Interpretação de texto · ITA

Interpretação de texto: questões do ITA

108 questões de Interpretação de texto (Português) no ITA (2008–2026). Treine de graça com correção e comentário.

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Questões de Interpretação de texto no ITA

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ITA20262a faseQuestao 1PortuguêsInterpretação de textoMedia
Leia o texto a seguir para responder à questão. "Prefiro a prosa ao verso, como modo de arte, por duas razões, das quais a primeira, que é minha, é que não tenho escolha, pois sou incapaz de escrever em verso. A segunda, porém, é de todos, e não é — creio bem — uma sombra ou disfarce da primeira. Vale pois a pena que eu a esfole, porque toca no sentido íntimo de toda a valia de arte. Considero o verso como uma coisa intermédia, uma passagem da música para a prosa. Como a música, o verso é limitado por leis rítmicas, que, ainda que não sejam as leis rígidas do verso regular, existem todavia como resguardos, coações, dispositivos automáticos de opressão e castigo. Na prosa falamos livres. Podemos incluir ritmos musicais, e contudo pensar. Podemos incluir ritmos poéticos, e contudo estar fora deles. Um ritmo ocasional de verso não estorva a prosa; um ritmo ocasional de prosa faz tropeçar o verso. Na prosa se engloba toda a arte — em parte porque na palavra se contém todo o mundo, em parte porque na palavra livre se contém toda a possibilidade de o dizer e pensar. Na prosa damos tudo, por transposição: a cor e a forma, que a pintura não pode dar senão diretamente, em elas mesmas, sem dimensão íntima; o ritmo, que a música não pode dar senão diretamente, nele mesmo, sem corpo formal, com aquele segundo corpo que é a ideia; a estrutura, que o arquiteto tem que formar de coisas duras, dadas, externas, e nós erguemos em ritmos, em indecisões, em decursos e fluidezas; a realidade, que o escultor tem que deixar no mundo, sem aura nem transubstanciação; a poesia, enfim, em que o poeta, como o iniciado numa ordem oculta, é servo, ainda que voluntário, de um grau e de um ritual." PESSOA, Fernando. O livro do desassossego. São Paulo: Brasiliense, 1986. ——— Segundo os argumentos desenvolvidos, o narrador:
  1. A)prefere a prosa ao verso como subterfúgio para sua incapacidade de escrever poemas.
  2. B)crê que as leis rítmicas, próprias dos versos, restringem a livre expressão do pensamento.
  3. C)julga que a prosa, ao prescindir de estrutura rítmica, compromete a manifestação das ideias.
  4. D)diz que o ritmo acidental do verso impede a prosa, assim como o da prosa afeta o verso.
  5. E)sustenta que a prosa, ao valer-se de transposições, procura imitar outras formas de arte.
ITA20262a faseQuestao 5PortuguêsInterpretação de textoMedia
Leia o texto a seguir para responder à questão. Loucura mansa "Para mim é difícil falar simplesmente do gosto pelos livros, porque em matéria de livros, meu caso é muito mais grave: é um amor que vem desde a infância, que me tem acompanhado a vida inteira, e, ainda mais, é incurável. Não se trata por isso de um interesse periférico, e o prazer que me tem proporcionado em todo este longo percurso, faz com que tenha procurado, permanentemente, desejar que muitas pessoas mais possam também desfrutá-lo. Daí eu aproveitar qualquer oportunidade que me surja (e estás esperando que seja uma delas) para inocular o vírus do amor ao livro em todos os possíveis leitores que já não o tenham adquirido anteriormente. O prazer que o livro pode trazer tem múltiplos aspectos. O primeiro, fundamental, que é óbvio, mas muita gente não se dá conta disso, é o da leitura, através da qual se estabelece um contato com o mundo exterior que abre, para o leitor, horizontes ilimitados. O livro informa, enriquece o espírito, põe a imaginação em movimento, provoca tanto reflexão como emoção, e, enfim, é um grande companheiro. Companheiro ideal, aliás, pois está sempre à disposição, não cria problemas, não se ofende quando solicitado, e se deixa retomar sem histórias, a qualquer hora do dia ou da noite que o leitor deseje. Brincadeira à parte, creio que a utilidade do livro é indiscutível, pois é da permanência no pensamento humano. Sem o livro não teríamos chegado a conhecer a obra dos filósofos, dramaturgos e cientistas da Antiguidade e da Idade Média. A invenção dos tipos móveis por Gutenberg no século XV, permitindo o surgimento do livro impresso, foi uma revolução comparável, e diria mesmo até superior à das nossas atuais da informática, pelo menos até agora. Há um terceiro prazer, e é o prazer físico do contato com o livro. Falo sempre de loucura mansa, e posso assegurar que não é só mansa: é também prazerosa. Sugiro a quem ainda não a tenha que procure contraí-la." MINDLIN, José. Loucura mansa. In: SILVEIRA, Júlio; RIBAS, Martha (Org.). A Paixão pelos livros. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2004, p. 15-16. ——— Considere as assertivas referentes ao que se depreende do conteúdo do texto. Em seguida, assinale a alternativa CORRETA. I. O amor pelo livro provoca efeitos nas dimensões emocional, intelectual e sensorial. II. O texto apela ao recurso de suscitar o desejo de que outras pessoas desfrutem do prazer proporcionado pela leitura. III. A utilidade do livro é inequívoca, porque assegura a perenidade do conhecimento.
