da minha mão, 31 Braços mornos de Moema, 32 Lábios de mel de Iracema 33 Estendidos para mim. 34 Ó minha terra querida 35 Da Senhora Aparecida 36 E do Senhor do Bonfim! 37 Você sabe de onde eu venho? 38 É de uma Pátria que tenho 39 No bojo do meu violão; 40 Que de viver em meu peito 41 Foi até tomando jeito 42 De um enorme coração. 43 Deixei lá atrás meu terreno, 44 Meu limão, meu limoeiro, 45 Meu pé de jacarandá, 46 Minha casa pequenina 47 Lá no alto da colina, 48 Onde canta o sabiá. 49 Venho do além desse monte 50 Que ainda azula o horizonte, 51 Onde o nosso amor nasceu; 52 Do rancho que tinha ao lado 53 Um coqueiro que, coitado, 54 De saudade já morreu. 55 Venho do verde mais belo, 56 Do mais dourado amarelo, 57 Do azul mais cheio de luz, 58 Cheio de estrelas prateadas, 59 Que se ajoelham deslumbradas, 60 Fazendo o sinal da Cruz! 61 Por mais terras que eu percorra, 62 Não permita Deus que eu morra 63 Sem que volte para lá; 64 Sem que leve por divisa 65 Esse "V" que simboliza 66 A vitória que virá: 67 Nossa vitória final, 68 Que é a mira do meu fuzil, 69 A ração do meu bornal, 70 A água do meu cantil, 71 As asas do meu ideal, 72 A glória do meu Brasil. (Guilherme de Almeida. Disponível em museuvirtualdafeb.eb.mil.br/cancao-expedicionario. Texto adaptado.) ——— Texto 2 — De volta ao básico: soldados finlandeses recorrem a mapas de papel para aprender a lidar com bloqueios de GPS 1 Soldados finlandeses estão treinando com mapas de papel e bússolas para garantir que consi- 2 gam operar em locais onde a atividade inimiga torne o GPS indisponível. O coronel Matti Honko, 3 comandante do Regimento Jaeger da Guarda Finlandesa, destacou que a ferramenta de navegação 4 por satélite, conhecida como Sistema de Posicionamento Global, ou simplesmente GPS, é vulnerável 5 a interferências. As informações são do Business Insider. 6 O conflito na Ucrânia tem sido marcado por uma intensa guerra cibernética de ambos os la- 7 dos. Tanto Kiev quanto Moscou utilizam táticas como bloqueio de sinal, falsificação de GPS e outros 8 métodos de interferência remota para confundir e desativar o armamento inimigo. A interferência no 9 GPS, por exemplo, tem causado problemas para os sistemas de combate — desde drones baratos até 10 munições guiadas sofisticadas. 11 Para garantir segurança e prontidão em locais onde o GPS não é uma opção, os soldados da 12 Guarda Finlandesa estão usando mapas de papel. "Acho que todos receberam o fato de que o 13 GPS pode ser falsificado, e você pode não ser capaz de confiar nele", afirma Honko. 14 Apesar disso, o coronel disse que a Finlândia não está abandonando completamente o uso do GPS. 15 Em vez disso, os soldados estão sendo ensinados a não depender exclusivamente dele e a aprender 16 a verificar a veracidade dos dados fornecidos pelo sistema, já que podem ser facilmente falsificados e 17 estar fora de sincronia com a situação real. 18 Honko afirma que esse treinamento está sendo realizado em todo o Exército Finlandês, bem como 19 na Marinha e na Força Aérea do país. Segundo ele, a proximidade da Finlândia com a Rússia obriga o 20 país a treinar alternativas, já que o bloqueio de sinal de GPS é uma estratégia comumente usada em 21 áreas de defesa da cidade vizinha de São Petersburgo, na Rússia. 22 Os desafios trazidos pelos ataques cibernéticos não são exclusivos da guerra na Ucrânia. No 23 Oriente Médio, por exemplo, a interferência de GPS tem ocorrido nos conflitos entre Israel e grupos 24 aliados do Irã. A tática também tem sido um problema no Mar Vermelho, onde forças navais ocidentais 25 passaram mais de um ano e meio defendendo rotas marítimas de ataques de rebeldes houthis no 26 Iêmen. 