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AFA2025Fase unicaQuestao 1PortuguêsInterpretação de textoMedia
TEXTO I
Black Mirror: "Queda livre", a desumanização do futuro
Queda Livre, o enredo
"Queda Livre" nos lembra da invasão das redes sociais que vivemos hoje e nos leva a perceber como elas podem ser perigosas e irreais.
[...]
Lacie é a protagonista desta história, desse ecossistema em que as pessoas são julgadas de acordo com sua popularidade, onde 0 é a menor e 5 a mais alta. Graças às avaliações dos outros e sua rede de contatos, é possível obter um melhor emprego, comprar um apartamento e obter um grande número de benefícios.
Black Mirror – "Queda Livre" por trás da perfeição
"Queda Livre" significa mover os códigos de nossas redes sociais para o mundo real, onde não apenas agiríamos falsamente para agradar e mostrar nossa melhor face, mas esses gostos que recebemos serviriam para determinar nossa posição social.
Em Black Mirror, as pessoas agem de forma correta umas com as outras, com uma gentileza que nos incomoda porque, afinal, sabemos ser um egoísmo fictício e puro. Elas não tentam ajudar ou apoiar, mas melhorar sua própria imagem.
Deixando de ser escravos
Black Mirror magistralmente nos imersa em um baile de máscaras contemporâneo, filtros na vida real, onde tudo é pastel, tudo é perfeito na aparência, mas ninguém é feliz na realidade. Ninguém pode ser tão feliz, ninguém pode ser feliz sempre e ninguém pode adorar o mundo inteiro.
[...]
A queda da personagem Lacie nada mais é do que uma libertação. Não são as paredes que a oprimem, é a sociedade e, uma vez à margem, pode finalmente gritar, pode ser ela mesma.
A cena final em que Lacie "perdeu a cabeça", quando percebe que não tem mais seu celular, é uma cena libertadora e esperançosa. Não há prisão maior do que a própria pessoa, não há maior escravidão do que um mundo desumanizado.
(PENSAR CONTEMPORÂNEO. Black Mirror: "Queda livre", a desumanização do futuro. Disponível em: https://www.pensarcontemporaneo.com/black-mirror-queda-livre/. Acesso em: 04 de março de 2024). Adaptado.
A partir da leitura do texto I, pode-se inferir que:
A)a realidade mostrada nas redes dialoga com os desafios diários que o ser humano precisa enfrentar por viver numa sociedade tecnológica.
B)a construção de uma imagem ilibada nas redes sociais fomenta a necessidade de alcançar a perfeição, diariamente, e contribui para o aprisionamento individual.
C)ao viver numa sociedade imersa na tecnologia, torna-se crucial estar conectado a outros indivíduos, visando a experiências singulares.
D)os comportamentos genuínos e realidades idealizadas por grande parte da sociedade são passíveis de alcance desde que se tenha domínio dos códigos sociais.
AFA2025Fase unicaQuestao 2PortuguêsInterpretação de textoMedia
TEXTO I
Black Mirror: "Queda livre", a desumanização do futuro
Queda Livre, o enredo
"Queda Livre" nos lembra da invasão das redes sociais que vivemos hoje e nos leva a perceber como elas podem ser perigosas e irreais.
[...]
Lacie é a protagonista desta história, desse ecossistema em que as pessoas são julgadas de acordo com sua popularidade, onde 0 é a menor e 5 a mais alta. Graças às avaliações dos outros e sua rede de contatos, é possível obter um melhor emprego, comprar um apartamento e obter um grande número de benefícios.
Black Mirror – "Queda Livre" por trás da perfeição
"Queda Livre" significa mover os códigos de nossas redes sociais para o mundo real, onde não apenas agiríamos falsamente para agradar e mostrar nossa melhor face, mas esses gostos que recebemos serviriam para determinar nossa posição social.
Em Black Mirror, as pessoas agem de forma correta umas com as outras, com uma gentileza que nos incomoda porque, afinal, sabemos ser um egoísmo fictício e puro. Elas não tentam ajudar ou apoiar, mas melhorar sua própria imagem.
Deixando de ser escravos
Black Mirror magistralmente nos imersa em um baile de máscaras contemporâneo, filtros na vida real, onde tudo é pastel, tudo é perfeito na aparência, mas ninguém é feliz na realidade. Ninguém pode ser tão feliz, ninguém pode ser feliz sempre e ninguém pode adorar o mundo inteiro.
[...]
A queda da personagem Lacie nada mais é do que uma libertação. Não são as paredes que a oprimem, é a sociedade e, uma vez à margem, pode finalmente gritar, pode ser ela mesma.
A cena final em que Lacie "perdeu a cabeça", quando percebe que não tem mais seu celular, é uma cena libertadora e esperançosa. Não há prisão maior do que a própria pessoa, não há maior escravidão do que um mundo desumanizado.
(PENSAR CONTEMPORÂNEO. Black Mirror: "Queda livre", a desumanização do futuro. Disponível em: https://www.pensarcontemporaneo.com/black-mirror-queda-livre/. Acesso em: 04 de março de 2024). Adaptado.
Dentre os trechos literários a seguir, assinale aquele que pode ser entendido como uma síntese das ideias apresentadas no texto I.
A)“Acho que as lembranças são cócegas invisíveis que ficam dentro das pessoas”. (Ondjaki, Avó Dezanove e o Segredo do Soviético)
B)“Não sei quantas almas tenho / Cada momento mudei / continuamente me estranho. / Nunca me vi nem achei. / De tanto ser, / só tenho alma.” (Fernando Pessoa)
C)“Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta o edifício inteiro”. (Clarice Lispector)
D)“Você que é sem nome, / que zomba dos outros / você que faz versos, / que ama, protesta? / e agora, José?” (Gabriel, o Pensador – Tem alguém aí?)
