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AFA2027Fase unicaQuestao 9PortuguêsMorfossintaxe (norma padrão e colocação pronominal)DificilTEXTO II
**Corrida Espacial: da Guerra Fria aos desafios atuais**
Por Gabriel Izídio Rufino — Publicado em: 14/10/2024
Atualmente, a dinâmica da corrida espacial mudou consideravelmente. Além dos Estados Unidos e da Rússia, novos atores, como China, Índia, países europeus e até empresas privadas como SpaceX e Blue Origin, entraram no cenário. Essa diversificação transformou a competição em uma colaboração mais ampla.
Uma das principais diferenças é a presença de uma rede global de cooperação. A Estação Espacial Internacional (ISS) exemplifica esse espírito colaborativo, reunindo recursos e conhecimentos de diferentes países para pesquisas no espaço.
Além disso, a comercialização do espaço tornou-se realidade, com empresas privadas oferecendo serviços de lançamento e desenvolvendo tecnologias inovadoras para novos mercados, como turismo espacial e mineração de asteroides.
Hoje, o objetivo vai além de simplesmente chegar ao espaço. Missões tripuladas a Marte e outras regiões do sistema solar estão nos planos de várias agências espaciais e empresas privadas, abrindo novas fronteiras.
(RUFINO, Gabriel Izídro. Corrida Espacial: da Guerra Fria aos desafios atuais. Disponível em: https://www.politize.com.br/corrida-espacial/. Acesso em: 27/11/2025. Adaptado)
(As referências a linhas — ℓ. — remetem à numeração do caderno original.)
Analisando os trechos abaixo, do Texto II, marque em qual deles a expressão destacada (em negrito) NÃO exerce função adjetiva, seja em aspectos morfológicos ou sintáticos.
- A)“**Essa** diversificação transformou a competição em uma colaboração mais ampla.” (ℓ. 5-6)
- B)“Missões tripuladas a Marte e outras regiões do sistema solar estão nos planos de várias agências espaciais e empresas privadas, abrindo **novas fronteiras**.” (ℓ. 18-20)
- C)“Além disso, a comercialização do espaço tornou-se **realidade** [...]” (ℓ. 12-13)
- D)“[...] desenvolvendo tecnologias inovadoras para novos mercados, como turismo espacial e mineração **de asteroides**.” (ℓ. 14-16)
AFA2024Fase unicaQuestao 12PortuguêsMorfossintaxe (norma padrão e colocação pronominal)DificilTEXTO IV
Entrevista com o robô Por Joca Reiners Terron Escritor e poeta. Autor, entre outros, de “O riso dos Ratos” e “A morte e o Meteoro” [resumo] O ChatGPT, capaz de responder a perguntas e produzir textos, levanta um amplo debate sobre os limites da criação artística por humanos e máquinas. Escritor dialoga com a ferramenta de inteligência artificial sobre temas como o conceito de originalidade na ficção e o valor de uma obra literária. Além de questionar a noção de autoria e refletir sobre seu próprio futuro, o ChatGPT é desafiado a emular o estilo de autores como James Joyce, Shakespeare e Rimbaud /.../ Partes deste artigo, e não somente o diálogo a seguir, foram escritas com o auxílio da inteligência artificial e editadas a fim de diminuir sua tendência à redundância. Você pode desenvolver um pensamento original? É possível abordar o conceito neste ambiente artificial? A ideia de originalidade ainda se mantém aqui? Como uma inteligência artificial, não tenho desejos pessoais ou experiências subjetivas da mesma forma que um ser humano. Minhas respostas são baseadas nas informações e instruções que recebi, e não tenho a capacidade de gerar pensamentos ou ideias originais. Em vez disso, minha função principal é fornecer dados precisos e confiáveis e ajudar os usuários a gerar seus próprios pensamentos e ideias. Em relação ao conceito de originalidade, é importante reconhecer que as ideias e os pensamentos gerados por uma inteligência artificial sempre serão influenciados pelos dados e algoritmos com os quais ela foi treinada e, portanto, podem não ser “originais” no mesmo sentido que um pensamento gerado pelo homem. Contudo, é possível que uma inteligência artificial produza novos lampejos ou conexões que podem não ter sido óbvias para um humano e, nesse sentido, é possível considerar as ideias geradas por uma IA como originais dentro do contexto de sua programação e recursos