Figuras de linguagem · ITA

Figuras de linguagem: questões do ITA

13 questões de Figuras de linguagem (Português) no ITA (2008–2026). Treine de graça com correção e comentário.

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Questões de Figuras de linguagem no ITA

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ITA20262a faseQuestao 8PortuguêsFiguras de linguagemDificil
Leia o texto a seguir para responder à questão. Trecho do romance Fahrenheit 451, de Ray Bradbury, em que fala o capitão Beatty. ——— Analise o excerto abaixo e julgue as assertivas quanto aos recursos linguísticos empregados no texto. Em seguida, assinale a alternativa CORRETA. "(...) Clique, Fotografe, Olhe, Observe, Filme, Aqui, Ali, Depressa, Passe, Suba, Desça, Entre, Saia, Por quê, Como, Quem, O quê?, Onde, Hein?, Ui! Bum! Tchan! Pôin, Pim, Pam, Pum!" I. O uso de sequência de verbos sem complemento contribui para dar o efeito de rapidez da mudança e simplificação que ocorreu com os produtos culturais. II. O predomínio do imperativo faz alusão a uma sociedade que manipula seus cidadãos de forma imperceptível por meio de produtos culturais. III. A gradação dos recursos linguísticos do trecho, que inicia com verbo e termina com onomatopeia, contribui para evidenciar o processo de simplificação dos produtos culturais. IV. A anáfora do trecho, iniciada com verbos de comando e finalizada com onomatopeias, contribui para a crítica acerca do processo de simplificação dos produtos culturais.
  1. A)Apenas as assertivas I e II estão corretas.
  2. B)Apenas as assertivas I, II e III estão corretas.
  3. C)Apenas as assertivas I, II e IV estão corretas.
  4. D)Apenas as assertivas II, III e IV estão corretas.
  5. E)Todas as assertivas estão corretas.
ITA20252a faseQuestao 10PortuguêsFiguras de linguagemMedia
Leia o texto a seguir para responder à questão. “Fez Cristo aos Apóstolos pescadores de homens, que foi ordená-los de pregadores; e que faziam os Apóstolos? Diz o texto que estavam: Reficientes retia sua: “Refazendo as redes suas”; eram as redes dos Apóstolos, e não eram alheias. Notai: Retia sua: Não diz que eram suas porque as compraram, senão que eram suas porque as faziam; não eram suas porque lhes custaram o seu dinheiro, senão porque lhes custavam o seu trabalho. Desta maneira eram as redes suas; e porque desta maneira eram suas, por isso eram redes de pescadores que haviam de pescar homens. Com redes alheias, ou feitas por mão alheia, podem-se pescar peixes, homens não se podem pescar. A razão disto é porque nesta pesca de entendimentos só quem sabe fazer a rede sabe fazer o lanço. Como se faz uma rede? Do fio e do nó se compõe a malha; quem não enfia nem ata, como há de fazer rede? E quem não sabe enfiar nem sabe atar, como há de pescar homens? A rede tem chumbada que vai ao fundo, e tem cortiça que nada em cima da água. A pregação tem umas coisas de mais peso e de mais fundo, e tem outras mais superficiais e mais leves; e governar o leve e o pesado, só o sabe fazer quem faz a rede. Na boca de quem não faz a pregação, até o chumbo é cortiça. As razões não hão de ser enxertadas, hão de ser nascidas. O pregar não é recitar. As razões próprias nascem do entendimento, as alheias vão pegadas à memória, e os homens não se convencem pela memória, senão pelo entendimento.” [...] Fonte: VIEIRA, Antônio. Sermão da Sexagésima. Sermões de quarta-feira de cinza. São Paulo: Moderna, 2017. Assinale a alternativa que apresenta a análise coerente do trecho “[...] na boca de quem não faz a pregação, até o chumbo é cortiça”.