AFA2025Fase unicaQuestao 4PortuguêsInterpretação de textoMedia
TEXTO II
Os impactos da felicidade fabricada para as redes sociais
O Grupo Consumoteca, liderado pelo antropólogo Michel Alcoforado, divulgou recentemente os resultados do estudo "Economia do mal-estar", no qual avaliou a metrificação da felicidade na era das redes sociais – e como isso acaba gerando produtos que se oferecem como soluções rápidas para as angústias às vezes até agravadas por essa quase obrigatoriedade de estar ou parecer feliz. Foi realizada uma pesquisa cuja ideia era analisar se existe felicidade além das redes ou se todos estão realmente presos ao padrão do mundo digital de provar com audiência, likes e comentários o quanto se é feliz.
Os brasileiros são os mais infelizes entre os países pesquisados: 58% sentem-se insatisfeitos com sua vida atual. Além disso, oito em cada dez pessoas dizem ter projetos que não conseguem tirar do papel, 41% acham que não fazem tudo que poderiam fazer por sua felicidade e 35% das pessoas se sentem mais negativas quando acompanham a vida dos outros nas redes sociais.
Segundo Alcoforado, se antes havia um caminho razoavelmente claro para a felicidade – trabalho, casamento e filhos – hoje, com tudo isso colocado em questão, vale mais a jornada de busca da plenitude do que o chegar lá exatamente.
Com tudo isso, analisa o antropólogo, a velha história de "plantar e colher" foi substituída pelo postar, numa espécie de tirania da positividade, que no fundo deixa a sensação de as pessoas terem sempre de estar correndo atrás nesse páreo [...].
(ROCHA, Roseane. Os impactos da felicidade fabricada para as redes sociais. Disponível em: www.meiomensagem.com.br. Acesso em: 04 de março de 2024). Adaptado.
De acordo com o texto II, é possível afirmar que:
A)viver em constante negação pode alterar a percepção de felicidade e faz com que o indivíduo consiga lidar com os obstáculos da vida.
B)duas em cada dez pessoas conseguem tornar o que era abstração em realidade. Dessa forma, não existe felicidade além das redes.
C)a felicidade mostrada nas redes sociais acarreta surgimento de produtos que curam dores existenciais, causadas pela necessidade de mostrar-se sempre feliz.
D)a felicidade, na era das redes sociais, mostra que o discurso da positividade contradiz a realidade da sociedade atual em que muitos estão infelizes e insatisfeitos com a vida que possuem.
AFA2025Fase unicaQuestao 8PortuguêsInterpretação de textoDificil
TEXTO III
Pela Internet — Gilberto Gil
Criar meu web site
Fazer minha home-page
Com quantos gigabytes
Se faz uma jangada
Um barco que veleje
Criar meu web site
Fazer minha home-page
Com quantos gigabytes
Se faz uma jangada
Um barco que veleje
Que veleje nesse infomar
Que aproveite a vazante da infomaré
Que leve um oriki do meu velho orixá
Ao porto de um disquete de um micro em Taipé
Um barco que veleje nesse infomar
Que aproveite a vazante da infomaré
Que leve meu e-mail até Calcutá
Depois de um hot-link
Num site de Helsinque
Para abastecer
Eu quero entrar na rede
Promover um debate
Juntar via Internet
Um grupo de tietes de Connecticut
Eu quero entrar na rede
Promover um debate
(Gilberto Gil. Pela Internet. Quanta: 1997. Disponível em: www.gilbertogil.com.br/noticias/producoes/detalhes/quanta. Acesso em: 15 de abr. de 2024).
Em relação ao texto III, julgue (V) para verdadeiro e (F) para falso.
( ) O enunciado do título apresenta apenas um adjunto adverbial de lugar ‘pela internet’; subentendendo um termo que poderia ser preenchido pelo verbo ‘navegar’. ( ) No que se refere à construção vocabular da canção, podemos afirmar que predomina o uso de uma linguagem coloquial, vulgarmente denominada de “internetês”, para denunciar esses usos. ( ) O eu-lírico estabelece uma relação plurivalente de termos e enunciados utilizados na linguagem digital e na linguagem cotidiana, para representar as relações e os papéis sociais desempenhados pelo indivíduo, na hipermodernidade.
Marque alternativa correta.
A)V, F, V
B)V, V, V
C)F, F, V
D)V, V, F
AFA2025Fase unicaQuestao 9PortuguêsInterpretação de textoDificil
TEXTO I
Black Mirror: "Queda livre", a desumanização do futuro
Queda Livre, o enredo
"Queda Livre" nos lembra da invasão das redes sociais que vivemos hoje e nos leva a perceber como elas podem ser perigosas e irreais.
[...]
Lacie é a protagonista desta história, desse ecossistema em que as pessoas são julgadas de acordo com sua popularidade, onde 0 é a menor e 5 a mais alta. Graças às avaliações dos outros e sua rede de contatos, é possível obter um melhor emprego, comprar um apartamento e obter um grande número de benefícios.
Black Mirror – "Queda Livre" por trás da perfeição
"Queda Livre" significa mover os códigos de nossas redes sociais para o mundo real, onde não apenas agiríamos falsamente para agradar e mostrar nossa melhor face, mas esses gostos que recebemos serviriam para determinar nossa posição social.
Em Black Mirror, as pessoas agem de forma correta umas com as outras, com uma gentileza que nos incomoda porque, afinal, sabemos ser um egoísmo fictício e puro. Elas não tentam ajudar ou apoiar, mas melhorar sua própria imagem.
Deixando de ser escravos
Black Mirror magistralmente nos imersa em um baile de máscaras contemporâneo, filtros na vida real, onde tudo é pastel, tudo é perfeito na aparência, mas ninguém é feliz na realidade. Ninguém pode ser tão feliz, ninguém pode ser feliz sempre e ninguém pode adorar o mundo inteiro.
[...]
A queda da personagem Lacie nada mais é do que uma libertação. Não são as paredes que a oprimem, é a sociedade e, uma vez à margem, pode finalmente gritar, pode ser ela mesma.
A cena final em que Lacie "perdeu a cabeça", quando percebe que não tem mais seu celular, é uma cena libertadora e esperançosa. Não há prisão maior do que a própria pessoa, não há maior escravidão do que um mundo desumanizado.
