Questões de Compreensão e interpretação de texto no AFA
8 no total
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AFA2027Fase unicaQuestao 1PortuguêsCompreensão e interpretação de textoMedia
TEXTO I
O trecho a seguir é uma adaptação da introdução presente no livro Pálido Ponto Azul, de Carl Sagan.
**Pálido Ponto Azul — Os Errantes: uma introdução**
Fomos errantes desde o início. Conhecíamos a posição de todas as árvores num raio de duzentos quilômetros. Quando os frutos ou as castanhas amadureciam, lá estávamos nós. Seguíamos os rebanhos em suas migrações anuais. Deleitávamo-nos com a carne fresca. Por ações furtivas, estratagemas, emboscadas e ataques de força bruta, alguns de nós realizávamos em conjunto o que muitos de nós, sozinhos, não podíamos conseguir. Dependíamos uns dos outros. Viver por conta própria era uma ideia tão absurda quanto fixar residência.
Durante 99,99% do tempo, desde o aparecimento de nossa espécie, fomos caçadores e saqueadores, errantes nas savanas e nas estepes. Éramos limitados apenas pela Terra, pelo oceano e pelo céu – e mais alguns eventuais vizinhos rabugentos. Domesticamos as plantas e os animais. Apesar de todas as suas vantagens materiais, a vida sedentária nos deixou irritáveis, insatisfeitos. A minha suspeita é de que o apelo tem sido meticulosamente elaborado pela seleção natural, como um elemento essencial de nossa sobrevivência. Talvez você deva sua vida a uns poucos inquietos.
A primeira grande migração humana do Velho Mundo para o Novo Mundo aconteceu durante a última era glacial. Muito antes de Colombo, argonautas indonésios exploraram o Pacífico Ocidental; habitantes de Bornéu povoaram Madagascar; egípcios e líbios circunavegaram a África; e, partindo da China, uma grande frota da dinastia Ming ziguezagueou pelo Oceano Índico, estabeleceu uma base em Zanzibar, dobrou o Cabo da Boa Esperança e entrou no oceano Atlântico. Do século XV ao século XVII, as naus europeias descobriram novos continentes (novos para os europeus, pelo menos) e circunavegaram o planeta. Nos séculos XVIII e XIX, exploradores, mercadores e colonizadores norte-americanos e russos precipitaram-se para Oeste e para Leste atravessando dois imensos continentes até chegarem ao Pacífico. Esse gosto de investigar e explorar, por mais temerários que tenham sido seus agentes, tem um claro valor e sobrevivência. Ele não é restrito a uma única nação ou grupo étnico. É um dom natural comum a todos os membros da espécie humana.
Desde o nosso aparecimento, seguimos nosso caminho. Agora existem pessoas em todos os continentes até, ocasionalmente, residindo trezentos quilômetros acima da Terra. As grandes migrações de povos – algumas voluntárias, a maioria involuntária – têm moldado a condição humana.
[...]
Nossos antepassados distantes, observando as estrelas, notaram cinco que faziam mais que se levantar e pôr-se numa marcha impassível, como era o caso das assim chamadas estrelas “fixas”. Essas cinco tinham um movimento curioso e complexo. Ao longo dos meses, pareciam errar lentamente entre as estrelas. Às vezes, andavam em círculo. Hoje nós as chamamos de planetas, a palavra grega para errantes. Era, assim imagino, uma peculiaridade que nossos antepassados compreendiam.
Descobrimos maravilhas jamais sonhadas pelos nossos antepassados que especulavam pela primeira vez sobre a natureza dessas luzes errantes no céu noturno. Investigamos as origens de nosso planeta e de nós mesmos. Descobrindo outras possibilidades, confrontando-nos com os destinos alternativos de mundos mais ou menos parecidos com o nosso, temos começado a compreender melhor a Terra. Cada um desses mundos é encantador e instrutivo. Mas, que se saiba, são também desertos e áridos. No espaço, não existem “lugares melhores”. Até agora, pelo menos.
Ninguém na Terra, nem mesmo o mais rico dentre nós, tem recursos para empreender a viagem; assim, não podemos fazer as malas e partir rumo a Marte ou Titã ao sabor de um capricho, por estarmos entediados, desempregados, oprimidos, ou porque, justa ou injustamente, nos acusaram de um crime. Não parece haver lucro suficiente, a curto prazo, para motivar a indústria privada. Se nós, humanos, algum dia partirmos rumo a esses mundos, será porque uma nação ou um consórcio de nações acredita que o empreendimento lhe trará benefícios sendo pressionados por um grande número de questões que disputam o dinheiro necessário para enviar pessoas a outros mundos.