  1. A)Todas as assertivas estão corretas.
  2. B)Apenas a assertiva III está correta.
  3. C)Apenas as assertivas I e II estão corretas.
  4. D)Apenas a assertiva I está correta.
  5. E)Apenas as assertivas II e III estão corretas.
ITA20262a faseQuestao 7PortuguêsInterpretação de textoMedia
Leia o texto a seguir para responder à questão. Trecho do romance Fahrenheit 451, de Ray Bradbury, ambientado em uma sociedade distópica em que os livros são proibidos e os bombeiros têm a função de queimá-los. Na cena, fala o capitão Beatty, diante do bombeiro Montag e de sua esposa, Mildred. "— Imagine o quadro. O homem do século dezenove com suas escadas, cachorros, carroças, câmera lenta. Depois, no século vinte, acelere sua câmera. Livros abreviados. Condensações. Resumos. Tabloide. Clássicos reduzidos para se adaptarem a programas de rádio de quinze minutos, depois novamente cortados para uma coluna de livro de dois minutos de leitura, e, por fim, encerrando-se num dicionário, num verbete de dez a doze linhas. (...) De berço até a faculdade e de volta para o berço; este foi o padrão intelectual nos últimos cinco séculos ou mais. (...) A escolaridade é abreviada, disciplina relaxada, as filosofias, as histórias e as línguas são abolidas, gramática e ortografia pouco a pouco negligenciadas e, por fim, quase totalmente ignoradas. A vida é imediata, o emprego é que conta, o prazer está em torno de tudo o trabalho. Por que aprender alguma coisa além de apertar botões, acionar interruptores, ajustar parafusos e porcas? (...)" BRADBURY, R. Fahrenheit 451. Trad. Cid Knipel. São Paulo: Globo, 2012, p. 77-78. ——— A partir do trecho lido, é possível inferir que a sociedade descrita no romance valoriza PRINCIPALMENTE:
  1. A)a informação rápida e sucinta, ainda que de baixa qualidade ou criticidade, em detrimento de uma abordagem reflexiva.
  2. B)o conhecimento dos tabloides ao invés dos livros, desde que mantido o rigor da qualidade do que é consumido.
  3. C)a informação, antes veiculada em livros, agora adaptada e reduzida a colunas de dois minutos de leitura.
  4. D)o conhecimento, desde que abordado de forma sucinta e acessível a todas as pessoas.
  5. E)a informação rápida e sucinta, desde que gravada em dicionários ou verbetes para consultas.
ITA20262a faseQuestao 10PortuguêsInterpretação de textoMedia
Leia o texto a seguir para responder à questão. "(...) Na sociedade da informação, simplesmente não temos tempo para ação racional. A coação da comunicação acelerada nos priva da racionalidade. (...) A racionalidade discursiva é ameaçada, hoje, também pela comunicação afetiva. A gente se deixa afetar demais por informações que se seguem apressadas umas às outras. Afetos são mais rápidos do que a racionalidade. Em uma comunicação afetiva, não prevalecem melhores argumentos, mas as informações com maior potencial de estimular. Desse modo, fake news, notícias falsas, geram mais atenção do que fatos. Um único tuíte que contenha fake news ou fragmentos de informações descontextualizadas é possivelmente mais efetivo do que um argumento fundamentado. (...) Memes são vírus mediais que se propagam, se reproduzem e também se mutam extremamente rápido na rede. (...) A comunicação baseada em memes com contaminação viral dificulta o discurso racional ao mobilizar mais do que nada, afetos. A guerra de memes indica que a comunicação digital privilegia cada vez mais o visual perante o textual. Imagens são, justamente, mais rápidas que os textos. Nem o discurso nem a verdade são virais. (...)" HAN, Byung-Chul. Infocracia: digitalização e a crise da democracia. Petrópolis, RJ: Vozes, 2022, p. 36 e 45. ——— Sobre o processo comunicativo na sociedade da informação, é CORRETO inferir que:
  1. A)a comunicação afetiva, na sociedade da informação, prescinde de informações com maior potencial de estimular.
  2. B)a racionalidade discursiva sobrepuja a comunicação afetiva, por ser uma das características da comunicação da sociedade da informação.