(PENSAR CONTEMPORÂNEO. Black Mirror: "Queda livre", a desumanização do futuro. Disponível em: https://www.pensarcontemporaneo.com/black-mirror-queda-livre/. Acesso em: 04 de março de 2024). Adaptado.
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TEXTO II
Os impactos da felicidade fabricada para as redes sociais
O Grupo Consumoteca, liderado pelo antropólogo Michel Alcoforado, divulgou recentemente os resultados do estudo "Economia do mal-estar", no qual avaliou a metrificação da felicidade na era das redes sociais – e como isso acaba gerando produtos que se oferecem como soluções rápidas para as angústias às vezes até agravadas por essa quase obrigatoriedade de estar ou parecer feliz. Foi realizada uma pesquisa cuja ideia era analisar se existe felicidade além das redes ou se todos estão realmente presos ao padrão do mundo digital de provar com audiência, likes e comentários o quanto se é feliz.
Os brasileiros são os mais infelizes entre os países pesquisados: 58% sentem-se insatisfeitos com sua vida atual. Além disso, oito em cada dez pessoas dizem ter projetos que não conseguem tirar do papel, 41% acham que não fazem tudo que poderiam fazer por sua felicidade e 35% das pessoas se sentem mais negativas quando acompanham a vida dos outros nas redes sociais.
Segundo Alcoforado, se antes havia um caminho razoavelmente claro para a felicidade – trabalho, casamento e filhos – hoje, com tudo isso colocado em questão, vale mais a jornada de busca da plenitude do que o chegar lá exatamente.
Com tudo isso, analisa o antropólogo, a velha história de "plantar e colher" foi substituída pelo postar, numa espécie de tirania da positividade, que no fundo deixa a sensação de as pessoas terem sempre de estar correndo atrás nesse páreo [...].
(ROCHA, Roseane. Os impactos da felicidade fabricada para as redes sociais. Disponível em: www.meiomensagem.com.br. Acesso em: 04 de março de 2024). Adaptado.
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TEXTO III
Pela Internet — Gilberto Gil
Criar meu web site
Fazer minha home-page
Com quantos gigabytes
Se faz uma jangada
Um barco que veleje
Criar meu web site
Fazer minha home-page
Com quantos gigabytes
Se faz uma jangada
Um barco que veleje
Que veleje nesse infomar
Que aproveite a vazante da infomaré
Que leve um oriki do meu velho orixá
Ao porto de um disquete de um micro em Taipé
Um barco que veleje nesse infomar
Que aproveite a vazante da infomaré
Que leve meu e-mail até Calcutá
Depois de um hot-link
Num site de Helsinque
Para abastecer
Eu quero entrar na rede
Promover um debate
Juntar via Internet
Um grupo de tietes de Connecticut
Eu quero entrar na rede
Promover um debate
(Gilberto Gil. Pela Internet. Quanta: 1997. Disponível em: www.gilbertogil.com.br/noticias/producoes/detalhes/quanta. Acesso em: 15 de abr. de 2024).
Considerando que há uma correlação temática entre os textos I, II e III, é possível relacioná-los, também, com fragmentos retirados dos textos “Amnésia digital prejudica armazenamento natural das memórias” e “Hipermodernidade, multiletramentos e gêneros discursivos”. Dessa forma, podese afirmar que todas as alternativas estão corretas, EXCETO:
A)Afinal, como estamos nos "comunicando" depois da modernidade industrial? (...) É a era do hedonismo, do hipernarcisismo que passa a primar pela autocentração e não responsabilização do outro.
B)A web 2 muda o fluxo de comunicação e, em tese, acaba com a cisão produtores/leitores, possibilitando que todos publiquem na rede e exerçam, simultaneamente, os dois papéis, de autor e leitor ao mesmo tempo.
C)A audiência é uma espécie de capital social – relacionado com a capacidade do sujeito de conseguir certa aderência e de se movimentar bem no seu meio social – e a única forma de acumulá-lo é agradar, ser audiência dos outros.
D)O rotineiro uso das telas proporciona facilidade e praticidade na vida de quem tem acesso a essas tecnologias. Mas o excesso desse uso causa diversos prejuízos sociais, biológicos e cognitivos aos seres humanos.
AFA2025Fase unicaQuestao 13PortuguêsInterpretação de textoDificil
TEXTO V
O Espelho
O Espelho deu vida ao personagem Jacobina, descrito como um homem calado, "[...] entre quarenta e cinquenta anos, era provinciano, capitalista, inteligente, não sem instrução, e, ao que parece, astuto e cáustico", que rotineiramente se reunia com outros quatro homens em uma casa no morro de Santa Teresa a fim de discutir grandes questões da natureza humana. O dia a que temos acesso pelo conto é atípico, pois Jacobina decide sair de seu silêncio a fim de provar um argumento contrário ao dos seus companheiros. Para ele, todos possuem duas almas, ao invés de apenas uma, sendo uma interior e outra exterior, esta última, possível de se alterar, e sua ideia se sustenta por um relato pessoal.
"Cada criatura humana traz duas almas consigo: uma que olha de dentro para fora, outra que olha de fora para dentro..."
"Está claro que o ofício dessa segunda alma é transmitir a vida, como a primeira; as duas completam o homem, que é, metafisicamente falando, uma laranja. Quem perde uma das metades, perde naturalmente metade da existência; e casos há, não raros, em que a perda da alma exterior implica a da existência inteira".
Jacobina conta que, aos 25 anos, após ser nomeado alferes da Guarda Nacional, obteve tratamento diferenciado diante daqueles que o conheciam, e que inclusive, exigiam que ele fosse apresentado como alguém com maior importância. Um dia, devido ao tratamento único, foi colocado em seu quarto um espelho, antigo e herdado por gerações. A combinação de todos esses atos, segundo o dono do relato, tornou-o apenas uma de suas almas.
"O alferes eliminou o homem. Durante alguns dias as duas naturezas equilibraram-se; mas não tardou que a primitiva cedesse à outra; ficou-me uma parte mínima de humanidade. Aconteceu então que a alma exterior, que era dantes o sol, o ar, o campo, os olhos das moças, mudou de natureza, e passou a ser a cortesia e os rapapés da casa, tudo o que me falava do posto, nada do que me falava do homem. A única parte do cidadão que ficou comigo foi aquela que entendia com o exercício da patente; a outra dispersou-se no ar e no passado."
