Sintaxe (sujeito, concordância e pronomes) · ITA

Sintaxe (sujeito, concordância e pronomes): questões do ITA

25 questões de Sintaxe (sujeito, concordância e pronomes) (Português) no ITA (2008–2026). Treine de graça com correção e comentário.

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Questões de Sintaxe (sujeito, concordância e pronomes) no ITA

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ITA20262a faseQuestao 4PortuguêsSintaxe (sujeito, concordância e pronomes)Dificil
Leia o texto a seguir para responder à questão. A IDEIA De onde ela vem?! De que matéria bruta Vem essa luz que sobre as nebulosas Cai de incógnitas criptas misteriosas Como as estalactites duma gruta?! Vem da psicogenética alta luta Do feixe de moléculas nervosas, Que, em desintegrações maravilhosas, Delibera, e depois, quer e executa! Vem do encéfalo absconso que a constringe, Chega em seguida às cordas da laringe, Tísica, tênue, mínima, raquítica... Quebra a força centrípeta que a amarra, Mas, de repente, e quase morta, esbarra No molambo da língua paralítica! ANJOS, Augusto dos. Eu e outras poesias. 42. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1998. ——— Dado o contexto do poema, avalie cada assertiva abaixo como V (verdadeira) ou F (falsa). Depois, assinale a sequência CORRETA. ( ) "tísica", "mínima", "raquítica" e "centrípeta" são adjetivos que desempenham a função de predicativo do sujeito. ( ) Em "a força centrípeta", "força" é substantivo e atua como núcleo do sujeito. ( ) Em "que a constringe" e "que a amarra", "a" é pronome pessoal e exerce a função de objeto direto. ( ) "executa" é um verbo regular, classificado como intransitivo.
  1. A)V, V, F, F
  2. B)V, V, V, V
  3. C)F, V, V, F
  4. D)F, F, F, F
  5. E)F, F, V, V
ITA20262a faseQuestao 9PortuguêsSintaxe (sujeito, concordância e pronomes)Dificil
Leia o trecho a seguir, do romance Fahrenheit 451, de Ray Bradbury, em que fala o capitão Beatty sobre os rumos da sociedade. "A escolaridade é abreviada, disciplina relaxada, as filosofias, as histórias e as línguas são abolidas, gramática e ortografia pouco a pouco negligenciadas e, por fim, quase totalmente ignoradas." ——— Acerca dos recursos linguísticos utilizados no trecho e dos seus efeitos de sentido, é CORRETO afirmar que predominam estruturas na voz:
  1. A)ativa, com sujeito indeterminado a fim de impessoalizar o responsável pela ação, parte da crítica presente no trecho.
  2. B)ativa, com a omissão do agente da passiva para impessoalizar o agente da ação; desse modo, sabe-se quais as ações tomadas, mas não por quem.
  3. C)passiva sintética, com a omissão da partícula "se", o que confere ao texto um grau de parcialidade que permite não atribuir responsabilidade pelas ações.
  4. D)passiva analítica, com a omissão do sujeito, o que confere ao texto um grau de parcialidade em virtude de que não se sabe quem é responsável pela ação.
  5. E)passiva analítica, com a omissão do agente da passiva, o que confere ao texto a noção de que não há um único responsável visível pelas ações descritas.
ITA20262a faseQuestao 11PortuguêsSintaxe (sujeito, concordância e pronomes)Dificil
Com base no texto de Byung-Chul Han (Infocracia), considere o período abaixo, em que está sublinhada uma oração: "A guerra de memes indica QUE A COMUNICAÇÃO DIGITAL PRIVILEGIA CADA VEZ MAIS O VISUAL PERANTE O TEXTUAL." ——— Assinale a alternativa cujo sintagma destacado exerce a MESMA função sintática que a oração sublinhada acima:
  1. A)"Em uma comunicação afetiva, não prevalecem os melhores argumentos. (...)" — termo em destaque: "os melhores argumentos".
  2. B)"A gente se deixa afetar por informações que se seguem apressadas umas às outras." — termo em destaque: "que se seguem apressadas umas às outras".
  3. C)"Memes são vírus mediais (...)." — termo em destaque: "vírus mediais".
  4. D)"A coação da comunicação acelerada nos priva da racionalidade." — termo em destaque: "nos".
  5. E)"(...) não temos tempo para a ação racional." — termo em destaque: "para a ação racional".
ITA20262a faseQuestao 15PortuguêsSintaxe (sujeito, concordância e pronomes)Dificil
Com base no texto "Ainda estou aqui", de Marcelo Rubens Paiva, identifique a alternativa em que a expressão em destaque, retirada do texto, atua como COMPLEMENTO NOMINAL.
