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IME20261a faseQuestao 12PortuguêsCoesão textualDificilTexto 2 — De volta ao básico: soldados finlandeses recorrem a mapas de papel para aprender a lidar com bloqueios de GPS
1 Soldados finlandeses estão treinando com mapas de papel e bússolas para garantir que consi-
2 gam operar em locais onde a atividade inimiga torne o GPS indisponível. O coronel Matti Honko,
3 comandante do Regimento Jaeger da Guarda Finlandesa, destacou que a ferramenta de navegação
4 por satélite, conhecida como Sistema de Posicionamento Global, ou simplesmente GPS, é vulnerável
5 a interferências. As informações são do Business Insider.
6 O conflito na Ucrânia tem sido marcado por uma intensa guerra cibernética de ambos os la-
7 dos. Tanto Kiev quanto Moscou utilizam táticas como bloqueio de sinal, falsificação de GPS e outros
8 métodos de interferência remota para confundir e desativar o armamento inimigo. A interferência no
9 GPS, por exemplo, tem causado problemas para os sistemas de combate — desde drones baratos até
10 munições guiadas sofisticadas.
11 Para garantir segurança e prontidão em locais onde o GPS não é uma opção, os soldados da
12 Guarda Finlandesa estão usando mapas de papel. "Acho que todos receberam o fato de que o
13 GPS pode ser falsificado, e você pode não ser capaz de confiar nele", afirma Honko.
14 Apesar disso, o coronel disse que a Finlândia não está abandonando completamente o uso do GPS.
15 Em vez disso, os soldados estão sendo ensinados a não depender exclusivamente dele e a aprender
16 a verificar a veracidade dos dados fornecidos pelo sistema, já que podem ser facilmente falsificados e
17 estar fora de sincronia com a situação real.
18 Honko afirma que esse treinamento está sendo realizado em todo o Exército Finlandês, bem como
19 na Marinha e na Força Aérea do país. Segundo ele, a proximidade da Finlândia com a Rússia obriga o
20 país a treinar alternativas, já que o bloqueio de sinal de GPS é uma estratégia comumente usada em
21 áreas de defesa da cidade vizinha de São Petersburgo, na Rússia.
22 Os desafios trazidos pelos ataques cibernéticos não são exclusivos da guerra na Ucrânia. No
23 Oriente Médio, por exemplo, a interferência de GPS tem ocorrido nos conflitos entre Israel e grupos
24 aliados do Irã. A tática também tem sido um problema no Mar Vermelho, onde forças navais ocidentais
25 passaram mais de um ano e meio defendendo rotas marítimas de ataques de rebeldes houthis no
26 Iêmen.
27 Quanto aos militares finlandeses, eles estão monitorando de perto as práticas de guerra eletrônica
28 em constante desenvolvimento e planejando cenários em que essas estratégias possam ser testadas
29 em combate. E não estão sozinhos. Empresas do setor de defesa também estão se certificando de
30 que seus produtos sejam mais resistentes a certos tipos de bloqueios e manipulações. Um exemplo
31 disso é a Saildrone, uma empresa americana que fabrica embarcações de superfície não tripuladas
32 para serviço de forças navais, incluindo a Marinha dos EUA.
33 Richard Jenkins, fundador e CEO da Saildrone, explicou que a empresa integrou tecnologia aos
34 seus veículos de superfície não tripulados (USVs), permitindo que eles operem em ambientes onde o
35 GPS e as comunicações estão comprometidos ou indisponíveis. Segundo Jenkins, alguns dos drones
36 da empresa operados pelos militares dos EUA no Oriente Médio têm navegado em áreas com sinal
37 falsificado há meses.
38 Jenkins disse acreditar que esse é o futuro da guerra. "Acho que, em um conflito real, os satélites
39 serão a primeira coisa a desaparecer completamente." Ele acrescenta ainda que todos precisam
40 descobrir como sobreviver sem satélites, GPS e comunicações. E, para os militares, isso significa
41 não apenas desenvolver novas tecnologias, mas também garantir que habilidades básicas sejam
42 preservadas.
(Disponível em epocanegocios.globo.com. Acesso em 11 set 25. Texto adaptado.)
———
Ao longo de um texto dissertativo, vários recursos coesivos são utilizados, com o intuito, por exemplo, de promover fluidez discursiva e progressão semântica. Assim, considerando os contextos em que estão inseridos, assinale a alternativa que traga a devida correspondência entre os enunciados a seguir e seus respectivos valores semânticos encontrados no texto 2.
I. "Para garantir segurança e prontidão [...]" (linha 11)
II. "Apesar disso, o coronel disse [...]" (linha 14)
III. "[...] já que podem ser facilmente falsificados [...]" (linha 16)
IV. "[...] bem como na Marinha e na Força Aérea do país." (linhas 18 e 19)
- A)adversidade, conformidade, proporcionalidade, adição
- B)finalidade, concessão, causa, adição
- C)finalidade, conformidade, resignação, exemplificação
- D)objetivo, adversidade, consequência, comparação
- E)finalidade, oposição, conformidade, especificação
IME20261a faseQuestao 18PortuguêsCoesão textualDificilTexto 2 — De volta ao básico: soldados finlandeses recorrem a mapas de papel para aprender a lidar com bloqueios de GPS
1 Soldados finlandeses estão treinando com mapas de papel e bússolas para garantir que consi-
2 gam operar em locais onde a atividade inimiga torne o GPS indisponível. O coronel Matti Honko,
3 comandante do Regimento Jaeger da Guarda Finlandesa, destacou que a ferramenta de navegação
4 por satélite, conhecida como Sistema de Posicionamento Global, ou simplesmente GPS, é vulnerável
5 a interferências. As informações são do Business Insider.
6 O conflito na Ucrânia tem sido marcado por uma intensa guerra cibernética de ambos os la-
7 dos. Tanto Kiev quanto Moscou utilizam táticas como bloqueio de sinal, falsificação de GPS e outros
8 métodos de interferência remota para confundir e desativar o armamento inimigo. A interferência no
9 GPS, por exemplo, tem causado problemas para os sistemas de combate — desde drones baratos até
10 munições guiadas sofisticadas.
11 Para garantir segurança e prontidão em locais onde o GPS não é uma opção, os soldados da
12 Guarda Finlandesa estão usando mapas de papel. "Acho que todos receberam o fato de que o
13 GPS pode ser falsificado, e você pode não ser capaz de confiar nele", afirma Honko.
14 Apesar disso, o coronel disse que a Finlândia não está abandonando completamente o uso do GPS.
15 Em vez disso, os soldados estão sendo ensinados a não depender exclusivamente dele e a aprender
16 a verificar a veracidade dos dados fornecidos pelo sistema, já que podem ser facilmente falsificados e
17 estar fora de sincronia com a situação real.
18 Honko afirma que esse treinamento está sendo realizado em todo o Exército Finlandês, bem como
19 na Marinha e na Força Aérea do país. Segundo ele, a proximidade da Finlândia com a Rússia obriga o
20 país a treinar alternativas, já que o bloqueio de sinal de GPS é uma estratégia comumente usada em
21 áreas de defesa da cidade vizinha de São Petersburgo, na Rússia.
22 Os desafios trazidos pelos ataques cibernéticos não são exclusivos da guerra na Ucrânia. No
23 Oriente Médio, por exemplo, a interferência de GPS tem ocorrido nos conflitos entre Israel e grupos
24 aliados do Irã. A tática também tem sido um problema no Mar Vermelho, onde forças navais ocidentais
25 passaram mais de um ano e meio defendendo rotas marítimas de ataques de rebeldes houthis no
26 Iêmen.
27 Quanto aos militares finlandeses, eles estão monitorando de perto as práticas de guerra eletrônica
28 em constante desenvolvimento e planejando cenários em que essas estratégias possam ser testadas
29 em combate. E não estão sozinhos. Empresas do setor de defesa também estão se certificando de
30 que seus produtos sejam mais resistentes a certos tipos de bloqueios e manipulações. Um exemplo
31 disso é a Saildrone, uma empresa americana que fabrica embarcações de superfície não tripuladas
32 para serviço de forças navais, incluindo a Marinha dos EUA.
33 Richard Jenkins, fundador e CEO da Saildrone, explicou que a empresa integrou tecnologia aos
34 seus veículos de superfície não tripulados (USVs), permitindo que eles operem em ambientes onde o
35 GPS e as comunicações estão comprometidos ou indisponíveis. Segundo Jenkins, alguns dos drones
36 da empresa operados pelos militares dos EUA no Oriente Médio têm navegado em áreas com sinal
37 falsificado há meses.
38 Jenkins disse acreditar que esse é o futuro da guerra. "Acho que, em um conflito real, os satélites
39 serão a primeira coisa a desaparecer completamente." Ele acrescenta ainda que todos precisam
40 descobrir como sobreviver sem satélites, GPS e comunicações. E, para os militares, isso significa
41 não apenas desenvolver novas tecnologias, mas também garantir que habilidades básicas sejam
42 preservadas.
(Disponível em epocanegocios.globo.com. Acesso em 11 set 25. Texto adaptado.)
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"O conflito na Ucrânia tem sido marcado por uma intensa guerra cibernética de ambos os lados. Tanto Kiev quanto Moscou utilizam táticas como bloqueio de sinal, falsificação de GPS e outros métodos de interferência remota para confundir e desativar o armamento inimigo." (texto 2, linhas 6 a 8)
No excerto retirado do texto 2, observa-se uma progressão coesiva entre duas frases, mesmo sem o uso de conectivo. Considerando a relação semântica entre essas frases, assinale a alternativa que apresenta uma locução ou conjunção que poderia ser empregada pelo autor, mantendo o mesmo sentido do fragmento.