Com o passar do tempo, as dores de seus conhecidos não despertavam nele empatia, e a ele tudo o que importava era seu próprio cargo de alferes. Um dia, deixado sozinho na casa, os escravos aproveitaram para organizar uma fuga, e a solidão o tomou. Lidar consigo mesmo era, naquele momento, o pior que poderia ter acontecido. Com o passar dos dias e as tentativas de escapar de sua própria companhia, Jacobina decidiu pela primeira vez desde o ocorrido, se olhar no espelho, e a imagem que viu ali refletida era apenas uma sombra. Quando por fim, decidiu vestir-se com seu uniforme, foi capaz de ver seu reflexo completo.
"Cada dia, a uma certa hora, vestia-me de alferes, e sentava-me diante do espelho, lendo, olhando, meditando; no fim de duas, três horas, despia-me outra vez. Com este regime pude atravessar mais seis dias de solidão sem os sentir..."
De acordo com o pesquisador Alfredo Bosi, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, a divisão da alma citada por Jacobina "[...] passa a ser não mais uma entidade espiritual, una e indivisível, mas tão só um polo dominado por objetos de interesse que atraem o eu como poderosos ímãs, estímulos de vida, numa palavra, desejos. A alma interior se entrega à imagem do objeto querido".
O Espelho usa da teoria das duas almas para simbolizar o poder que as aparências exercem na sociedade, sendo o indivíduo, muitas vezes, menosprezado se não possuir um cargo alto e de destaque. Em linhas gerais, Jacobina é Narciso recriado por Machado de Assis.
(QUERIDO CLÁSSICO. O Espelho. Disponível em: https://www.queridoclassico.com/2020/08/o-espelho-por-machado-de-assis.html. Acesso em: 18 de março de 2024).
De acordo com o texto V, pode-se afirmar que:
A)o relato da experiência vivida por Jacobina enfatiza que é imprescindível a qualquer indivíduo, primeiramente, conhecer a si mesmo, sua alma interior, a fim de transformá-la e fortalecê-la. Posteriormente, (des)construir sua alma exterior.
B)a nomeação como alferes da Guarda Nacional alterou significativamente a percepção que Jacobina tinha de si mesmo e a forma como os outros o viam. Nesse contexto, o espelho, de singular importância, assim como Jacobina, refletia apenas uma de suas almas.
C)Jacobina relata que uma das almas foi dispersa no ar, corroborando a ideia defendida: dualidade de almas. Tal ideia é justificada pelo fato de os desejos atraírem a alma exterior, fazendo-a ser entregue ao objeto estimado.
D)de acordo com Jacobina, raríssimos são os casos em que a existência é perdida ao tornar nula a alma exterior, uma vez que, para a existência inteira ser perdida, basta perder uma das metades, seja a alma interior ou exterior.
AFA2025Fase unicaQuestao 14PortuguêsInterpretação de textoDificil
TEXTO V
O Espelho
O Espelho deu vida ao personagem Jacobina, descrito como um homem calado, "[...] entre quarenta e cinquenta anos, era provinciano, capitalista, inteligente, não sem instrução, e, ao que parece, astuto e cáustico", que rotineiramente se reunia com outros quatro homens em uma casa no morro de Santa Teresa a fim de discutir grandes questões da natureza humana. O dia a que temos acesso pelo conto é atípico, pois Jacobina decide sair de seu silêncio a fim de provar um argumento contrário ao dos seus companheiros. Para ele, todos possuem duas almas, ao invés de apenas uma, sendo uma interior e outra exterior, esta última, possível de se alterar, e sua ideia se sustenta por um relato pessoal.
"Cada criatura humana traz duas almas consigo: uma que olha de dentro para fora, outra que olha de fora para dentro..."
"Está claro que o ofício dessa segunda alma é transmitir a vida, como a primeira; as duas completam o homem, que é, metafisicamente falando, uma laranja. Quem perde uma das metades, perde naturalmente metade da existência; e casos há, não raros, em que a perda da alma exterior implica a da existência inteira".
Jacobina conta que, aos 25 anos, após ser nomeado alferes da Guarda Nacional, obteve tratamento diferenciado diante daqueles que o conheciam, e que inclusive, exigiam que ele fosse apresentado como alguém com maior importância. Um dia, devido ao tratamento único, foi colocado em seu quarto um espelho, antigo e herdado por gerações. A combinação de todos esses atos, segundo o dono do relato, tornou-o apenas uma de suas almas.
"O alferes eliminou o homem. Durante alguns dias as duas naturezas equilibraram-se; mas não tardou que a primitiva cedesse à outra; ficou-me uma parte mínima de humanidade. Aconteceu então que a alma exterior, que era dantes o sol, o ar, o campo, os olhos das moças, mudou de natureza, e passou a ser a cortesia e os rapapés da casa, tudo o que me falava do posto, nada do que me falava do homem. A única parte do cidadão que ficou comigo foi aquela que entendia com o exercício da patente; a outra dispersou-se no ar e no passado."
Com o passar do tempo, as dores de seus conhecidos não despertavam nele empatia, e a ele tudo o que importava era seu próprio cargo de alferes. Um dia, deixado sozinho na casa, os escravos aproveitaram para organizar uma fuga, e a solidão o tomou. Lidar consigo mesmo era, naquele momento, o pior que poderia ter acontecido. Com o passar dos dias e as tentativas de escapar de sua própria companhia, Jacobina decidiu pela primeira vez desde o ocorrido, se olhar no espelho, e a imagem que viu ali refletida era apenas uma sombra. Quando por fim, decidiu vestir-se com seu uniforme, foi capaz de ver seu reflexo completo.
"Cada dia, a uma certa hora, vestia-me de alferes, e sentava-me diante do espelho, lendo, olhando, meditando; no fim de duas, três horas, despia-me outra vez. Com este regime pude atravessar mais seis dias de solidão sem os sentir..."