  1. A)"(...) aparece alguém que nos livra do desconforto." — termo em destaque: "do desconforto".
  2. B)"Um teste clínico simples para detectar a falta de memória (...)." — termo em destaque: "de memória".
  3. C)"Um truque da vida." — termo em destaque: "da vida".
  4. D)"(...) não se lembra do que comeu no café da manhã." — termo em destaque: "da manhã".
  5. E)"(...) vê meu filho de um ano (...)." — termo em destaque: "de um ano".
ITA20252a faseQuestao 4PortuguêsSintaxe (sujeito, concordância e pronomes)Dificil
Leia o texto a seguir para responder à questão. Carta para o Brasil 10 de setembro de 2020. Caro Brasil, Das minhas muitas viagens à América do Sul, nunca tive a oportunidade de visitar você. A maioria delas teve como destino a Cordilheira dos Andes, com o objetivo de observar o magnífico céu do hemisfério sul através de telescópios de alta tecnologia de um consórcio internacional. Mas, mesmo assim, tenho pensado em você com bastante frequência. Como nativo dos Estados Unidos da América, sei em que costumamos pensar quando se trata de você. Não seguindo uma ordem específica, você possui a maior e mais importante floresta tropical do mundo. Você abriga o maior rio do mundo, que, a cada minuto que passa, escoa para o oceano Atlântico um volume de água que daria para encher um estádio de futebol. E, sim, nós sabíamos da existência de seu rio e de sua floresta tropical muito antes de a Amazon.com 1 pegar o nome emprestado. Quer mais? Não há quem não goste de castanha-do-brasil2. Na verdade, nos EUA, nós precisamos pagar pelo pacote “premium” para que elas venham incluídas em nossos mix de castanhas. E mesmo aqueles de nós que quase não acompanham futebol sabem da existência de seus times famosos, ficando na maior expectativa de ver você na final da Copa do Mundo a cada quatro anos. Também sabemos das suas praias deslumbrantes pelas músicas que as cantam — a “Garota de Ipanema” sendo uma delas. Sabemos de suas festas populares, principalmente o Carnaval, e tentamos imitar a intensidade e a alegria dessas celebrações — com dança e música — aqui no nosso hemisfério. Sabemos do seu café. E eu, particularmente, amo a sua bandeira. Há um pedaço do céu noturno estampado nela; mais de duas dezenas de estrelas retraçam constelações autênticas, incluindo o Cruzeiro do Sul. Então, se você perguntasse a qualquer um de nós nos EUA o que vem à nossa cabeça quando seu nome é mencionado, normalmente selecionaríamos algo a partir dessa lista. Você sabe do que nós não nos damos conta? Metade das vezes que embarcamos em voos domésticos, da American Airlines ou de outras companhias aéreas, viajamos num avião da Embraer. Tudo bem, o folheto com instruções de segurança traz impresso nele o nome Embraer. Nós podemos até achar Embraer escrito em letras miúdas em algum lugar da fuselagem. Mas quase nenhum de nós sabe que a aeronave é projetada e fabricada no Brasil. Você poderia alardear “Tecnologia Brasileira”, mas não o faz. Por que não? A Alemanha não hesita em se gabar da dela. Nada mais justo, claro. Todo mundo conhece a qualidade dos produtos fabricados na Alemanha, que, por sua vez, permeiam sua economia aeroespacial, a terceira maior do mundo. Mas, espere. Um dos grandes pioneiros nos primórdios da aviação era brasileiro. Engenheiro brilhante e inventivo, altamente condecorado, Alberto Santos Dumont liderou a transição mundial do transporte aéreo mais leve que o ar para o mais pesado que o ar. O valor de uma semente cultural como essa, plantada no nascimento de uma indústria, é incalculável. Um século depois, você se tornou líder em tecnologias de biocombustíveis — um passo fundamental em direção a uma economia verde onde nossa harmonia com a natureza vai determinar se iremos prosperar, sobreviver ou nos extinguir. Você também possui uma ambiciosa agência espacial, além de ser a sexta maior indústria aeroespacial do mundo. Na América Latina, você também é líder em Tecnologia da Informação. E num país famoso por sua agricultura, quase um terço de sua economia se apoia num setor produtivo impregnado de tecnologia. Então talvez seja a hora de o mundo saber mais a respeito disso. Talvez seja a hora de os brasileiros saberem mais sobre isso. Talvez esteja mais do que na hora de você exibir produtos que declarem: “Fabricado no Brasil.” Seja o que mais for, ou não, verdade no mundo, as economias de crescimento do futuro — mesmo as que possam ser puramente agrícolas — vão girar em torno dos investimentos feitos hoje em