  3. C)a comunicação afetiva e a racionalidade discursiva coadunam-se na propagação de fake news na sociedade da informação.
  4. D)a comunicação afetiva é prejudicial para a racionalidade discursiva, pois permite a propagação de saberes inerentes à sociedade da informação.
  5. E)a comunicação afetiva coíbe a racionalidade discursiva em virtude da velocidade da troca de informações que surge na sociedade da informação.
ITA20262a faseQuestao 14PortuguêsInterpretação de textoMedia
Leia o texto a seguir para responder à questão. "Já temos memória desde o primeiro dia em que nos deram à luz! Temos lembranças assim que acordamos, lembramos que o mundo é magnífico, sentimos um vazio no estômago, uma fralda pesada, molhada, e lembramos que, se choramos, milagrosamente aparece alguém que nos livra do desconforto. (...) O renascimento de um fato psicológico passado, seu reconhecimento e localização são as condições necessárias das lembranças. Ou da memória. Elimine um deles, não será lembrança, mas reminiscência. (...) Um teste clínico simples para detectar a falta de memória, com pacientes com Alzheimer, é perguntar onde e em que ano estamos. (...) A memória é uma mágica não desvendada. Um truque da vida. Uma memória não se acumula sobre a outra, mas ao lado. A memória recente não é resgatada antes da milésima. Elas se embaralham. Minha mãe, com Alzheimer, não se lembra do que comeu no café da manhã. Minha mãe, com Alzheimer, vê meu filho de um ano, que é a minha cara, e o reconhece. Não acha que sou eu, mas o chama de filhinho, de meu filhinho. (...)" PAIVA, Marcelo Rubens. Ainda estou aqui. 1. ed. Rio de Janeiro: Objetiva, 2015, p. 17-19. ——— De acordo com as informações do texto, depreende-se que:
  1. A)as memórias se embaralham e se ordenam lado a lado em portadores de Alzheimer, assim as recentes são preservadas, e as antigas se perdem.
  2. B)a citação a Henri Bergson, que constitui um argumento de senso comum, comprova que a memória é um fenômeno elucidado.
  3. C)as lembranças podem não seguir uma ordem temporal, razão pela qual coexistem de forma desorganizada.
  4. D)a desorientação espaço-temporal não pode ser usada de forma segura na detecção de pacientes com Alzheimer.
  5. E)a mãe do narrador, ao chamar o neto de "filhinho", sinaliza seu desejo de ter tido mais um filho.
ITA20252a faseQuestao 1PortuguêsInterpretação de textoMedia
Leia o texto a seguir para responder à questão. Carta para o Brasil 10 de setembro de 2020. Caro Brasil, Das minhas muitas viagens à América do Sul, nunca tive a oportunidade de visitar você. A maioria delas teve como destino a Cordilheira dos Andes, com o objetivo de observar o magnífico céu do hemisfério sul através de telescópios de alta tecnologia de um consórcio internacional. Mas, mesmo assim, tenho pensado em você com bastante frequência. Como nativo dos Estados Unidos da América, sei em que costumamos pensar quando se trata de você. Não seguindo uma ordem específica, você possui a maior e mais importante floresta tropical do mundo. Você abriga o maior rio do mundo, que, a cada minuto que passa, escoa para o oceano Atlântico um volume de água que daria para encher um estádio de futebol. E, sim, nós sabíamos da existência de seu rio e de sua floresta tropical muito antes de a Amazon.com 1 pegar o nome emprestado. Quer mais? Não há quem não goste de castanha-do-brasil2. Na verdade, nos EUA, nós precisamos pagar pelo pacote “premium” para que elas venham incluídas em nossos mix de castanhas. E mesmo aqueles de nós que quase não acompanham futebol sabem da existência de seus times famosos, ficando na maior expectativa de ver você na final da Copa do Mundo a cada quatro anos. Também sabemos das suas praias deslumbrantes pelas músicas que as cantam — a “Garota de Ipanema” sendo uma delas. Sabemos de suas festas populares, principalmente o Carnaval, e tentamos imitar a intensidade e a alegria dessas celebrações — com dança e música — aqui no nosso hemisfério. Sabemos do seu café. E eu, particularmente, amo a sua bandeira. Há um pedaço do céu noturno estampado nela; mais de duas dezenas de estrelas retraçam constelações autênticas, incluindo o Cruzeiro do Sul. Então, se você perguntasse a qualquer um de nós nos EUA o que vem à nossa cabeça quando seu nome é mencionado, normalmente selecionaríamos algo a partir dessa lista. Você sabe do que nós não nos damos conta? Metade das vezes que embarcamos em voos domésticos, da American Airlines ou de outras companhias aéreas, viajamos num avião da Embraer. Tudo bem, o folheto com instruções de segurança traz impresso nele o nome Embraer. Nós