De acordo com o pesquisador Alfredo Bosi, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, a divisão da alma citada por Jacobina "[...] passa a ser não mais uma entidade espiritual, una e indivisível, mas tão só um polo dominado por objetos de interesse que atraem o eu como poderosos ímãs, estímulos de vida, numa palavra, desejos. A alma interior se entrega à imagem do objeto querido".
O Espelho usa da teoria das duas almas para simbolizar o poder que as aparências exercem na sociedade, sendo o indivíduo, muitas vezes, menosprezado se não possuir um cargo alto e de destaque. Em linhas gerais, Jacobina é Narciso recriado por Machado de Assis.
(QUERIDO CLÁSSICO. O Espelho. Disponível em: https://www.queridoclassico.com/2020/08/o-espelho-por-machado-de-assis.html. Acesso em: 18 de março de 2024).
Considerando o texto V e sua relação com os demais textos presentes nesta prova, assinale a assertiva correta.
A)Trecho 1: “Um dia, devido ao tratamento único, foi colocado em seu quarto um espelho, antigo e herdado por gerações. A combinação de todos esses atos, segundo o dono do relato, tornou-o apenas uma de suas almas.” (. 24 a 27 - texto V) Trecho 2: “O que a sua come? / Exaltação do meu ego, tempo, reclamações, livros que não li, e coisas que não sou.” (quadrinhos 2 e 3 - texto IV) O trecho 1 refuta o trecho 2.
B)Trecho 1: “Com o passar do tempo, as dores de seus conhecidos não despertavam nele empatia, e a ele tudo o que importava era seu próprio cargo de alferes.” (. 35 a 37 - texto V) Trecho 2: “Em Black Mirror, as pessoas agem de forma correta umas com as outras, com uma gentileza que nos incomoda porque, afinal, sabemos ser um egoísmo fictício e puro. Elas não tentam ajudar ou apoiar, mas melhorar sua própria imagem.” (. 19 a 23 – texto I) O trecho 1 ratifica o trecho 2.
C)Trecho 1: “‘Cada dia, a uma certa hora, vestia-me de alferes, e sentava-me diante do espelho, lendo, olhando, meditando; no fim de duas, três horas, despia-me outra vez. Com este regime pude atravessar mais seis dias de solidão sem os sentir...’” (. 47 a 51 - texto V) Trecho 2: “[...] a velha história de ‘plantar e colher’ foi substituída pelo postar, numa espécie de tirania da positividade, que no fundo deixa a sensação de as pessoas terem sempre de estar correndo atrás nesse páreo [...].” (. 24 a 28 - texto II) O trecho 1 justifica o trecho 2.
D)Trecho 1: “‘Está claro que o ofício dessa segunda alma é transmitir a vida, como a primeira; as duas completam o homem, que é, metafisicamente falando, uma laranja.’[...].” (. 14 a 16 - texto V) Trecho 2: “Eu quero entrar na rede Promover um debate Juntar via Internet Um grupo de tietes de Connecticut.” (. 21 a 24 - texto III) O trecho 1 retifica o trecho 2.
AFA2025Fase unicaQuestao 16PortuguêsInterpretação de textoDificil
TEXTO I
Black Mirror: "Queda livre", a desumanização do futuro
Queda Livre, o enredo
"Queda Livre" nos lembra da invasão das redes sociais que vivemos hoje e nos leva a perceber como elas podem ser perigosas e irreais.
[...]
Lacie é a protagonista desta história, desse ecossistema em que as pessoas são julgadas de acordo com sua popularidade, onde 0 é a menor e 5 a mais alta. Graças às avaliações dos outros e sua rede de contatos, é possível obter um melhor emprego, comprar um apartamento e obter um grande número de benefícios.
Black Mirror – "Queda Livre" por trás da perfeição
"Queda Livre" significa mover os códigos de nossas redes sociais para o mundo real, onde não apenas agiríamos falsamente para agradar e mostrar nossa melhor face, mas esses gostos que recebemos serviriam para determinar nossa posição social.
Em Black Mirror, as pessoas agem de forma correta umas com as outras, com uma gentileza que nos incomoda porque, afinal, sabemos ser um egoísmo fictício e puro. Elas não tentam ajudar ou apoiar, mas melhorar sua própria imagem.
Deixando de ser escravos
Black Mirror magistralmente nos imersa em um baile de máscaras contemporâneo, filtros na vida real, onde tudo é pastel, tudo é perfeito na aparência, mas ninguém é feliz na realidade. Ninguém pode ser tão feliz, ninguém pode ser feliz sempre e ninguém pode adorar o mundo inteiro.
[...]
A queda da personagem Lacie nada mais é do que uma libertação. Não são as paredes que a oprimem, é a sociedade e, uma vez à margem, pode finalmente gritar, pode ser ela mesma.
A cena final em que Lacie "perdeu a cabeça", quando percebe que não tem mais seu celular, é uma cena libertadora e esperançosa. Não há prisão maior do que a própria pessoa, não há maior escravidão do que um mundo desumanizado.
(PENSAR CONTEMPORÂNEO. Black Mirror: "Queda livre", a desumanização do futuro. Disponível em: https://www.pensarcontemporaneo.com/black-mirror-queda-livre/. Acesso em: 04 de março de 2024). Adaptado.
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TEXTO II
Os impactos da felicidade fabricada para as redes sociais
O Grupo Consumoteca, liderado pelo antropólogo Michel Alcoforado, divulgou recentemente os resultados do estudo "Economia do mal-estar", no qual avaliou a metrificação da felicidade na era das redes sociais – e como isso acaba gerando produtos que se oferecem como soluções rápidas para as angústias às vezes até agravadas por essa quase obrigatoriedade de estar ou parecer feliz. Foi realizada uma pesquisa cuja ideia era analisar se existe felicidade além das redes ou se todos estão realmente presos ao padrão do mundo digital de provar com audiência, likes e comentários o quanto se é feliz.