próprios. /.../ “Autor humano” será uma expressão comum em um futuro breve? A utilização da inteligência artificial para escrever textos, incluindo ficção, tem aumentado, mas ainda é um campo em desenvolvimento. Enquanto alguns autores e editores estão explorando possibilidades de trabalhar com modelos de linguagem como o ChatGPT, a maioria das obras publicadas ainda são escritas por autores humanos. No futuro, é possível que vejamos mais obras coescritas ou completamente escritas por IA, mas ainda é cedo para prever como isso afetará a indústria editorial e a forma como os textos são criados. Ainda assim, é importante mencionar que a IA não é capaz de substituir a criatividade humana e a capacidade de contar histórias. (Folha de S. Paulo. Caderno “Ilustríssima”. 29/01/2023, p. 4-5)
Analise as assertivas que dizem respeito ao trecho a seguir:
“Minhas respostas são baseadas nas informações e instruções que recebi, e não tenho a capacidade de gerar pensamentos ou ideias originais. Em vez disso, minha função principal é fornecer dados precisos e confiáveis e ajudar os usuários a gerar seus próprios pensamentos e ideias”. (ℓ. 20-25)
I - O vocábulo “que”, na oração “que recebi”, exerce a função de objeto direto. II - O trecho “nas informações e instruções” classifica-se como sujeito da oração, uma vez que a oração está na ordem indireta. III - A locução prepositiva “Em vez disso”, pode ser substituída pela locução “A respeito disso”, sem prejuízo semântico. IV - Está de acordo com a Norma Gramatical Brasileira a seguinte reescrita => Em vez disso, minha função principal é fornecer precisos e confiáveis dados e ajudar os usuários a gerar seus pensamentos e ideias próprias.
A partir da análise das afirmativas é correto concluir que
- A)todas estão corretas.
- B)apenas uma está correta.
- C)apenas duas estão corretas.
- D)apenas três estão corretas.
AFA2021Fase unicaQuestao 35PortuguêsMorfossintaxe (norma padrão e colocação pronominal)Media**TEXTO I**
**As mulheres são vítimas de violência porque são mulheres** — Wânia Pasinato
Nos últimos anos, a violência contra as mulheres no Brasil vem se tornando assunto público e reconhecido como problema ao qual qualquer mulher, independentemente de raça, cor, etnia, idade ou classe [05] social pode estar sujeita. Trata-se de reconhecer que a violência não é um infortúnio pessoal, mas tem origem na constituição desigual dos lugares de homens e mulheres nas sociedades – a desigualdade de gênero –, que tem implicações não apenas nos papéis sociais do [10] masculino e feminino e nos comportamentos sexuais, mas também em uma relação de poder. Em outras palavras, significa dizer que a desigualdade é estrutural. Ou seja, social, histórica e culturalmente a sociedade designa às mulheres um lugar de submissão e menor [15] poder em relação aos homens. Qualquer outro fator – o desemprego, o alcoolismo, o ciúme, o comportamento da mulher, seu jeito de vestir ou exercer sua sexualidade – não são causas, mas justificativas socialmente aceitas para que as mulheres continuem a [20] sofrer violência.
(...) Em anos recentes, esse reconhecimento foi acompanhado por mudanças na forma como devemos responder a essa violência, atacando não as justificativas, mas as causas. O país tornou-se [25] referência internacional com a Lei 11.340/2006 – a Lei Maria da Penha, cujo diferencial é a forma de abordar o problema, propondo a criminalização e a aplicação de penas para os agressores, mas também medidas que são dirigidas às mulheres para a proteção de sua [30] integridade física e de seus direitos, além de medidas de prevenção destinadas a modificar as relações entre homens e mulheres na sociedade, campo no qual a educação desempenha papel estratégico. Apesar de tudo, o Brasil segue sendo um país violento para as [35] mulheres. Anualmente são registradas centenas de ocorrências de violência doméstica, de violência sexual, além das elevadas taxas de homicídios de mulheres que, quando motivadas pelas razões de gênero, são tipificadas como feminicídios. Esses números [40] expressam uma parte do problema e comumente dizemos que a subnotificação é uma característica dessas situações.