- A)Onde
- B)Para que
- C)Uma vez que
- D)À medida que
- E)Contanto que
IME20221a faseQuestao 2PortuguêsCoesão textualDificilTexto 1 — ENGENHEIROS DA VITÓRIA (Paul Kennedy)
1 [...] Quando se fala na eficiência em conseguir equipamentos de combate e transferir combatentes de A para
2 B, os britânicos são campeões; certamente isso não foi por causa de alguma inteligência especial, mas pela
3 ampla experiência em organização e senso crítico depois de enfrentar chances adversas em 1940, juntamente
4 com a perspectiva de derrota. Aqui a necessidade foi a mãe da invenção. Eles tinham que defender suas cidades,
5 transportar tropas até o Egito, apoiar os gregos, proteger as fronteiras da Índia, trazer os Estados Unidos para a
6 guerra e depois levar aquele imenso potencial americano para a área da Europa. Era mais um problema a ser
7 resolvido. Como foi possível fazer com que 2 milhões de soldados americanos, depois de chegar às bases de
8 Clyde, fossem para bases no sul da Inglaterra preparando-se para o ataque à Normandia, quando a maior parte
9 das ferrovias britânicas estava ocupada em transportar vagões de carvão para as fábricas de ferro e aço que
10 não podiam parar de produzir?
11 Como se viu, uma organização composta por pessoas que cresceram decorando os horários da estrada de
12 ferro de Bradshaw como passatempo pode fazer isso, enquanto os altos comandantes consideravam que tudo
13 estava garantido porque confiavam na capacidade de seus administradores de nível médio. Churchill acreditava
14 que o melhor era não se preocupar demais com os problemas, pois tudo se resolveria, isto é, uma maneira havia
15 de ser encontrada, passo a passo.
16 Há uma outra forma de pensar sobre essa história de soluções de problemas, e ela vem de um exemplo
17 bem contemporâneo. Em novembro de 2011, enquanto o genial líder da Apple, Steve Jobs, recebia inúmeras
18 homenagens póstumas, um artigo intrigante foi publicado na revista New Yorker. Nele o autor, Malcom Gladwell,
19 argumentava que Jobs não era o inventor de uma máquina ou de uma ideia que mudou o mundo; poucos
20 seres o são (exceto talvez Leonardo da Vinci e Thomas Edison).
21 Na verdade, seu brilhantismo estava em
22 adotar invenções alheias que não deram certo, a partir das quais construía, modificava e fazia aperfeiçoamentos
23 constantes. Para usar uma linguagem atual, ele era um tweaker, e sua genialidade impulsionou como nunca o
24 aumento de eficiência dos produtos de sua companhia.
25 A história do sucesso de Steve Jobs, contudo, não era nova. A chegada da Revolução Industrial do século
26 XVIII na Grã-Bretanha – muito provavelmente a maior revolução para explicar a ascensão do Ocidente – ocorreu
27 porque o país possuía uma imensa coleção de tweakers em sua cultura que encorajaram o progresso [... ]
28 A história da evolução do tanque T-34 soviético, de um grande pedaço de metal mal projetado e fraco para
29 uma arma de guerra mortífera, segura e de grande mobilidade, não foi uma história contínua de tweaking? Não
30 foi esse também o caso do grande bombardeiro americano, o B-29, que no início estava tão mergulhado em
31 dificuldades que chegou a se propor seu cancelamento até que as equipes da Boeing resolveram os problemas?
32 E as miraculosas histórias do P-51 Mustang, dos tanques de Percy Hobart e de um poderoso sistema de radar
33 tão pequeno que poderia ser inserido no nariz de um avião patrulha de longa distância e virar a maré na Batalha
34 do Atlântico? Depois que se unem os diversos pedaços espalhados, tudo se encaixa. Mas todos esses projetos
35 exigiram tempo e apoio.
36 Na verdade, os administradores de grandes companhias mundiais provavelmente se surpreendam diante,
37 digamos, do planejamento e orquestração do almirante Ramsay nos cincos desembarques simultâneos no Dia
38 D e gostariam de poder realizar um décimo do que ele fez.
39 Em suma, a vitória em grandes guerras sempre requer organização superior, o que, por sua vez, exige
40 pessoas que possam dirigir essas organizações, não com um interesse apenas moderado, mas da maneira
41 mais competente possível e com estilo que permitirá às pessoas de fora propor ideias novas na busca da vitória.
42 Os chefes não podem fazer isso tudo sozinhos, por mais que sejam criativos e dotados de energia. É necessário
43 haver um sistema de apoio, uma cultura de encorajamento, feedbacks eficientes, uma capacidade de aprender
44 com os revezes, uma habilidade de fazer as coisas acontecerem. E tudo isto tem de ser feito de uma maneira
45 que seja melhor do que aquela do inimigo. É assim que as guerras são vencidas. [... ]
46 O mesmo reconhecimento merecem, por certo, os militares de nível médio que mudaram a Segunda Guerra
47 Mundial, transformando as agressões do Eixo em 1942 em avanços irreversíveis dos Aliados em 1943-44, e
48 finalmente destruindo a Alemanha e o Japão. É verdade, alguns desses indivíduos, armamentos e organizações
49 são reconhecidos, mas em geral de uma forma fragmentada e popularizada. É raro que esses fios isolados sejam
50 tecidos em conjunto para mostrar como os avanços afetaram as muitas campanhas, fazendo a balança pender
51 para o lado dos Aliados durante o conflito global. Mais raro ainda é a compreensão de como o trabalho desses
52 vários solucionadores de problemas também precisa ser incluído numa importante “cultura do encorajamento”
53 para garantir que simples declarações e intenções estratégicas de grandes líderes se tornem realidade e não
54 murchem nas tempestades da guerra. Se isso é o que acontece, então vivemos com uma grande lacuna em
55 nossa compreensão de como a Segunda Guerra Mundial foi vencida em seus anos cruciais.
———
Leia atentamente o excerto do texto 1 (linhas 35 a 40) que trata do almirante Ramsay e da necessidade de organização superior nas guerras. A coesão inclui os operadores argumentativos. Isso posto, considera-se que a análise dos elementos em negrito mostra que o operador:
- A)"na verdade" contesta argumentos que apoiam a ideia de que a inventividade prática na guerra é reconhecida por profissionais do mundo dos negócios.
- B)"digamos" estabelece o questionamento das razões que justificam o encantamento dos admiradores das companhias mundiais.
- C)"em suma" menciona sucessivamente quais são os aspectos que contribuem para uma vitória na guerra.
- D)"por sua vez" estabelece a contestação do papel dos dirigentes na obtenção das vitórias militares na 2ª Guerra Mundial.
- E)"mas" evidencia a especificação de outras qualidades dos dirigentes das operações militares para obter êxito na guerra.
IME20211a faseQuestao 13PortuguêsCoesão textualMediaPublicada em 1902, a partir de um trabalho de correspondente de guerra encomendado pelo
jornal “A Província de São Paulo” ao engenheiro militar Euclides da Cunha, oriundo da Escola Militar
da Praia Vermelha (atualmente, Instituto Militar de Engenharia), a obra “Os Sertões" aborda os
acontecimentos da chamada guerra de Canudos, que foi o confronto entre um movimento popular
messiânico e o Exército Nacional, de 1896 a 1897, no interior do estado da Bahia. Uma leitura
obrigatória para a compreensão da sociedade e da cultura brasileira, a obra reflete a descoberta pelo
autor de um “Brasil profundo”, desconhecido pela elite intelectual e política do litoral, e se tornou obra
canônica de expressão dos problemas e temas da nacionalidade. Em tom erudito, “Os Sertões” se
caracteriza pelo encontro do estilo com os conceitos científicos, que são estetizados e transfigurados,
para estabelecer um novo plano de realidade humana, por meio de uma escrita tortuosa,
gramaticalmente rebuscada, marcada pela rica adjetivação e reinvenção lexical.
Texto 1
CAPÍTULO 3
A GUERRA DAS CAATINGAS
Os doutores na arte de matar que hoje, na Europa, invadem escandalosamente a ciência,
perturbando-lhe o remanso com um retinir de esporas insolentes — e formulam leis para a guerra,
pondo em equação as batalhas, têm definido bem o papel das florestas como agente tático
precioso, de ofensiva ou defensiva. E ririam os sábios feldmarechais — guerreiros de cujas mãos
caiu o franquisque heroico trocado pelo lápis calculista — se ouvissem a alguém que às caatingas
pobres cabe função mais definida e grave que às grandes matas virgens. Porque estas, malgrado
a sua importância para a defesa do território — orlando as fronteiras e quebrando o embate às
invasões, impedindo mobilizações rápidas e impossibilitando a translação das artilharias —, se
tornam de algum modo neutras no curso das campanhas. Podem favorecer, indiferentemente,
aos dois beligerantes oferecendo a ambos a mesma penumbra às emboscadas, dificultando-lhes
por igual as manobras ou todos os desdobramentos em que a estratégia desencadeia os
exércitos. São uma variável nas fórmulas do problema tenebroso da guerra, capaz dos mais
opostos valores.
Ao passo que as caatingas são um aliado incorruptível do sertanejo em revolta. Entram
também de certo modo na luta. Armam-se para o combate; agridem. Trançam-se, impenetráveis,
ante o forasteiro, mas abrem-se em trilhas multívias, para o matuto que ali nasceu e cresceu.
E o jagunço faz-se o guerrilheiro-tugue, intangível...
As caatingas não o escondem apenas, amparam-no.
Ao avistá-las, no verão, uma coluna em marcha não se surpreende. Segue pelos caminhos
em torcicolos, aforradamente. E os soldados, devassando com as vistas o matagal sem folhas,
nem pensam no inimigo. Reagindo à canícula e com o desalinho natural às marchas,
prosseguem envoltos no vozear confuso das conversas travadas em toda a linha, virguladas de
tinidos de armas, cindidas de risos joviais mal sofreados.