Este é o tema desse livro: outros mundos, o que nos espera neles, o que eles nos dizem sobre nós mesmos e – dados os problemas urgentes que nossa espécie enfrenta no momento – se faz sentido partir. Deveríamos resolver esses problemas primeiro? Ou serão eles uma razão a mais para partir?
[…]
Pálido ponto azul é sobre esse novo reconhecimento, que ainda nos invade lentamente, de nossas coordenadas, de nosso lugar no Universo – e de como um elemento central do futuro humano se encontra muito além da Terra, embora o apelo da estrada aberta esteja hoje emudecido.
(SAGAN, Carl. Pálido Ponto Azul: uma visão do futuro da humanidade no espaço. Tradução de Rosaura Eichenberg. São Paulo: Companhia das Letras, 1996. Adaptado)
Carl Sagan não apenas explica fatos científicos, como também apresenta uma proposta que objetiva conduzir o leitor à reflexão sobre a condição do ser humano no universo.
De acordo com o autor,
A)existe uma preocupação com o futuro da humanidade, a descoberta do universo e o aprendizado contínuo do homem para proteger-se do amanhã incerto.
B)entre os séculos XV e XIX, houve um período de colonização, exploração e investigação geográfica pautada na busca por perene sobrevivência.
C)as adversidades que assolam a sociedade acarretam migrações que resultam numa nova condição de vida para humanidade.
D)os refugiados ambientais surgirão quando houver a percepção clara de que, em consequência da alteração climática, descobrir destinos alternativos de vida fora da Terra será o melhor caminho para a preservação ambiental e manutenção da vida humana.
AFA2027Fase unicaQuestao 3PortuguêsCompreensão e interpretação de textoDificil
TEXTO I
O trecho a seguir é uma adaptação da introdução presente no livro Pálido Ponto Azul, de Carl Sagan.
**Pálido Ponto Azul — Os Errantes: uma introdução**
Fomos errantes desde o início. Conhecíamos a posição de todas as árvores num raio de duzentos quilômetros. Quando os frutos ou as castanhas amadureciam, lá estávamos nós. Seguíamos os rebanhos em suas migrações anuais. Deleitávamo-nos com a carne fresca. Por ações furtivas, estratagemas, emboscadas e ataques de força bruta, alguns de nós realizávamos em conjunto o que muitos de nós, sozinhos, não podíamos conseguir. Dependíamos uns dos outros. Viver por conta própria era uma ideia tão absurda quanto fixar residência.
Durante 99,99% do tempo, desde o aparecimento de nossa espécie, fomos caçadores e saqueadores, errantes nas savanas e nas estepes. Éramos limitados apenas pela Terra, pelo oceano e pelo céu – e mais alguns eventuais vizinhos rabugentos. Domesticamos as plantas e os animais. Apesar de todas as suas vantagens materiais, a vida sedentária nos deixou irritáveis, insatisfeitos. A minha suspeita é de que o apelo tem sido meticulosamente elaborado pela seleção natural, como um elemento essencial de nossa sobrevivência. Talvez você deva sua vida a uns poucos inquietos.
A primeira grande migração humana do Velho Mundo para o Novo Mundo aconteceu durante a última era glacial. Muito antes de Colombo, argonautas indonésios exploraram o Pacífico Ocidental; habitantes de Bornéu povoaram Madagascar; egípcios e líbios circunavegaram a África; e, partindo da China, uma grande frota da dinastia Ming ziguezagueou pelo Oceano Índico, estabeleceu uma base em Zanzibar, dobrou o Cabo da Boa Esperança e entrou no oceano Atlântico. Do século XV ao século XVII, as naus europeias descobriram novos continentes (novos para os europeus, pelo menos) e circunavegaram o planeta. Nos séculos XVIII e XIX, exploradores, mercadores e colonizadores norte-americanos e russos precipitaram-se para Oeste e para Leste atravessando dois imensos continentes até chegarem ao Pacífico. Esse gosto de investigar e explorar, por mais temerários que tenham sido seus agentes, tem um claro valor e sobrevivência. Ele não é restrito a uma única nação ou grupo étnico. É um dom natural comum a todos os membros da espécie humana.