podemos até achar Embraer escrito em letras miúdas em algum lugar da fuselagem. Mas quase nenhum de nós sabe que a aeronave é projetada e fabricada no Brasil. Você poderia alardear “Tecnologia Brasileira”, mas não o faz. Por que não? A Alemanha não hesita em se gabar da dela. Nada mais justo, claro. Todo mundo conhece a qualidade dos produtos fabricados na Alemanha, que, por sua vez, permeiam sua economia aeroespacial, a terceira maior do mundo. Mas, espere. Um dos grandes pioneiros nos primórdios da aviação era brasileiro. Engenheiro brilhante e inventivo, altamente condecorado, Alberto Santos Dumont liderou a transição mundial do transporte aéreo mais leve que o ar para o mais pesado que o ar. O valor de uma semente cultural como essa, plantada no nascimento de uma indústria, é incalculável. Um século depois, você se tornou líder em tecnologias de biocombustíveis — um passo fundamental em direção a uma economia verde onde nossa harmonia com a natureza vai determinar se iremos prosperar, sobreviver ou nos extinguir. Você também possui uma ambiciosa agência espacial, além de ser a sexta maior indústria aeroespacial do mundo. Na América Latina, você também é líder em Tecnologia da Informação. E num país famoso por sua agricultura, quase um terço de sua economia se apoia num setor produtivo impregnado de tecnologia. Então talvez seja a hora de o mundo saber mais a respeito disso. Talvez seja a hora de os brasileiros saberem mais sobre isso. Talvez esteja mais do que na hora de você exibir produtos que declarem: “Fabricado no Brasil.” Seja o que mais for, ou não, verdade no mundo, as economias de crescimento do futuro — mesmo as que possam ser puramente agrícolas — vão girar em torno dos investimentos feitos hoje em ciência, tecnologia, engenharia e matemática. Numa democracia, esses investimentos fluem de um eleitorado letrado cientificamente, que elege líderes esclarecidos e que entendem o valor da educação, das pesquisas e das descobertas. Sem essas perspectivas, ainda estaríamos vivendo em cavernas, com alguns de nós resmungando: “Você não pode explorar o mundo exterior. Primeiro precisa resolver os problemas da nossa caverna.” Para que ninguém se esqueça, o primeiro (e único) astronauta sul-americano foi um engenheiro aeronáutico brasileiro. E quando se deu o lançamento de sua missão? Em 2006, ano do centenário do primeiro avião bem-sucedido de Santos Dumont. E o que ele levou para o espaço? Uma bandeira do Brasil e uma camisa da seleção brasileira de futebol. Os países que mais passam por dificuldades no mundo tendem a ser aqueles com baixos níveis de instrução e com ausência de STEM3 em sua cultura. Você tem os recursos e o legado para liderar toda a América Latina, se não o mundo, no que um país do futuro deveria ser — no que um país do futuro deveria aspirar ser. Se você abraçar e apoiar suas indústrias STEM — e o setor de tecnologia inteiro — então os sonhos dos alunos em toda a cadeia educacional não terão limites, conforme eles forem introduzidos num mundo em que foguetes são o que alimentam as ambições das pessoas que saem pela porta da caverna. Atenciosamente, Neil deGrasse Tyson Fonte: TYSON, Neil deGrasse. Respostas de um astrofísico. Tradução de Nicolas Pettengill; revisão técnica de Alexandre Cherman. 1. ed. Rio de Janeiro: Record, 2020. Recurso eletrônico disponível em: https://neildegrassetyson.com/letters/2020-09-10-letter-to-brazil/portuguese-version. Historicamente, a carta é um dos principais meios de comunicação interpessoal; ela pode conter mensagens pessoais, profissionais, intelectuais e até constituir-se uma forma de comunicação artística. Esta carta do astrofísico americano Neil deGrasse Tyson não foi escrita para uma única pessoa, mas para um país inteiro. Sua abordagem personifica o país ao tratá-lo por “você”, principalmente nos primeiros parágrafos, mas vai paulatinamente desenvolvendo uma abordagem argumentativa. Tyson já apresentou vários programas de televisão; é um autor reconhecido na divulgação e popularização da Ciência e sua carta ao Brasil, publicada no lançamento de seu livro Respostas de um astrofísico (2020), representa suas convicções. Para estabelecer seu vínculo com o leitor brasileiro, o autor se vale, predominantemente, de
  1. A)Argumentos de Autoridade, uma vez que seu lugar de fala é o de um astrofísico reconhecido, com acesso a espaços e tecnologias de alto desenvolvimento, como atesta suas frequentes visitas à “Cordilheira dos Andes, com o objetivo de observar o magnífico céu do hemisfério sul através de telescópios de alta tecnologia de um consórcio internacional”.