  1. A)Apresenta metáforas que acabam por formar ideias em antítese.
  2. B)Trata-se de imagem sinestésica, de apelo sensorial.
  3. C)Está em sentido literal e se refere ao elemento aplicado nas redes de pescaria.
  4. D)Constitui hipérbole que amplifica a importância do pregador e sua fala.
  5. E)É um eufemismo que amortece o teor crítico em relação ao “que não faz pregação”.
ITA20252a faseQuestao 15PortuguêsFiguras de linguagemMedia
Leia o texto a seguir para responder à questão. Parabolicamará Gilberto Gil Antes mundo era pequeno Porque Terra era grande Hoje mundo é muito grande Porque Terra é pequena Do tamanho da antena parabolicamará Ê, volta do mundo, camará Ê, ê, mundo dá volta, camará Antes longe era distante Perto, só quando dava Quando muito, ali defronte E o horizonte acabava Hoje lá trás dos montes, den de casa, camará Ê, volta do mundo, camará Ê, ê, mundo dá volta, camará De jangada leva uma eternidade De saveiro leva uma encarnação Pela onda luminosa Leva o tempo de um raio Tempo que levava Rosa Pra aprumar o balaio Quando sentia que o balaio ia escorregar Ê, volta do mundo, camará Ê, ê, mundo dá volta, camará Esse tempo nunca passa Não é de ontem nem de hoje Mora no som da cabaça Nem tá preso nem foge No instante que tange o berimbau, meu camará Ê, volta do mundo, camará Ê, ê, mundo da volta, camará De jangada leva uma eternidade De saveiro leva uma encarnação De avião, o tempo de uma saudade Esse tempo não tem rédea Vem nas asas do vento O momento da tragédia Chico, Ferreira e Bento Só souberam na hora do destino apresentar Ê, volta do mundo, camará Ê, ê, mundo dá volta, camará Glossário: 1. camará: forma reduzida como os jogadores de capoeira (luta-dança afro-brasileira) usam se chamar, enquanto dançam e cantam. 2. saveiro: embarcação de pouco fundo e boca larga, de um a dois mastros, usada para transporte de pessoal e carga ou para pescar. Fonte: GIL, Gilberto. Parabolicamará. 1992. Na canção, o tempo é concebido sob diversas perspectivas. Em quais versos nota-se a representação de tempo como metáfora para rapidez?
  1. A)“Antes longe era distante / Perto, só quando dava”.
  2. B)“ Ê volta do mundo, camará / Ê volta do mundo, camará”
  3. C)“Esse tempo não tem rédea/ Vem nas asas do vento”
  4. D)“De jangada leva uma eternidade / de saveiro uma encarnação”.
  5. E)“Esse tempo nunca passa / Não é de ontem nem de hoje”.
ITA20181a faseQuestao 31PortuguêsFiguras de linguagemMedia
As questões de 27 a 31 referem-se ao texto a seguir: Texto 1 1 Achei que estava bem na foto. Magro, olhar vivo, rindo com os amigos na praia. Quase não havia cabelos brancos entre os poucos que sobreviviam. Comparada ao homem de hoje, era a fotografia de um jovem. Tinha 50 anos naquela época, entretanto, idade em que me considerava bem distante da juventude. Se me for dado o privilégio de chegar aos 90 em pleno domínio da razão, é possível que uma imagem de agora me cause impressão semelhante. 2 O envelhecimento é sombra que nos acompanha desde a concepção: o feto de seis meses é muito mais velho do que o embrião de cinco dias. Lidar com a inexorabilidade desse processo exige uma habilidade na qual nós somos inigualáveis: a adaptação. Não há animal capaz de criar soluções diante da adversidade como nós, de sobreviver em nichos ecológicos que vão do calor tropical às geleiras do Ártico. 3 Da mesma forma que ensaiamos os primeiros passos por imitação, temos que aprender a ser adolescentes, adultos e a ficar cada vez mais velhos. A adolescência é um fenômeno moderno. Nossos ancestrais passavam da infância à vida adulta sem estágios intermediários. Nas comunidades agrárias o menino de sete anos trabalhava na roça e as meninas cuidavam dos afazeres domésticos antes de chegar a essa idade. 4 A figura do adolescente que mora com os pais até os 30 anos, sem abrir mão do direito de reclamar da comida à mesa e da camisa mal passada, surgiu nas sociedades industrializadas depois da Segunda Guerra Mundial. Bem mais cedo, nossos avós tinham filhos para criar. 5 A exaltação da juventude como o período áureo da existência humana é um mito das sociedades ocidentais. Confinar aos jovens a publicidade dos bens de consumo, exaltar a estética, os costumes e os padrões de comportamento característicos dessa faixa etária tem o efeito perverso de insinuar que o declínio começa assim que essa fase se aproxima do fim. 6 A ideia de envelhecer aflige mulheres e homens modernos, muito mais do que afligia nossos antepassados. Sócrates tomou cicuta aos 70 anos, Cícero foi assassinado aos 63, Matusalém sabe-se lá quantos anos teve, mas seus contemporâneos gregos, romanos ou judeus viviam em média 30 anos. No início do século 20, a expectativa de vida ao nascer nos países da Europa mais desenvolvida não passava dos 40 anos. 7 A mortalidade infantil era altíssima; epidemias de peste negra, varíola, malária, febre amarela, gripe e tuberculose dizimavam populações inteiras. Nossos ancestrais viveram num mundo devastado por guerras, enfermidades infecciosas, escravidão, dores sem analgesia e a onipresença da mais temível das criaturas. Que sentido haveria em pensar na velhice quando a probabilidade de morrer jovem era tão alta? Seria como hoje preocupar-nos com a vida aos cem anos de idade, que pouquíssimos conhecerão. 8 Os que estão vivos agora têm boa chance de passar dos 80. Se assim for, é preciso sabedoria para aceitar que nossos atributos se modificam com o passar dos anos. Que nenhuma cirurgia devolverá aos 60 o rosto que tínhamos aos 18, mas que envelhecer não é sinônimo de decadência física para aqueles que se movimentam, não fumam, comem com parcimônia, exercitam a cognição e continuam atentos às transformações do mundo. 9 Considerar a vida um vale de lágrimas no qual submergimos de corpo e alma ao deixar a juventude é torná-la experiência medíocre. Julgar, aos 80 anos, que os melhores foram aqueles dos 15 aos 25 é não levar em conta que a memória é editora autoritária, capaz de suprimir por conta própria as experiências traumáticas e relegar ao esquecimento inseguranças, medos, desilusões afetivas, riscos desnecessários e as burradas que fizemos nessa época. 10 Nada mais ofensivo para o velho do que dizer que ele tem "cabeça de jovem". É considerá-lo mais inadequado do que o rapaz de 20 anos que se comporta como criança de dez. Ainda que maldigamos o envelhecimento, é ele que nos traz a aceitação das ambiguidades, das diferenças, do contraditório e abre espaço para uma diversidade de experiências com as quais nem sonhávamos anteriormente. ——— Em todas as opções, o autor vale-se de metáforas para construir sua argumentação, EXCETO em