É que nada pode assustá-los. Certo, se os adversários imprudentes com eles se
afrontarem, serão varridos em momentos. Aqueles esgalhos far-se-ão em estilhas a um breve
choque de espadas e não é crível que os gravetos finos quebrem o arranco das manobras
prontas. E lá se vão, marchando, tranquilamente heroicos...
De repente, pelos seus flancos, estoura, perto, um tiro...
A bala passa, rechinante, ou estende, morto, em terra, um homem. Sucedem-se, pausadas,
outras, passando sobre as tropas, em sibilos longos. Cem, duzentos olhos, mil olhos
perscrutadores, volvem-se, impacientes, em roda. Nada veem.
Há a primeira surpresa. Um fluxo de espanto corre de uma a outra ponta das fileiras.
E os tiros continuam raros, mas insistentes e compassados, pela esquerda, pela direita,
pela frente agora, irrompendo de toda a banda...
Então estranha ansiedade invade os mais provados valentes, ante o antagonista que vê e
não é visto. Forma-se celeremente em atiradores uma companhia, mal destacada da massa de
batalhões constritos na vereda estreita. Distende-se pela orla da caatinga. Ouve-se uma voz de
comando; e um turbilhão de balas rola estrugidoramente dentro das galhadas...
Mas constantes, longamente intervalados sempre, zunem os projéteis dos atiradores
invisíveis batendo em cheio nas fileiras.
A situação rapidamente engravesce, exigindo resoluções enérgicas. Destacam-se outras
unidades combatentes, escalonando-se por toda a extensão do caminho, prontas à primeira voz;
— e o comandante resolve carregar contra o desconhecido. Carrega-se contra os duendes. À
força, de baionetas caladas, rompe, impetuosa, o matagal numa expansão irradiante de cargas.
Avança com rapidez. Os adversários parecem recuar apenas. Nesse momento surge o
antagonismo formidável da caatinga.
As seções precipitam-se para os pontos onde estalam os estampidos e estacam ante uma
barreira flexível, mas impenetrável, de juremas. Enredam-se no cipoal que as agrilhoa, que lhes
arrebata das mãos as armas, e não vingam transpô-lo. Contornam-no. Volvem aos lados. Vê-se
um como rastilho de queimada: uma linha de baionetas enfiando pelos gravetos secos. Lampeja
por momentos entre os raios do sol joeirados pelas árvores sem folhas; e parte-se, faiscando,
adiante, dispersa, batendo contra espessos renques de xiquexiques, unidos como quadrados
cheios, de falanges, intransponíveis, fervilhando espinhos...
Circuitam-nos, estonteadamente, os soldados. Espalham-se, correm à toa, num labirinto
de galhos. Caem, presos pelos laços corredios dos quipás reptantes; ou estacam, pernas
imobilizadas por fortíssimos tentáculos. Debatem-se desesperadamente até deixarem em
pedaços as fardas, entre as garras felinas de acúleos recurvos das macambiras...
Impotentes estadeiam, imprecando, o desapontamento e a raiva, agitando-se furiosos e
inúteis. Por fim a ordem dispersa do combate faz-se a dispersão do tumulto. Atiram a esmo, sem
pontaria, numa indisciplina de fogo que vitima os próprios companheiros. Seguem reforços. Os
mesmos transes reproduzem-se maiores, acrescidas a confusão e a desordem; — enquanto em
torno, circulando-os, rítmicos, fulminantes, seguros, terríveis, bem apontados, caem
inflexivelmente os projetis do adversário.
De repente cessam. Desaparece o inimigo que ninguém viu.
As seções voltam desfalcadas para a coluna, depois de inúteis pesquisas nas macegas. E
voltam como se saíssem de recontro braço a braço, com selvagens: vestes em tiras; armas
estrondadas ou perdidas; golpeados de gilvazes; claudicando, estropiados; mal reprimindo o
doer infernal das folhas urticantes; frechados de espinhos...
(...)
A luta é desigual. A força militar decai a um plano inferior. Batem-na o homem e a terra. E
quando o sertão estua nos bochornos dos estios longos não é difícil prever a quem cabe a vitória.
Enquanto o minotauro, impotente e possante, inerme com a sua envergadura de aço e grifos de
baionetas, sente a garganta exsicar-se-lhe de sede e, aos primeiros sintomas da fome, reflui à
retaguarda, fugindo ante o deserto ameaçador e estéril, aquela flora agressiva abre ao sertanejo
um seio carinhoso e amigo.
(...)
A natureza toda protege o sertanejo. Talha-o como Anteu, indomável. É um titã bronzeado
fazendo vacilar a marcha dos exércitos.
CUNHA, Euclides da. Os Sertões (Campanha de Canudos). 2º ed. São Paulo: Editora Ciranda
Cultural, 2018. p. 181-186.
Considere os elementos coesivos do Texto 1 destacados nos trechos a seguir:
'Ao avistá-las, no verão, (...)' (linha 19).
'Enredam-se no cipoal que as agrilhoa (...)' (linha 48).
'Batem-na o homem e a terra.' (linha 70).
Tais elementos recuperam, respectivamente, as palavras:
- A)caatingas, juremas, força.
- B)trilhas, armas, luta.
- C)trilhas, armas, luta.
- D)caatingas, seções, força.
- E)caatingas, juremas, luta.
IME20211a faseQuestao 18PortuguêsCoesão textualMediaTexto 2
ESTADOS DE VIOLÊNCIA
A guerra, na longa história dos homens, terá tido seus atores e suas cenas, seus heróis e
seus espaços, seus personagens e seus teatros. Diversidade incrível das fardas, dos costumes,
enfeites, armaduras, equipamentos. Multiplicidade dos terrenos: barro espesso ou poeira
asfixiante, brejos viscosos, desfiladeiros rochosos, prados gordurentos ou planícies sombrias,
colinas acidentadas, montanhas dentadas, muros grossos das cidades fortificadas, portões e
fossos profundos. Sem mesmo falar das táticas de combate, da evolução técnica das armas.
Mas o que malgrado tudo ficaria e basearia a distinção entre guerras maiores e menores, grandes
e pequenas, verdadeiras e degradadas, era essa forma pura de dois exércitos engajando forças
representando entidades políticas identificáveis, afrontando-se em batalhas decisivas, terrestres
ou marítimas, que os colocavam em contato com seu princípio de encerramento: vitória ou
derrota. É ainda possível essa forma pura de guerra, depois que as grandes e principais
potências dispõem da arma absoluta (o fogo nuclear), depois ainda que um só possui uma
superioridade arrasadora das forças clássicas de destruição, tecnologias de reconhecimento,
técnicas de fundição de precisão, depois enfim que as democracias desenvolveram uma cultura
de negociação, de arbitragem em que o recurso à força nua é dado como inadequado, selvagem,
contraproducente? Imagina-se que no futuro ainda grandes potências mobilizem o conjunto de
suas forças vivas para se medirem?
Na trama visível, dilacerada das grandes guerras contemporâneas, reconhecem-se apenas
a paisagem cultural da guerra, as nervuras de sua representação dominante. Não se veem mais,
e tanto melhor, colunas de soldados em centenas de milhares chegando ao futuro campo de
batalha, dispondo-se em ordem para a batalha decisiva. Não se espera mais com um entusiasmo
ansioso a sanção das armas: duração da batalha, data da vitória ou da derrota (...) Os estados
de violência fazem aparecer uma multiplicidade de figuras novas: o terrorista, o chefe de facções,
o mercenário, o soldado profissional, o engenheiro de informática, o responsável da segurança
etc. Não exército disciplinado, mas redes dispersas, concorrentes, profissionais da violência.
Mudanças ainda no nível do teatro dos conflitos. Para a guerra: uma planície, espaços largos, às
vezes colinas ou rios, em todo caso campanhas (para não levar em conta aqui guerras de cerco).
E depois vem o espetáculo desolador após a batalha: os inimigos como que abraçados na morte,
corpos juncando o solo, fardas rasgadas, manchas de sangue. Um grande silêncio depois de
tantos gritos e de vaias. O novo teatro é hoje a cidade. Não a cidade fortificada, em torno da qual
se entrincheira, mas a cidade viva dos transeuntes. A dos espaços públicos: mercados,
garagens, terraços de café, metrôs... A das ruas que francos atiradores isolados transformam em
teatro de feira para divertimentos atrozes (...)
Tempos e espaços, personagens e cadáveres. Aqui se trata apenas do regime de imagens
de violência armada que se acha transformado. A aposta filosófica seria dizer que acontece outra
coisa, e não a guerra, que se poderia chamar provisoriamente de “estados de violência”, porque
eles se oporiam ao que os clássicos tinham definido como “estado de guerra” e também como
“estado de natureza” (...)
Diante da inquietante extravagância desses conflitos dificilmente identificáveis ou
codificáveis nos quadros da análise estratégica clássica, ouve-se mesmo: o pior estaria por vir.
É preciso dizer que a polemologia (estudo da guerra) não reconhece mais seus filhos: nem seus
chefes responsáveis, nem seus soldados dóceis, nem seus heróis esplêndidos, nem seus mortos
no campo de honra. Chega-se mesmo a se queixar. Neste ponto, contudo, a nostalgia é
dificilmente suportável. Sobretudo para lastimar guerras que às vezes nem mesmo foram vividas
pessoalmente. Estas boas velhas guerras, com bons velhos inimigos, fomentadas por Estados,
alegando “razões”, deve-se recordar que foram também o instrumento das mais baixas
ambições, das mais loucas pretensões, dos mais sórdidos cálculos? Que elas acarretaram sem
falhar o sacrifício de milhões de homens que não pediam senão para viver, que elas esgotaram
precocemente civilizações desenvolvidas, conduziram culturas prestigiosas ao suicídio?