Os brasileiros são os mais infelizes entre os países pesquisados: 58% sentem-se insatisfeitos com sua vida atual. Além disso, oito em cada dez pessoas dizem ter projetos que não conseguem tirar do papel, 41% acham que não fazem tudo que poderiam fazer por sua felicidade e 35% das pessoas se sentem mais negativas quando acompanham a vida dos outros nas redes sociais.
Segundo Alcoforado, se antes havia um caminho razoavelmente claro para a felicidade – trabalho, casamento e filhos – hoje, com tudo isso colocado em questão, vale mais a jornada de busca da plenitude do que o chegar lá exatamente.
Com tudo isso, analisa o antropólogo, a velha história de "plantar e colher" foi substituída pelo postar, numa espécie de tirania da positividade, que no fundo deixa a sensação de as pessoas terem sempre de estar correndo atrás nesse páreo [...].
(ROCHA, Roseane. Os impactos da felicidade fabricada para as redes sociais. Disponível em: www.meiomensagem.com.br. Acesso em: 04 de março de 2024). Adaptado.
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TEXTO III
Pela Internet — Gilberto Gil
Criar meu web site
Fazer minha home-page
Com quantos gigabytes
Se faz uma jangada
Um barco que veleje
Criar meu web site
Fazer minha home-page
Com quantos gigabytes
Se faz uma jangada
Um barco que veleje
Que veleje nesse infomar
Que aproveite a vazante da infomaré
Que leve um oriki do meu velho orixá
Ao porto de um disquete de um micro em Taipé
Um barco que veleje nesse infomar
Que aproveite a vazante da infomaré
Que leve meu e-mail até Calcutá
Depois de um hot-link
Num site de Helsinque
Para abastecer
Eu quero entrar na rede
Promover um debate
Juntar via Internet
Um grupo de tietes de Connecticut
Eu quero entrar na rede
Promover um debate
(Gilberto Gil. Pela Internet. Quanta: 1997. Disponível em: www.gilbertogil.com.br/noticias/producoes/detalhes/quanta. Acesso em: 15 de abr. de 2024).
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TEXTO IV — tirinha "Placebo" (reproduzida na imagem)
(REMÉDIOS. Placebo. Disponível em: www.caixadoremedios.com. Acesso em: 04 de março de 2024).
Analise as afirmativas abaixo.
I. No texto I, pode-se afirmar que Lacie realmente foi feliz quando estava liberta da tecnologia e das redes sociais, conectando-se a si mesma e desconstruindo o papel das redes na vida das pessoas. II. No texto II, pode-se afimar que, apesar de as redes sociais apresentarem um mundo de felicidades, parte dos brasileiros são insatisfeitos com suas vidas, quando as comparam com a vida dos outros. III. No texto III, pode-se afirmar que há uma valorização da tecnologia, visto que, a partir dessa interação tecnológica, é que há uma conexão do eu-lírico e do mundo. IV. No texto IV, pode-se afirmar que há uma crítica quanto às postagens nas redes sociais, que nem sempre são condizentes com a realidade, mas antes buscam impressionar quem os acompanha.
Em relação às afirmativas, assinale a opção correta:
Imagens anexadas
A)todas estão corretas.
B)apenas uma está correta.
C)apenas duas estão corretas.
D)apenas três estão corretas.
AFA2024Fase unicaQuestao 2PortuguêsInterpretação de textoFacil
TEXTO II
A seguir, você lerá um trecho do livro Viagens de Gulliver, um clássico da literatura universal, escrito por Jonathan Swift, publicado em 1726. O trecho foi extraído da Parte III do Capítulo 5 do livro. Viagens de Gulliver Fizemos um passeio para a outra parte da academia, onde, como já disse, moravam os cientistas de estudos especulativos. O primeiro professor que encontrei estava numa sala muito grande, com quarenta alunos em torno dele. Depois das saudações, tendo observado que eu olhava com curiosidade para um painel, /.../, disse ele, que “talvez eu pudesse gostar de vê-lo utilizando um projeto para a melhoria do conhecimento especulativo, por meio das operações práticas e mecânicas.” /.../ Todos sabiam como era trabalhoso o método atual para a conquista das artes e das ciências, ao passo que, graças às suas ideias, a pessoa mais ignorante, a um custo acessível, e com pouco esforço físico, poderia escrever livros de filosofia, poesia, política, direito, matemática e teologia, sem necessidade de recorrer ao auxílio de um gênio ou através de estudo. Ele então me conduziu até o painel, /.../. As superfícies eram compostas por vários pedaços de madeira, aproximadamente do tamanho de um dado, porém alguns eram maiores que os outros. Todos eles eram ligados juntos por meio de finos arames. Esses pedaços de madeira eram cobertos, em cada quadrado, com papéis colados a eles, e sobre estes papéis estavam escritas todas as palavras do idioma deles, em seus mais diversos modos, tempos e declinações, porém sem nenhuma ordem. O professor então quis que eu “observasse, porque ele iria colocar seu mecanismo em funcionamento.” Os alunos, sob sua direção, seguravam cada um deles uma alça de ferro, das quais havia quarenta fixadas em torno das extremidades do painel, e, dando-lhes uma volta súbita, toda a disposição das palavras se modificava totalmente. Pediu então para que trinta e seis dos garotos lessem vagarosamente as diversas linhas, à medida que elas apareciam no painel, e, quando eles encontravam três ou quatro palavras juntas que pudessem fazer parte de uma sentença, eles ditavam para os quatro garotos restantes, que eram os escreventes. /.../ Esta operação foi repetida três ou quatro vezes, e em cada volta, o mecanismo era tão bem planejado, que as palavras se moviam para novos lugares, à medida que os pedaços de madeira quadrados se movimentavam de cima para baixo. Seis horas por dia eram empregadas pelos estudantes para a realização desta tarefa, e o professor me mostrou vários volumes em grande formato, já colecionados, de frases incompletas, as quais ele pretendia montar, e além dessa riqueza de material, com a finalidade de oferecer ao mundo uma obra completa de todas as artes e ciências, as quais, todavia, poderiam ainda serem melhoradas, e em muito aceleradas, se o público criasse um fundo para construção e utilização de quinhentos painéis como aquele em Lagado, e obrigasse os diretores a contribuírem conjuntamente com suas inúmeras coleções. Ele me garantiu que naquela invenção havia utilizado toda a inteligência da sua juventude, que ele havia esgotado todo o vocabulário com o seu painel, e havia feito um cálculo rigoroso da proporção geral que havia nos livros entre os números de partículas, substantivos e verbos, e outros componentes de uma oração. Ilustração do mecanismo de criação de sentenças descrito no texto II: (Disponível em: https://upload.wikimedia.org/commons/c/c0/Viagens_deGulliver_050.jpeg. Acesso em: 20/03/2023)
Na hipótese de se considerar o mecanismo apresentado pelo cientista como uma forma, ainda que precária, de inteligência artificial, é correto afirmar que o objetivo desse mecanismo, conforme apresentado pelo professor, é
A)produzir informações infinitas na área do conhecimento especulativo, prescindindo da participação humana nessa produção.