  1. A)sombra que nos acompanha (parágrafo 2).
  2. B)período áureo (parágrafo 5).
  3. C)dores sem analgesia (parágrafo 7).
  4. D)a mais temível das criaturas (parágrafo 7).
  5. E)editora autoritária (parágrafo 9).
ITA20161a faseQuestao 27PortuguêsFiguras de linguagemMedia
Leia o Texto 1 para responder à questão. Texto 1 (Rubem Alves) Vou confessar um pecado: às vezes, faço maldades. Mas não faço por mal. Faço o que faziam os mestres zen com seus "koans". "Koans" eram rasteiras que os mestres passavam no pensamento dos discípulos. Eles sabiam que só se aprende o novo quando as certezas velhas caem. E acontece que eu gosto de passar rasteiras em certezas de jovens e de velhos... Pois o que eu faço é o seguinte. Lá estão os jovens nos semáforos, de cabeças raspadas e caras pintadas, na maior alegria, celebrando o fato de haverem passado no vestibular. Estão pedindo dinheiro para a festa! Eu paro o carro, abro a janela e na maior seriedade digo: "Não vou dar dinheiro. Mas vou dar um conselho. Sou professor emérito da Unicamp. O conselho é este: salvem-se enquanto é tempo!". Aí o sinal fica verde e eu continuo. "Mas que desmancha-prazeres você é!", vocês me dirão. É verdade. Desmancha-prazeres. Prazeres inocentes baseados no engano. Porque aquela alegria toda se deve precisamente a isto: eles estão enganados. Estão alegres porque acreditam que a universidade é a chave do mundo. Acabaram de chegar ao último patamar. As celebrações têm o mesmo sentido que os eventos iniciáticos – nas culturas ditas primitivas, as provas a que têm de se submeter os jovens que passaram pela puberdade. Passadas as provas e os seus sofrimentos, os jovens deixaram de ser crianças. Agora são adultos, com todos os seus direitos e deveres. Podem assentar-se na roda dos homens. Assim como os nossos jovens agora podem dizer: "Deixei o cursinho. Estou na universidade". Houve um tempo em que as celebrações eram justas. Isso foi há muito tempo, quando eu era jovem. Naqueles tempos, um diploma universitário era garantia de trabalho. Os pais se davam como prontos para morrer quando uma destas coisas acontecia: 1) a filha se casava. Isso garantia o seu sustento pelo resto da vida; 2) a filha tirava o diploma de normalista. Isso garantiria o seu sustento caso não casasse; 3) o filho entrava para o Banco do Brasil; 4) o filho tirava diploma. O diploma era mais que garantia de emprego. Era um atestado de nobreza. Quem tirava diploma não precisava trabalhar com as mãos, como os mecânicos, pedreiros e carpinteiros, que tinham mãos rudes e sujas. Para provar para todo mundo que não trabalhavam com as mãos, os diplomados tratavam de pôr no dedo um anel com pedra colorida. Havia pedras para todas as profissões: médicos, advogados, músicos, engenheiros. Até os bispos tinham suas pedras. (Ah! Ia me esquecendo: os pais também se davam como prontos para morrer quando o filho entrava para o seminário para ser padre – aos 45 anos seria bispo – ou para o exército para ser oficial – aos 45 anos seria general.) Essa ilusão continua a morar na cabeça dos pais e é introduzida na cabeça dos filhos desde pequenos. Profissão honrosa é profissão que tem diploma universitário. Profissão rendosa é a que tem diploma universitário. Cria-se, então, a fantasia de que as únicas opções de profissão são aquelas oferecidas pelas universidades. Quando se pergunta a um jovem "O que é que você vai fazer?", o sentido dessa pergunta é "Quando você for preencher os formulários do vestibular, qual das opções oferecidas você vai escolher?". E as opções não oferecidas? Haverá alternativas de trabalho que não se encontram nos formulários de vestibular? Como todos os pais querem que seus filhos entrem na universidade e (quase) todos os jovens querem entrar na universidade, configura-se um mercado imenso, mas imenso mesmo, de pessoas desejosas de diplomas e prontas a pagar o preço. Enquanto houver jovens que não passam nos vestibulares das universidades do Estado, haverá mercado para a criação de universidades particulares. É um bom negócio. Alegria na entrada. Tristeza ao sair. Forma-se, então, a