Desde o nosso aparecimento, seguimos nosso caminho. Agora existem pessoas em todos os continentes até, ocasionalmente, residindo trezentos quilômetros acima da Terra. As grandes migrações de povos – algumas voluntárias, a maioria involuntária – têm moldado a condição humana.
[...]
Nossos antepassados distantes, observando as estrelas, notaram cinco que faziam mais que se levantar e pôr-se numa marcha impassível, como era o caso das assim chamadas estrelas “fixas”. Essas cinco tinham um movimento curioso e complexo. Ao longo dos meses, pareciam errar lentamente entre as estrelas. Às vezes, andavam em círculo. Hoje nós as chamamos de planetas, a palavra grega para errantes. Era, assim imagino, uma peculiaridade que nossos antepassados compreendiam.
Descobrimos maravilhas jamais sonhadas pelos nossos antepassados que especulavam pela primeira vez sobre a natureza dessas luzes errantes no céu noturno. Investigamos as origens de nosso planeta e de nós mesmos. Descobrindo outras possibilidades, confrontando-nos com os destinos alternativos de mundos mais ou menos parecidos com o nosso, temos começado a compreender melhor a Terra. Cada um desses mundos é encantador e instrutivo. Mas, que se saiba, são também desertos e áridos. No espaço, não existem “lugares melhores”. Até agora, pelo menos.
Ninguém na Terra, nem mesmo o mais rico dentre nós, tem recursos para empreender a viagem; assim, não podemos fazer as malas e partir rumo a Marte ou Titã ao sabor de um capricho, por estarmos entediados, desempregados, oprimidos, ou porque, justa ou injustamente, nos acusaram de um crime. Não parece haver lucro suficiente, a curto prazo, para motivar a indústria privada. Se nós, humanos, algum dia partirmos rumo a esses mundos, será porque uma nação ou um consórcio de nações acredita que o empreendimento lhe trará benefícios sendo pressionados por um grande número de questões que disputam o dinheiro necessário para enviar pessoas a outros mundos.
Este é o tema desse livro: outros mundos, o que nos espera neles, o que eles nos dizem sobre nós mesmos e – dados os problemas urgentes que nossa espécie enfrenta no momento – se faz sentido partir. Deveríamos resolver esses problemas primeiro? Ou serão eles uma razão a mais para partir?
[…]
Pálido ponto azul é sobre esse novo reconhecimento, que ainda nos invade lentamente, de nossas coordenadas, de nosso lugar no Universo – e de como um elemento central do futuro humano se encontra muito além da Terra, embora o apelo da estrada aberta esteja hoje emudecido.
(SAGAN, Carl. Pálido Ponto Azul: uma visão do futuro da humanidade no espaço. Tradução de Rosaura Eichenberg. São Paulo: Companhia das Letras, 1996. Adaptado)
Considerando o Texto I, leia os itens (I, II e III) e as assertivas (A, B, C e D).
I - A construção discursiva articula elementos descritivos e argumentativos para produzir um efeito de reflexão sobre a condição humana.
II - A construção da tese não se limita à apresentação de uma ideia central explícita, mas resulta de um encadeamento progressivo de imagens e reflexões.
III - O mecanismo de construção de sentido é um processo ativo de interpretação em que autor e leitor interagem. Tal interação ocorre por meio dos principais recursos linguísticos que orientam a argumentação, a saber: operadores argumentativos, modalizadores do discurso, seleção lexical e conotação, figuras de linguagem, pressupostos e subentendidos.
A - A articulação entre linguagem figurada e marcas de inclusão do leitor contribui para a construção de um discurso que associa conhecimento científico a uma reflexão ética e persuasiva.
B - A enumeração de características físicas do Cosmos constitui a base da tese, que se mantém restrita ao campo científico, contudo a presença de marcas de subjetividade compromete a validade científica do texto.
C - A progressão textual desloca-se da descrição do universo para uma problematização da condição humana, construindo uma tese de natureza ética por meio de um movimento argumentativo.
D - A alternância entre sequências descritivas e argumentativas constrói uma progressão temática que desloca o foco do universo físico para uma reflexão ética.
A partir dos itens e das assertivas acima, assinale a alternativa que apresenta a relação correta.
A)I-A; II-D; III-B.
B)I-C; II-B; III-D.
C)I-D; II-C; III-A.