Resta, além de um pensamento nostálgico, compreender o que causa os estados atuais
de violência. Então, antes que falar da “nova guerra”, de “guerra selvagem”, “guerra sem a
guerra”, de “guerra sem fim”, de “guerra assimétrica”, de “guerra civil generalizada”, de “guerra
ruiva”, é preciso elucidar, em lugar do jogo antigo da guerra e da paz, as estruturações destes
estados de violência (...) Como a filosofia clássica tinha conceituado o estado de guerra e de
natureza, seria preciso esboçar a análise filosófica dos estados de violência, como distribuição
contemporânea das forças de destruição.
GROS, Frédéric. Estados de violência: ensaio sobre o fim da guerra. Tradução de José Augusto
da Silva. Aparecida, SP: Editora Ideias & Letras, 2009. p. 227-232 (texto adaptado).
'Resta, além de um pensamento nostálgico, compreender o que causa os estados atuais de violência. Então antes que falar da 'nova guerra', de 'guerra selvagem', de 'guerra sem a guerra', de 'guerra sem fim', de 'guerra assimétrica', de 'guerra civil generalizada', de 'guerra ruiva', é preciso elucidar, em lugar do jogo antigo da guerra e da paz, as estruturações destes estados de violência (...) Como a filosofia clássica tinha conceituado o estado de guerra e de natureza, seria preciso esboçar a análise filosófica dos estados de violência, como distribuição contemporânea das forças de destruição' (Texto 2, linhas 50 a 56).
As expressões que podem substituir os termos destacados em negrito no trecho acima, sem que o sentido do texto seja alterado, são respectivamente:
- A)por exemplo; em substituição ao; entretanto.
- B)consequentemente; ao contrário do; de acordo com.
- C)assim sendo; em vez do; assim como.
- D)uma vez que; em contraposição ao; do mesmo modo que.
- E)ou seja; em contraponto a; do mesmo modo que.
IME20201a faseQuestao 5PortuguêsCoesão textualMediaA primeira publicação do conto O Alienista, de Machado de Assis, ocorreu como folhetim na revista carioca A Estação, entre os anos de 1881 e 1882. Nessa mesma época, uma grande reforma educacional efetuou-se no Brasil, criando, dentre outras, a cadeira de Clínica Psiquiátrica. É nesse contexto de uma psiquiatria ainda embrionária que Machado propõe sua crítica ácida, reveladora da escassez de conhecimento científico e da abundância de vaidades, concomitantemente. A obra deixa ver as relações promíscuas entre o poder médico que se pretendia baluarte da ciência e o poder político tal como era exercido em Itaguaí, então uma vila, distante apenas alguns quilômetros da capital Rio de Janeiro. O conto se desenvolve em treze breves capítulos, ao longo dos quais o alienista vai fazendo suas experimentações cientificistas até que ele mesmo conclua pela necessidade de seu isolamento, visto que reconhece em si mesmo a única pessoa cujas faculdades mentais encontram-se equilibradas, sendo ele, portanto, aquele que destoa dos demais, devendo, por isso, alienar-se.
Texto 1 — O ALIENISTA (Capítulo IV — UMA TEORIA NOVA), de Machado de Assis
1 Ao passo que D. Evarista, em lágrimas, vinha buscando o Rio de Janeiro, Simão
2 Bacamarte estudava por todos os lados uma certa ideia arrojada e nova, própria a alargar as
3 bases da psicologia. Todo o tempo que lhe sobrava dos cuidados da Casa Verde era pouco
4 para andar na rua, ou de casa em casa, conversando as gentes, sobre trinta mil assuntos, e
5 virgulando as falas de um olhar que metia medo aos mais heroicos.
6 Um dia de manhã, – eram passadas três semanas, – estando Crispim Soares ocupado
7 em temperar um medicamento, vieram dizer-lhe que o alienista o mandava chamar.
8 – Tratava-se de negócio importante, segundo ele me disse, acrescentou o portador.
9 Crispim empalideceu. Que negócio importante podia ser, se não alguma notícia da
10 comitiva, e especialmente da mulher? Porque este tópico deve ficar claramente definido, visto
11 insistirem nele os cronistas; Crispim amava a mulher, e, desde trinta anos, nunca estiveram
12 separados um só dia. Assim se explicam os monólogos que fazia agora, e que os fâmulos lhe
13 ouviam muita vez: – “Anda, bem feito, quem te mandou consentir na viagem de Cesária?
14 Bajulador, torpe bajulador! Só para adular ao Dr Bacamarte. Pois agora aguenta-te; anda;
15 aguenta-te, alma de lacaio, fracalhão, vil, miserável. Dizes amém a tudo, não é? Aí tens o
16 lucro, biltre!”. – E muitos outros nomes feios, que um homem não deve dizer aos outros,
17 quanto mais a si mesmo. Daqui a imaginar o efeito do recado é um nada. Tão depressa ele o
18 recebeu como abriu mão das drogas e voou à Casa Verde.
19 Simão Bacamarte recebeu-o com a alegria própria de um sábio, uma alegria abotoada
20 de circunspeção até o pescoço.
21 – Estou muito contente, disse ele.
22 – Notícias do nosso povo?, perguntou o boticário com a voz trêmula.
23 O alienista fez um gesto magnífico, e respondeu:
24 – Trata-se de coisa mais alta, trata-se de uma experiência científica. Digo experiência,
25 porque não me atrevo a assegurar desde já a minha ideia; nem a ciência é outra coisa, Sr.
26 Soares, senão uma investigação constante. Trata-se, pois, de uma experiência, mas uma
27 experiência que vai mudar a face da terra. A loucura, objeto dos meus estudos, era até agora
28 uma ilha perdida no oceano da razão; começo a suspeitar que é um continente.
29 Disse isto, e calou-se, para ruminar o pasmo do boticário. Depois explicou
30 compridamente a sua ideia. No conceito dele a insânia abrangia uma vasta superfície de
31 cérebros; e desenvolveu isto com grande cópia de raciocínios, de textos, de exemplos. Os
32 exemplos achou-os na história e em Itaguaí mas, como um raro espírito que era, reconheceu o
33 perigo de citar todos os casos de Itaguaí e refugiou-se na história. Assim, apontou com
34 especialidade alguns célebres, Sócrates, que tinha um demônio familiar, Pascal, que via um
35 abismo à esquerda, Maomé, Caracala, Domiciano, Calígula etc., uma enfiada de casos e
36 pessoas, em que de mistura vinham entidades odiosas, e entidades ridículas. E porque o
37 boticário se admirasse de uma tal promiscuidade, o alienista disse-lhe que era tudo a mesma
38 coisa, e até acrescentou sentenciosamente:
39 – A ferocidade, Sr. Soares, é o grotesco a sério.
40 – Gracioso, muito gracioso!, exclamou Crispim Soares levantando as mãos ao céu.
41 Quanto à ideia de ampliar o território da loucura, achou-a o boticário extravagante; mas
42 a modéstia, principal adorno de seu espírito, não lhe sofreu confessar outra coisa além de um
43 nobre entusiasmo; declarou-a sublime e verdadeira, e acrescentou que era “caso de matraca”.
44 Esta expressão não tem equivalente no estilo moderno. Naquele tempo, Itaguaí, que como as
45 demais vilas, arraiais e povoações da colônia, não dispunha de imprensa, tinha dois modos de
46 divulgar uma notícia: ou por meio de cartazes manuscritos e pregados na porta da Câmara, e
47 da matriz; – ou por meio de matraca.
48 Eis em que consistia este segundo uso. Contratava-se um homem, por um ou mais
49 dias, para andar as ruas do povoado, com uma matraca na mão.
50 De quando em quando tocava a matraca, reunia-se gente, e ele anunciava o que lhe
51 incumbiam, – um remédio para sezões, umas terras lavradias, um soneto, um donativo
52 eclesiástico, a melhor tesoura da vila, o mais belo discurso do ano etc. O sistema tinha
53 inconvenientes para a paz pública; mas era conservado pela grande energia de divulgação
54 que possuía. Por exemplo, um dos vereadores, – aquele justamente que mais se opusera à
55 criação da Casa Verde, – desfrutava a reputação de perfeito educador de cobras e macacos, e
56 aliás nunca domesticara um só desses bichos; mas, tinha o cuidado de fazer trabalhar a
57 matraca todos os meses. E dizem as crônicas que algumas pessoas afirmavam ter visto
58 cascavéis dançando no peito do vereador; afirmação perfeitamente falsa, mas só devida à
59 absoluta confiança no sistema. Verdade, verdade, nem todas as instituições do antigo regime
60 mereciam o desprezo do nosso século.
61 – Há melhor do que anunciar a minha ideia, é praticá-la, respondeu o alienista à
62 insinuação do boticário.
63 E o boticário, não divergindo sensivelmente deste modo de ver, disse-lhe que sim, que
64 era melhor começar pela execução.
65 – Sempre haverá tempo de a dar à matraca, concluiu ele.
66 Simão Bacamarte refletiu ainda um instante, e disse:
67 – Suponho o espírito humano uma vasta concha, o meu fim, Sr. Soares, é ver se posso
68 extrair a pérola, que é a razão; por outros termos, demarquemos definitivamente os limites da
69 razão e da loucura. A razão é o perfeito equilíbrio de todas as faculdades; fora daí insânia,
70 insânia e só insânia.
71 O Vigário Lopes, a quem ele confiou a nova teoria, declarou lisamente que não
72 chegava a entendê-la, que era uma obra absurda, e, se não era absurda, era de tal modo
73 colossal que não merecia princípio de execução.