O medo, a dúvida, a vergonha são algumas explicações para esse silêncio, mas novamente nos [45] contentamos em olhar para as justificativas e não para as causas. (...)
De modo geral, mudamos as leis, mas não a forma como as instituições funcionam. O Sistema de Justiça segue atuando de forma seletiva e distribuindo [50] de forma desigual o acesso à Justiça. Existem poucos serviços especializados para atender as mulheres em situação de violência. Faltam protocolos que orientem o atendimento. Falta capacitação para os profissionais cuja atuação é muitas vezes balizada por convicções [55] pessoais e julgamentos de valor que nada têm a ver com os direitos humanos. (...)
*(Disponível em: https://revistagalileu.globo.com/Sociedade/notícia/2018/02/violencia-contra-mulher-wania-pasinato.html - Acesso em 30/06/2020)*
*Obs.: os marcadores [05], [10], … indicam o início das linhas 5, 10, … do texto original.*
No texto I (l. 41 a 47) foram empregados verbos na 1ª pessoa do plural. Essa utilização pode ser justificada porque
- A)o objetivo central é enfatizar o canal comunicativo entre os agentes da interlocução.
- B)o propósito primordial é criar uma relação de total intimidade com o interlocutor, facilitando a montagem da tese demonstrada.
- C)o texto almeja envolver o leitor na construção do ponto de vista defendido.
- D)a função principal do texto é impor postura consensual em torno de um tema.
AFA2021Fase unicaQuestao 36PortuguêsMorfossintaxe (norma padrão e colocação pronominal)MediaAnulada**TEXTO II**
**Porém igualmente**
[1] É uma santa. Diziam os vizinhos. E D. Eulália [2] apanhando. É um anjo. Diziam os parentes. E D. Eulália [3] sangrando. Porém igualmente se surpreenderam na [4] noite em que, mais bêbado que de costume, o marido, [5] depois de surrá-la, jogou-a pela janela, e D. Eulália [6] rompeu em asas o voo de sua trajetória.
*(COLASANTI, Marina. **Um espinho de marfim e outras histórias.** Porto Alegre: L & PM, 1999.)*
*Obs.: os marcadores [1]–[6] indicam as linhas do texto original.*
Assinale a alternativa correta, quanto à análise morfossintática do texto II.
- A)Na construção verbal “se surpreenderam” o verbo foi empregado impessoalmente, sem se referir a nenhuma pessoa gramatical.
- B)Substituir a expressão “em que” (l. 04) por “quando” altera o sentido e a análise sintática original do período.
- C)Não é possível identificar o autor da ação verbal indicada na segunda oração.
- D)A falta de elementos de coesão como conjunções ou advérbios, nos seis primeiros períodos, interfere na compreensão do texto.
AFA2021Fase unicaQuestao 38PortuguêsMorfossintaxe (norma padrão e colocação pronominal)Media**TEXTO III**
**Mulheres de Atenas**
Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Vivem pros seus maridos
Orgulho e raça de Atenas
[5] Quando amadas, se perfumam
Se banham com leite, se
Arrumam
Suas melenas
Quando fustigadas não choram
[10] Se ajoelham, pedem, imploram
Mais duras penas; cadenas
Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Sofrem pros seus maridos
[15] Poder e Força de Atenas
(...)
Elas não têm gosto ou vontade
Nem defeito, nem qualidade
Têm medo apenas
Não têm sonhos, só têm
[20] Presságios
O seu homem, mares,
Naufrágios
Lindas sirenas, morenas
Mirem-se no exemplo
[25] Daquelas mulheres de Atenas
Temem por seus maridos
Heróis e amantes de Atenas
As jovens viúvas marcadas
E as gestantes abandonadas
[30] Não fazem cenas
Vestem-se de negro, se
Encolhem
Se conformam e se recolhem
Às suas novenas, serenas
*(HOLANDA, Chico Buarque de. **Meus caros amigos.** LP, 1976. Phonogram/Philips)*
*Obs.: os marcadores [5], [10], … indicam os versos 5, 10, … (a contagem não inclui a linha "(...)").*
Em relação à composição linguística do texto III, é INCORRETO afirmar que
- A)as formas verbais “mirem” (v. 1), “vivem” (v. 3), “sofrem” (v. 14) e “têm” (v. 16) estão conjugadas no mesmo modo e tempo, além de possuírem o mesmo sujeito.