D)I-B; II-A; III-C.
AFA2027Fase unicaQuestao 6PortuguêsCompreensão e interpretação de textoMedia
TEXTO II
**Corrida Espacial: da Guerra Fria aos desafios atuais**
Por Gabriel Izídio Rufino — Publicado em: 14/10/2024
Atualmente, a dinâmica da corrida espacial mudou consideravelmente. Além dos Estados Unidos e da Rússia, novos atores, como China, Índia, países europeus e até empresas privadas como SpaceX e Blue Origin, entraram no cenário. Essa diversificação transformou a competição em uma colaboração mais ampla.
Uma das principais diferenças é a presença de uma rede global de cooperação. A Estação Espacial Internacional (ISS) exemplifica esse espírito colaborativo, reunindo recursos e conhecimentos de diferentes países para pesquisas no espaço.
Além disso, a comercialização do espaço tornou-se realidade, com empresas privadas oferecendo serviços de lançamento e desenvolvendo tecnologias inovadoras para novos mercados, como turismo espacial e mineração de asteroides.
Hoje, o objetivo vai além de simplesmente chegar ao espaço. Missões tripuladas a Marte e outras regiões do sistema solar estão nos planos de várias agências espaciais e empresas privadas, abrindo novas fronteiras.
(RUFINO, Gabriel Izídro. Corrida Espacial: da Guerra Fria aos desafios atuais. Disponível em: https://www.politize.com.br/corrida-espacial/. Acesso em: 27/11/2025. Adaptado)
De acordo com o Texto II, pode-se afirmar que
A)o protagonismo na corrida espacial exercido pelos Estados Unidos e pela Rússia foi quebrado pela China, pela Índia, por países europeus e por empresas privadas.
B)a diversificação da participação conjunta na corrida espacial exemplifica como a cooperação global entre os países substituiu a busca pelo título de potência espacial.
C)o fito de realizar missões em Marte e em outras áreas do sistema solar para turismo espacial pretere a meta de simplesmente alcançar o espaço para fins científicos.
D)a fim de alcançar novas demandas espaciais, como a extração de recursos e o turismo, técnicas inéditas estão sendo elaboradas por organizações privadas.
AFA2027Fase unicaQuestao 11PortuguêsCompreensão e interpretação de textoMedia
TEXTO III
**Quais são as potências espaciais do século XXI?**
Entenda quais são as potências espaciais do século XXI e como a nova corrida espacial está moldando o futuro da humanidade.
Por Lucas Vinicius Santos — Publicado em: 02/01/2025
Durante a corrida espacial, os Estados Unidos e a União Soviética eram as duas grandes potências espaciais com tecnologia e conhecimento científico suficientes para enviar seres humanos ao espaço.
Apesar de a União Soviética ter sido pioneira em alguns marcos importantes para a exploração espacial, como o lançamento do primeiro satélite, o envio do primeiro ser vivo e o envio do primeiro ser humano ao espaço, os Estados Unidos venceram ao levar os seres humanos à Lua em 1969. Isso aconteceu na missão Apollo 11, quando os astronautas Neil Armstrong e Buzz Aldrin pisaram na superfície lunar pela primeira vez.
Essa conquista simbolizou a liderança americana na corrida espacial e foi um importante marco durante a Guerra Fria; apesar disso, não foi o único fator para o desfecho desse conflito silencioso entre as duas superpotências.
Após o fim da corrida espacial, marcado pela chegada da humanidade à Lua em 1969, diversas outras nações começaram a perceber a importância do estudo espacial para alcançar maior soberania nacional. Então, além dos Estados Unidos e da Rússia, quais outros países são considerados potências espaciais do século XXI?
“A exploração espacial hoje está muito longe da corrida espacial entre Estados Unidos e União Soviética na década de 1960. Isso significa que a nova corrida espacial não é entre alguns países, mas entre vários participantes, particularmente as economias de rápido crescimento”, é descrito em uma publicação da Enciclopédia Britânica.
Além dos Estados Unidos e da Rússia, a Europa, o Canadá, a China, a Índia e o Japão também realizaram diversas missões espaciais nos últimos anos. Contudo, nem todos esses países estão planejando enviar naves tripuladas para a Lua.
[...]
Apesar de esses serem os países com maior envolvimento em programas espaciais, atualmente mais de 80 nações participam, de alguma forma, de missões envolvendo o ambiente espacial. A maioria dessas nações reconhece que não pode competir com os três protagonistas do futuro da exploração espacial.