  2. B)Argumentos de Analogia, comparando o Brasil a outras grandes nações e incentivando-o a superá-las com seu potencial produtivo e criativo, como se lê em “Por que não? A Alemanha não hesita em se gabar da dela. Nada mais justo, claro.”
  3. C)Argumentos de Prova Concreta, em que se apresentam dados históricos e estatísticos para demonstrar a grandeza do Brasil e a importância de se consolidar como nação científica, como se vê em “Na América Latina, você também é líder em Tecnologia da Informação. E num país famoso por sua agricultura, quase um terço de sua economia se apoia num setor produtivo impregnado de tecnologia.”
  4. D)Argumentos de Senso Comum, uma vez que o autor parte das ideias populares que o imaginário estrangeiro usa para retratar o Brasil, como a biodiversidade, o futebol a Bossa Nova, como se lê em“Como nativo dos Estados Unidos da América, sei em que costumamos pensar quando se trata de você.”
  5. E)Argumentos de Causa e Consequência, uma vez que demonstra que, investindo um pouco mais em propagandas nacionalistas e de autorreconhecimento, “então os sonhos dos alunos em toda a cadeia educacional não terão limites.”
ITA20252a faseQuestao 3PortuguêsInterpretação de textoFacil
Leia o texto a seguir para responder à questão. Carta para o Brasil 10 de setembro de 2020. Caro Brasil, Das minhas muitas viagens à América do Sul, nunca tive a oportunidade de visitar você. A maioria delas teve como destino a Cordilheira dos Andes, com o objetivo de observar o magnífico céu do hemisfério sul através de telescópios de alta tecnologia de um consórcio internacional. Mas, mesmo assim, tenho pensado em você com bastante frequência. Como nativo dos Estados Unidos da América, sei em que costumamos pensar quando se trata de você. Não seguindo uma ordem específica, você possui a maior e mais importante floresta tropical do mundo. Você abriga o maior rio do mundo, que, a cada minuto que passa, escoa para o oceano Atlântico um volume de água que daria para encher um estádio de futebol. E, sim, nós sabíamos da existência de seu rio e de sua floresta tropical muito antes de a Amazon.com 1 pegar o nome emprestado. Quer mais? Não há quem não goste de castanha-do-brasil2. Na verdade, nos EUA, nós precisamos pagar pelo pacote “premium” para que elas venham incluídas em nossos mix de castanhas. E mesmo aqueles de nós que quase não acompanham futebol sabem da existência de seus times famosos, ficando na maior expectativa de ver você na final da Copa do Mundo a cada quatro anos. Também sabemos das suas praias deslumbrantes pelas músicas que as cantam — a “Garota de Ipanema” sendo uma delas. Sabemos de suas festas populares, principalmente o Carnaval, e tentamos imitar a intensidade e a alegria dessas celebrações — com dança e música — aqui no nosso hemisfério. Sabemos do seu café. E eu, particularmente, amo a sua bandeira. Há um pedaço do céu noturno estampado nela; mais de duas dezenas de estrelas retraçam constelações autênticas, incluindo o Cruzeiro do Sul. Então, se você perguntasse a qualquer um de nós nos EUA o que vem à nossa cabeça quando seu nome é mencionado, normalmente selecionaríamos algo a partir dessa lista. Você sabe do que nós não nos damos conta? Metade das vezes que embarcamos em voos domésticos, da American Airlines ou de outras companhias aéreas, viajamos num avião da Embraer. Tudo bem, o folheto com instruções de segurança traz impresso nele o nome Embraer. Nós podemos até achar Embraer escrito em letras miúdas em algum lugar da fuselagem. Mas quase nenhum de nós sabe que a aeronave é projetada e fabricada no Brasil. Você poderia alardear “Tecnologia Brasileira”, mas não o faz. Por que não? A Alemanha não hesita em se gabar da dela. Nada mais justo, claro. Todo mundo conhece a qualidade dos produtos fabricados na Alemanha, que, por sua vez, permeiam sua economia aeroespacial, a terceira maior do mundo. Mas, espere. Um