27 Quanto aos militares finlandeses, eles estão monitorando de perto as práticas de guerra eletrônica 28 em constante desenvolvimento e planejando cenários em que essas estratégias possam ser testadas 29 em combate. E não estão sozinhos. Empresas do setor de defesa também estão se certificando de 30 que seus produtos sejam mais resistentes a certos tipos de bloqueios e manipulações. Um exemplo 31 disso é a Saildrone, uma empresa americana que fabrica embarcações de superfície não tripuladas 32 para serviço de forças navais, incluindo a Marinha dos EUA. 33 Richard Jenkins, fundador e CEO da Saildrone, explicou que a empresa integrou tecnologia aos 34 seus veículos de superfície não tripulados (USVs), permitindo que eles operem em ambientes onde o 35 GPS e as comunicações estão comprometidos ou indisponíveis. Segundo Jenkins, alguns dos drones 36 da empresa operados pelos militares dos EUA no Oriente Médio têm navegado em áreas com sinal 37 falsificado há meses. 38 Jenkins disse acreditar que esse é o futuro da guerra. "Acho que, em um conflito real, os satélites 39 serão a primeira coisa a desaparecer completamente." Ele acrescenta ainda que todos precisam 40 descobrir como sobreviver sem satélites, GPS e comunicações. E, para os militares, isso significa 41 não apenas desenvolver novas tecnologias, mas também garantir que habilidades básicas sejam 42 preservadas. (Disponível em epocanegocios.globo.com. Acesso em 11 set 25. Texto adaptado.) ——— Considere as afirmações relacionadas aos textos 1 e 2: I. O texto 1 retrata o soldado brasileiro como símbolo de bravura e sacrifício, destacando a simplicidade, o amor à pátria, o sentimento de pertencimento e o uso de instrumentos básicos de combate no enfrentamento das agruras da guerra. II. O texto 2 é caracterizado por preterir a eficácia das estratégias "analógicas" frente à vulnerabilidade decorrente da dependência tecnológica nos conflitos armados. III. Os textos 1 e 2 constroem uma conexão entre o passado e o presente, mostrando que, mesmo com os avanços tecnológicos, a guerra ainda demanda habilidades precípuas e inteligência emocional, por vezes desvinculadas da tecnologia. Está(ão) CORRETA(S) apenas a(s) assertiva(s):
  1. A)I.
  2. B)II.
  3. C)III.
  4. D)I e II.
  5. E)I e III.
IME20241a faseQuestao 1PortuguêsInterpretação de texto (TIC)Dificil
Texto 1 — O REGRESSO DE MATIMATI (Mia Couto / Terra Sonâmbula) Mia Couto é o pseudônimo de António Emílio Leite, nascido em Moçambique em 1955. Em muitas obras, Mia Couto reinventa a língua portuguesa por meio de um poderoso léxico poético, sob a influência dos falares das várias regiões do País, criando um novo modelo de narrativa africana, imbuído às vezes de uma cosmovisão mítica. Terra Sonâmbula, seu primeiro romance, publicado em 1992, conta as peripécias e provações do menino Muidinga e do velho Tuahir, que, fugindo da guerra civil após a descolonização de Moçambique, acham abrigo em um ônibus abandonado em uma estrada. Muidinga aí encontra os cadernos de Kindzu, cujos relatos estão relacionados ao passado do menino e da vida comunitária de Moçambique. O título da obra faz referência à instabilidade do País e, portanto, à falta de repouso e de paz de uma terra que permanece "sonâmbula". O REGRESSO DE MATIMATI 1 Farida me dera um gosto novo de viver. Até ali me distraíra nesse estar contente sem nenhuma felicidade. Depois de Farida me tornei encontrável, em mim visível. Muitas vezes me avisei do perigo desse amor. Nenhum de nós podia esperar muito: como ela, eu era apenas passageiro esquecido da qual viagem. Mas Farida me mandava calar, dedo sorrindo sobre os lábios. Eu temia sua inocência: ela estava desamparada, sem ninguém a 5 quem recorrer. Eu sentia o mesmo, mas de uma outra maneira. Talvez porque não tivesse um filho, não tivesse ninguém. Minha única posse era o medo. Sim, foi para escapar do medo que saíra de minha pequena vila. Porque esse sentimento já totalmente me