As três maiores potências espaciais do século XXI são: Estados Unidos, China e Rússia.
Se analisarmos especificamente a corrida para o retorno à Lua, o número de nações envolvidas reduz significativamente. Atualmente, os Estados Unidos e a China lideram os esforços para realizar missões tripuladas ao satélite natural, visando estabelecer bases e explorar mais sobre os recursos e oportunidades que a Lua pode oferecer.
[...]
A nova corrida espacial não se limita simplesmente a superar barreiras tecnológicas e chegar ao espaço, como aconteceu durante a Guerra Fria. Hoje, ela envolve a disputa por recursos, territórios e próprio poder geopolítico que envolve tudo que vai além da atmosfera terrestre.
(SANTOS, Lucas Vinicius. Quais são as potências espaciais do século XXI? Disponível em: https://www.tecmundo.com.br/ciencia/401011-quais-sao-as-potencias-espaciais-do-seculo-xxi.htm. Acesso em: 05/12/2025. Adaptado)
Infere-se do Texto III que:
A)a nova corrida espacial passa a ganhar um novo cenário. A descoberta de recursos minerais na Lua é um ponto decisivo, porém o movimento configura uma clara disputa por hegemonia, prestígio e influência global.
B)a nova corrida espacial tem como objetivos aprofundar os estudos no satélite e a descoberta de itens essenciais na Lua. Esse novo panorama é o que motiva o crescente engajamento de diversos países na área espacial.
C)os Estados Unidos continuam liderando a corrida espacial, ainda que as motivações desta nova era sejam distintas das que impulsionaram os anos 60, uma vez que tais esforços visam consolidar novas frentes de expansão econômica.
D)atualmente o foco das grandes potências espaciais reside na exploração dos recursos encontrados na Lua. Nesse intuito, os países estão valendo-se da recuperação de foguetes e do lançamento de pequenos satélites no espaço.
AFA2027Fase unicaQuestao 16PortuguêsCompreensão e interpretação de textoDificil
TEXTO I
O trecho a seguir é uma adaptação da introdução presente no livro Pálido Ponto Azul, de Carl Sagan.
**Pálido Ponto Azul — Os Errantes: uma introdução**
Fomos errantes desde o início. Conhecíamos a posição de todas as árvores num raio de duzentos quilômetros. Quando os frutos ou as castanhas amadureciam, lá estávamos nós. Seguíamos os rebanhos em suas migrações anuais. Deleitávamo-nos com a carne fresca. Por ações furtivas, estratagemas, emboscadas e ataques de força bruta, alguns de nós realizávamos em conjunto o que muitos de nós, sozinhos, não podíamos conseguir. Dependíamos uns dos outros. Viver por conta própria era uma ideia tão absurda quanto fixar residência.
Durante 99,99% do tempo, desde o aparecimento de nossa espécie, fomos caçadores e saqueadores, errantes nas savanas e nas estepes. Éramos limitados apenas pela Terra, pelo oceano e pelo céu – e mais alguns eventuais vizinhos rabugentos. Domesticamos as plantas e os animais. Apesar de todas as suas vantagens materiais, a vida sedentária nos deixou irritáveis, insatisfeitos. A minha suspeita é de que o apelo tem sido meticulosamente elaborado pela seleção natural, como um elemento essencial de nossa sobrevivência. Talvez você deva sua vida a uns poucos inquietos.
A primeira grande migração humana do Velho Mundo para o Novo Mundo aconteceu durante a última era glacial. Muito antes de Colombo, argonautas indonésios exploraram o Pacífico Ocidental; habitantes de Bornéu povoaram Madagascar; egípcios e líbios circunavegaram a África; e, partindo da China, uma grande frota da dinastia Ming ziguezagueou pelo Oceano Índico, estabeleceu uma base em Zanzibar, dobrou o Cabo da Boa Esperança e entrou no oceano Atlântico. Do século XV ao século XVII, as naus europeias descobriram novos continentes (novos para os europeus, pelo menos) e circunavegaram o planeta. Nos séculos XVIII e XIX, exploradores, mercadores e colonizadores norte-americanos e russos precipitaram-se para Oeste e para Leste atravessando dois imensos continentes até chegarem ao Pacífico. Esse gosto de investigar e explorar, por mais temerários que tenham sido seus agentes, tem um claro valor e sobrevivência. Ele não é restrito a uma única nação ou grupo étnico. É um dom natural comum a todos os membros da espécie humana.