dos grandes pioneiros nos primórdios da aviação era brasileiro. Engenheiro brilhante e inventivo, altamente condecorado, Alberto Santos Dumont liderou a transição mundial do transporte aéreo mais leve que o ar para o mais pesado que o ar. O valor de uma semente cultural como essa, plantada no nascimento de uma indústria, é incalculável. Um século depois, você se tornou líder em tecnologias de biocombustíveis — um passo fundamental em direção a uma economia verde onde nossa harmonia com a natureza vai determinar se iremos prosperar, sobreviver ou nos extinguir. Você também possui uma ambiciosa agência espacial, além de ser a sexta maior indústria aeroespacial do mundo. Na América Latina, você também é líder em Tecnologia da Informação. E num país famoso por sua agricultura, quase um terço de sua economia se apoia num setor produtivo impregnado de tecnologia. Então talvez seja a hora de o mundo saber mais a respeito disso. Talvez seja a hora de os brasileiros saberem mais sobre isso. Talvez esteja mais do que na hora de você exibir produtos que declarem: “Fabricado no Brasil.” Seja o que mais for, ou não, verdade no mundo, as economias de crescimento do futuro — mesmo as que possam ser puramente agrícolas — vão girar em torno dos investimentos feitos hoje em ciência, tecnologia, engenharia e matemática. Numa democracia, esses investimentos fluem de um eleitorado letrado cientificamente, que elege líderes esclarecidos e que entendem o valor da educação, das pesquisas e das descobertas. Sem essas perspectivas, ainda estaríamos vivendo em cavernas, com alguns de nós resmungando: “Você não pode explorar o mundo exterior. Primeiro precisa resolver os problemas da nossa caverna.” Para que ninguém se esqueça, o primeiro (e único) astronauta sul-americano foi um engenheiro aeronáutico brasileiro. E quando se deu o lançamento de sua missão? Em 2006, ano do centenário do primeiro avião bem-sucedido de Santos Dumont. E o que ele levou para o espaço? Uma bandeira do Brasil e uma camisa da seleção brasileira de futebol. Os países que mais passam por dificuldades no mundo tendem a ser aqueles com baixos níveis de instrução e com ausência de STEM3 em sua cultura. Você tem os recursos e o legado para liderar toda a América Latina, se não o mundo, no que um país do futuro deveria ser — no que um país do futuro deveria aspirar ser. Se você abraçar e apoiar suas indústrias STEM — e o setor de tecnologia inteiro — então os sonhos dos alunos em toda a cadeia educacional não terão limites, conforme eles forem introduzidos num mundo em que foguetes são o que alimentam as ambições das pessoas que saem pela porta da caverna. Atenciosamente, Neil deGrasse Tyson Fonte: TYSON, Neil deGrasse. Respostas de um astrofísico. Tradução de Nicolas Pettengill; revisão técnica de Alexandre Cherman. 1. ed. Rio de Janeiro: Record, 2020. Recurso eletrônico disponível em: https://neildegrassetyson.com/letters/2020-09-10-letter-to-brazil/portuguese-version. Historicamente, a carta é um dos principais meios de comunicação interpessoal; ela pode conter mensagens pessoais, profissionais, intelectuais e até constituir-se uma forma de comunicação artística. Esta carta do astrofísico americano Neil deGrasse Tyson não foi escrita para uma única pessoa, mas para um país inteiro. Sua abordagem personifica o país ao tratá-lo por “você”, principalmente nos primeiros parágrafos, mas vai paulatinamente desenvolvendo uma abordagem argumentativa. Tyson já apresentou vários programas de televisão; é um autor reconhecido na divulgação e popularização da Ciência e sua carta ao Brasil, publicada no lançamento de seu livro Respostas de um astrofísico (2020), representa suas convicções. No trecho “[...] num mundo em que foguetes são o que alimentam as ambições das pessoas que saem pela porta da caverna.”, Neil deGrasse Tyson faz uso de um processo de intertextualidade denominado