74 – Com a definição atual, que é a de todos os tempos, acrescentou, a loucura e a razão
75 estão perfeitamente delimitadas. Sabe-se onde uma acaba e onde a outra começa. Para que
76 transpor a cerca?
77 Sobre o lábio fino e discreto do alienista roçou a vaga sombra de uma intenção de riso,
78 em que o desdém vinha casado à comiseração; mas nenhuma palavra saiu de suas egrégias
79 entranhas.
80 A ciência contentou-se em estender a mão à teologia, – com tal segurança, que a
81 teologia não soube enfim se devia crer em si ou na outra. Itaguaí e o universo à beira de uma
82 revolução.
———
No trecho das linhas 12 a 15 ("Assim se explicam os monólogos [...] vil, miserável."), o monólogo é um discurso que a personagem dirige a si mesma. Considerando esse uso anafórico, o vocábulo "te" (em "quem te mandou consentir na viagem de Cesária?") faz referência ao(à)
- A)Dr. Bacamarte.
- B)leitor.
- C)boticário.
- D)D. Evarista.
- E)Vigário Lopes.
IME20201a faseQuestao 16PortuguêsCoesão textualMediaO soneto XIII de Via-Láctea, coleção publicada em 1888 no livro Poesias, é o texto mais famoso da antologia, obra de estreia do poeta Olavo Bilac. O texto, cuidadosamente ritmado, suas rimas e a escolha da forma fixa revelam rigor formal e estilístico caros ao movimento parnasiano; o tema do poema, no entanto, entra em colisão com o tema da literatura típica do movimento, tal como concebido no continente europeu.
Texto 2 — Soneto XIII (Via-Láctea), de Olavo Bilac
1 “Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
2 Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
3 Que, para ouvi-las, muita vez desperto
4 E abro as janelas, pálido de espanto…
5 E conversamos toda a noite, enquanto
6 A Via-láctea, como um pálio aberto,
7 Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
8 Inda as procuro pelo céu deserto.
9 Direis agora: "Tresloucado amigo!
10 Que conversas com elas? Que sentido
11 Tem o que dizem, quando estão contigo?"
12 E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
13 Pois só quem ama pode ter ouvido
14 Capaz de ouvir e de entender estrelas.”
———
A palavra "pois", usada em "Pois só quem ama pode ter ouvido" (Texto 2, verso 13),
- A)exprime a consequência dos hábitos cotidianos do poeta de ouvir e entender estrelas.
- B)tem uma função de justificação das razões pelas quais o poeta é capaz de ouvir e entender estrelas.
- C)traz em si uma ideia de contraponto ao enlevo poético descrito no poema.
- D)expressa a ideia da finalidade primeira do poeta enamorado, que é ouvir e entender estrelas.
- E)estabelece a ideia de alternância, mas sem relação de equivalência nos versos do texto.
IME20171a faseQuestao 2PortuguêsCoesão textualDificilTexto 1 — A CRISE AMBIENTAL (Benedito Braga)
1 Segundo Miller (1985), nosso planeta pode ser comparado a uma astronave que dispõe
2 de um eficiente sistema de aproveitamento de energia solar e de reciclagem de matéria,
3 deslocando-se a cem mil quilômetros por hora pelo espaço sideral. Há atualmente na
4 astronave ar, água e comida suficientes para manter seus passageiros. Tendo em vista o
5 progressivo aumento do número desses passageiros, em forma exponencial, e a ausência de
6 portos para reabastecimento, podem-se vislumbrar, em médio e longo prazos, problemas
7 sérios para a manutenção de sua população.
8 Pela segunda lei da termodinâmica, o uso da energia implica degradação de sua
9 qualidade. Como consequência da lei da conservação da massa, os resíduos energéticos,
10 principalmente na forma de calor, somados aos resíduos de matéria, alteram a qualidade do
11 meio ambiente no interior dessa astronave. A tendência natural de qualquer sistema, como
12 um todo, é de aumento de sua entropia (grau de desordem). Assim, os passageiros,
13 utilizando-se da inesgotável energia solar, processam, por meio de sua tecnologia e de seu
14 metabolismo, os recursos naturais finitos, gerando, inexoravelmente, algum tipo de poluição.
15 O nível de qualidade de vida no planeta dependerá do equilíbrio entre estes três elementos:
16 população, recursos naturais e poluição. Os aspectos mais relevantes de cada vértice do
17 triângulo formado por esses elementos e suas interligações são analisados nos itens
18 subsequentes.
19 1.1 População
20 A população mundial cresceu de 2,5 bilhões em 1950 para 6,2 bilhões no ano 2002 (...) e,
21 atualmente, a taxa de crescimento se aproxima de 1,13% ao ano. De acordo com a analogia
22 da astronave, isso significa que, nos dias de hoje, ela transporta 6,2 bilhões de passageiros
23 e, a cada ano, outros 74 milhões de passageiros nela embarcam. Esses passageiros estão
24 divididos em 227 nações nos cinco continentes, poucas das quais pertencem aos chamados
25 países desenvolvidos, com 19% da população total. As demais são os chamados países em
26 desenvolvimento ou subdesenvolvidos, com os restantes 81% da população. Novamente,
27 usando a analogia com a astronave, é como se os habitantes dos países desenvolvidos
28 fossem passageiros de primeira classe, enquanto os demais viajam no porão. Em
29 decorrência das altas taxas de crescimento populacional que hoje somente ocorrem nos
30 países menos desenvolvidos, essa situação de desequilíbrio tende a se agravar ainda mais:
31 em 1950, os países desenvolvidos tinham 31,5% da população mundial; em 2002, apenas
32 19,3%; e, em 2050, terão 13,7% (…).
33 Um casal que tenha cinco filhos, os quais, por sua vez, tenham cinco filhos cada um,
34 representa, a partir de duas pessoas, uma população familiar de 25 pessoas em duas
35 gerações. Esse fenômeno vem ocorrendo mundialmente desde meados do século XIX, com
36 a Revolução Industrial. A partir dessa revolução, a tecnologia proporcionou uma redução da
37 taxa bruta de mortalidade, responsável pelo aumento da taxa de crescimento populacional
38 anual, apesar de a taxa de natalidade estar se reduzindo desde aquela época até os dias
39 atuais.
(…)
40 Dentro dessa perspectiva de crescimento, cabe questionar até quando os recursos
41 naturais serão suficientes para sustentar os passageiros da astronave Terra. Existem
42 autores, como Lappe e Collins (1977), que contestam a tese de insuficiência de recursos
43 naturais e responsabilizam a má distribuição da renda e a má orientação da produção
44 agrícola pela fome do mundo hoje.
45 1.2 Recursos naturais
46 Recurso natural é qualquer insumo de que os organismos, as populações e os
47 ecossistemas necessitam para sua manutenção, sendo, portanto, algo útil. Há uma estreita
48 relação entre recursos naturais e tecnologia, toda vez que ocorrerem processos tecnológicos
49 para utilização de um recurso. Exemplo típico é o magnésio, até pouco tempo não era
50 considerado um recurso natural e passou a sê-lo quando se descobriu como utilizá-lo na
51 confecção de ligas metálicas para aviões. Recursos naturais e economia interagem de modo
52 bastante evidente, pois algo é recurso na medida em que sua exploração é economicamente
53 viável. Exemplo dessa situação é o álcool, que, antes da crise do petróleo de 1973,
54 apresentava custos de produção extremamente elevados em relação aos custos de
55 exploração de petróleo. Hoje, no Brasil, apesar da diminuição do Proálcool, o álcool ainda
56 pode ser considerado um importante combustível para automóveis e um recurso natural
57 estratégico de alta significância uma vez que há possibilidade de sua renovação e
58 consequente disponibilidade. Sua utilização efetiva depende de análises políticas e
59 econômicas que poderão ser revistas sempre que necessário.
60 Finalmente, algo se torna recurso natural caso sua exploração, processamento e
61 utilização não causem danos ao meio ambiente. Assim, na definição de recurso natural,
62 encontramos três tópicos relacionados: tecnologia, economia e meio ambiente.
63 1.3 Poluição
64 Completando o terceiro vértice do triângulo, como resultado da utilização dos recursos
65 naturais pela população surge a poluição que é uma alteração indesejável nas características
66 físicas, químicas ou biológicas da atmosfera, litosfera ou hidrosfera, podendo causar prejuízo
67 à saúde, à sobrevivência ou às atividades dos seres humanos e outras espécies ou ainda
68 deteriorar materiais. Para fins práticos, em especial do ponto de vista legal de controle da
69 poluição, acrescentamos que o conceito de poluição deve ser associado às alterações
70 indesejáveis provocadas pelas atividades e intervenções humanas no ambiente. Desse
71 modo, uma erupção vulcânica, apesar de poder ser considerada uma fonte poluidora, é um
72 fenômeno natural não provocado pelo homem e que foge ao seu controle, assim como outros
73 fenômenos naturais, como incêndios florestais, grandes secas ou inundações.
74 Poluentes são resíduos gerados pelas atividades humanas, causando um impacto
75 ambiental negativo, ou seja, uma alteração indesejável. Dessa maneira, a poluição está
76 ligada à concentração,ou quantidade de resíduos presentes no ar, na água ou no solo. Para
77 que se possa exercer o controle da poluição de acordo com a legislação ambiental, definem-
78 se padrões e indicadores de qualidade do ar (concentrações de CO, NOx, SOx, Pb etc.), da
79 água (concentração de O2, fenóis e Hg, pH, temperatura etc.) e do solo (taxa de erosão etc.)
80 que se deseja respeitar em um determinado ambiente.