Desde o nosso aparecimento, seguimos nosso caminho. Agora existem pessoas em todos os continentes até, ocasionalmente, residindo trezentos quilômetros acima da Terra. As grandes migrações de povos – algumas voluntárias, a maioria involuntária – têm moldado a condição humana.
[...]
Nossos antepassados distantes, observando as estrelas, notaram cinco que faziam mais que se levantar e pôr-se numa marcha impassível, como era o caso das assim chamadas estrelas “fixas”. Essas cinco tinham um movimento curioso e complexo. Ao longo dos meses, pareciam errar lentamente entre as estrelas. Às vezes, andavam em círculo. Hoje nós as chamamos de planetas, a palavra grega para errantes. Era, assim imagino, uma peculiaridade que nossos antepassados compreendiam.
Descobrimos maravilhas jamais sonhadas pelos nossos antepassados que especulavam pela primeira vez sobre a natureza dessas luzes errantes no céu noturno. Investigamos as origens de nosso planeta e de nós mesmos. Descobrindo outras possibilidades, confrontando-nos com os destinos alternativos de mundos mais ou menos parecidos com o nosso, temos começado a compreender melhor a Terra. Cada um desses mundos é encantador e instrutivo. Mas, que se saiba, são também desertos e áridos. No espaço, não existem “lugares melhores”. Até agora, pelo menos.
Ninguém na Terra, nem mesmo o mais rico dentre nós, tem recursos para empreender a viagem; assim, não podemos fazer as malas e partir rumo a Marte ou Titã ao sabor de um capricho, por estarmos entediados, desempregados, oprimidos, ou porque, justa ou injustamente, nos acusaram de um crime. Não parece haver lucro suficiente, a curto prazo, para motivar a indústria privada. Se nós, humanos, algum dia partirmos rumo a esses mundos, será porque uma nação ou um consórcio de nações acredita que o empreendimento lhe trará benefícios sendo pressionados por um grande número de questões que disputam o dinheiro necessário para enviar pessoas a outros mundos.
Este é o tema desse livro: outros mundos, o que nos espera neles, o que eles nos dizem sobre nós mesmos e – dados os problemas urgentes que nossa espécie enfrenta no momento – se faz sentido partir. Deveríamos resolver esses problemas primeiro? Ou serão eles uma razão a mais para partir?
[…]
Pálido ponto azul é sobre esse novo reconhecimento, que ainda nos invade lentamente, de nossas coordenadas, de nosso lugar no Universo – e de como um elemento central do futuro humano se encontra muito além da Terra, embora o apelo da estrada aberta esteja hoje emudecido.
(SAGAN, Carl. Pálido Ponto Azul: uma visão do futuro da humanidade no espaço. Tradução de Rosaura Eichenberg. São Paulo: Companhia das Letras, 1996. Adaptado)
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TEXTO II
**Corrida Espacial: da Guerra Fria aos desafios atuais**
Por Gabriel Izídio Rufino — Publicado em: 14/10/2024
Atualmente, a dinâmica da corrida espacial mudou consideravelmente. Além dos Estados Unidos e da Rússia, novos atores, como China, Índia, países europeus e até empresas privadas como SpaceX e Blue Origin, entraram no cenário. Essa diversificação transformou a competição em uma colaboração mais ampla.
Uma das principais diferenças é a presença de uma rede global de cooperação. A Estação Espacial Internacional (ISS) exemplifica esse espírito colaborativo, reunindo recursos e conhecimentos de diferentes países para pesquisas no espaço.
Além disso, a comercialização do espaço tornou-se realidade, com empresas privadas oferecendo serviços de lançamento e desenvolvendo tecnologias inovadoras para novos mercados, como turismo espacial e mineração de asteroides.
Hoje, o objetivo vai além de simplesmente chegar ao espaço. Missões tripuladas a Marte e outras regiões do sistema solar estão nos planos de várias agências espaciais e empresas privadas, abrindo novas fronteiras.
(RUFINO, Gabriel Izídro. Corrida Espacial: da Guerra Fria aos desafios atuais. Disponível em: https://www.politize.com.br/corrida-espacial/. Acesso em: 27/11/2025. Adaptado)
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TEXTO III
**Quais são as potências espaciais do século XXI?**
Entenda quais são as potências espaciais do século XXI e como a nova corrida espacial está moldando o futuro da humanidade.