multidão de jovens com diploma na mão, mas que não conseguem arranjar emprego. Por uma razão aritmética: o número de diplomados é muitas vezes maior que o número de empregos. Já sugeri que os jovens que entram na universidade deveriam aprender, junto com o curso "nobre" que frequentam, um ofício: marceneiro, mecânico, cozinheiro, jardineiro, técnico de computador, eletricista, encanador, descupinizador, motorista de trator... O rol de ofícios possíveis é imenso. Pena que, nas escolas, as crianças e os jovens não sejam informados sobre essas alternativas, por vezes mais felizes e mais rendosas. Tive um amigo professor que foi guindado, contra a sua vontade, à posição de reitor de um grande colégio americano no interior de Minas. Ele odiava essa posição porque era obrigado a fazer discursos. E ele tremia de medo de fazer discursos. Um dia ele desapareceu sem explicações. Voltou com a família para o seu país, os Estados Unidos. Tempos depois, encontrei um amigo comum e perguntei: "Como vai o Fulano?". Respondeu-me: "Felicíssimo. É motorista de um caminhão gigantesco que cruza o país!". (Rubem Alves. Diploma não é solução, Folha de S. Paulo, 25/05/2004.) Assinale a opção em que o segmento NÃO apresenta a figura de pensamento a ele atribuída.
  1. A)[...] às vezes, faço maldades. Mas não faço por mal. (linha 1) — Paradoxo
  2. B)[...] configura-se um mercado imenso, mas imenso mesmo, (linha 42) — Gradação
  3. C)Alegria na entrada. Tristeza ao sair. (linha 45) — Antítese
  4. D)E ele tremia de medo de fazer discursos. (linhas 54 e 55) — Ironia
  5. E)É motorista de um caminhão gigantesco que cruza o país! (linha 57) — Hipérbole
ITA20151a faseQuestao 28PortuguêsFiguras de linguagemMedia
Leia o Texto 1, de Rubem Braga — publicado pela primeira vez em 1952, no jornal Correio da Manhã, do Rio —, para responder à questão. TEXTO 1 1 José Leal fez uma reportagem na Ilha das Flores, onde ficam os imigrantes logo que chegam. E 2 falou dos equívocos de nossa política imigratória. As pessoas que ele encontrou não eram agricultores e 3 técnicos, gente capaz de ser útil. Viu músicos profissionais, bailarinas austríacas, cabeleireiras lituanas. 4 Paul Balt toca acordeão, Ivan Donef faz coquetéis, Galar Bedrich é vendedor, Serof Nedko é ex-oficial, 5 Luigi Tonizo é jogador de futebol, Ibolya Pohl é costureira. Tudo gente para o asfalto, “para entulhar as 6 grandes cidades”, como diz o repórter. 7 O repórter tem razão. Mas eu peço licença para ficar imaginando uma porção de coisas vagas, ao 8 olhar essas belas fotografias que ilustram a reportagem. Essa linda costureirinha morena de Badajoz, 9 essa Ingeborg que faz fotografias e essa Irgard que não faz coisa alguma, esse Stefan Cromick cuja 10 única experiência na vida parece ter sido vender bombons – não, essa gente não vai aumentar a 11 produção de batatinhas e quiabos nem plantar cidades no Brasil Central. 12 É insensato importar gente assim. Mas o destino das pessoas e dos países também é, muitas 13 vezes, insensato: principalmente da gente nova e países novos. A humanidade não vive apenas de 14 carne, alface e motores. Quem eram os pais de Einstein, eu pergunto; e se o jovem Chaplin quisesse 15 hoje entrar no Brasil acaso poderia? Ninguém sabe que destino terão no Brasil essas mulheres louras, 16 esses homens de profissões vagas. Eles estão procurando alguma coisa: emigraram. Trazem pelo 17 menos o patrimônio de sua inquietação e de seu apetite de vida. Muitos se perderão, sem futuro, na 18 vagabundagem inconsequente das cidades; uma mulher dessas talvez se suicide melancolicamente 19 dentro de alguns anos, em algum quarto de pensão. Mas é preciso de tudo para fazer um mundo; e cada 20 pessoa humana é um mistério de heranças e de taras. Acaso importamos o pintor Portinari, o arquiteto 21 Niemeyer, o físico Lattes? E os construtores de nossa indústria, como vieram eles ou seus pais? Quem 22 pergunta hoje, e que interessa saber, se esses homens ou seus pais ou seus avós vieram para o Brasil 23 como agricultores, comerciantes, barbeiros ou capitalistas, aventureiros