  1. A)Citação direta: transcrição de trechos autênticos do original.
  2. B)Citação indireta: referência aos trechos autênticos do original.
  3. C)Paráfrase: uso em estilo próprio da referência original.
  4. D)Alusão: menção ao texto original, de forma livre e generalista.
  5. E)Plágio: cópia com a intenção de apropriar-se da ideia original.
ITA20252a faseQuestao 6PortuguêsInterpretação de textoMedia
Leia o texto a seguir para responder à questão. Uma notícia é um relato objetivo de um evento, fato ou acontecimento recente, que informa o público sobre algo relevante que está acontecendo no mundo, na comunidade ou em um determinado contexto. Em geral, esse gênero compõe-se de título, subtítulo, lead, corpo da notícia, identificação de fontes e conclusão. Considere o título e o olho da notícia a seguir: Marcelo Gleiser cita ‘Oppenheimer’ e diz que parte da ciência é cooptada pelo capital “Não existe só um lado heroico na ciência”, afirmou no Roda Viva Fonte: CULTURA UOL. Astrônomo Marcelo Gleiser cita Oppenheimer e diz que parte da ciência é cooptada pelo capital. Disponível em: https://cultura.uol.com.br/noticias/64924 astronomo-marcelo-gleiser-citaoppenheimer-e-diz-que-parte-da-ciencia-e-cooptada-pelo-capital.html. A partir desses elementos, assinale a CORRETA sequência de parágrafos que compõem a notícia, num texto coeso e coerente. I. “Tem um outro lado da ciência, que é o lado cooptado pelo capital. A ciência sempre serviu o poder. Começando com Arquimedes, na Grécia antiga. Ele ajudou o rei de Siracusa a defender Siracusa contra os navios romanos, criando catapultas e espelhos. Não existe só um lado heroico na ciência”, explica. II. O astrônomo cita o filme ‘Oppenheimer’ (2023), que conta a história do “pai” da bomba atômica, para exemplificar os efeitos do capital e do poder sobre a ciência. “Eles [Aliados] tinham medo de que se os nazistas desenvolvessem a bomba atômica seria muito pior (...) faz sentido, mas, na hora de decidir quem vai usar ou não essa bomba, depois que os nazistas já tinham saído da guerra, ou seja, o argumento principal havia acabado, os Estados Unidos usaram a bomba em Hiroshima e Nagasaki, porque os cientistas não tinham nenhum poder sobre essa decisão”, diz. III. O Roda Viva recebe o físico e astrofísico brasileiro Marcelo Gleiser nesta segunda-feira (11). Durante o programa, Gleiser afirma que, apesar da importância dos avanços científicos, há uma dimensão da ciência, controlada pelo capitalismo, que precisa ser criticada. IV. “A crítica não é à ciência em si. É como a ciência é usada pelo poder e até que ponto o cientista perde o controle das suas próprias ideias quando existe esse pacto entre a ciência e o poder”, defende Gleiser.