Por Lucas Vinicius Santos — Publicado em: 02/01/2025
Durante a corrida espacial, os Estados Unidos e a União Soviética eram as duas grandes potências espaciais com tecnologia e conhecimento científico suficientes para enviar seres humanos ao espaço.
Apesar de a União Soviética ter sido pioneira em alguns marcos importantes para a exploração espacial, como o lançamento do primeiro satélite, o envio do primeiro ser vivo e o envio do primeiro ser humano ao espaço, os Estados Unidos venceram ao levar os seres humanos à Lua em 1969. Isso aconteceu na missão Apollo 11, quando os astronautas Neil Armstrong e Buzz Aldrin pisaram na superfície lunar pela primeira vez.
Essa conquista simbolizou a liderança americana na corrida espacial e foi um importante marco durante a Guerra Fria; apesar disso, não foi o único fator para o desfecho desse conflito silencioso entre as duas superpotências.
Após o fim da corrida espacial, marcado pela chegada da humanidade à Lua em 1969, diversas outras nações começaram a perceber a importância do estudo espacial para alcançar maior soberania nacional. Então, além dos Estados Unidos e da Rússia, quais outros países são considerados potências espaciais do século XXI?
“A exploração espacial hoje está muito longe da corrida espacial entre Estados Unidos e União Soviética na década de 1960. Isso significa que a nova corrida espacial não é entre alguns países, mas entre vários participantes, particularmente as economias de rápido crescimento”, é descrito em uma publicação da Enciclopédia Britânica.
Além dos Estados Unidos e da Rússia, a Europa, o Canadá, a China, a Índia e o Japão também realizaram diversas missões espaciais nos últimos anos. Contudo, nem todos esses países estão planejando enviar naves tripuladas para a Lua.
[...]
Apesar de esses serem os países com maior envolvimento em programas espaciais, atualmente mais de 80 nações participam, de alguma forma, de missões envolvendo o ambiente espacial. A maioria dessas nações reconhece que não pode competir com os três protagonistas do futuro da exploração espacial.
As três maiores potências espaciais do século XXI são: Estados Unidos, China e Rússia.
Se analisarmos especificamente a corrida para o retorno à Lua, o número de nações envolvidas reduz significativamente. Atualmente, os Estados Unidos e a China lideram os esforços para realizar missões tripuladas ao satélite natural, visando estabelecer bases e explorar mais sobre os recursos e oportunidades que a Lua pode oferecer.
[...]
A nova corrida espacial não se limita simplesmente a superar barreiras tecnológicas e chegar ao espaço, como aconteceu durante a Guerra Fria. Hoje, ela envolve a disputa por recursos, territórios e próprio poder geopolítico que envolve tudo que vai além da atmosfera terrestre.
(SANTOS, Lucas Vinicius. Quais são as potências espaciais do século XXI? Disponível em: https://www.tecmundo.com.br/ciencia/401011-quais-sao-as-potencias-espaciais-do-seculo-xxi.htm. Acesso em: 05/12/2025. Adaptado)
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TEXTO IV
**Ficção Científica**
José Paulo Paes
Depois de uma viagem
Pelo espaço sideral,
O astronauta chegou
Ao seu destino final:
Um planeta diferente
Cujo em cima ficava embaixo
E o atrás ficava na frente.
Um planeta tão estranho
Que a sujeira era limpa
E a água tomava banho
Um planeta mesmo louco
Onde o muito era nada
E o tudo muito pouco
Um planeta dos mais raros
O seu ouro era de graça,
O lixo custava caro.
O astronauta não gostou
E foi-se embora. Quando
Pensou estar muito longe
Viu-se outra vez chegando
Num planeta onde, aliás,
O embaixo ficava em cima
E a frente ficava por trás...
(PAES, José Paulo. É Isso Ali. Rio de Janeiro: Salamandra, 1984)
Somente NÃO se pode inferir, a partir de todos os textos apresentados, que:
A)embora o ser humano alcance novos territórios e novas perspectivas de vida, o senso de conquista perene não lhe permite ter satisfação plena a longo prazo, de modo que o leva a novos ciclos de realização.