ocupava: eu passeava com o medo na rua, dormia com o medo em casa. Quem vive no medo precisa um mundo pequeno, um mundo que pode controlar. Nosso mundo, meu e de Farida, tinha agora o tamanho de um navio. Para mim, aquele era apenas um passageiro momento. Para Farida, 10 aquilo era o imutável cumprir de um destino. Minha companheira comentava quase nada as realidades da vida corrente. Fantasiática, tudo para ela ocorria no além-visto. Só uma vez beliscou o assunto da guerra. Inquiria-me como se habitasse um outro país: — Essa guerra algum dia há de acabar? Acenei que sim. Mas meu coração se pequenou, constreitinho. Farida queria conhecer mais: saber o motivo 15 da guerra, a razão daquele desfile de infinitos lutos. Lembrei as palavras de Surendra: tinha que haver guerra, tinha que haver morte. E tudo era para quê? Para autorizar o roubo. Porque hoje nenhuma riqueza podia nascer do trabalho. Só o saque dava acesso às propriedades. Era preciso haver morte para que as leis fossem esquecidas. Agora que a desordem era total, tudo estava autorizado. Os culpados seriam sempre os outros. — Pode acabar no país, Kindzu. Mas para nós, dentro de nós essa guerra nunca mais vai terminar. 20 Farida não voltou a falar da guerra. Parecia não ter força para enfrentar as matanças distantes. Simples- mente parasse aquela discórdia dentro de si, aquela angústia que lhe tirava o sossego. Era só essa pequenina paz que ela sonhava. Quando, por fim, me despedi, ela me pediu: — Lá, em Matimati, nunca fale de meu nome. Eles me odeiam. Já em meu concho, remando para terra, surgia clara a razão do meu retorno à costa. Eu procurava apagar o 25 fogo que devorava aquela mulher. Nem sequer era generosidade. Precisava salvar Farida porque ela me salvava da miséria de existir pouco. Havia, por fim, um alguém que não estava metido no mesmo lodo em que todos chafundávamos, alguém que mantinha a esperança, louca que fosse. Farida, ao menos, tinha uma ilha com um inviável farol, um barco que viria de lá onde habitam os anjonautas. Ao avistar a praia de Matimati, comprovei como são nossos olhos que fazem o belo. Meu estado de paixão 30 puxava um novo lustro àquela terra em ruínas. Aquelas visões, dias antes, já tinham estado em meus olhos. Porém, agora tudo me parecia mais cheio de cores, em assembleia de belezas. Desembarquei sem conhecer por onde começar a busca. Desta vez não havia tanta gente na praia. A multidão se tinha dispersado. Seria por consequência da ameaça das autoridades? Fui subindo por um caminhozito descalço, um trilho tão estreito que mesmo duas serpentes não podiam namorar. A vila era menor do que parecia, suas casas estavam mais 35 inteiras que as da minha terra. Havia, no entanto, excessivos refugiados. Dormiam nas ruas, nos passeios. Por todo lado, se viam corpos estendidos, esteirados ao sol. Eu circulava por ali, divagante, devagaroso. Como começar para chegar ao filho de Farida? Procurar Irmã Lúcia? Não, ela pouco adiantaria. O menino saíra da Missão rumo aos matos. O melhor seria encontrar tia Euzinha, ela saberia das pistas que Gaspar rumara. Mas, Euzinha: onde seria seu atual paradeiro? Estaria 40 entre aqueles deslocados da vila? Ou resistira no campo, na sua casinha-natal? Resolvi não resolver nada, deixar que a resposta acontecesse sozinha. Restava-me um tempo. Farida prometera não abandonar o barco antes que eu trouxesse novidades de seu filho. Mesmo que viesse gente para resgatar o navio, mesmo assim ela aguardaria por mim. Trocamos jura contra jura. COUTO, Mia. Terra Sonâmbula. São Paulo: Companhia das Letras, 2007, p. 103-105 (texto adaptado). ——— É correto afirmar que o texto 1 — "O regresso de Matimati":
  1. A)expressa a ideia de que a guerra enfrentada pelos personagens se deve a disputas de cunho étnico-racial, próprias da região há séculos.