ciência, tecnologia, engenharia e matemática. Numa democracia, esses investimentos fluem de um eleitorado letrado cientificamente, que elege líderes esclarecidos e que entendem o valor da educação, das pesquisas e das descobertas. Sem essas perspectivas, ainda estaríamos vivendo em cavernas, com alguns de nós resmungando: “Você não pode explorar o mundo exterior. Primeiro precisa resolver os problemas da nossa caverna.” Para que ninguém se esqueça, o primeiro (e único) astronauta sul-americano foi um engenheiro aeronáutico brasileiro. E quando se deu o lançamento de sua missão? Em 2006, ano do centenário do primeiro avião bem-sucedido de Santos Dumont. E o que ele levou para o espaço? Uma bandeira do Brasil e uma camisa da seleção brasileira de futebol. Os países que mais passam por dificuldades no mundo tendem a ser aqueles com baixos níveis de instrução e com ausência de STEM3 em sua cultura. Você tem os recursos e o legado para liderar toda a América Latina, se não o mundo, no que um país do futuro deveria ser — no que um país do futuro deveria aspirar ser. Se você abraçar e apoiar suas indústrias STEM — e o setor de tecnologia inteiro — então os sonhos dos alunos em toda a cadeia educacional não terão limites, conforme eles forem introduzidos num mundo em que foguetes são o que alimentam as ambições das pessoas que saem pela porta da caverna. Atenciosamente, Neil deGrasse Tyson Fonte: TYSON, Neil deGrasse. Respostas de um astrofísico. Tradução de Nicolas Pettengill; revisão técnica de Alexandre Cherman. 1. ed. Rio de Janeiro: Record, 2020. Recurso eletrônico disponível em: https://neildegrassetyson.com/letters/2020-09-10-letter-to-brazil/portuguese-version. Historicamente, a carta é um dos principais meios de comunicação interpessoal; ela pode conter mensagens pessoais, profissionais, intelectuais e até constituir-se uma forma de comunicação artística. Esta carta do astrofísico americano Neil deGrasse Tyson não foi escrita para uma única pessoa, mas para um país inteiro. Sua abordagem personifica o país ao tratá-lo por “você”, principalmente nos primeiros parágrafos, mas vai paulatinamente desenvolvendo uma abordagem argumentativa. Tyson já apresentou vários programas de televisão; é um autor reconhecido na divulgação e popularização da Ciência e sua carta ao Brasil, publicada no lançamento de seu livro Respostas de um astrofísico (2020), representa suas convicções. Em “Então, se você perguntasse a qualquer um de nós nos EUA o que vem à nossa cabeça quando seu nome é mencionado, normalmente selecionaríamos algo a partir dessa lista”, o vocábulo QUE apresenta a mesma classificação morfológica e função sintática em
  1. A)“Os países que mais passam por dificuldades no mundo tendem a ser aqueles com baixos níveis de instrução [...]”
  2. B)“[...] precisamos pagar pelo pacote “premium” para que elas venham incluídas em nossos mix de castanhas [...]”.
  3. C)“Mas quase nenhum de nós sabe que a aeronave é projetada e fabricada no Brasil.”
  4. D)“Alberto Santos Dumont liderou a transição mundial do transporte aéreo mais leve que o ar [...]”.
  5. E)“E o que ele levou para o espaço? Uma bandeira do Brasil e uma camisa da seleção brasileira de futebol.”
ITA20252a faseQuestao 7PortuguêsSintaxe (sujeito, concordância e pronomes)Dificil
Analise o infográfico a seguir para responder à questão. MULHERES NA CIÊNCIA No mundo, só 19,9% dos profissionais de Ciência e Engenharia são mulheres. No Brasil, a parcela feminina entre os empregos na indústria aumentou menos de 1% entre 2010 e 2020 e representa 24,2% do total de trabalhadores. Mas elas vêm aí! Mesmo com predomínio masculino nas áreas científicas, entre 2010 e 2021: • as mulheres foram maioria no ingresso: 88%; • e se igualaram aos homens na conclusão de cursos de formação superior no Brasil: 35%; • a formação feminina em cursos superiores científicos aumentou 96%; • e a quantidade de mulheres que ingressaram nesses cursos cresceu 132%; • 40,3% dos pesquisadores que declararam ter doutorado na Plataforma Lattes são mulheres. Fonte: CONFEDERAÇÃO NACIONAL DA INDÚSTRIA (CNI). Mulheres na Ciência. In: O papel decisivo das mulheres nas comunidades científicas e tecnológicas. Portal da Indústria, [s.d.]. Em Língua Portuguesa, algumas palavras, se deslocadas, podem adquirir um novo sentido, recaindo sobre uma única palavra ou sobre toda a frase. A palavra SÓ é uma delas: só no mundo, só 19,9%, só nas Ciências e Engenharias etc. O deslocamento da palavra SÓ não altera o sentido apenas em:
Imagens anexadas
  1. A)Só ele chegou atrasado na reunião. / Ele só chegou atrasado na reunião.
  2. B)Só falta você para completar o time. / Falta só você para completar o time.
  3. C)Comprei livros só na feira. / Comprei só livros na feira.
  4. D)Ela só pode viajar nas férias. / Só ela pode viajar nas férias.
  5. E)Ele só queria ajudar a comunidade. / Só ele queria ajudar a comunidade.
ITA20252a faseQuestao 8PortuguêsSintaxe (sujeito, concordância e pronomes)Dificil
Analise o infográfico a seguir para responder à questão. MULHERES NA CIÊNCIA No mundo, só 19,9% dos profissionais de Ciência e Engenharia são mulheres. No Brasil, a parcela feminina entre os empregos na indústria aumentou menos de 1% entre 2010 e 2020 e representa 24,2% do total de trabalhadores. Mas elas vêm aí! Mesmo com predomínio masculino nas áreas científicas, entre 2010 e 2021: • as mulheres foram maioria no ingresso: 88%; • e se igualaram aos homens na conclusão de cursos de formação superior no Brasil: 35%; • a formação feminina em cursos superiores científicos aumentou 96%; • e a quantidade de mulheres que ingressaram nesses cursos cresceu 132%; • 40,3% dos pesquisadores que declararam ter doutorado na Plataforma Lattes são mulheres. Fonte: CONFEDERAÇÃO NACIONAL DA INDÚSTRIA (CNI). Mulheres na Ciência. In: O papel decisivo das mulheres nas comunidades científicas e tecnológicas. Portal da Indústria, [s.d.]. O infográfico tem claro interesse em valorizar a participação das mulheres no mundo das Engenharias e das Ciências. Assinale a alternativa que, na reescrita, PRESERVA o sentido do trecho “Mesmo com predomínio masculino nas áreas científicas, entre 2010 e 2021 as mulheres foram maioria no ingresso [...]”.
Imagens anexadas
  1. A)Apesar do predomínio masculino nas áreas científicas entre 2010 e 2021, as mulheres foram maioria no ingresso [...].
  2. B)Embora com predomínio masculino nas áreas científicas, entre 2010 e 2021 as mulheres foram maioria no ingresso [...].
  3. C)Consoante o predomínio masculino nas áreas científicas, entre 2010 e 2021 as mulheres foram maioria no ingresso [...].
  4. D)Visto que há predomínio masculino nas áreas científicas, entre 2010 e 2021 as mulheres foram maioria no ingresso [...].
  5. E)Por mais que houvesse predomínio masculino nas áreas científicas entre 2010 e 2021, as mulheres foram maioria no ingresso [...].
ITA20201a faseQuestao 27PortuguêsSintaxe (sujeito, concordância e pronomes)Media
Leia atentamente o trecho destacado e assinale a alternativa correta. Levantei-me, encostei-me à balaustrada* e comecei a encher o cachimbo, voltando-me para fora, que no interior da minha casa tudo era desagradável. [S. Bernardo, p. 142]. * balaustrada: parapeito, grade de proteção ou apoio. No trecho destacado, a palavra "que" não transmite a ideia de