ou vendedores de gravata? Sem 24 o tráfico de escravos não teríamos tido Machado de Assis, e Carlos Drummond seria impossível sem 25 uma gota de sangue (ou uísque) escocês nas veias, e quem nos garante que uma legislação exemplar 26 de imigração não teria feito Roberto Burle Marx nascer uruguaio, Vila Lobos mexicano, ou Pancetti 27 chileno, o general Rondon canadense ou Noel Rosa em Moçambique? Sejamos humildes diante da 28 pessoa humana: o grande homem do Brasil de amanhã pode descender de um clandestino que neste 29 momento está saltando assustado na praça Mauá, e não sabe aonde ir, nem o que fazer. Façamos uma 30 política de imigração sábia, perfeita, materialista; mas deixemos uma pequena margem aos inúteis e aos 31 vagabundos, às aventureiras e aos tontos porque dentro de algum deles, como sorte grande da 32 fantástica loteria humana, pode vir a nossa redenção e a nossa glória. (BRAGA, R. Imigração. In: A borboleta amarela. Rio de Janeiro, Editora do Autor, 1963) Assinale a opção em que há metonímia.
  1. A)gente para o asfalto (linha 5)
  2. B)plantar cidades (linha 11)
  3. C)apetite de vida (linha 17)
  4. D)fazer um mundo (linha 19)
  5. E)loteria humana (linha 32)
ITA20131a faseQuestao 24PortuguêsFiguras de linguagemMedia
Leia o Texto 1 (crônica de Marion Strecker) para responder à questão. TEXTO 1 Escravos da tecnologia Não, não vou falar das fábricas que atraem trabalhadores honestos e os tratam de forma desumana. Cada vez que um produto informa orgulhoso que foi desenhado na Califórnia e fabricado na China, sinto um arrepio na espinha. Conheço e amo essas duas partes do mundo. Também conheço a capacidade de a tecnologia eliminar empregos. Parece o sonho de todo patrão: muita margem de lucro e poucos empregados. Se possível, nenhum! Tudo terceiro! Conheço ainda como a tecnologia é capaz de criar empregos. Vivo há 15 anos num meio que disputa engenheiros e técnicos a tapa, digo, a dólares. O que acontece aí no Brasil, nessa área, acontece igualzinho no Vale do Silício: empresas tentando arrancar talentos umas das outras. Aqui, muitos decidem tentar a sorte abrindo sua própria start-up, em vez de encher o bolso do patrão. Estou rodeada também de investidores querendo fazer apostas para... voltar a encher os bolsos ainda mais. Mas queria falar hoje de outro tipo de escravidão tecnológica. Não dos que dormiram na rua sob chuva para comprar o novo iPhone 4S... Quero reclamar de quanto nós estamos tendo de trabalhar de graça para os sistemas, cada vez que tentamos nos mover na Internet. Isso é escravidão – e odeio isso. Outro dia, fiz aniversário e fui reservar uma mesa num restaurante bacana da cidade. Achei o site do restaurante, lindo, e pareceu fácil de reservar on-line. Caí no OpenTable, sistema bastante usado e eficaz por aqui. Escolhi dia, hora, informei número de pessoas e, claro, tive de dar meu nome, e-mail e telefone. Dois dias antes da data marcada, precisei mudar o número de participantes, pois tive confirmação de mais pessoas. Entrei no site, mas aí nem o site nem o OpenTable podiam modificar a reserva on-line, pela proximidade do jantar. A recomendação era... telefonar ao restaurante! Humm... Telefonei. Secretária eletrônica. Deixei recado. No dia seguinte um funcionário do restaurante me ligou, confirmando ter ouvido o recado e tudo certo com o novo tamanho da mesa. Incrível! Que felicidade ouvir um ser humano de verdade me dando a resposta que eu queria ouvir! Hoje, tentando dar conta da leitura dos vários e-mails que recebo, tentando arduamente não perder os relevantes, os imprescindíveis, os dos amigos, os da família e os dos leitores, recebi um do OpenTable. Queriam que avaliasse minha experiência no restaurante. Tudo bem, concordo que ranking de público é coisa legal. Mas posso dizer outra coisa? Não tenho tempo de ficar entrando em sites e preenchendo questionários de avaliação de cada refeição, produto e serviço que usufruo na vida! Simples assim! Sem falar que é chato! Ainda mais agora que os crescentes intermediários eletrônicos se metem no jogo entre o cliente e o fornecedor. Quando