81 Os efeitos detectados mais recentemente, como o efeito estufa e a redução da camada
82 de ozônio, ainda não são bem conhecidos, mas podem trazer consequências que afetarão o
83 clima e o equilíbrio do planeta como um todo. É importante um esforço conjunto e sem
84 precedentes para que se possa conhecer esses efeitos e controlá-los de modo eficaz. Os
85 efeitos globais têm contribuído bastante para a sensibilização recente da sociedade sobre
86 questões ambientais, merecendo destaque na mídia e na agenda de políticos e grupos
87 ambientalistas em todo o planeta. Isso talvez possa ser explicado pela incerteza que os
88 humanos passaram a experimentar em relação à própria sobrevivência da espécie e pela
89 constatação de sua incapacidade de entender e controlar os processos e as transformações
90 ambientais decorrentes de suas atividades. Até recentemente, acreditava-se que a
91 inteligência e a tecnologia resolveriam qualquer problema e que não havia limites para o
92 desenvolvimento da espécie e para a utilização de matéria e energia na busca de conforto e
93 qualidade de vida.
———
Atente para os seguintes recursos coesivos usados no Texto 1: QUE (linha 1); SEUS (linha 4); SUA (linha 8); SUA (linha 12); SUAS (linha 90). Tais recursos recuperam, respectivamente, as palavras:
- A)planeta; astronave; degradação; tendência; processos.
- B)astronave; astronave; energia; sistema; humanos.
- C)planeta; passageiros; energia; tendência; transformações ambientais.
- D)astronave; astronave; energia; tendência; processos.
- E)planeta; astronave; degradação; sistema; humanos.
IME20171a faseQuestao 12PortuguêsCoesão textualMediaTexto 1 — A CRISE AMBIENTAL (Benedito Braga)
1 Segundo Miller (1985), nosso planeta pode ser comparado a uma astronave que dispõe
2 de um eficiente sistema de aproveitamento de energia solar e de reciclagem de matéria,
3 deslocando-se a cem mil quilômetros por hora pelo espaço sideral. Há atualmente na
4 astronave ar, água e comida suficientes para manter seus passageiros. Tendo em vista o
5 progressivo aumento do número desses passageiros, em forma exponencial, e a ausência de
6 portos para reabastecimento, podem-se vislumbrar, em médio e longo prazos, problemas
7 sérios para a manutenção de sua população.
8 Pela segunda lei da termodinâmica, o uso da energia implica degradação de sua
9 qualidade. Como consequência da lei da conservação da massa, os resíduos energéticos,
10 principalmente na forma de calor, somados aos resíduos de matéria, alteram a qualidade do
11 meio ambiente no interior dessa astronave. A tendência natural de qualquer sistema, como
12 um todo, é de aumento de sua entropia (grau de desordem). Assim, os passageiros,
13 utilizando-se da inesgotável energia solar, processam, por meio de sua tecnologia e de seu
14 metabolismo, os recursos naturais finitos, gerando, inexoravelmente, algum tipo de poluição.
15 O nível de qualidade de vida no planeta dependerá do equilíbrio entre estes três elementos:
16 população, recursos naturais e poluição. Os aspectos mais relevantes de cada vértice do
17 triângulo formado por esses elementos e suas interligações são analisados nos itens
18 subsequentes.
19 1.1 População
20 A população mundial cresceu de 2,5 bilhões em 1950 para 6,2 bilhões no ano 2002 (...) e,
21 atualmente, a taxa de crescimento se aproxima de 1,13% ao ano. De acordo com a analogia
22 da astronave, isso significa que, nos dias de hoje, ela transporta 6,2 bilhões de passageiros
23 e, a cada ano, outros 74 milhões de passageiros nela embarcam. Esses passageiros estão
24 divididos em 227 nações nos cinco continentes, poucas das quais pertencem aos chamados
25 países desenvolvidos, com 19% da população total. As demais são os chamados países em
26 desenvolvimento ou subdesenvolvidos, com os restantes 81% da população. Novamente,
27 usando a analogia com a astronave, é como se os habitantes dos países desenvolvidos
28 fossem passageiros de primeira classe, enquanto os demais viajam no porão. Em
29 decorrência das altas taxas de crescimento populacional que hoje somente ocorrem nos
30 países menos desenvolvidos, essa situação de desequilíbrio tende a se agravar ainda mais:
31 em 1950, os países desenvolvidos tinham 31,5% da população mundial; em 2002, apenas
32 19,3%; e, em 2050, terão 13,7% (…).
33 Um casal que tenha cinco filhos, os quais, por sua vez, tenham cinco filhos cada um,
34 representa, a partir de duas pessoas, uma população familiar de 25 pessoas em duas
35 gerações. Esse fenômeno vem ocorrendo mundialmente desde meados do século XIX, com
36 a Revolução Industrial. A partir dessa revolução, a tecnologia proporcionou uma redução da
37 taxa bruta de mortalidade, responsável pelo aumento da taxa de crescimento populacional
38 anual, apesar de a taxa de natalidade estar se reduzindo desde aquela época até os dias
39 atuais.
(…)
40 Dentro dessa perspectiva de crescimento, cabe questionar até quando os recursos
41 naturais serão suficientes para sustentar os passageiros da astronave Terra. Existem
42 autores, como Lappe e Collins (1977), que contestam a tese de insuficiência de recursos
43 naturais e responsabilizam a má distribuição da renda e a má orientação da produção
44 agrícola pela fome do mundo hoje.
45 1.2 Recursos naturais
46 Recurso natural é qualquer insumo de que os organismos, as populações e os
47 ecossistemas necessitam para sua manutenção, sendo, portanto, algo útil. Há uma estreita
48 relação entre recursos naturais e tecnologia, toda vez que ocorrerem processos tecnológicos
49 para utilização de um recurso. Exemplo típico é o magnésio, até pouco tempo não era
50 considerado um recurso natural e passou a sê-lo quando se descobriu como utilizá-lo na
51 confecção de ligas metálicas para aviões. Recursos naturais e economia interagem de modo
52 bastante evidente, pois algo é recurso na medida em que sua exploração é economicamente
53 viável. Exemplo dessa situação é o álcool, que, antes da crise do petróleo de 1973,
54 apresentava custos de produção extremamente elevados em relação aos custos de
55 exploração de petróleo. Hoje, no Brasil, apesar da diminuição do Proálcool, o álcool ainda
56 pode ser considerado um importante combustível para automóveis e um recurso natural
57 estratégico de alta significância uma vez que há possibilidade de sua renovação e
58 consequente disponibilidade. Sua utilização efetiva depende de análises políticas e
59 econômicas que poderão ser revistas sempre que necessário.
60 Finalmente, algo se torna recurso natural caso sua exploração, processamento e
61 utilização não causem danos ao meio ambiente. Assim, na definição de recurso natural,
62 encontramos três tópicos relacionados: tecnologia, economia e meio ambiente.
63 1.3 Poluição
64 Completando o terceiro vértice do triângulo, como resultado da utilização dos recursos
65 naturais pela população surge a poluição que é uma alteração indesejável nas características
66 físicas, químicas ou biológicas da atmosfera, litosfera ou hidrosfera, podendo causar prejuízo
67 à saúde, à sobrevivência ou às atividades dos seres humanos e outras espécies ou ainda
68 deteriorar materiais. Para fins práticos, em especial do ponto de vista legal de controle da
69 poluição, acrescentamos que o conceito de poluição deve ser associado às alterações
70 indesejáveis provocadas pelas atividades e intervenções humanas no ambiente. Desse
71 modo, uma erupção vulcânica, apesar de poder ser considerada uma fonte poluidora, é um
72 fenômeno natural não provocado pelo homem e que foge ao seu controle, assim como outros
73 fenômenos naturais, como incêndios florestais, grandes secas ou inundações.
74 Poluentes são resíduos gerados pelas atividades humanas, causando um impacto
75 ambiental negativo, ou seja, uma alteração indesejável. Dessa maneira, a poluição está
76 ligada à concentração,ou quantidade de resíduos presentes no ar, na água ou no solo. Para
77 que se possa exercer o controle da poluição de acordo com a legislação ambiental, definem-
78 se padrões e indicadores de qualidade do ar (concentrações de CO, NOx, SOx, Pb etc.), da
79 água (concentração de O2, fenóis e Hg, pH, temperatura etc.) e do solo (taxa de erosão etc.)
80 que se deseja respeitar em um determinado ambiente.
81 Os efeitos detectados mais recentemente, como o efeito estufa e a redução da camada
82 de ozônio, ainda não são bem conhecidos, mas podem trazer consequências que afetarão o
83 clima e o equilíbrio do planeta como um todo. É importante um esforço conjunto e sem
84 precedentes para que se possa conhecer esses efeitos e controlá-los de modo eficaz. Os
85 efeitos globais têm contribuído bastante para a sensibilização recente da sociedade sobre
86 questões ambientais, merecendo destaque na mídia e na agenda de políticos e grupos
87 ambientalistas em todo o planeta. Isso talvez possa ser explicado pela incerteza que os
88 humanos passaram a experimentar em relação à própria sobrevivência da espécie e pela
89 constatação de sua incapacidade de entender e controlar os processos e as transformações
90 ambientais decorrentes de suas atividades. Até recentemente, acreditava-se que a
91 inteligência e a tecnologia resolveriam qualquer problema e que não havia limites para o
92 desenvolvimento da espécie e para a utilização de matéria e energia na busca de conforto e
93 qualidade de vida.
———
Assinale a alternativa em que a substituição da expressão uma vez que (linha 57 do Texto 1) pelo conectivo proposto alteraria o nexo estabelecido no texto.
- A)porque;
- B)visto que;
- C)apesar de que;
- D)porquanto;
- E)já que.