  1. A)causa.
  2. B)consequência.
  3. C)razão.
  4. D)fundamento.
  5. E)motivo.
ITA20191a faseQuestao 15PortuguêsSintaxe (sujeito, concordância e pronomes)Media
Leia o texto a seguir para responder à questão. Texto 1 As discussões muitas vezes acaloradas sobre o reconhecimento da pixação como expressão artística trazem à tona um questionamento conceitual importante: uma vez considerado arte contemporânea, o movimento perderia sua essência? Para compreendermos os desdobramentos da pixação, alguns aspectos presentes no graffiti são essenciais e importantes de serem resgatados. O graffiti nasceu originalmente nos EUA, na década de 1970, como um dos elementos da cultura hip-hop (Break, MC, DJ e Graffiti). Daí até os dias atuais, ele ganhou em força, criatividade e técnica, sendo reconhecido hoje no Brasil como graffiti artístico. Sua caracterização como arte contemporânea foi consolidada definitivamente por volta do ano 2000. A distinção entre graffiti e pixação é clara; ao primeiro é atribuída a condição de arte, e o segundo é classificado como um tipo de prática de vandalismo e depredação das cidades, vinculado à ilegalidade e marginalidade. Essa distinção das expressões deu-se em boa parte pela institucionalização do graffiti, com os primeiros resquícios já na década de 1970. Esse desenvolvimento técnico e formal do graffiti ocasionou a perda da potência subversiva que o marca como manifestação genuína de rua e caminha para uma arte de intervenção domesticada enquadrada cada vez mais nos moldes do sistema de arte tradicional. O grafiteiro é visto hoje como artista plástico, possuindo as características de todo e qualquer artista contemporâneo, incluindo a prática e o status. Muito além da diferenciação conceitual entre as expressões – ainda que elas compartilhem da mesma matéria-prima – trata-se de sua força e essência intervencionista. Estudos sobre a origem da pixação afirmam que o graffiti nova-iorquino original equivale à pixação brasileira; os dois mantêm os mesmos princípios: a força, a explosão e o vazio. Uma das principais características do pixo é justamente o esvaziamento sígnico, a potência esvaziada. Não existem frases poéticas, nem significados. A pixação possui dimensão incomunicativa, fechada, que não conversa com a sociedade. Pelo contrário, de certa forma, a agride. A rejeição do público geral reside na falta de compreensão e intelecção das inscrições; apenas os membros da própria comunidade de pixadores decifram o conteúdo. A significância e a força intervencionista do pixo residem, portanto, no próprio ato. Ela é evidenciada pela impossibilidade de inserção em qualquer estatuto pré-estabelecido, pois isso pressuporia a diluição e a perda de sua potência signo-estética. Enquanto o graffiti foi sendo introduzido como uma nova expressão de arte contemporânea, a pichação utilizou o princípio de não autorização para fortalecer sua essência. Mas o quão sensível é essa forma de expressão extremista e antissistema como a pixação? Como lidar com a linha tênue dos princípios estabelecidos para não cair em contradição? Na 26ª Bienal de Arte de São Paulo, em 2004, houve um caso de pixo na obra do artista cubano naturalizado americano, Jorge Pardo. Seu comentário, diante da intervenção, foi “Se alguém faz alguma coisa no seu trabalho, isso é positivo, para mim, porque escolheram a minha peça entre as expostas” […]. “Quem fez isso deve discordar de alguma coisa na obra. Pode ser outro artista fazendo sua própria obra dentro da minha. Pode ser só uma brincadeira” e finalizou dizendo que “pichar a obra de alguém também não é tão incomum. Já é tradicional”. É interessante notar, a partir do depoimento de Pardo, a recorrência de padrões em movimentos de qualquer natureza, e o inevitável enquadramento em algum tipo de sistema, mesmo que imposto e organizado pelos próprios elementos do grupo. Na pixação, levando em conta o “sistema” em que estão inseridos, constatamos que também passa longe de ser perfeito; existe rivalidade pesada entre gangues, hierarquia e disputas pelo “poder”. Em 2012, a Bienal de Arte de Berlim, com o tema “Forget Fear”, considerado ousado, priorizou fatos e inquietações políticas da atualidade. Os pixadores brasileiros, Cripta (Djan Ivson), Biscoito, William e R.C., foram convidados na ocasião para realizar um workshop sobre pixação em um espaço delimitado, na igreja Santa Elizabeth. Eles compareceram. Mas não seguiram as regras impostas pela curadoria, ao pixar o próprio monumento. O resultado foi tumulto e desentendimento entre os pixadores e a curadoria do evento. O grande dilema diante do fato é que, ao aceitarem o convite para participar de uma bienal de arte, automaticamente aceitaram as regras e o sistema imposto. Mesmo sem adotar o comportamento esperado, caíram em contradição. Por outro lado, pela pichação ser conhecidamente transgressora (ou pelo jeito, não tão conhecida assim), os organizadores deveriam pressupor que eles não seguiriam padrões pré-estabelecidos. Embora existam movimentos e grupos que consideram, sim, a pixação como forma de arte, como é o caso dos curadores da Bienal de Berlim, há uma questão substancial que permeia a realidade dos pichadores. Quem disse que eles querem sua expressão reconhecida como arte? Se arte pressupõe, como ocorreu com o graffiti, adaptar-se a um molde específico, seguir determinadas regras e por consequência ver sua potência intervencionista diluída e branda, é muito improvável que tenham esse desejo. A representação da pixação como forma de expressão destrutiva, contra o sistema, extremista e marginalizada é o que a mantêm viva. De certo modo, a rejeição e a ignorância do público é o que garante sua força intervencionista e a tão importante e sensível essência. Adaptado de: CARVALHO, M. F. Pichação-arte é pixação? Revista Arruaça, Edição nº 0. Cásper Líbero, 2013. Disponível em <https://casperlibero.edu.br/revistas/pichacao-arte-e-pixacao/> Acesso em: maio 2018. Assinale a alternativa cujo trecho destacado (entre « ») denota uma condição.