B)após o avanço das descobertas espaciais, o homem pretende utilizar o espaço, também, para fins turísticos. Nesse sentido, pode-se comparar, analogamente, às viagens intercontinentais na época das grandes navegações.
C)em contraste à tensão e à polaridade competitiva na corrida espacial lunar do século XX, hoje todas as potências pretendem, em colaboração, enviar seres humanos à Lua e a outras áreas do Sistema Solar.
D)conquanto países tenham realizado descobertas espaciais significativas para a ciência e para a humanidade, a ambição por poder geopolítico continua sendo uma das motivações para a continuidade da exploração espacial.
AFA2026Fase unicaQuestao 1PortuguêsCompreensão e interpretação de textoMedia
Os fragmentos I, II e III estabelecem, entre si, uma correlação temática. Tal aspecto pode ser verificado entre as proposições abaixo:
I. “[...] o consentimento do cidadão é imprescindível para que seus dados possam ser utilizados, salvo exceções que sejam de cunho legal.” (Fragmento I - ℓ. 22 - 24) II. “Além disso, são prescritos dados que são submetidos a cuidados ainda mais específicos, como os considerados sensíveis [...].” (Fragmento I - ℓ. 13 - 15) III. “As nanotecnologias possibilitam a coleta, manipulação e monitoramento de grandes quantidades de dados oriundos das atividades celulares e eventos bioquímicos de órgãos, [...] para bancos de dados localizados em diferentes jurisdições.” (Fragmento II - ℓ. 8 - 14) IV. “A íris é uma característica única e inalterável, que, assim como a digital e o reconhecimento facial, pode ser usada como chave de acesso para aplicativos e sistemas digitais.” (Fragmento III - ℓ. 7 - 10)
Sobre as afirmativas, assinale a alternativa correta.
Imagens anexadas
A)Os enunciados III e IV poderiam servir de exemplo para os quais a lei garante exceções.
B)O enunciado IV invalida a asserção colocada em I uma vez que o referente ‘iris’ ainda não funciona como chave de acesso para aplicativos e sistemas digitais.
C)Os enunciados III e IV explicitam fatos que servem de exemplos à proposição colocada em II, uma vez que são extraídos das esferas sociais e podem se enquadrar na classificação ‘dados sensíveis’.
D)Os enunciados I e II trazem proposições que são mutuamente excludentes uma vez que, se não houver consentimento do cidadão, não há como prescrever dados submetidos a cuidados mais específicos.
AFA2026Fase unicaQuestao 2PortuguêsCompreensão e interpretação de textoMedia
Acerca do que os fragmentos I, II e III discorrem, é correto o que se afirmam em todas as alternativas, EXCETO:
Imagens anexadas
A)o fragmento I define o conceito da LGPD, além de definir o que seriam considerados dados pessoais e os limites que a referida Lei estabelece.
B)o fragmento I estabelece um conceito, em termos legais, para o uso de dados e sua proteção, já os fragmentos II e III explicitam fatos em que a lei poderia ser aplicada.
C)os fragmentos II e III restringem-se a explicitar fatos a partir dos quais há o uso de dados pessoais bioquímicos.
D)os fragmentos II e III trazem exemplos de como o uso de dados pessoais, especialmente os bioquímicos, são realidade no tratamento, veiculação e armazenamento de dados.
AFA2026Fase unicaQuestao 16PortuguêsCompreensão e interpretação de textoDificil
Em relação à temática discorrida, ao longo dos textos I, II, III e IV, considere as afirmativas a seguir.
I. No texto II, o narrador demonstra ficar aterrorizado perante a deterioração do corpo, a partir da morte; fato que se repete nas literaturas de horror que se criaram a partir de Frankenstein.
II. Simão Bacamarte transforma Itaguaí em uma espécie de laboratório, bem como seus moradores em objetos de investigação. O personagem demonstra igual fascínio pela ciência, encontrado em Victor Frankenstein e, para ambos, não há limites para a pesquisa.
III. As pesquisas elaboradas, a partir de dados bioquímicos, a exemplo do texto I e seus fragmentos, não são similares àquelas que relacionam ciência, morte e matéria, a exemplo do texto II; pois, para a cultura de dados, há limites impostos.
IV. O sistema de dados corporativos e o econômico digital também podem ser inseridos nas discussões acerca do tratamento, armazenamento e veiculação de dados; tal como os dados bioquímicos, eles também requerem regulamentação.
Está(ão) correta(s)
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