  2. B)exprime a tese segundo a qual uma guerra que dura tanto tempo se explica pela possibilidade de extorsão dos bens alheios.
  3. C)denuncia o quanto as pessoas são intolerantes umas em relação às outras, apesar da defesa de um discurso antibelicista.
  4. D)revela o quanto a guerra está inscrita na própria natureza humana, já que não poderia jamais acabar dentro dos personagens.
  5. E)enfatiza o aspecto fundamental de um conflito armado, de desencadear o caos e a destruição como o reverso da ordem e da lei.
IME20241a faseQuestao 5PortuguêsInterpretação de texto (TIC)Dificil
Texto 1 — O REGRESSO DE MATIMATI (Mia Couto / Terra Sonâmbula) Mia Couto é o pseudônimo de António Emílio Leite, nascido em Moçambique em 1955. Em muitas obras, Mia Couto reinventa a língua portuguesa por meio de um poderoso léxico poético, sob a influência dos falares das várias regiões do País, criando um novo modelo de narrativa africana, imbuído às vezes de uma cosmovisão mítica. Terra Sonâmbula, seu primeiro romance, publicado em 1992, conta as peripécias e provações do menino Muidinga e do velho Tuahir, que, fugindo da guerra civil após a descolonização de Moçambique, acham abrigo em um ônibus abandonado em uma estrada. Muidinga aí encontra os cadernos de Kindzu, cujos relatos estão relacionados ao passado do menino e da vida comunitária de Moçambique. O título da obra faz referência à instabilidade do País e, portanto, à falta de repouso e de paz de uma terra que permanece "sonâmbula". O REGRESSO DE MATIMATI 1 Farida me dera um gosto novo de viver. Até ali me distraíra nesse estar contente sem nenhuma felicidade. Depois de Farida me tornei encontrável, em mim visível. Muitas vezes me avisei do perigo desse amor. Nenhum de nós podia esperar muito: como ela, eu era apenas passageiro esquecido da qual viagem. Mas Farida me mandava calar, dedo sorrindo sobre os lábios. Eu temia sua inocência: ela estava desamparada, sem ninguém a 5 quem recorrer. Eu sentia o mesmo, mas de uma outra maneira. Talvez porque não tivesse um filho, não tivesse ninguém. Minha única posse era o medo. Sim, foi para escapar do medo que saíra de minha pequena vila. Porque esse sentimento já totalmente me ocupava: eu passeava com o medo na rua, dormia com o medo em casa. Quem vive no medo precisa um mundo pequeno, um mundo que pode controlar. Nosso mundo, meu e de Farida, tinha agora o tamanho de um navio. Para mim, aquele era apenas um passageiro momento. Para Farida, 10 aquilo era o imutável cumprir de um destino. Minha companheira comentava quase nada as realidades da vida corrente. Fantasiática, tudo para ela ocorria no além-visto. Só uma vez beliscou o assunto da guerra. Inquiria-me como se habitasse um outro país: — Essa guerra algum dia há de acabar? Acenei que sim. Mas meu coração se pequenou, constreitinho. Farida queria conhecer mais: saber o motivo 15 da guerra, a razão daquele desfile de infinitos lutos. Lembrei as palavras de Surendra: tinha que haver guerra, tinha que haver morte. E tudo era para quê? Para autorizar o roubo. Porque hoje nenhuma riqueza podia nascer do trabalho. Só o saque dava acesso às propriedades. Era preciso haver morte para que as leis fossem esquecidas. Agora que a desordem era total, tudo estava autorizado. Os culpados seriam sempre os outros. — Pode acabar no país, Kindzu. Mas para nós, dentro de nós essa guerra nunca mais vai terminar. 20 Farida não voltou a falar da guerra. Parecia não ter força para enfrentar as matanças distantes. Simples- mente parasse aquela discórdia dentro de si, aquela angústia que lhe tirava o sossego. Era só essa pequenina paz que ela sonhava. Quando, por fim, me despedi, ela me pediu: — Lá, em Matimati, nunca fale de meu nome. Eles me odeiam. Já em meu concho, remando para terra, surgia clara a razão do meu retorno à costa. Eu procurava apagar o 25 fogo que devorava aquela mulher. Nem sequer era generosidade. Precisava salvar Farida porque ela me salvava da miséria de existir pouco. Havia, por fim, um alguém que não estava