  1. A)I, II, III, IV.
  2. B)II, III, IV, I.
  3. C)III, I, II, IV.
  4. D)III, IV, I, II.
  5. E)IV, II, I, III.
ITA20252a faseQuestao 14PortuguêsInterpretação de textoMedia
Leia o texto a seguir para responder à questão. Parabolicamará Gilberto Gil Antes mundo era pequeno Porque Terra era grande Hoje mundo é muito grande Porque Terra é pequena Do tamanho da antena parabolicamará Ê, volta do mundo, camará Ê, ê, mundo dá volta, camará Antes longe era distante Perto, só quando dava Quando muito, ali defronte E o horizonte acabava Hoje lá trás dos montes, den de casa, camará Ê, volta do mundo, camará Ê, ê, mundo dá volta, camará De jangada leva uma eternidade De saveiro leva uma encarnação Pela onda luminosa Leva o tempo de um raio Tempo que levava Rosa Pra aprumar o balaio Quando sentia que o balaio ia escorregar Ê, volta do mundo, camará Ê, ê, mundo dá volta, camará Esse tempo nunca passa Não é de ontem nem de hoje Mora no som da cabaça Nem tá preso nem foge No instante que tange o berimbau, meu camará Ê, volta do mundo, camará Ê, ê, mundo da volta, camará De jangada leva uma eternidade De saveiro leva uma encarnação De avião, o tempo de uma saudade Esse tempo não tem rédea Vem nas asas do vento O momento da tragédia Chico, Ferreira e Bento Só souberam na hora do destino apresentar Ê, volta do mundo, camará Ê, ê, mundo dá volta, camará Glossário: 1. camará: forma reduzida como os jogadores de capoeira (luta-dança afro-brasileira) usam se chamar, enquanto dançam e cantam. 2. saveiro: embarcação de pouco fundo e boca larga, de um a dois mastros, usada para transporte de pessoal e carga ou para pescar. Fonte: GIL, Gilberto. Parabolicamará. 1992. Sabendo que a autoria e publicação da canção se deu no início da década de 1990, considere as assertivas, que expressam leituras a partir da letra. Em seguida, assinale a alternativa CORRETA. I. Os cinco primeiros versos evidenciam os impactos da globalização na organização do espaço geográfico mundial. II. Como crítica social, a letra aponta para a desvalorização da cultura regional, impactada pelo processo de globalização. III. A evolução dos meios de comunicação alterou a percepção espaço-temporal, reduzindo as distâncias e aumentando a velocidade e a fluidez das informações. IV. A metáfora da antena parabólica representa a integração de diversas regiões do globo, atuando na diminuição das distâncias, o que tornou a Terra pequena.
  1. A)Apenas as afirmativas I e III estão corretas.
  2. B)Apenas as afirmativas I, III e IV estão corretas.
  3. C)Apenas as afirmativas II e IV estão corretas.
  4. D)Todas as afirmativas estão corretas.
  5. E)Todas as afirmativas estão incorretas.
ITA20211a faseQuestao 27PortuguêsInterpretação de textoMedia
Leia o trecho destacado de “Teoria do medalhão”: “Melhor do que tudo isso, porém, que afinal não passa de mero adorno, são as frases feitas, as locuções convencionais, as fórmulas consagradas pelos anos, incrustadas na memória individual e pública. Essas fórmulas têm a vantagem de não obrigar a outros a um esforço inútil.” Assinale a alternativa que explicita corretamente o significado de “esforço inútil” no contexto.
  1. A)decorar frases feitas.
  2. B)pensar.
  3. C)estudar retórica.
  4. D)estudar gramática.
  5. E)saber outras línguas.
ITA20211a faseQuestao 28PortuguêsInterpretação de textoMedia
Leia atentamente o trecho destacado de “Presença”: “Ele pousou a mala no chão e pediu um apartamento. Por quanto tempo? Não estava bem certo, talvez uns vinte dias. Ou mais. O porteiro examinou-o da cabeça aos pés. Forçou o sorriso paternal, disfarçando o espanto com uma cordialidade exagerada, Mas o jovem queria um apartamento? Ali, naquele hotel?!” Assinale a alternativa correta relativamente ao grifo do pronome demonstrativo e o uso da pontuação.
  1. A)indicam a enorme distância entre as personagens e o hotel.
  2. B)sugerem que havia outros hotéis à disposição.
  3. C)cumprem a função de destacar o absurdo da escolha do jovem.
  4. D)enfatizam o momento oportuno para as férias do rapaz.
  5. E)indicam que o porteiro desejava enfaticamente que o jovem se hospedasse naquele hotel.
ITA20201a faseQuestao 21PortuguêsInterpretação de textoMedia
Leia o trecho destacado para responder às questões 20 e 21. Mas, apesar de montado, o chefe ainda chamou Nhô Augusto, para dizer: —Mano velho, o senhor gosta de briga, e entende. Está-se vendo que não viveu sempre aqui nesta grota, capinando roça e cortando lenha... Não quero especular coisa de sua vida p'ra trás, nem se está se escondendo de algum crime. Mas, comigo é que o senhor havia de dar sorte! Quer se amadrinhar com meu povo? Quer vir junto? —Ah, não posso! Não me tenta, que eu não posso, seu Joãozinho Bem-Bem... —Pois então, mano velho, paciência. —Mas nunca que eu hei de me esquecer dessa sua bizarria, meu amigo, meu parente, seu Joãozinho Bem-Bem! [Sagarana, p. 319]. Assinale a alternativa que apresenta corretamente o sentido de BIZARRIA no trecho destacado.
  1. A)Excentricidade.
  2. B)Nobreza de caráter ou brio.
  3. C)Esquisitice.
  4. D)Elegância, garbo.
  5. E)Arrogância ou insolência.
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