  1. A)[...] trazem à tona um questionamento conceitual importante: «uma vez considerado arte contemporânea», o movimento perderia sua essência?
  2. B)[...] ele ganhou em força, criatividade e técnica, «sendo reconhecido hoje no Brasil como graffiti artístico».
  3. C)Muito além da diferenciação conceitual entre as expressões – «ainda que elas compartilhem da mesma matéria-prima» [...]
  4. D)Ela é evidenciada pela impossibilidade de inserção em qualquer estatuto pré-estabelecido, «pois isso pressuporia a diluição e a perda de sua potência signo-estética».
  5. E)“Se alguém faz alguma coisa no seu trabalho, isso é positivo, para mim, «porque escolheram a minha peça entre as expostas»” [...]
ITA20191a faseQuestao 16PortuguêsSintaxe (sujeito, concordância e pronomes)Media
Leia o texto a seguir para responder à questão. Texto 1 As discussões muitas vezes acaloradas sobre o reconhecimento da pixação como expressão artística trazem à tona um questionamento conceitual importante: uma vez considerado arte contemporânea, o movimento perderia sua essência? Para compreendermos os desdobramentos da pixação, alguns aspectos presentes no graffiti são essenciais e importantes de serem resgatados. O graffiti nasceu originalmente nos EUA, na década de 1970, como um dos elementos da cultura hip-hop (Break, MC, DJ e Graffiti). Daí até os dias atuais, ele ganhou em força, criatividade e técnica, sendo reconhecido hoje no Brasil como graffiti artístico. Sua caracterização como arte contemporânea foi consolidada definitivamente por volta do ano 2000. A distinção entre graffiti e pixação é clara; ao primeiro é atribuída a condição de arte, e o segundo é classificado como um tipo de prática de vandalismo e depredação das cidades, vinculado à ilegalidade e marginalidade. Essa distinção das expressões deu-se em boa parte pela institucionalização do graffiti, com os primeiros resquícios já na década de 1970. Esse desenvolvimento técnico e formal do graffiti ocasionou a perda da potência subversiva que o marca como manifestação genuína de rua e caminha para uma arte de intervenção domesticada enquadrada cada vez mais nos moldes do sistema de arte tradicional. O grafiteiro é visto hoje como artista plástico, possuindo as características de todo e qualquer artista contemporâneo, incluindo a prática e o status. Muito além da diferenciação conceitual entre as expressões – ainda que elas compartilhem da mesma matéria-prima – trata-se de sua força e essência intervencionista. Estudos sobre a origem da pixação afirmam que o graffiti nova-iorquino original equivale à pixação brasileira; os dois mantêm os mesmos princípios: a força, a explosão e o vazio. Uma das principais características do pixo é justamente o esvaziamento sígnico, a potência esvaziada. Não existem frases poéticas, nem significados. A pixação possui dimensão incomunicativa, fechada, que não conversa com a sociedade. Pelo contrário, de certa forma, a agride. A rejeição do público geral reside na falta de compreensão e intelecção das inscrições; apenas os membros da própria comunidade de pixadores decifram o conteúdo. A significância e a força intervencionista do pixo residem, portanto, no próprio ato. Ela é evidenciada pela impossibilidade de inserção em qualquer estatuto pré-estabelecido, pois isso pressuporia a diluição e a perda de sua potência signo-estética. Enquanto o graffiti foi sendo introduzido como uma nova expressão de arte contemporânea, a pichação utilizou o princípio de não autorização para fortalecer sua essência. Mas o quão sensível é essa forma de expressão extremista e antissistema como a pixação? Como lidar com a linha tênue dos princípios estabelecidos para não cair em contradição? Na 26ª Bienal de Arte de São Paulo, em 2004, houve um caso de pixo na obra do artista cubano naturalizado americano, Jorge Pardo. Seu comentário, diante da intervenção, foi “Se alguém faz alguma coisa no seu trabalho, isso é positivo, para mim, porque escolheram a minha peça entre as expostas” […]. “Quem fez isso deve discordar de alguma coisa na obra. Pode ser outro artista fazendo sua própria obra dentro da