metido no mesmo lodo em que todos chafundávamos, alguém que mantinha a esperança, louca que fosse. Farida, ao menos, tinha uma ilha com um inviável farol, um barco que viria de lá onde habitam os anjonautas. Ao avistar a praia de Matimati, comprovei como são nossos olhos que fazem o belo. Meu estado de paixão 30 puxava um novo lustro àquela terra em ruínas. Aquelas visões, dias antes, já tinham estado em meus olhos. Porém, agora tudo me parecia mais cheio de cores, em assembleia de belezas. Desembarquei sem conhecer por onde começar a busca. Desta vez não havia tanta gente na praia. A multidão se tinha dispersado. Seria por consequência da ameaça das autoridades? Fui subindo por um caminhozito descalço, um trilho tão estreito que mesmo duas serpentes não podiam namorar. A vila era menor do que parecia, suas casas estavam mais 35 inteiras que as da minha terra. Havia, no entanto, excessivos refugiados. Dormiam nas ruas, nos passeios. Por todo lado, se viam corpos estendidos, esteirados ao sol. Eu circulava por ali, divagante, devagaroso. Como começar para chegar ao filho de Farida? Procurar Irmã Lúcia? Não, ela pouco adiantaria. O menino saíra da Missão rumo aos matos. O melhor seria encontrar tia Euzinha, ela saberia das pistas que Gaspar rumara. Mas, Euzinha: onde seria seu atual paradeiro? Estaria 40 entre aqueles deslocados da vila? Ou resistira no campo, na sua casinha-natal? Resolvi não resolver nada, deixar que a resposta acontecesse sozinha. Restava-me um tempo. Farida prometera não abandonar o barco antes que eu trouxesse novidades de seu filho. Mesmo que viesse gente para resgatar o navio, mesmo assim ela aguardaria por mim. Trocamos jura contra jura. COUTO, Mia. Terra Sonâmbula. São Paulo: Companhia das Letras, 2007, p. 103-105 (texto adaptado). ——— Identifique a oração ou período do texto 1 no qual predomina o valor dissertativo-argumentativo:
  1. A)"Farida queria conhecer mais: saber o motivo da guerra, a razão daquele desfile de infinitos lutos." (linhas 14 e 15)
  2. B)"[...] tinha que haver guerra, tinha que haver morte. E tudo era para quê? Para autorizar o roubo." (linhas 15 e 16)
  3. C)" – Pode acabar no país, Kindzu. Mas para nós, dentro de nós essa guerra nunca mais vai terminar." (linha 19)
  4. D)"Farida, ao menos, tinha uma ilha com um inviável farol, um barco que viria de lá onde habitam os anjonautas." (linhas 27 e 28)
  5. E)"Meu estado de paixão puxava um novo lustro àquela terra em ruínas." (linhas 29 e 30)
IME20241a faseQuestao 11PortuguêsInterpretação de texto (TIC)Dificil
Texto 2 — OS OMBROS SUPORTAM O MUNDO (Carlos Drummond de Andrade) Carlos Drummond de Andrade foi poeta, contista e cronista da chamada segunda geração do modernismo brasileiro. Os temas das suas obras são variados e profundos, incluindo questões existenciais tais como o amor e o sentido da vida e da morte. O poema "Os ombros suportam o mundo" foi publicado em 1940. OS OMBROS SUPORTAM O MUNDO 1 Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus. Tempo de absoluta depuração. Tempo em que não se diz mais: meu amor. Porque o amor resultou inútil. 5 E os olhos não choram. E as mãos tecem apenas o rude trabalho. E o coração está seco. Em vão mulheres batem à porta, não abrirás. Ficaste sozinho, a luz apagou-se, 10 mas na sombra teus olhos resplandecem enormes. És todo certeza, já não sabes sofrer. E nada esperas de teus amigos. Pouco importa venha a velhice, que é a velhice? Teus ombros suportam o mundo 15 e ele não pesa mais que a mão de uma criança. As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios provam apenas que a vida prossegue e nem todos se libertaram ainda. Alguns, achando bárbaro o espetáculo, 20 prefeririam (os delicados) morrer. Chegou um tempo em que não adianta morrer. Chegou um tempo em que a vida é uma ordem. A vida apenas, sem mistificação. ANDRADE, Carlos Drummond de. Sentimento do mundo. 1ª ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2012, p. 51. ——— Em relação ao texto 2, pode-se afirmar que o poema