o garçom ou o "maitre" perguntam se a comida está boa, você fica contente em responder, até porque eles podem substituir o prato se você não estiver gostando. Mas quando um terceiro se mete nessa relação sem ser chamado, pode ser excessivo e desagradável. Parece que todas as empresas do mundo decidiram que, além de exigir informações cadastrais, logins e senhas, e empurrar goela abaixo seus sistemas automáticos de atendimento, tenho agora de preencher fichas pós-venda eletronicamente, de modo que as estatísticas saiam prontas e baratinhas para eles do outro lado da tela, à custa do meu precioso tempo! Por que o OpenTable tem de perguntar de novo o que achei da comida? Eu sei. Porque para o OpenTable essa informação tem um valor diferente. Não contente em fazer reservas, quis invadir a praia do Yelp, o grande guia local que lista e traz avaliações dos clientes para tudo quanto é tipo de serviço, a começar pelos restaurantes. O Yelp, por sua vez, invadiu a praia do Zagat (recém-comprado pelo Google), tradicionalíssimo guia (em papel) de restaurantes, que, por décadas, foi alimentado pelas avaliações dos leitores, via correio. As relações cliente-fornecedor estão mudando. Não faltarão "redutores" de custos e atravessadores on-line. (Marion Strecker. Folha de S. Paulo, 20/10/2011. Texto adaptado.) (*) Start-up: empresa com baixo custo de manutenção, que consegue crescer rapidamente e gerar grandes e crescentes lucros em condições de extrema incerteza. Assinale a opção em que no trecho selecionado NÃO se evidencia o recurso à linguagem figurada.
  1. A)Também conheço a capacidade de a tecnologia eliminar empregos. (linha 4)
  2. B)Vivo há 15 anos num meio que disputa engenheiros e técnicos a tapa, digo, a dólares. (linhas 6 e 7)
  3. C)Aqui, muitos decidem tentar a sorte abrindo sua própria start-up, em vez de encher o bolso do patrão. (linhas 8 e 9)
  4. D)Parece que todas as empresas do mundo decidiram que, além de exigir informações cadastrais, logins e senhas, e empurrar goela abaixo seus sistemas automáticos de atendimento, [...]. (linhas 33 a 35)
  5. E)Não contente em fazer reservas, quis invadir a praia do Yelp, o grande guia local que lista e traz avaliações dos clientes para tudo quanto é tipo de serviço, a começar pelos restaurantes. (linhas 38 e 39)
ITA20121a faseQuestao 39PortuguêsFiguras de linguagemDificil
As questões 38 e 39 referem-se ao trecho de O Guarani, de José de Alencar. Leia-o para responder à questão. O Guarani — José de Alencar (trecho) 1 De um dos cabeços da Serra dos Órgãos desliza um fio de água que se dirige para o norte, e engrossado com os mananciais, que recebe no seu curso de dez léguas, torna-se rio caudal. É o Paquequer: saltando de cascata em cascata, enroscando-se como uma serpente, vai depois se espreguiçar na várzea e embeber no Paraíba, que rola majestosamente em seu vasto leito. 5 Dir-se-ia que, vassalo e tributário desse rei das águas, o pequeno rio, altivo e sobranceiro contra os rochedos, curva-se humildemente aos pés do suserano. Perde então a beleza selvática; suas ondas são calmas e serenas como as de um lago, e não se revoltam contra os barcos e as canoas que resvalam sobre elas: escravo submisso, sofre o látego* do senhor. Não é neste lugar que ele deve ser visto; sim três ou quatro léguas acima de sua foz, onde é livre ainda, 10 como o filho indômito desta pátria da liberdade. Aí, Paquequer lança-se rápido sobre o seu leito, e atravessa as florestas como o tapir, espumando, deixando o pelo esparso pelas pontas do rochedo, e enchendo a solidão com o estampido de sua carreira. De repente, falta-lhe o espaço, foge-lhe a terra; o soberbo rio recua um momento para concentrar as suas forças, e precipita-se de um só arremesso, como o tigre sobre a presa. (José de Alencar. O Guarani.) (*) látego: chicote No contexto da obra, a personificação da natureza I. descreve um cenário fiel ao ambiente natural. II. exibe a grandiosidade da natureza do país. III. antecipa as características determinantes dos dois protagonistas masculinos. Está correto o que se afirma apenas em