minha. Pode ser só uma brincadeira” e finalizou dizendo que “pichar a obra de alguém também não é tão incomum. Já é tradicional”. É interessante notar, a partir do depoimento de Pardo, a recorrência de padrões em movimentos de qualquer natureza, e o inevitável enquadramento em algum tipo de sistema, mesmo que imposto e organizado pelos próprios elementos do grupo. Na pixação, levando em conta o “sistema” em que estão inseridos, constatamos que também passa longe de ser perfeito; existe rivalidade pesada entre gangues, hierarquia e disputas pelo “poder”. Em 2012, a Bienal de Arte de Berlim, com o tema “Forget Fear”, considerado ousado, priorizou fatos e inquietações políticas da atualidade. Os pixadores brasileiros, Cripta (Djan Ivson), Biscoito, William e R.C., foram convidados na ocasião para realizar um workshop sobre pixação em um espaço delimitado, na igreja Santa Elizabeth. Eles compareceram. Mas não seguiram as regras impostas pela curadoria, ao pixar o próprio monumento. O resultado foi tumulto e desentendimento entre os pixadores e a curadoria do evento. O grande dilema diante do fato é que, ao aceitarem o convite para participar de uma bienal de arte, automaticamente aceitaram as regras e o sistema imposto. Mesmo sem adotar o comportamento esperado, caíram em contradição. Por outro lado, pela pichação ser conhecidamente transgressora (ou pelo jeito, não tão conhecida assim), os organizadores deveriam pressupor que eles não seguiriam padrões pré-estabelecidos. Embora existam movimentos e grupos que consideram, sim, a pixação como forma de arte, como é o caso dos curadores da Bienal de Berlim, há uma questão substancial que permeia a realidade dos pichadores. Quem disse que eles querem sua expressão reconhecida como arte? Se arte pressupõe, como ocorreu com o graffiti, adaptar-se a um molde específico, seguir determinadas regras e por consequência ver sua potência intervencionista diluída e branda, é muito improvável que tenham esse desejo. A representação da pixação como forma de expressão destrutiva, contra o sistema, extremista e marginalizada é o que a mantêm viva. De certo modo, a rejeição e a ignorância do público é o que garante sua força intervencionista e a tão importante e sensível essência. Adaptado de: CARVALHO, M. F. Pichação-arte é pixação? Revista Arruaça, Edição nº 0. Cásper Líbero, 2013. Disponível em <https://casperlibero.edu.br/revistas/pichacao-arte-e-pixacao/> Acesso em: maio 2018. Assinale a alternativa em que o trecho destacado (entre « ») expressa ideia de causa.
  1. A)Essa distinção das expressões deu-se em boa parte «pela institucionalização do graffiti, com os primeiros resquícios já na década de 1970».
  2. B)«Enquanto o graffiti foi sendo introduzido como uma nova expressão de arte contemporânea», a pichação utilizou o princípio de não autorização para fortalecer sua essência.
  3. C)A rejeição do público geral reside na falta de compreensão e intelecção das inscrições; «apenas os membros da própria comunidade decifram o conteúdo».
  4. D)«Mesmo sem adotar o comportamento esperado», caíram em contradição.
  5. E)«O grafiteiro é visto hoje como artista plástico», possuindo as características de todo e qualquer artista contemporâneo, incluindo a prática e o status.
ITA20181a faseQuestao 36PortuguêsSintaxe (sujeito, concordância e pronomes)Media
As questões de 36 a 38 referem-se ao texto a seguir: Texto 3 Proibido para menores de 50 anos. Nos últimos meses, em meio ao debate sobre as reformas na Previdência, um ponto acabou despertando a atenção. Afinal, existem empregos para quem tem mais de 50 anos? Pendurar as chuteiras nem sempre é fácil. Às vezes, pode significar uma quebra tão grande na rotina que afeta até mesmo o emocional. Foi a partir de uma experiência familiar nesta linha que o paulistano Mórris Litvak criou a startup MaturiJobs. Trata-se de uma agência virtual de empregos, especializada em profissionais com mais de 50 anos. ——— "Nos últimos meses, em meio ao debate sobre as reformas na Previdência, um ponto acabou despertando a atenção." Na frase transcrita, as vírgulas foram utilizadas para