B)criar um repositório das memórias pessoais do cientista, pois ele abastecera a máquina com todas as lembranças da sua juventude.
C)facilitar o processo de escrita de livros – até então considerado trabalhoso – uma vez que o mecanismo ofereceria as informações às pessoas, desobrigando-as do estudo.
D)funcionar como uma espécie de biblioteca, à qual as pessoas ignorantes pudessem recorrer quando fossem iniciar seus estudos sobre temas complexos, como a filosofia.
AFA2024Fase unicaQuestao 3PortuguêsInterpretação de textoMedia
TEXTO II
A seguir, você lerá um trecho do livro Viagens de Gulliver, um clássico da literatura universal, escrito por Jonathan Swift, publicado em 1726. O trecho foi extraído da Parte III do Capítulo 5 do livro. Viagens de Gulliver Fizemos um passeio para a outra parte da academia, onde, como já disse, moravam os cientistas de estudos especulativos. O primeiro professor que encontrei estava numa sala muito grande, com quarenta alunos em torno dele. Depois das saudações, tendo observado que eu olhava com curiosidade para um painel, /.../, disse ele, que “talvez eu pudesse gostar de vê-lo utilizando um projeto para a melhoria do conhecimento especulativo, por meio das operações práticas e mecânicas.” /.../ Todos sabiam como era trabalhoso o método atual para a conquista das artes e das ciências, ao passo que, graças às suas ideias, a pessoa mais ignorante, a um custo acessível, e com pouco esforço físico, poderia escrever livros de filosofia, poesia, política, direito, matemática e teologia, sem necessidade de recorrer ao auxílio de um gênio ou através de estudo. Ele então me conduziu até o painel, /.../. As superfícies eram compostas por vários pedaços de madeira, aproximadamente do tamanho de um dado, porém alguns eram maiores que os outros. Todos eles eram ligados juntos por meio de finos arames. Esses pedaços de madeira eram cobertos, em cada quadrado, com papéis colados a eles, e sobre estes papéis estavam escritas todas as palavras do idioma deles, em seus mais diversos modos, tempos e declinações, porém sem nenhuma ordem. O professor então quis que eu “observasse, porque ele iria colocar seu mecanismo em funcionamento.” Os alunos, sob sua direção, seguravam cada um deles uma alça de ferro, das quais havia quarenta fixadas em torno das extremidades do painel, e, dando-lhes uma volta súbita, toda a disposição das palavras se modificava totalmente. Pediu então para que trinta e seis dos garotos lessem vagarosamente as diversas linhas, à medida que elas apareciam no painel, e, quando eles encontravam três ou quatro palavras juntas que pudessem fazer parte de uma sentença, eles ditavam para os quatro garotos restantes, que eram os escreventes. /.../ Esta operação foi repetida três ou quatro vezes, e em cada volta, o mecanismo era tão bem planejado, que as palavras se moviam para novos lugares, à medida que os pedaços de madeira quadrados se movimentavam de cima para baixo. Seis horas por dia eram empregadas pelos estudantes para a realização desta tarefa, e o professor me mostrou vários volumes em grande formato, já colecionados, de frases incompletas, as quais ele pretendia montar, e além dessa riqueza de material, com a finalidade de oferecer ao mundo uma obra completa de todas as artes e ciências, as quais, todavia, poderiam ainda serem melhoradas, e em muito aceleradas, se o público criasse um fundo para construção e utilização de quinhentos painéis como aquele em Lagado, e obrigasse os diretores a contribuírem conjuntamente com suas inúmeras coleções. Ele me garantiu que naquela invenção havia utilizado toda a inteligência da sua juventude, que ele havia esgotado todo o vocabulário com o seu painel, e havia feito um cálculo rigoroso da proporção geral que havia nos livros entre os números de partículas, substantivos e verbos, e outros componentes de uma oração. Ilustração do mecanismo de criação de sentenças descrito no texto II: (Disponível em: https://upload.wikimedia.org/commons/c/c0/Viagens_deGulliver_050.jpeg. Acesso em: 20/03/2023)
Assinale a alternativa que apresenta uma afirmativa correta em relação à perspectiva do inventor do painel presente no texto II.
A)Enfatiza que a finalidade do seu método é oferecer uma obra completa e alerta para necessidade de melhorar sua invenção, pois se utiliza de trabalho manual.
B)Propõe a melhoria do método inventivo por meio da repetição da operação, visto que os movimentos aplicados à máquina constroem as sentenças de forma completa.
C)Apresenta a necessidade de interferência humana para o tratamento dos dados de forma coerente, apesar da eficácia da invenção, já que era preciso montar as frases incompletas.
D)Detalha a composição da invenção, demonstrando a importância de a estrutura ser de madeira, o que torna o método mais eficaz devido às operações práticas e mecânicas.