  1. A)I.
  2. B)I e II.
  3. C)I e III.
  4. D)II.
  5. E)II e III.
ITA20111a faseQuestao 25PortuguêsFiguras de linguagemMedia
As questões de 21 a 27 referem-se ao texto a seguir: 1 Véspera de um dos muitos feriados em 2009 e a insana tarefa de mover-se de um bairro a outro em São 2 Paulo para uma reunião de trabalho. Claro que a cidade já tinha travado no meio da tarde. De táxi, pagaria uma 3 fortuna para ficar parada e chegar atrasada, pois até as vias alternativas que os taxistas conhecem estavam 4 entupidas. De ônibus, nem o corredor funcionaria, tomado pela fila dos mastodônticos veículos. Uma dádiva: 5 eu não estava de carro. Com as pernas livres dos pedais do automóvel e um sapato baixo, nada como viver a 6 liberdade de andar a pé. Carro já foi sinônimo de liberdade, mas não contava com o congestionamento. 7 Liberdade de verdade é trafegar entre os carros, e mesmo sem apostar corrida, observar que o 8 automóvel na rua anda à mesma velocidade média que você na calçada. É quase como flanar. Sei, como 9 motorista, que o mais irritante do trânsito é quando o pedestre naturalmente te ultrapassa. Enquanto você, no 10 carro, gasta dinheiro para encher o ar de poluentes, esquentar o planeta e chegar atrasado às reuniões. E 11 ainda há quem pegue congestionamento para andar de esteira na academia de ginástica. 12 Do Itaim ao Jardim Paulista, meia horinha de caminhada. Deu para ver que a Avenida Nove de Julho 13 está cheia de mudas crescidas de pau-brasil. E mais uma porção de cenas que só andando a pé se pode 14 observar. Até chegar ao compromisso pontualmente. 15 Claro que há pedras no meio do caminho dos pedestres, e muitas. Já foram inclusive objeto de teses 16 acadêmicas. Uma delas, Andar a pé: um modo de transporte para a cidade de São Paulo, de Maria Ermelina 17 Brosch Malatesta, sustenta que, apesar de ser a saída mais utilizada pela população nas atuais condições de 18 esgotamento dos sistemas de mobilidade, o modo de transporte a pé é tratado de forma inadequada pelos 19 responsáveis por administrar e planejar o município. 20 As maiores reclamações de quem usa o mais simples e barato meio de locomoção são os "obstáculos" 21 que aparecem pelo caminho: bancas de camelôs, bancas de jornal, lixeira, postes. Além das calçadas 22 estreitas, com buracos, degraus, desníveis. E o estacionamento de veículos nas calçadas, mais a entrada e a 23 saída em guias rebaixadas, aponta o estudo. 24 Sem falar nas estatísticas: atropelamentos correspondem a 14% dos acidentes de trânsito. Se o acidente 25 envolve vítimas fatais, o percentual sobe para nada menos que 50% – o que atesta a falta de investimento 26 público no transporte a pé. 27 Na Região Metropolitana de São Paulo, as viagens a pé, com extensão mínima de 500 metros, 28 correspondem a 34% do total de viagens. Percentual parecido com o de Londres, de 33%. Somadas aos 32% 29 das viagens realizadas por transporte coletivo, que são iniciadas e concluídas por uma viagem a pé, perfazem 30 o total de 66% das viagens! Um número bem desproporcional ao espaço destinado aos pedestres e ao 31 investimento público destinado a eles, especialmente em uma cidade como São Paulo, onde o transporte 32 individual motorizado tem a primazia. 33 A locomoção a pé acontece tanto nos locais de maior densidade – caso da área central, com registro de 34 dois milhões de viagens a pé por dia –, como nas regiões mais distantes, onde são maiores as deficiências de 35 transporte motorizado e o perfil de renda é menor. A maior parte das pessoas que andam a pé tem poder 36 aquisitivo mais baixo. Elas buscam alternativas para enfrentar a condução cara, desconfortável ou lotada, o 37 ponto de ônibus ou estação distantes, a demora para a condução passar e a viagem demorada. 38 Já em bairros nobres, como Moema, Itaim e Jardins, por exemplo, é fácil ver carrões que saem das 39 garagens para ir de uma esquina a outra e disputar improváveis vagas de estacionamento. A ideia é manter-se 40 fechado em shoppings, boutiques, clubes, academias de ginástica, escolas, escritórios, porque o ambiente lá 41 fora – o nosso meio ambiente urbano – dizem que é muito perigoso. (Amália Safatle. http://terramagazine.terra.com.br, 15/07/2009. Adaptado.) Assinale a opção em que a expressão ou palavra grifada expressa exagero.