  1. A)realçar a escrita formal em contraste à escrita informal.
  2. B)separar um termo complementar da oração principal.
  3. C)marcar a sobreposição de várias informações intercaladas.
  4. D)indicar o deslocamento da informação secundária em relação à principal.
  5. E)antecipar o tempo e o espaço físico da informação principal.
ITA20171a faseQuestao 24PortuguêsSintaxe (sujeito, concordância e pronomes)Media
Leia o Texto 1 para responder à questão. Texto 1: A mídia realmente tem o poder de manipular as pessoas? Por Francisco Fernandes Ladeira À primeira vista, a resposta para a pergunta que intitula este artigo parece simples e óbvia: sim, a mídia é um poderoso instrumento de manipulação. A ideia de que o frágil cidadão comum é impotente frente aos gigantescos e poderosos conglomerados da comunicação é bastante atrativa intelectualmente. Influentes nomes, como Adorno e Horkheimer, os primeiros pensadores a realizar análises mais sistemáticas sobre o tema, concluíram que os meios de comunicação em larga escala moldavam e direcionavam as opiniões de seus receptores. Segundo eles, o rádio torna todos os ouvintes iguais ao sujeitá-los, autoritariamente, aos idênticos programas das várias estações. No livro Televisão e Consciência de Classe, Sarah Chucid Da Viá afirma que o vídeo apresenta um conjunto de imagens trabalhadas, cuja apreensão é momentânea, de forma a persuadir rápida e transitoriamente o grande público. Por sua vez, o psicólogo social Gustav Le Bon considerava que, nas massas, o indivíduo deixava de ser ele próprio para ser um autômato sem vontade e os juízos aceitos pelas multidões seriam sempre impostos e nunca discutidos. Assim, fomentou-se a concepção de que a mídia seria capaz de manipular incondicionalmente uma audiência submissa, passiva e acrítica. Todavia, como bons cidadãos céticos, devemos duvidar (ou ao menos manter certa ressalva) de proposições imediatistas e aparentemente fáceis. As relações entre mídia e público são demasiadamente complexas, vão muito além de uma simples análise behaviorista de estímulo/resposta. As mensagens transmitidas pelos grandes veículos de comunicação não são recebidas automaticamente e da mesma maneira por todos os indivíduos. Na maioria das vezes, o discurso midiático perde seu significado original na controversa relação emissor/receptor. Cada indivíduo está envolto em uma "bolha ideológica", apanágio de seu próprio processo de individuação, que condiciona sua maneira de interpretar e agir sobre o mundo. Todos nós, ao entramos em contato com o mundo exterior, construímos representações sobre a realidade. Cada um de nós forma juízos de valor a respeito dos vários âmbitos do real, seus personagens, acontecimentos e fenômenos e, consequentemente, acreditamos que esses juízos correspondem à "verdade". [...] [...] A mídia é apenas um, entre vários quadros ou grupos de referência, aos quais um indivíduo recorre como argumento para formular suas opiniões. Nesse sentido, competem com os veículos de comunicação como quadros ou grupos de referência fatores subjetivos/psicológicos (história familiar, trajetória pessoal, predisposição intelectual), o contexto social (renda, sexo, idade, grau de instrução, etnia, religião) e o ambiente informacional (associação comunitária, trabalho, igreja). "Os vários tipos de receptor situam-se numa complexa rede de referências em que a comunicação interpessoal e a midiática se completam e modificam", afirmou a cientista social Alessandra Aldé em seu livro A construção da política: democracia, cidadania e meios de comunicação de massa. Evidentemente, o peso de cada quadro de referência tende a variar de acordo com a realidade individual. Seguindo essa linha de raciocínio, no original estudo Muito Além do Jardim Botânico, Carlos Eduardo Lins da Silva constatou como telespectadores do Jornal Nacional acionam seus mecanismos de defesa, individuais ou coletivos, para filtrar as informações veiculadas, traduzindo-as segundo seus próprios valores. "A síntese e as conclusões que um telespectador vai realizar depois de assistir a um telejornal não podem ser antecipadas por ninguém; nem por quem produziu o telejornal, nem por quem assistiu ao mesmo tempo que aquele telespectador", inferiu Carlos Eduardo. Assinale a opção em que o verbo destacado (entre « ») está na voz passiva pronominal.
  1. A)Assim, «fomentou-se» a concepção de que a mídia seria capaz de manipular incondicionalmente uma audiência submissa, passiva e acrítica. (linhas 12-13)
  2. B)As mensagens transmitidas pelos grandes veículos de comunicação não «são recebidas» automaticamente e da mesma maneira por todos os indivíduos. (linhas 16-18)
  3. C)"Os vários tipos de receptor «situam-se» numa complexa rede de referências [...]" (linhas 29-30)
  4. D)"[...] a comunicação interpessoal e a midiática «se completam e modificam» [...]" (linhas 30-31)
  5. E)"A síntese e as conclusões que um telespectador vai realizar [...] não «podem ser antecipadas» por ninguém; [...]" (linhas 36-37)
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