  1. A)exprime os sentimentos de uma época de expansão de forças, de realização de pujantes experiências humanas.
  2. B)reivindica o ideal de uma época de expansão de forças, de realização de pujantes experiências humanas.
  3. C)lamenta a perda de uma época de expansão de forças, de realização de pujantes experiências humanas.
  4. D)expressa a impossibilidade de uma época de expansão de forças, de realização de pujantes experiências humanas.
  5. E)denuncia os responsáveis pela perda de uma época de expansão de forças, de realização de pujantes experiências humanas.
IME20241a faseQuestao 12PortuguêsInterpretação de texto (TIC)Dificil
Texto 2 — OS OMBROS SUPORTAM O MUNDO (Carlos Drummond de Andrade) Carlos Drummond de Andrade foi poeta, contista e cronista da chamada segunda geração do modernismo brasileiro. Os temas das suas obras são variados e profundos, incluindo questões existenciais tais como o amor e o sentido da vida e da morte. O poema "Os ombros suportam o mundo" foi publicado em 1940. OS OMBROS SUPORTAM O MUNDO 1 Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus. Tempo de absoluta depuração. Tempo em que não se diz mais: meu amor. Porque o amor resultou inútil. 5 E os olhos não choram. E as mãos tecem apenas o rude trabalho. E o coração está seco. Em vão mulheres batem à porta, não abrirás. Ficaste sozinho, a luz apagou-se, 10 mas na sombra teus olhos resplandecem enormes. És todo certeza, já não sabes sofrer. E nada esperas de teus amigos. Pouco importa venha a velhice, que é a velhice? Teus ombros suportam o mundo 15 e ele não pesa mais que a mão de uma criança. As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios provam apenas que a vida prossegue e nem todos se libertaram ainda. Alguns, achando bárbaro o espetáculo, 20 prefeririam (os delicados) morrer. Chegou um tempo em que não adianta morrer. Chegou um tempo em que a vida é uma ordem. A vida apenas, sem mistificação. ANDRADE, Carlos Drummond de. Sentimento do mundo. 1ª ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2012, p. 51. ——— Considere os versos destacados em negrito do texto 2: I. "Tempo em que não se diz mais: meu amor. Porque o amor resultou inútil." (linhas 3 e 4) II. "Teus ombros suportam o mundo e ele não pesa mais que a mão de uma criança." (linhas 14 e 15) III. "As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios provam apenas que a vida prossegue e nem todos se libertaram ainda." (linhas 16 a 18) Com relação aos versos destacados, a alternativa correta é:
  1. A)No verso destacado no item I, o poeta aponta a falta de amor da humanidade como causa de uma guerra devastadora.
  2. B)No verso destacado no item II, o poeta afirma que o mundo se degradou devido à mesquinharia e violência dos homens.
  3. C)Nos itens I e III, mostra-se a situação de viver em suspenso, somente lutando, enquanto os perigos e os sofrimentos não cessam.
  4. D)No verso destacado no item III, supõe-se que é impossível a emancipação de um estado de sofrimento, conflito e de restrição da existência humana.
  5. E)No item I, II e III, evidencia-se a situação de viver em suspenso, somente sobrevivendo, enquanto os perigos e os sofrimentos não cessam.