  1. A)De ônibus, nem o corredor funcionaria, tomado pela fila dos mastodônticos veículos. (linha 4)
  2. B)É quase como flanar. (linha 8)
  3. C)E mais uma porção de cenas que só andando a pé se pode observar. (linhas 13 e 14)
  4. D)Um número bem desproporcional ao espaço destinado aos pedestres [...]. (linha 30)
  5. E)[...] onde o transporte individual motorizado tem a primazia. (linhas 31 e 32)
ITA20111a faseQuestao 33PortuguêsFiguras de linguagemDificil
As questões de 28 a 33 referem-se ao texto a seguir: 1 São Paulo – Não é preciso muito para imaginar o dia em que a moça da rádio nos anunciará, do helicóptero, o 2 colapso final: “A CET1 já não registra a extensão do congestionamento urbano. Podemos ver daqui que todos 3 os carros em todas as ruas estão imobilizados. Ninguém anda, para frente ou para trás. A cidade, enfim, parou. 4 As autoridades pedem calma, muita calma”. 5 “A autoestrada do Sul” é um conto extraordinário de Julio Cortázar2. Está em Todos os fogos o fogo, de 6 1966 (a Civilização Brasileira traduziu). Narra, com monotonia infernal, um congestionamento entre 7 Fontainebleau e Paris. É a história que inspirou Weekend à francesa (1967), de Godard3. 8 O que no início parece um transtorno corriqueiro vai assumindo contornos absurdos. Os personagens 9 passam horas, mais horas, dias inteiros entalados na estrada. 10 Quando, sem explicações, o nó desata, os motoristas aceleram “sem que já se soubesse para que tanta 11 pressa, por que essa correria na noite entre automóveis desconhecidos onde ninguém sabia nada sobre os 12 outros, onde todos olhavam para a frente, exclusivamente para a frente”. 13 Não serve de consolo, mas faz pensar. Seguimos às cegas em frente há quanto tempo? De Prestes 14 Maia aos túneis e viadutos de Maluf, a cidade foi induzida a andar de carro. Nossa urbanização se fez contra o 15 transporte público. O símbolo modernizador da era JK é o pesadelo de agora, mas o fetiche da lata sobre rodas 16 jamais se abalou. 17 Será ocasional que os carrões dos endinheirados – essas peruas high-tech – se pareçam com tanques 18 de guerra? As pessoas saem de casa dentro de bunkers, literalmente armadas. E, como um dos tipos do conto 19 de Cortázar, veem no engarrafamento uma “afronta pessoal”. 20 Alguém acredita em soluções sem que haja antes um colapso? Ontem era a crise aérea, amanhã será 21 outra qualquer. A classe média necessita reciclar suas aflições. E sempre haverá algo a lembrá-la – coisa mais 22 chata – de que ainda vivemos no Brasil. (SILVA, Fernando de Barros. Folha de S. Paulo, 17/03/2008.) (1) CET - Companhia de Engenharia de Tráfego. (2) Julio Cortázar (1914-1984), escritor argentino. (3) Jean-Luc Godard, cineasta francês, nascido em 1930. NÃO há emprego de metáfora em
  1. A)Ninguém anda, para frente ou para trás. (linha 3)
  2. B)Quando, sem explicações, o nó desata, os motoristas aceleram [...]. (linha 10)
  3. C)[...] mas o fetiche da lata sobre rodas jamais se abalou. (linhas 15 e 16)
  4. D)As pessoas saem de casa dentro de bunkers, literalmente armadas. (linha 18)
  5. E)A classe média necessita reciclar suas aflições. (linha 21)
ITA20111a faseQuestao 37PortuguêsFiguras de linguagemMedia
Considere o poema "Gioconda (Da Vinci)", de Carlos Drummond de Andrade, que se refere a uma célebre tela renascentista: O ardiloso sorriso alonga-se em silêncio para contemporâneos e pósteros ansiosos, em vão, por decifrá-lo. Não há decifração. Há o sorriso. (Em: Farewell. Rio de Janeiro: Record, 1996.) O poema acima, "Gioconda (Da Vinci)", de Carlos Drummond de Andrade, refere-se a uma célebre tela renascentista. NÃO se pode afirmar que o poema
  1. A)faz uso de metalinguagem num sentido amplo, pois é uma obra de arte que fala de outra.
  2. B)procura se inserir no debate que a tela Gioconda provoca desde a Renascença.
  3. C)mostra que são inúmeros os significados do sorriso da Gioconda.
  4. D)garante não haver razão alguma para a polêmica, como diz o último verso.
  5. E)ilustra a polissemia de obras de arte, inclusive do próprio poema.
ITA20111a faseQuestao 40PortuguêsFiguras de linguagemMedia
Considere o poema a seguir, de Ronaldo Azeredo: Esse texto I. explora a organização visual das palavras sobre a página. II. põe ênfase apenas na forma e não no conteúdo da mensagem. III. pode ser lido não apenas na sequência horizontal das linhas. IV. não apresenta preocupação social. Estão corretas
Imagens anexadas
  1. A)I e II.
  2. B)I, II e III.
  3. C)I e III.
  4. D)II e IV.
  5. E)todas.
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