IME20121a faseQuestao 7PortuguêsCoesão textualDificilTexto I — Espaço e tempo
Tanto Aristóteles quanto Newton acreditavam no tempo absoluto. Isto é, acreditavam que se pode, sem qualquer ambiguidade, medir o intervalo de tempo entre dois eventos, e que o resultado será o mesmo em qualquer mensuração, desde que se use um relógio preciso. O tempo é independente e completamente separado do espaço. Isso é no que a maioria das pessoas acredita; é o consenso. Entretanto, tivemos que mudar nossas ideias sobre espaço e tempo. Ainda que nossas noções, aparentemente comuns, funcionem a contento quando lidamos com maçãs ou planetas, que se deslocam comparativamente mais devagar, não funcionam absolutamente para objetos que se movam à velocidade da luz, ou em velocidade próxima a ela. […]
Entre 1887 e 1905 houve várias tentativas [...] de explicar o resultado de experimentos [...] com relação a objetos que se contraem e relógios que funcionam mais vagarosamente quando se movimentam através do éter. Entretanto, num famoso artigo, em 1905, um até então desconhecido funcionário público suíço, Albert Einstein, mostrou que o conceito de éter era desnecessário, uma vez que se estava querendo abandonar o de tempo absoluto. Ponto semelhante foi abordado poucas semanas depois por um proeminente matemático francês, Henri Poincaré. Os argumentos de Einstein eram mais próximos da Física do que os de Poincaré, que abordava o problema como se este fosse matemático. Einstein ficou com o crédito da nova teoria, mas Poincaré é lembrado por ter tido seu nome associado a uma parte importante dela.
O postulado fundamental da teoria da relatividade, como foi chamada, é que as leis científicas são as mesmas para todos os observadores em movimento livre, não importa qual seja sua velocidade. Isso era verdadeiro para as leis do movimento de Newton, mas agora a ideia abrangia também outras teorias e a velocidade da luz: todos os observadores encontram a mesma medida de velocidade da luz, não importa quão rápido estejam se movendo. Essa simples ideia tem algumas consequências notáveis: talvez a mais conhecida seja a equivalência de massa e energia, contida na famosa equação de Einstein E=mc2 (onde E significa energia; m, massa e c, a velocidade da luz); e a lei que prevê que nada pode se deslocar com mais velocidade do que a própria luz. Por causa da equivalência entre energia e massa, a energia que um objeto tenha, devido a seu movimento, será acrescentada à sua massa. Em outras palavras, essa energia dificultará o aumento da velocidade desse objeto. [...]
Uma outra consequência igualmente considerável da teoria da relatividade é a maneira com que ela revolucionou nossos conceitos de tempo e espaço. Na teoria de Newton, se uma vibração de luz é enviada de um lugar a outro, observadores diferentes deverão concordar quanto ao tempo gasto na trajetória (uma vez que o tempo é absoluto), mas nem sempre concordarão sobre a distância percorrida pela luz (uma vez que o espaço não é absoluto). Dado que a velocidade da luz é apenas a distância que ela percorre, dividida pelo tempo que leva para fazê-lo, diferentes observadores poderão atribuir diferentes velocidades à luz. Segundo a teoria da relatividade, por outro lado, todos os observadores deverão concordar quanto à rapidez da trajetória da luz. Podem, entretanto, não concordar com a distância percorrida, tendo então, que discordar também quanto ao tempo gasto no evento. O tempo gasto é, no final das contas, apenas a velocidade da luz – sobre a qual os observadores concordam – multiplicada pela distância que a luz percorreu – sobre a qual eles não concordam. Em outras palavras, a teoria da relatividade sela o fim do conceito de tempo absoluto! Parece que cada observador pode obter sua própria medida de tempo, tal como registrada pelo seu relógio, e com a qual relógios idênticos, com diferentes observadores, não concordam necessariamente.
HAWKING, Stephen W. Uma breve história do tempo. São Paulo: Círculo do livro, 1988. p.30-33. (adaptado)
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Texto II — Inércia: a Primeira Lei de Newton
As leis de Newton tratam da relação entre força e movimento. A primeira pergunta que elas procuram responder é: “O que acontece com o movimento de um corpo livre da ação de qualquer força?”
Podemos responder a essa pergunta em duas partes. A primeira trata do efeito da inexistência de forças sobre o corpo parado ou em repouso. A resposta é quase óbvia: se nenhuma força atua sobre o corpo em repouso, ele continua em repouso. A segunda parte trata do efeito da inexistência de forças sobre o corpo em movimento. A resposta, embora simples, já não é óbvia: se nenhuma força atua sobre o corpo em movimento, ele continua em movimento. Mas que tipo de movimento? Como não há força atuando sobre o corpo, a sua velocidade não aumenta, nem diminui, nem muda de direção. Portanto o único movimento possível do corpo na ausência de qualquer força atuando sobre ele é o movimento retilíneo uniforme.
A primeira lei de Newton reúne ambas as respostas num só enunciado: um corpo permanece em repouso ou em movimento retilíneo uniforme se nenhuma força atuar sobre ele. Em outras palavras, a Primeira Lei de Newton afirma que, na ausência de forças, todo corpo fica como está: parado se estiver parado, em movimento se estiver em movimento (retilíneo uniforme). Daí essa lei ser chamada de Princípio da Inércia.
O que significa inércia?
Inércia, na linguagem cotidiana, significa falta de ação, de atividade, indolência, preguiça ou coisa semelhante. Por essa razão, costuma-se associar inércia a repouso, o que não corresponde exatamente ao sentido que a Física dá ao termo. O significado físico de inércia é mais abrangente: inércia é “ficar como está”, ou em repouso ou em movimento. Devido à propriedade do corpo de “ficar como está” depender de sua massa, a inércia pode ser entendida como sinônimo de massa.
GASPAR, Alberto. Física: Mecânica. 1. ed. São Paulo: Ática, 2001. p. 114-115. (adaptado)
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Observe:
"Coesão referencial é aquela que cria, no interior do texto, um sistema de relação entre palavras e expressões, permitindo que o leitor identifique os referentes sobre os quais se fala no texto. Coesão sequencial é aquela que cria, no interior do texto, condições para que o discurso avance."
(ABAURRE, Maria Luiza M. & PONTARA, Marcela. Gramática: Texto: Análise e construção de sentido. São Paulo: Moderna, 2006, p. 242 — adaptado)
Nos 03 (três) fragmentos destacados a seguir, algumas palavras fazem a coesão referencial e outras a coesão sequencial.
Fragmento 1: "Essa simples ideia tem algumas consequências notáveis: talvez a mais conhecida seja a equivalência de massa e energia, contida na famosa equação de Einstein E=mc² (...)". (Texto I, 3º parágrafo)
Fragmento 2: "Como não há força atuando sobre o corpo, a sua velocidade não aumenta, nem diminui, nem muda de direção. Portanto o único movimento possível do corpo na ausência de qualquer força atuando sobre ele é o movimento retilíneo uniforme." (Texto II, 2º parágrafo)
Fragmento 3: "um corpo permanece em repouso ou em movimento retilíneo uniforme se nenhuma força atuar sobre ele." (Texto II, 3º parágrafo)
Indique a opção em que se fez uma ANÁLISE EQUIVOCADA dos elementos coesivos destacados nos fragmentos acima.
- A)O uso de flexões do modo subjuntivo seja (fragmento 1) e atuar (fragmento 3), antecedidas pelo advérbio talvez e pela conjunção se, respectivamente, são exemplos de coesão sequencial.
- B)O uso do pronome essa (fragmento 1), que retoma um fato explicado anteriormente, e a substituição do termo corpo (fragmento 3) pelo pronome ele são exemplos de coesão referencial.
- C)O vocábulo como (fragmento 2) é uma conjunção que se refere ao substantivo corpo e o vocábulo sua (fragmento 2) é um pronome possessivo também relacionado ao substantivo corpo. Os dois elementos analisados são exemplos de recursos coesivos sequenciais.
- D)A conjunção portanto (fragmento 2) introduz uma ideia conclusiva em relação ao que foi enunciado anteriormente; a conjunção se (fragmento 3) introduz uma oração condicional e poderia ser substituída pela locução desde que sem prejuízo de significado. Ambas são exemplos de coesão sequencial.
- E)Como (fragmento 2) é uma conjunção subordinativa e, portanto, um recurso coesivo sequencial.
IME20121a faseQuestao 13PortuguêsCoesão textualDificilTexto I — Espaço e tempo
Tanto Aristóteles quanto Newton acreditavam no tempo absoluto. Isto é, acreditavam que se pode, sem qualquer ambiguidade, medir o intervalo de tempo entre dois eventos, e que o resultado será o mesmo em qualquer mensuração, desde que se use um relógio preciso. O tempo é independente e completamente separado do espaço. Isso é no que a maioria das pessoas acredita; é o consenso. Entretanto, tivemos que mudar nossas ideias sobre espaço e tempo. Ainda que nossas noções, aparentemente comuns, funcionem a contento quando lidamos com maçãs ou planetas, que se deslocam comparativamente mais devagar, não funcionam absolutamente para objetos que se movam à velocidade da luz, ou em velocidade próxima a ela. […]
Entre 1887 e 1905 houve várias tentativas [...] de explicar o resultado de experimentos [...] com relação a objetos que se contraem e relógios que funcionam mais vagarosamente quando se movimentam através do éter. Entretanto, num famoso artigo, em 1905, um até então desconhecido funcionário público suíço, Albert Einstein, mostrou que o conceito de éter era desnecessário, uma vez que se estava querendo abandonar o de tempo absoluto. Ponto semelhante foi abordado poucas semanas depois por um proeminente matemático francês, Henri Poincaré. Os argumentos de Einstein eram mais próximos da Física do que os de Poincaré, que abordava o problema como se este fosse matemático. Einstein ficou com o crédito da nova teoria, mas Poincaré é lembrado por ter tido seu nome associado a uma parte importante dela.