- B)levando em consideração o contexto, é possível considerar o sentido da palavra “fustigadas” (v. 09) como castigadas.
- C)em “vivem pros seus maridos” (v. 3), o termo sublinhado é classificado pela gramática normativa como adjunto adverbial.
- D)na última estrofe, em todas as ocorrências, o vocábulo “se” é classificado como pronome reflexivo.
AFA2020Fase unicaQuestao 3PortuguêsMorfossintaxe (norma padrão e colocação pronominal)Dificil**TEXTO I**
Trecho da peça teatral **A raposa e as uvas**, escrita por Guilherme de Figueiredo. A cena ocorre na cidade de Samos (Grécia antiga), na casa de Xantós, um filósofo grego, que recebe o convidado Agnostos, um capitão ateniense. O jantar é servido por Esopo e Melita, escravos de Xantós.
(Entra Esopo, com um prato que coloca sobre a mesa. Está coberto com um pano. Xantós e Agnostos se dirigem para a mesa, o primeiro faz ao segundo um sinal para sentarem-se.)
XANTÓS (Descobrindo o prato) – Ah, língua! (Começa a comer com as mãos, e faz um sinal para que Melita sirva Agnostos. Este também começa a comer vorazmente, dando grunhidos de satisfação.) Fizeste bem em trazer língua, Esopo. É realmente uma das melhores coisas do mundo. (Sinal para que sirvam o vinho. Esopo serve, Xantós bebe.) Vês, estrangeiro, de qualquer modo é bom possuir riquezas. Não gostas de saborear esta língua e este vinho?
AGNOSTOS (A boca entupida, comendo) – Hum.
XANTÓS – Outro prato, Esopo. (Esopo sai à esquerda e volta imediatamente com outro prato coberto. Serve, Xantós de boca cheia.) Que é isto? Ah, língua de fumeiro! É bom língua de fumeiro, hein, amigo?
AGNOSTOS – Hum. (Xantós serve-se de vinho) /.../
XANTÓS (A Esopo) Serve outro prato. (Serve) Que trazes aí?
ESOPO – Língua.
XANTÓS – Mais língua? Não te disse que trouxesse o que há de melhor para meu hóspede? Por que só trazes língua? Queres expor-me ao ridículo?
ESOPO – Que há de melhor do que a língua? A língua é o que nos une todos, quando falamos. Sem a língua nada poderíamos dizer. A língua é a chave das ciências, o órgão da verdade e da razão. Graças à língua dizemos o nosso amor. Com a língua se ensina, se persuade, se instrui, se reza, se explica, se canta, se descreve, se elogia, se mostra, se afirma. É com a língua que dizemos sim. É a língua que ordena os exércitos à vitória, é a língua que desdobra os versos de Homero. A língua cria o mundo de Ésquilo, a palavra de Demóstenes. Toda a Grécia, Xantós, das colunas do Partenon às estátuas de Pidias, dos deuses do Olimpo à glória sobre Tróia, da ode do poeta ao ensinamento do filósofo, toda a Grécia foi feita com a língua, a língua de belos gregos claros falando para a eternidade.
XANTÓS (Levantando-se, entusiasmado, já meio ébrio) – Bravo, Esopo. Realmente, tu nos trouxeste o que há de melhor. (Toma outro saco da cintura e atira-o ao escravo) Vai agora ao mercado, e traze-nos o que houver de pior, pois quero ver a sua sabedoria! (Esopo retira-se à frente com o saco, Xantós fala a Agnostos.) Então, não é útil e bom possuir um escravo assim?