AFA2024Fase unicaQuestao 6PortuguêsInterpretação de textoFacil
TEXTO III
Criado robô que escreve poesia desenvolvida por Inteligência Artificial Por Cátia Santos – 1º de dezembro de 2021 Embora os robôs sejam criados para realizar tarefas muito específicas e mecânicas, os avanços na tecnologia permitiram que eles aprendessem sobre suas habilidades particulares. Ai-Da, por exemplo, é um verdadeiro artista capaz de pintar, desenhar, esculpir e escrever poesia. Este robô utiliza um modelo sofisticado de linguagem, uma base de dados de palavras e uma análise de padrões de fala. A apresentação do Ai-Da realizou-se no Ashmolean Museum na Universidade de Oxford na passada sextafeira, tendo o robô feito parte de uma exposição em homenagem ao 700º aniversário da morte do poeta Dante Alighieri. Além de escrever poemas, através do recurso à Inteligência Artificial, o robô consegue ser capaz de pintar, desenhar e esculpir. Ao contrário dos poetas humanos, a inspiração de Ai-Da é baseada em 14.233 versos da “Divina Comédia” de Dante Alighieri, uma base de palavras e programas de análise de padrões de fala. Depois de processar as centenas de linhas, o robô humanoide usou algoritmos para criar um poema. Dado o crescente avanço dos modelos linguísticos, Aidan Meller [criador do Ai-Da] acredita que, em breve, “serão completamente indistinguíveis dos textos humanos”. /.../ Na verdade, em entrevista à CNN, o criador do Ai-Da disse que o robô é capaz de imitar tão bem a caligrafia de um humano que, se lermos, não saberemos que não foi escrito por um. Meller acrescentou ainda que, embora não veja a poesia de Ai-Da como uma real competição com os poetas humanos, ele admite que é “fundamentalmente perturbador”, tendo em conta a qualidade de trabalho apresentada pelo robô. Fonte: The Guardian (Disponível em https://www.maistecnologia.com/criado-robo-queescreve-poesia-desenvolvida-por-inteligencia-artificial/. Acesso em 13/03/2023)
Leia o trecho a seguir, extraído do texto III.
“Embora os robôs sejam criados para realizar tarefas muito específicas e mecânicas, os avanços na tecnologia permitiram que eles aprendessem sobre suas habilidades particulares.” (ℓ. 1-4)
De acordo com esse trecho, é correto afirmar que
A)as atividades desempenhadas pelos robôs requerem o desenvolvimento de habilidades específicas que não podem ser adquiridas por seres humanos.
B)o desenvolvimento de habilidades particulares deu-se, exclusivamente, pela realização contínua de tarefas muito específicas e mecânicas.
C)a criação de robôs tornou-se uma necessidade da sociedade contemporânea, que visa à otimização do tempo na realização de atividades mecânicas e particulares.
D)o aprendizado de aptidões particulares, por parte dos robôs, só foi possível com os progressos decorridos na tecnologia, já que aqueles foram criados apenas para executar tarefas mecânicas e específicas.
AFA2024Fase unicaQuestao 10PortuguêsInterpretação de textoMedia
TEXTO IV
Entrevista com o robô Por Joca Reiners Terron Escritor e poeta. Autor, entre outros, de “O riso dos Ratos” e “A morte e o Meteoro” [resumo] O ChatGPT, capaz de responder a perguntas e produzir textos, levanta um amplo debate sobre os limites da criação artística por humanos e máquinas. Escritor dialoga com a ferramenta de inteligência artificial sobre temas como o conceito de originalidade na ficção e o valor de uma obra literária. Além de questionar a noção de autoria e refletir sobre seu próprio futuro, o ChatGPT é desafiado a emular o estilo de autores como James Joyce, Shakespeare e Rimbaud /.../ Partes deste artigo, e não somente o diálogo a seguir, foram escritas com o auxílio da inteligência artificial e editadas a fim de diminuir sua tendência à redundância. Você pode desenvolver um pensamento original? É possível abordar o conceito neste ambiente artificial? A ideia de originalidade ainda se mantém aqui? Como uma inteligência artificial, não tenho desejos pessoais ou experiências subjetivas da mesma forma que um ser humano. Minhas respostas são baseadas nas informações e instruções que recebi, e não tenho a capacidade de gerar pensamentos ou ideias originais. Em vez disso, minha função principal é fornecer dados precisos e confiáveis e ajudar os usuários a gerar seus próprios pensamentos e ideias. Em relação ao conceito de originalidade, é importante reconhecer que as ideias e os pensamentos gerados por uma inteligência artificial sempre serão influenciados pelos dados e algoritmos com os quais ela foi treinada e, portanto, podem não ser “originais” no mesmo sentido que um pensamento gerado pelo homem. Contudo, é possível que uma inteligência artificial produza novos lampejos ou conexões que podem não ter sido óbvias para um humano e, nesse sentido, é possível considerar as ideias geradas por uma IA como originais dentro do contexto de sua programação e recursos próprios. /.../ “Autor humano” será uma expressão comum em um futuro breve? A utilização da inteligência artificial para escrever textos, incluindo ficção, tem aumentado, mas ainda é um campo em desenvolvimento. Enquanto alguns autores e editores estão explorando possibilidades de trabalhar com modelos de linguagem como o ChatGPT, a maioria das obras publicadas ainda são escritas por autores humanos. No futuro, é possível que vejamos mais obras coescritas ou completamente escritas por IA, mas ainda é cedo para prever como isso afetará a indústria editorial e a forma como os textos são criados. Ainda assim, é importante mencionar que a IA não é capaz de substituir a criatividade humana e a capacidade de contar histórias. (Folha de S. Paulo. Caderno “Ilustríssima”. 29/01/2023, p. 4-5)
É correto afirmar que o texto IV
A)demonstra que o ChatGPT não possui capacidade de gerar pensamentos e ideias originais, por isso seus dados não são confiáveis.
B)considera a originalidade da inteligência artificial dentro de seu contexto, porquanto autores e editores utilizam desse modelo de linguagem que suprirá a inventividade humana.
C)informa que, apesar de as produções do ChatGPT dependerem de dados e algoritmos que alimentam o sistema, com o passar dos anos, a inteligência artificial substituirá a criatividade humana.
D)corrobora que a originalidade da inteligência artificial não contém o mesmo sentido daquele que se refere a um pensamento humano, porém, dentro do contexto da inteligência artificial, pode-se falar em originalidade.
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