IME20241a faseQuestao 14PortuguêsInterpretação de texto (TIC)Dificil
Texto 2 — OS OMBROS SUPORTAM O MUNDO (Carlos Drummond de Andrade) Carlos Drummond de Andrade foi poeta, contista e cronista da chamada segunda geração do modernismo brasileiro. Os temas das suas obras são variados e profundos, incluindo questões existenciais tais como o amor e o sentido da vida e da morte. O poema "Os ombros suportam o mundo" foi publicado em 1940. OS OMBROS SUPORTAM O MUNDO 1 Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus. Tempo de absoluta depuração. Tempo em que não se diz mais: meu amor. Porque o amor resultou inútil. 5 E os olhos não choram. E as mãos tecem apenas o rude trabalho. E o coração está seco. Em vão mulheres batem à porta, não abrirás. Ficaste sozinho, a luz apagou-se, 10 mas na sombra teus olhos resplandecem enormes. És todo certeza, já não sabes sofrer. E nada esperas de teus amigos. Pouco importa venha a velhice, que é a velhice? Teus ombros suportam o mundo 15 e ele não pesa mais que a mão de uma criança. As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios provam apenas que a vida prossegue e nem todos se libertaram ainda. Alguns, achando bárbaro o espetáculo, 20 prefeririam (os delicados) morrer. Chegou um tempo em que não adianta morrer. Chegou um tempo em que a vida é uma ordem. A vida apenas, sem mistificação. ANDRADE, Carlos Drummond de. Sentimento do mundo. 1ª ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2012, p. 51. ——— Sob a influência de ideias existencialistas, buscando exprimir, no plano linguístico, a ideia do vazio espiritual de uma época em crise, o poeta, no texto 2, utiliza um léxico sugestivo da descrença e desilusão. Assinale o item que ilustra este procedimento estilístico:
  1. A)"Tempo de absoluta depuração." (linha 2)
  2. B)"Porque o amor resultou inútil." (linha 4)
  3. C)"mas na sombra teus olhos resplandecem enormes." (linha 10)
  4. D)"És todo certeza, já não sabes sofrer." (linha 11)
  5. E)"Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?" (linha 13)
IME20241a faseQuestao 15PortuguêsInterpretação de texto (TIC)Dificil
Texto 2 — OS OMBROS SUPORTAM O MUNDO (Carlos Drummond de Andrade) Carlos Drummond de Andrade foi poeta, contista e cronista da chamada segunda geração do modernismo brasileiro. Os temas das suas obras são variados e profundos, incluindo questões existenciais tais como o amor e o sentido da vida e da morte. O poema "Os ombros suportam o mundo" foi publicado em 1940. OS OMBROS SUPORTAM O MUNDO 1 Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus. Tempo de absoluta depuração. Tempo em que não se diz mais: meu amor. Porque o amor resultou inútil. 5 E os olhos não choram. E as mãos tecem apenas o rude trabalho. E o coração está seco. Em vão mulheres batem à porta, não abrirás. Ficaste sozinho, a luz apagou-se, 10 mas na sombra teus olhos resplandecem enormes. És todo certeza, já não sabes sofrer. E nada esperas de teus amigos. Pouco importa venha a velhice, que é a velhice? Teus ombros suportam o mundo 15 e ele não pesa mais que a mão de uma criança. As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios provam apenas que a vida prossegue e nem todos se libertaram ainda. Alguns, achando bárbaro o espetáculo, 20 prefeririam (os delicados) morrer. Chegou um tempo em que não adianta morrer. Chegou um tempo em que a vida é uma ordem. A vida apenas, sem mistificação. ANDRADE, Carlos Drummond de. Sentimento do mundo. 1ª ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2012, p. 51. ——— A obra "Os ombros suportam o mundo" integra o livro de poemas Sentimento do mundo, publicado em 1940, escrito por Drummond, um artista atento ao sofrimento humano e às mazelas sociais. Em relação ao tema abordado no poema, considere as assertivas sobre o texto 2. I. A dicotomia entre o indivíduo e a coletividade é representada na obra. II. A resignação do poema pode ser observada com o enaltecimento da velhice. III. A desesperança do homem frente às adversidades do mundo é evidenciada no verso "Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus." (linha 1). Está(ão) correta(s) apenas a(s) assertiva(s):
  1. A)I.
  2. B)II.
  3. C)III.
  4. D)I e II.
  5. E)I e III.
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