AGNOSTOS (A boca cheia) – Hum. /.../
(Entra Esopo com prato coberto)
XANTÓS – Agora que já sabemos o que há de melhor na terra, vejamos o que há de pior na opinião deste horrendo escravo! Língua, ainda? Mais língua? Não disseste que língua era o que havia de melhor? Queres ser espancado?
ESOPO – A língua, senhor, é o que há de pior no mundo. É a fonte de todas as intrigas, o início de todos os processos, a mãe de todas as discussões. É a língua que usam os maus poetas que nos fatigam na praça, é a língua que usam os filósofos que não sabem pensar. É a língua que mente, que esconde, que tergiversa, que blasfema, que insulta, que se acovarda, que se mendiga, que impreca, que bajula, que destrói, que calunia, que vende, que seduz, é com a língua que dizemos morre e canalha e corja. É com a língua que dizemos não. Com a língua Aquiles mostrou sua cólera, com a língua a Grécia vai tumultuar os pobres cérebros humanos para toda a eternidade! Aí está, Xantós, porque a língua é a pior de todas as coisas!
(FIGUEIREDO, Guilherme. **A raposa e as uvas** – peça em 3 atos. Cópia digitalizada pelo GETEB – Grupo de Estudos e Pesquisa em Teatro Brasileiro/UFSJ. Acesso em 13/03/2019.)
Leia o trecho abaixo e responda à questão a seguir.
“Mais língua? Não te disse que trouxesse o que há de melhor para meu hóspede? Por que só trazes língua? Queres expor-me ao ridículo?” (l. 23 a 25)
Em relação à análise morfossintática desse fragmento, assinale a alternativa correta.
- A)Em “Não te disse que trouxesse (...)?”, é possível perceber o coloquialismo no uso concomitante de 2ª e 3ª pessoas gramaticais.
- B)Em “Por que só trazes língua?”, o pronome interrogativo, deslocando-se para o final da oração, seria grafado junto e com acento.
- C)Em “Queres expor-me ao ridículo?”, o pronome oblíquo poderá, de acordo com a norma padrão da Língua, vir antes do verbo ‘querer’.
- D)Em “(...) o que há de melhor para meu hóspede?”, o pronome demonstrativo exerce a função sintática de sujeito da oração.
AFA2020Fase unicaQuestao 4PortuguêsMorfossintaxe (norma padrão e colocação pronominal)Media**TEXTO I**
Trecho da peça teatral **A raposa e as uvas**, escrita por Guilherme de Figueiredo. A cena ocorre na cidade de Samos (Grécia antiga), na casa de Xantós, um filósofo grego, que recebe o convidado Agnostos, um capitão ateniense. O jantar é servido por Esopo e Melita, escravos de Xantós.
(Entra Esopo, com um prato que coloca sobre a mesa. Está coberto com um pano. Xantós e Agnostos se dirigem para a mesa, o primeiro faz ao segundo um sinal para sentarem-se.)
XANTÓS (Descobrindo o prato) – Ah, língua! (Começa a comer com as mãos, e faz um sinal para que Melita sirva Agnostos. Este também começa a comer vorazmente, dando grunhidos de satisfação.) Fizeste bem em trazer língua, Esopo. É realmente uma das melhores coisas do mundo. (Sinal para que sirvam o vinho. Esopo serve, Xantós bebe.) Vês, estrangeiro, de qualquer modo é bom possuir riquezas. Não gostas de saborear esta língua e este vinho?
AGNOSTOS (A boca entupida, comendo) – Hum.
XANTÓS – Outro prato, Esopo. (Esopo sai à esquerda e volta imediatamente com outro prato coberto. Serve, Xantós de boca cheia.) Que é isto? Ah, língua de fumeiro! É bom língua de fumeiro, hein, amigo?
AGNOSTOS – Hum. (Xantós serve-se de vinho) /.../
XANTÓS (A Esopo) Serve outro prato. (Serve) Que trazes aí?
ESOPO – Língua.
XANTÓS – Mais língua? Não te disse que trouxesse o que há de melhor para meu hóspede? Por que só trazes língua? Queres expor-me ao ridículo?