O postulado fundamental da teoria da relatividade, como foi chamada, é que as leis científicas são as mesmas para todos os observadores em movimento livre, não importa qual seja sua velocidade. Isso era verdadeiro para as leis do movimento de Newton, mas agora a ideia abrangia também outras teorias e a velocidade da luz: todos os observadores encontram a mesma medida de velocidade da luz, não importa quão rápido estejam se movendo. Essa simples ideia tem algumas consequências notáveis: talvez a mais conhecida seja a equivalência de massa e energia, contida na famosa equação de Einstein E=mc2 (onde E significa energia; m, massa e c, a velocidade da luz); e a lei que prevê que nada pode se deslocar com mais velocidade do que a própria luz. Por causa da equivalência entre energia e massa, a energia que um objeto tenha, devido a seu movimento, será acrescentada à sua massa. Em outras palavras, essa energia dificultará o aumento da velocidade desse objeto. [...]
Uma outra consequência igualmente considerável da teoria da relatividade é a maneira com que ela revolucionou nossos conceitos de tempo e espaço. Na teoria de Newton, se uma vibração de luz é enviada de um lugar a outro, observadores diferentes deverão concordar quanto ao tempo gasto na trajetória (uma vez que o tempo é absoluto), mas nem sempre concordarão sobre a distância percorrida pela luz (uma vez que o espaço não é absoluto). Dado que a velocidade da luz é apenas a distância que ela percorre, dividida pelo tempo que leva para fazê-lo, diferentes observadores poderão atribuir diferentes velocidades à luz. Segundo a teoria da relatividade, por outro lado, todos os observadores deverão concordar quanto à rapidez da trajetória da luz. Podem, entretanto, não concordar com a distância percorrida, tendo então, que discordar também quanto ao tempo gasto no evento. O tempo gasto é, no final das contas, apenas a velocidade da luz – sobre a qual os observadores concordam – multiplicada pela distância que a luz percorreu – sobre a qual eles não concordam. Em outras palavras, a teoria da relatividade sela o fim do conceito de tempo absoluto! Parece que cada observador pode obter sua própria medida de tempo, tal como registrada pelo seu relógio, e com a qual relógios idênticos, com diferentes observadores, não concordam necessariamente.
HAWKING, Stephen W. Uma breve história do tempo. São Paulo: Círculo do livro, 1988. p.30-33. (adaptado)
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Texto II — Inércia: a Primeira Lei de Newton
As leis de Newton tratam da relação entre força e movimento. A primeira pergunta que elas procuram responder é: “O que acontece com o movimento de um corpo livre da ação de qualquer força?”
Podemos responder a essa pergunta em duas partes. A primeira trata do efeito da inexistência de forças sobre o corpo parado ou em repouso. A resposta é quase óbvia: se nenhuma força atua sobre o corpo em repouso, ele continua em repouso. A segunda parte trata do efeito da inexistência de forças sobre o corpo em movimento. A resposta, embora simples, já não é óbvia: se nenhuma força atua sobre o corpo em movimento, ele continua em movimento. Mas que tipo de movimento? Como não há força atuando sobre o corpo, a sua velocidade não aumenta, nem diminui, nem muda de direção. Portanto o único movimento possível do corpo na ausência de qualquer força atuando sobre ele é o movimento retilíneo uniforme.
A primeira lei de Newton reúne ambas as respostas num só enunciado: um corpo permanece em repouso ou em movimento retilíneo uniforme se nenhuma força atuar sobre ele. Em outras palavras, a Primeira Lei de Newton afirma que, na ausência de forças, todo corpo fica como está: parado se estiver parado, em movimento se estiver em movimento (retilíneo uniforme). Daí essa lei ser chamada de Princípio da Inércia.
O que significa inércia?
Inércia, na linguagem cotidiana, significa falta de ação, de atividade, indolência, preguiça ou coisa semelhante. Por essa razão, costuma-se associar inércia a repouso, o que não corresponde exatamente ao sentido que a Física dá ao termo. O significado físico de inércia é mais abrangente: inércia é “ficar como está”, ou em repouso ou em movimento. Devido à propriedade do corpo de “ficar como está” depender de sua massa, a inércia pode ser entendida como sinônimo de massa.
GASPAR, Alberto. Física: Mecânica. 1. ed. São Paulo: Ática, 2001. p. 114-115. (adaptado)
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Assinale a alternativa em que a análise da relação de sentido expressa pelo elo coesivo destacado (entre « ») está EQUIVOCADA.
- A)"o resultado será o mesmo em qualquer mensuração, «desde que» se use um relógio preciso". (Texto I, 1º parágrafo) — Relação de condição: apresenta uma condição relativamente ao que se afirma na oração anterior.
- B)"O tempo é independente e completamente separado do espaço. Isso é no que a maioria das pessoas acredita; é o consenso. «Entretanto», tivemos que mudar nossas ideias sobre espaço e tempo". (Texto I, 1º parágrafo) — Relação de oposição: apresenta uma argumentação contrária ao que foi dito antes.
- C)"«Ainda que» nossas noções, aparentemente comuns, funcionem a contento quando lidamos com maçãs ou planetas, que se deslocam comparativamente mais devagar, não funcionam absolutamente para objetos que se movam à velocidade da luz, ou em velocidade próxima a ela". (Texto I, 1º parágrafo) — Relação de concessão: introduz uma ideia de quebra de uma expectativa em relação ao que se espera.
- D)"mostrou que o conceito de éter era desnecessário, «uma vez que» se estava querendo abandonar o de tempo absoluto". (Texto I, 2º parágrafo) — Ligação de alternância: introduz uma oração cujo conteúdo exclui o conteúdo da outra.
- E)"Como não há força atuando sobre o corpo, a sua velocidade não aumenta, nem diminui, nem muda de direção. «Portanto» o único movimento possível do corpo na ausência de qualquer força atuando sobre ele é o movimento retilíneo uniforme". (Texto II, 2º parágrafo) — Ligação conclusiva: introduz uma conclusão relativamente ao enunciado anterior.
IME20101a faseQuestao 6PortuguêsCoesão textualDificilTexto 2 — José de Anchieta, jesuíta hispano-brasileiro (UOL Educação)
José de Anchieta nasceu em família rica, numa das sete ilhas Canárias, de onde avistava os navios que se abasteciam no porto de Tenerife para seguir rumo ao Oriente ou ao Novo Mundo. O pai era um nobre basco, e a mãe, uma judia conversa. Aos 14 anos foi estudar em Coimbra (Portugal). Sentia a vocação religiosa e, em 1551, foi admitido como noviço no colégio jesuíta da Universidade de Coimbra.
Em 1553, com 19 anos, foi convidado a vir para o Brasil como missionário, acompanhando Duarte da Costa, o segundo governador-geral nomeado pela Coroa. No comecinho de 1554, chegou a São Vicente, a primeira vila fundada no Brasil. Lá, teve o primeiro contato com os índios.
No mesmo ano, junto com o jesuíta português Manuel da Nóbrega, subiu a serra do Mar até o planalto que os índios denominavam Piratininga, ao longo do rio Tietê. Os dois missionários estabeleceram um pequeno colégio, e, em 25 de janeiro de 1554, celebrou-se ali a primeira missa. Anchieta começou o trabalho de conversão, batismo e catequese.
Para os índios, foi médico, sacerdote e educador: cuidava do corpo, da alma e da mente. Na catequese, usava o teatro e a poesia, tornando a aprendizagem um processo prazeroso. Ensinou latim aos índios, aprendeu tupi-guarani com eles e (seguindo a tradição missionária, que mandava assimilar e registrar os idiomas) escreveu a "Arte da Gramática da Língua Mais Falada na Costa do Brasil", publicada em Coimbra em 1595.
O colégio de São Paulo de Piratininga, como era chamado, logo expandiu seu núcleo. Mas, ao longo do litoral de São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo, as tribos formaram uma aliança (conhecida como Confederação dos Tamoios) que atacou São Paulo diversas vezes entre 1562 e 1564.
Anchieta e Nóbrega tiveram um conflito com Duarte da Costa e decidiram iniciar as negociações de paz com os tamoios em Iperoig (hoje Ubatuba). Anchieta, falando tupi- guarani e viajando por toda aquela costa, foi crucial para ganhar a confiança dos índios, e, após muitos incidentes, estabeleceu-se a paz entre tamoios, tupinambás e portugueses. Nessa época, Anchieta escreveu o "Poema em Louvor à Virgem Maria", com 5.732 versos, alguns dos quais traçados nas areias das praias.
Em 1565, entrou com Estácio de Sá na baía de Guanabara, onde estabeleceram os fundamentos do que viria a ser a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.
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O processo de coesão pode ser realizado através de vocábulos anafóricos – aqueles que se referem a um outro anteriormente expresso. A oração do texto 2 que NÃO apresenta vocábulo anafórico é:
- A)(…) chegou a São Vicente, a primeira vila fundada no Brasil. Lá, teve o primeiro contato com os índios.
- B)Para os índios, foi médico, sacerdote e educador: cuidava do corpo, da alma e da mente.
- C)Anchieta escreveu o "Poema em Louvor à Virgem Maria", com 5.732 versos, alguns dos quais traçados nas areias das praias.
- D)Em 1565, entrou com Estácio de Sá na baía de Guanabara, onde estabeleceram os fundamentos do que viria a ser a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.
- E)José de Anchieta nasceu em família rica, numa das sete ilhas Canárias, de onde avistava os navios que se abasteciam no porto de Tenerife para seguir rumo ao Oriente ou ao Novo Mundo.