ESOPO – Que há de melhor do que a língua? A língua é o que nos une todos, quando falamos. Sem a língua nada poderíamos dizer. A língua é a chave das ciências, o órgão da verdade e da razão. Graças à língua dizemos o nosso amor. Com a língua se ensina, se persuade, se instrui, se reza, se explica, se canta, se descreve, se elogia, se mostra, se afirma. É com a língua que dizemos sim. É a língua que ordena os exércitos à vitória, é a língua que desdobra os versos de Homero. A língua cria o mundo de Ésquilo, a palavra de Demóstenes. Toda a Grécia, Xantós, das colunas do Partenon às estátuas de Pidias, dos deuses do Olimpo à glória sobre Tróia, da ode do poeta ao ensinamento do filósofo, toda a Grécia foi feita com a língua, a língua de belos gregos claros falando para a eternidade.
XANTÓS (Levantando-se, entusiasmado, já meio ébrio) – Bravo, Esopo. Realmente, tu nos trouxeste o que há de melhor. (Toma outro saco da cintura e atira-o ao escravo) Vai agora ao mercado, e traze-nos o que houver de pior, pois quero ver a sua sabedoria! (Esopo retira-se à frente com o saco, Xantós fala a Agnostos.) Então, não é útil e bom possuir um escravo assim?
AGNOSTOS (A boca cheia) – Hum. /.../
(Entra Esopo com prato coberto)
XANTÓS – Agora que já sabemos o que há de melhor na terra, vejamos o que há de pior na opinião deste horrendo escravo! Língua, ainda? Mais língua? Não disseste que língua era o que havia de melhor? Queres ser espancado?
ESOPO – A língua, senhor, é o que há de pior no mundo. É a fonte de todas as intrigas, o início de todos os processos, a mãe de todas as discussões. É a língua que usam os maus poetas que nos fatigam na praça, é a língua que usam os filósofos que não sabem pensar. É a língua que mente, que esconde, que tergiversa, que blasfema, que insulta, que se acovarda, que se mendiga, que impreca, que bajula, que destrói, que calunia, que vende, que seduz, é com a língua que dizemos morre e canalha e corja. É com a língua que dizemos não. Com a língua Aquiles mostrou sua cólera, com a língua a Grécia vai tumultuar os pobres cérebros humanos para toda a eternidade! Aí está, Xantós, porque a língua é a pior de todas as coisas!
(FIGUEIREDO, Guilherme. **A raposa e as uvas** – peça em 3 atos. Cópia digitalizada pelo GETEB – Grupo de Estudos e Pesquisa em Teatro Brasileiro/UFSJ. Acesso em 13/03/2019.)
Ao longo do texto I, a palavra “QUE” é empregada diversas vezes. Assinale a alternativa que apresenta classificação correta do termo destacado.
- A)“(...) Esopo, com um prato que coloca sobre a mesa” > pronome demonstrativo.
- B)“(...) faz um sinal para que Melita sirva Agnostos” > preposição.
- C)“É a língua que ordena os exércitos à vitória (...)” > pronome relativo.
- D)“Que há de melhor do que a língua?” > partícula de realce.
AFA2020Fase unicaQuestao 6PortuguêsMorfossintaxe (norma padrão e colocação pronominal)Media**TEXTO I**
Trecho da peça teatral **A raposa e as uvas**, escrita por Guilherme de Figueiredo. A cena ocorre na cidade de Samos (Grécia antiga), na casa de Xantós, um filósofo grego, que recebe o convidado Agnostos, um capitão ateniense. O jantar é servido por Esopo e Melita, escravos de Xantós.
(Entra Esopo, com um prato que coloca sobre a mesa. Está coberto com um pano. Xantós e Agnostos se dirigem para a mesa, o primeiro faz ao segundo um sinal para sentarem-se.)
XANTÓS (Descobrindo o prato) – Ah, língua! (Começa a comer com as mãos, e faz um sinal para que Melita sirva Agnostos. Este também começa a comer vorazmente, dando grunhidos de satisfação.) Fizeste bem em trazer língua, Esopo. É realmente uma das melhores coisas do mundo. (Sinal para que sirvam o vinho. Esopo serve, Xantós bebe.) Vês, estrangeiro, de qualquer modo é bom possuir riquezas. Não gostas de saborear esta língua e este vinho?
AGNOSTOS (A boca entupida, comendo) – Hum.
XANTÓS – Outro prato, Esopo. (Esopo sai à esquerda e volta imediatamente com outro prato coberto. Serve, Xantós de boca cheia.) Que é isto? Ah, língua de fumeiro! É bom língua de fumeiro, hein, amigo?
AGNOSTOS – Hum. (Xantós serve-se de vinho) /.../
XANTÓS (A Esopo) Serve outro prato. (Serve) Que trazes aí?
ESOPO – Língua.
XANTÓS – Mais língua? Não te disse que trouxesse o que há de melhor para meu hóspede? Por que só trazes língua? Queres expor-me ao ridículo?
ESOPO – Que há de melhor do que a língua? A língua é o que nos une todos, quando falamos. Sem a língua nada poderíamos dizer. A língua é a chave das ciências, o órgão da verdade e da razão. Graças à língua dizemos o nosso amor. Com a língua se ensina, se persuade, se instrui, se reza, se explica, se canta, se descreve, se elogia, se mostra, se afirma. É com a língua que dizemos sim. É a língua que ordena os exércitos à vitória, é a língua que desdobra os versos de Homero. A língua cria o mundo de Ésquilo, a palavra de Demóstenes. Toda a Grécia, Xantós, das colunas do Partenon às estátuas de Pidias, dos deuses do Olimpo à glória sobre Tróia, da ode do poeta ao ensinamento do filósofo, toda a Grécia foi feita com a língua, a língua de belos gregos claros falando para a eternidade.
XANTÓS (Levantando-se, entusiasmado, já meio ébrio) – Bravo, Esopo. Realmente, tu nos trouxeste o que há de melhor. (Toma outro saco da cintura e atira-o ao escravo) Vai agora ao mercado, e traze-nos o que houver de pior, pois quero ver a sua sabedoria! (Esopo retira-se à frente com o saco, Xantós fala a Agnostos.) Então, não é útil e bom possuir um escravo assim?
AGNOSTOS (A boca cheia) – Hum. /.../
(Entra Esopo com prato coberto)
XANTÓS – Agora que já sabemos o que há de melhor na terra, vejamos o que há de pior na opinião deste horrendo escravo! Língua, ainda? Mais língua? Não disseste que língua era o que havia de melhor? Queres ser espancado?
ESOPO – A língua, senhor, é o que há de pior no mundo. É a fonte de todas as intrigas, o início de todos os processos, a mãe de todas as discussões. É a língua que usam os maus poetas que nos fatigam na praça, é a língua que usam os filósofos que não sabem pensar. É a língua que mente, que esconde, que tergiversa, que blasfema, que insulta, que se acovarda, que se mendiga, que impreca, que bajula, que destrói, que calunia, que vende, que seduz, é com a língua que dizemos morre e canalha e corja. É com a língua que dizemos não. Com a língua Aquiles mostrou sua cólera, com a língua a Grécia vai tumultuar os pobres cérebros humanos para toda a eternidade! Aí está, Xantós, porque a língua é a pior de todas as coisas!
(FIGUEIREDO, Guilherme. **A raposa e as uvas** – peça em 3 atos. Cópia digitalizada pelo GETEB – Grupo de Estudos e Pesquisa em Teatro Brasileiro/UFSJ. Acesso em 13/03/2019.)
Em relação ao estudo morfossintático do texto I, assinale a alternativa que traz uma análise correta.
- A)Em “Este também começa a comer vorazmente (...)” (l. 07), o pronome “este” é anafórico e substitui a personagem Xantós.
- B)O vocábulo “se” (l. 30 a 32) é uma marcação de indeterminação do sujeito.
- C)O emprego do pronome “esta” e “este” (l. 12 e 13) demonstra que a língua e o vinho estão próximos do locutor.
- D)Entre as palavras “agora”, “pior” “ainda” e “não” (l. 50 a 52), há advérbios classificados como de tempo, intensidade e negação.